Meu querido sonâmbulo 2

25 Meu querido descanso


Notas iniciais
Tentei ao máximo não demorar muito com essa atualização, vocês acham que eu consegui? Kkkkkkcrying. Era pra esse capítulo ter saído ontem, mas eu não gostei do resultado final e o reescrevi todinho hoje (sim eu sou doida). Meus dedos estão doendo, mas acho que valeu a pena! Espero que gostem. Boa leitura!

Mais uma vez, músculos exaustos e corpo pesado demais para ser erguido em um único impulso — até porque, naquele momento, até mesmo a mente da Kim estava cansada demais para obrigá-la a despertar. Não havia mais uma batalha interna entre a sua mente e o restante do seu corpo como quando acordara no hospital, apenas algo parecido com um estado interminável e um tanto incômodo de inércia. Ela estava dormindo e queria acordar, porém, simplesmente não conseguia fazê-lo.

Respirou fundo, reunindo o resquício de força que ainda lhe restava. Pelo conforto tão familiar, Shinhye sabia que estava deitada na sua cama antes mesmo de, finalmente, conseguir abrir os olhos. Como esperado, a primeira coisa que viu foi o teto marfim do seu próprio quarto, a mesma cor que tingia as paredes da maioria dos outros cômodos do apartamento; afinal, aquela era a sua cor favorita. Remexeu-se sobre a cama para se acomodar melhor, acabando por puxar para baixo o edredom que a cobria até a altura do seu pescoço.

Percebeu, então, que estava de pijamas; mas como?

A Kim precisou forçar a memória para conseguir se lembrar de como tinha voltado para casa na noite anterior. Tinha pegado um táxi, de fato, e pagara pela corrida usando algum aplicativo no celular. Precisou subir até o andar do seu apartamento pelas escadas, já que o único elevador do prédio estava em manutenção, o que não ajudou em nada a melhorar o seu nítido estado de exaustão; muito pelo contrário. Ainda presa em um estado catatônico por conta de tudo o que tinha feito e visto — especialmente pelo estado no qual encontrara Namjoon, algemado, confuso e machucado — ela demorou alguns longos minutos para conseguir vencer todos aqueles degraus e, só então, chegou no seu andar pela saída de incêndio. Sentia um peso dentro do peito como há muito tempo não vivenciava, algo que ia além de uma simples tristeza. Sentia-se muito mal, mas de um certo modo que nenhum remédio conseguiria curá-la.

Ah, Jungkook estava lá.

Certo, o Jeon estava a esperando na sua porta quando Shinhye chegou em casa. O único problema era que, a partir daí, a sua memória já começava a sabotá-la de um modo consideravelmente cruel. Tudo do que se lembrava eram flashes soltos e borrados do que realmente havia acontecido, como um choro doído e repleto de soluços incontroláveis — já fazia mais de uma década que Shinhye não chorava daquele jeito, inclusive. Ela e Jungkook tinham conversado? A Kim, na verdade, sequer se lembrava de quando ele tinha ido embora.

Mas isso se dava pelo fato de que ele não tinha realmente o feito.

— Você está acordada? — a voz masculina repetiu a mesma pergunta que Taehyung havia lhe feito no dia anterior e a questão acabou soando como um déjà-vu aos ouvidos da terapeuta, porém, dessa vez, não se tratava do seu irmão ao seu lado. — Que bom, porque eu já estava quase ligando para a emergência.

A figura alta e jovial de Jungkook lutava para atravessar o vão da porta do quarto de Shinhye, ainda que a mesma estivesse escancarada, porque trazia consigo uma bandeja de café da manhã aparentemente pesada; o que era nítido mesmo que a Kim não conseguisse visualizar com precisão o que ele trazia sobre a mesma. O fato de Jungkook estar ali a pegou completamente de surpresa, mas esse sentimento não era maior do que o pavor de que o Jeon derrubasse toda aquela bandeja no meio do caminho — afinal, ele era um verdadeiro desastre de ser humano e ela ainda se lembrava muito bem daquilo.

A ansiedade fez com que Shinhye finalmente conseguisse se mover com maior normalidade. Ela se sentou na cama e, felizmente, Jungkook conseguiu se concentrar o suficiente para levar a bandeja até a mesma sem que nada ficasse pelo caminho. Depositou o objeto sobre o colchão com cuidado, ao lado da dona daquele quarto, e permaneceu em silêncio apenas à espera do interrogatório que ele sabia que estava por vir.

— O que você está fazendo aqui? — a Kim perguntou mais confusa do que realmente o acusando de alguma coisa.

Fitou de relance a bandeja sobre cama, encontrando ali o que parecia ser um mingau de consistência cremosa e bem viçoso, além de alguns acompanhamentos que fizeram a sua boca salivar.

Quando tinha se alimentado pela última vez mesmo? Alimento de verdade, no caso, e não o soro que tinha sido injetado na sua veia na noite passada.

— Eu não podia deixá-la naquele estado, oras. Eu fiquei assustado, foi a primeira vez que eu a vi chorando e ainda mais daquele jeito tão desesperado. Além disso, tinha isso. — respondeu aparentando sinceridade e, em seguida, apontou para a mão enfaixada que Shinhye mantinha repousada sobre o edredom. — Você estava até machucada, como eu iria deixá-la sozinha? Eu posso ter sido um cafajeste com você, mas eu não sou um canalha.

Ao ouvir aquilo, Shinhye se sentiu na obrigação de erguer uma sobrancelha discriminatória na direção do mais novo. Enquanto o encarava, fez uma nota mental de que já havia passado da hora de arrancar aquele curativo exagerado da sua mão.

— Você sabe que o que acabou de dizer não faz o menor sentido, não sabe? — ela questionou e o Jeon encolheu os ombros, mudo. — Você passou a noite aqui?

— Sim. Mas não se preocupe, eu dormi na sala. — ele tratou de se explicar rapidamente. — Eu imaginei que a minha cara não fosse ser a primeira coisa que você quisesse ver ao acordar.

— Bem, você imaginou certo. — ela afirmou sem se importar se estava sendo grosseira com o ex-namorado, afinal, quem carregava um par de chifres enfeitando a cabeça até hoje era ela. Ainda assim, Shinhye voltou a fitar a bandeja com comidas cheirosas e aparentemente bem preparadas posta ao seu lado. Desconfiou da boa aparência dos pratos. — Foi você quem cozinhou tudo isso?

— Não, eu desci a rua para comprar na barraca da Sra. Lee. Sei que você adora a comida dela. — o Jeon respondeu. — Pode comer tranquila, eu não preparei absolutamente nada dessa refeição.

Também havia aquele outro pequeno detalhe sobre Jungkook: ele mesmo tinha se proibido de pôr os pés na cozinha, especialmente depois de quase ter intoxicado Shinhye com um jantar romântico totalmente fora de época que ele havia inventado de preparar certa vez. Depois de uma lavagem estomacal e uma bronca daquelas, o Jeon preferiu não se aventurar mais naquele território que claramente não era para si — e certamente não o faria depois de presenciar o péssimo estado da Kim na noite anterior. A terapeuta merecia, no mínimo, a saborosa e caseira refeição do dia da Sra. Lee.

Shinhye fitou a bandeja novamente, dessa vez infinitas vezes mais tentada a aceitar toda aquela comida. Além da fome eminente, a comida da Sra. Lee era realmente deliciosa e o estômago da Kim já estava acostumado a ser salvo pela mais velha nos dias mais cansativos e corridos do dia a dia de Shinhye — que eram quase todos, no caso. Pensando nisso, em silêncio, a Kim apenas arrastou a bandeja para mais perto de si e, primeiramente, começou provando os legumes grelhados com manjericão no azeite de oliva, um dos seus acompanhamentos preferidos.

Seu estômago roncou, satisfeito. A refeição estava mais deliciosa do que nunca.

— Há quanto tempo você não come direito? — Jungkook questionou diante da velocidade com que a Kim colocava as colheradas generosas de comida na boca, mastigando tudo como se estivesse no ápice da sua pressa. A terapeuta o fitou, séria. — Desculpa, eu sei que não tenho mais o direito de fazer esse tipo de pergunta. Não quis me intrometer na sua vida.

De repente, Shinhye colocou a colher de lado por um momento. Além de começar a sentir necessidade de fazer uma pausa para mastigar direito, ela ainda tinha muito o que esclarecer com Jungkook. Já tinha problemas demais em sua vida e, naquele momento, a última coisa da qual precisava era de um ex-namorado traidor voltando para assombrá-la; então, se fosse para despachá-lo, que o fizesse logo de uma vez. Ele até podia estar cuidando dela naquele momento e tudo mais, mas isso não mudava muito a visão que a terapeuta atualmente tinha do Jeon.

— O que você veio fazer aqui, Jungkook? — perguntou enquanto terminava de engolir a comida que ainda restava na sua boca. — Se veio buscar as suas coisas, saiba que já é tarde demais. E eu já tinha lhe avisado isso antes.

Ela perguntava como quem realmente não tinha entendido o motivo da aparição do Jeon, afinal, já fazia semanas desde o rompimento dos dois.

Jungkook deixou uma risada tímida escapar.

— Eu jamais esperaria rever as minhas coisas, não depois de tudo o que aconteceu. Qualquer que tenha sido o destino delas, acho que eu mereci, no fim das contas. — respondeu. Ele estava sentado de frente para ela na cama, por mais que não tivesse pedido permissão para fazê-lo. — É que, depois daquele dia, nós não conversamos mais e... Bem, eu não tive a chance de lhe pedir desculpas.

— Você quis dizer o dia que eu descobri que estava sendo chifrada? — a terapeuta questionou enquanto comia um pouco de mingau. — Por que diabos você me pediria desculpas por algo que já aconteceu e que nem conserto tem, Jungkook?

— Porque eu ainda errei. — o mais novo afirmou, sério. — Você me ajudou em tudo que era possível nessa vida, Shinhye. Abrigou-me no seu apartamento quando os meus pais me expulsaram de casa, me incentivou a continuar na faculdade e ainda arcou com parte das minhas despesas enquanto eu procurava por um emprego... E eu retribuí tudo isso com uma traição. Pedir desculpas é o mínimo que eu posso fazer.

Outra pausa na refeição. Novamente, a colher do mingau foi colocada de lado na bandeja. Shinhye respirou fundo.

— Sendo sincera, eu entendo você. — ela disse, pegando Jungkook de surpresa. — Você ainda é novo e tem muito para viver e descobrir. A vida que você estava vivendo ao meu lado não era fácil e eu admito que eu mesma dificultava a nossa convivência às vezes. — admitiu. — Isso não quer dizer que eu vá lhe perdoar, claro, mas eu não pretendo ser hipócrita também. O nosso tempo juntos já tinha acabado, acontece.

— Mas a culpa de nada disso foi sua. — ele insistiu. — Sim, vez ou outra era difícil de conviver com você, mas isso não justifica a minha traição.

— E quando foi que eu disse que justificava, Jeon Jungkook? — rebateu e arqueou uma sobrancelha. — Eu só disse que entendo o seu lado, o que não deixa de ser verdade. Mas nada justificaria você ter feito o que fez comigo.

— Eu... Eu peço desculpas, de verdade. — o Jeon pediu, realmente arrependido. — Eu sei que você não vai aceitar e, na verdade, esse é um direito completamente válido seu, mas eu peço sinceras desculpas por tudo o que fiz. Você não merecia ser traída desse jeito. Sendo sincero, até hoje eu acho que você merece alguém muito melhor do que eu.

Por mais que Shinhye ainda quisesse esmurrar aquela face tão bem harmonizada e proporcional de Jungkook, o pedido de desculpa do mais novo também não deixava de ser válido. Ele tinha errado e, sinceramente, ela esperava que ele não voltasse a fazer aquilo com nenhuma outra mulher, e o namoro dos dois tinha chegado ao fim, ponto final. Não voltariam a se ver, não manteriam contato... Apenas seguiriam as suas vidas normalmente um sem o outro, exatamente como era antes de se conhecerem. Shinhye podia até acabar o perdoando em algum momento, ainda que tal momento estivesse bem distante do tempo presente, mas também não era como se a separação dos dois ainda a afetasse.

Na verdade, dizer que eles se amavam verdadeiramente era até um exagero.

A Kim franziu o cenho.

— Alguém melhor do que você? — perguntou enquanto comia um pouco mais daqueles legumes tão frescos.

Estava, na verdade, dando uma discreta alfinetada no Jeon, mas o rapaz pareceu levar a pergunta bem a sério.

— Sim. — reafirmou. — Alguém que realmente saiba valorizar o quanto você se doa para as outras pessoas sem esperar nada em troca. Alguém que a agradeça do jeito que você merece, que esteja disposto a fazer o que precisa ser feito por você e, principalmente, alguém que seja capaz de passar confiança quando diz que vai ficar tudo bem. Esse tipo de pessoa, sabe?

Dessa vez, a mão de Shinhye parou suspensa no ar ainda segurando uma colher cheia de mingau. Em seguida, ela abaixou a mesma lentamente enquanto comprimia os lábios, surpresa com a imagem que automaticamente surgira em sua mente ao ouvir aquelas características específicas citadas por Jungkook.

Por que tinha pensado em Kim Namjoon?

A resposta para aquela pergunta era um tanto simples, por mais que Shinhye tentasse negar: porque ele cumpria perfeitamente bem todos aqueles requisitos. Desde a primeira vez que se falaram, quando o Kim a consolou no meio da rua mesmo que não a conhecesse, até quando ele cogitou se entregar para a polícia para cortar o envolvimento dela com toda a sua bagunça; e da última vez que se viram, inclusive, quando Namjoon apenas a agradeceu em meio a todo aquele caos de sirenes e machucados... Ele sempre tinha feito tudo dentro do seu limitado alcance por ela e para demonstrar tamanha a gratidão que tinha pelo modo como Shinhye o defendia.

Porque Kim Namjoon era aquele tipo de pessoa.

Com aquilo em mente, a realidade lhe atingiu em cheio. Enquanto estava ali, no conforto da sua cama e aproveitando uma refeição caseira deliciosamente recém-preparada, Namjoon estava...

— Que horas são agora? — a terapeuta perguntou fugindo completamente do assunto, o que pegou o Jeon um tanto de surpresa.

Porém, para ter uma mínima ideia do paradeiro de Namjoon naquele momento, ela precisava daquela informação. Precisava saber em qual etapa estava o seu plano naquele exato momento.

— Deixe-me ver. — Jungkook balbuciou enquanto puxava o celular do bolso traseiro da calça jeans. Acendeu a tela do aparelho e fitou a terapeuta. — Duas e meia.

— O que?! — a Kim exclamou, surpresa. — Eu dormi tanto assim?

— Tecnicamente, sim. — o Jeon respondeu. — Mas eu não quis acordá-la porque, o que quer que tenha acontecido ontem ou que vem acontecendo com você ultimamente, estava mais do que na cara o quanto você precisava descansar e se cuidar um pouco.

Shinhye ponderou por um momento, pensativa. Jungkook não deixava de estar certo, infelizmente, mas ela não poderia se dar mais àquele luxo —não quando tinha tanto que poderia estar acontecendo naquele momento.

— Sim, mas... — pausou, repentinamente mais agitada. — Você viu o meu celular por aí?

— Está na sala. — ele respondeu sem precisar pensar, afinal, o próprio Jeon que tinha o deixado lá para que ficasse o mais longe possível da Kim enquanto ela dormia tão profundamente.

A verdade era que Jungkook não fazia ideia do que poderia ter acontecido a Shinhye para que ela chegasse ao ponto de desmoronar daquele jeito — afinal, ele nunca tinha visto uma lágrima sequer escorrer dos olhos da Kim enquanto ainda estavam juntos — mas sabia que ela deveria ter aguentado muito sozinha até então para acabar naquele estado. Por isso, se ele pudesse ajudá-la de qualquer que fosse o jeito, ele o faria. Era por isso que tinha passado a noite no sofá da sala, ido comprar uma refeição decente para ela naquela manhã e até a ajudado a trocar as suas roupas por um pijama confortável na noite anterior, tudo para que Shinhye pudesse tirar um pouco daquele nítido peso em suas costas. Talvez, ele pudesse até estar se redimindo um pouco daquele jeito, ainda que aquele não fosse o seu foco.

Por isso, quando a Kim fez menção de deixar a sua refeição de lado e levantar da cama, muito provavelmente para ir atrás do seu celular e de mais problemas, Jungkook se apressou para impedi-la. Segurou-a pelo braço, prestando atenção para não a machucar ou parecer agressivo, e fitou diretamente a sua expressão confusa.

— O que é isso? — ela questionou.

— Shinhye... — ele iniciou sem saber ao certo o que dizer para convencê-la. Nunca tinha sido bom em lidar com a Kim, no fim das contas. — Por que você não descansa um pouco mais?

— Eu não posso, Jungkook. Eu preciso...

— Por favor. — o Jeon a interrompeu, quase implorando. — Deixe esse ser o meu pedido de desculpas, o que você acha?

Ela franziu o cenho.

— Como assim?

— Eu fico aqui hoje e cuido de você. — o mais novo insistiu. — Você descansa mais um pouco e passa um único dia que seja longe dos seus problemas enquanto deixa o seu corpo se curar, que tal? Porque eu não sei o que aconteceu ontem, mas eu nunca a vi daquele jeito antes... Você nitidamente precisa de uma pausa, Kim Shinhye.

A Kim o fitou, séria. Na verdade, ponderando melhor toda aquela situação, Jungkook não deixava de ter razão. Ela vinha tão envolvida em ajudar Namjoon nos últimos tempos, tão cega pela sua busca pela verdade, que acabou esquecendo de si própria. O seu corpo já dava sinais de exaustão há alguns dias, um dos principais motivo para o seu colapso no meio do comício de Song Donghae na noite anterior, mas ela vinha os ignorando descaradamente. Todo o cansaço e a desidratação chegaram a levá-la a um nível de pré–anemia, mas ela não podia mais continuar fazendo aquilo consigo mesma. Se Shinhye não descansasse um pouco e não cuidasse de si mesma, finalmente dando uma chance ao seu corpo para se curar e se fortalecer, então o que acabaria acontecendo com ela?

Se atingisse o limite máximo do seu corpo, de que ajudaria poderia ser para qualquer um que fosse?

Respirou fundo e encarou o Jeon.

— Eu só preciso fazer uma ligação, está bem? — ela disse, por fim, mas Jungkook não pareceu muito convencido daquele. Quando diabos ele tinha amadurecido daquele jeito? — Eu juro que é só isso e depois eu volto para a cama. Pode ser do seu celular mesmo, eu não me importo.

Dito aquilo, o Jeon acabou soltando o braço de Shinhye e entregando a ela o seu telefone, que estava jogado sobre a cama. Ainda não estava muito convencido de que ela descansaria realmente depois daquele telefonema, mas, ao menos, ela havia prometido que o faria, o que já era alguma coisa.

Shinhye pegou o aparelho já desbloqueado e discou um dos pouquíssimos números de telefone que sabia de cor e salteado. Permaneceu onde estava, de pé ao lado da cama, já que pouco importava se o mais novo ouvisse aquela conversa ou não.

Um toque, dois toques, três toques... Chamada recusada.

Era óbvio que Kim Taehyung não atenderia a uma ligação de JeonJungkook. Se fosse para ter qualquer tipo de ligação com o Jeon, o irmão mais novo de Shinhye preferiria que fosse uma mais física e sangrenta. Ainda assim, Shinhye resolveu tentar mais uma vez.

Um toque, dois toques...

— O que você quer? — o Kim mais novo atendeu de forma ríspida e sussurrada, deixando claro que aquele não era o melhor momento para uma ligação.

— Sou eu, Taehyung. — Shinhye tratou de esclarecer antes que o irmão desligasse. — Não me pergunte o que eu estou fazendo com o celular do Jungkook. Eu estou bem e me cuidando, fique tranquilo. — ela o acalmou e, só então, ouviu o Kim respirar um pouco mais aliviado do outro lado da linha. — Eu só preciso saber como estão as coisas.

— Eu já estou com o pacote. — Taehyung respondeu depois de uma breve pausa. Ao fundo da ligação, Shinhye conseguia ouvir o típico barulho de estrada. — Será entregue muito em breve e em segurança.

— Se você fizer alguma coisa com ele, eu juro que...

— Eu prometo. — o Kim mais novo a interrompeu e, por mais que a sua voz soasse firme e um tanto ríspida para quem pudesse ouvi-lo naquele momento, Shinhye sabia que o irmão estava sendo sincero. Ao menos quanto aquilo ela poderia ficar mais tranquila. — Não precisa se preocupar.

Dito isso, Taehyung encerrou a chamada sem grandes despedidas. Um pouco menos aflita, Shinhye devolver o aparelho celular para Jungkook.

Agora só lhe restava esperar.

Notas finais
E então, o que acharam? Todo mundo ainda odeia o Jungkook rssss? No próximo eu conto pra vocês o que os irmãos Kim estão aprontando com esse "pacote", juro. Até breve ♥