Meu querido diário
4 Ligação amiga
Notas iniciais

— A feira é rápida Monica, o papai não pode faltar, e eu não posso te levar comigo, então você pode chamar suas amigas lá, como é o nome da menina de cabelo loiro mesmo? Debora? – Ele perguntou rindo, sabia que estava me chateando.
— Denise, Titi, você sabe muito bem o nome dela, e por que não posso ir com você? – Eu perguntei começando a imaginar como seria incrível participar da minha primeira festa de uma faculdade.
— É pra rir né? Você tem 17 anos, é menor de idade, não vou me responsabilizar por você – Ele tinha o dom de cortar meu barato.
— Sou mais madura que você não preciso que fique responsável por mim, é mais fácil o contrario, o que que custa me levar? – Eu perguntei brava.
— Monica, é uma festa de faculdade, e alem disso você acha que ia ficar fazendo o que lá? Conversando com meus amigos? Não sonha, você vai ficar esperando o papai em casa e pronto, ele volta antes das 22 horas e está com saudade de você – Ele finalizou com ar autoritário.
— Aff, você pensa que é meu pai né? Que saco, tem só 5 anos a mais que eu, e final do ano que vem faço 18 – Eu argumentei de braços cruzados.
— É mas ainda tem 17, e ainda não te levaria se tivesse 18, então não e fim de papo – Ele concluiu estacionando na frente da minha segunda casa.
A casa continuava do mesmo jeitinho, ainda com a garagem grande na frente, e o quintal de fundo, escondidos atrás do grande portão branco ladeado de mármore.
As ruas estavam escuras e frias, caia um leve sereno sobre nosso cabelo, tratei de correr para dentro, sem olhar para o Titi que já tinha conseguido me irritar, como sempre.
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Assim que a porta se abriu meu pai virou em minha direção para me abraçar acompanhado do meu cachorrinho Monicão que pirilampava pelo assoalho, que saudade que sintia disso todos os dias.
Depois da recepção regada de abraços, Titi deu meia volta para buscar a Aninha, eles iam sair não entendi e nem quero saber na verdade para onde, já eu fui arrumar minhas coisas no meu quarto sob muitas perguntas do meu pai, algumas me deixaram encabuladas, mas era quase lógico que aconteceriam perguntas, foram do tipo, “e ai, é... Digamos que, não sei.... Você já namora, tem pretendentes?”, até em quanto eu tinha tirado na última prova de matemática, sorte que fui bem.
Quando respondi que não namorava ainda, vi uma expressão de calma e tranqüilidade tomar conta do rosto do meu pai, eu quase ri, mas não queria dar pano pra manga desse assunto.
Depois de um bom bate papo e comida, e confesso que comi muito, peguei o embalo da noite gélida e me deitei para dormir, queria acordar cedo pra ligar para a De, fazia tempo que não nos falávamos direito e aproveitaria para convida — lá pra ficar comigo no sábado a noite.
Dormi até que bem, gosto desse colchão, mais do que o meu lá de casa, mas o vento estava tão forte que as janelas de madeira batiam contra a estrutura que a segurava, me causando um pouco de arrepios.
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Acordei num pulo e dei de cara com um dia bonito, típico de primavera, nem parecia que tinha ventado a noite inteira, o frio estava um pouco mais fraco agora. Meu quarto permanecia do mesmo jeitinho que deixei quando mudamos, amava aqueles moveis, lembro que na época papai ralou bastante para serem planejados.
Ainda tinha meu baú de brinquedos em um canto, e eu não pensei duas vezes em sentar na frente para abri-lo, sempre fazia isso quando ia para lá. Avistei diversas bonecas diferentes, todas com roupinhas de tricô que minha avó costumava costurar, lembrei de como amava quando ela vinha com uma roupa nova, isso era incrivelmente nostálgico.
Com um barulho surdo e um susto virei e vi meu pai sorrindo na porta, me olhando de braços cruzados, me senti uma criança novamente, uma sensação ótima tomou conta de ambiente.
— Matando a saudade filha? – Meu pai perguntou sentando na cama.
— Sim papi, que saudade dessas roupas que a vovó costurava, ela ainda faz tricô? – Eu perguntei me levantando e sentando na cama também.
— Acho que sim Mo, no final do ano perguntamos para ela, quem sabe ela pode te ensinar – Ele respondeu sorridente.
— Verdade, quem dera saber costurar igual ela – Eu lembrei das noites que ela passa costurando e me contando os casos do tempo dela.
– Você vai viajar com a gente né?- Meu pai perguntou repentinamente.
— Com a gente quem? O Titi vai? – Perguntei desanimada.
— Vai, ele também é neto deles lembra? Vamos tomar café? – Ele seguiu para a cozinha.
— Ah que beleza – Respondi virando os olhos – Vamos, estou com fome, vem Monicão – Eu o acompanhei com o meu cachorrinho em minha cola.
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— O Titi me falou que a noite você vai ter compromisso – Eu entrei no assunto enquanto passava manteiga na torrada.
— Pois é filha, tentei de todo jeito pular fora, mas não posso, tenho que dar uma palestra sobre minha área em uma feira de tecnologia, não te avisei por que estava com saudade, queria te ver esse final de semana, mas papai volta rápido não se preocupe – Ele lamentou me olhando carinhosamente.
— Não se preocupa pá, eu vou chamar a De pra ficar comigo ou vou à casa dela ok? – Eu tentei confortá-lo, sabia que era importante para ele comparecer a essa feira, jamais deixaria de passar um tempo comigo se realmente não fosse preciso.
— A não ser que queira ir filha, vai ser até legal lá, tem vários novos aparelhos eletrônicos que serão lançados – Ele propôs.
— Não pai, não mesmo! Obrigada, mas preciso descansar, vou aproveitar pra colocar minha série em dia – Eu conclui – Tenho uns 3 capítulos atrasados.
— Ah é? Bom, então tudo bem, mas qualquer coisa você me liga, e vê se não abre a porta para qualquer um – Meu pai sempre fofo com os mesmos avisos.
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Terminei meu café, e corri para o meu celular, precisava falar com a De o quanto antes, se eu me lembro bem, ela tem os finais de semana bem agitados. Disquei e esperei ansiosa, em menos de um minuto a voz dela surgiu atendendo, sempre animada.
— Moooo, que saudade mulherrr, me esqueceu foi gatz? — Ela me cumprimentou.
— Dêê! Que saudade amiga, esqueci nada, é que mês passado não consegui vir pro meu pai, você sabe né? Provas e mais provas, sem contar aulas extras na escola – Eu contei lamentando.
— Que coisa mais chata, não sei como aguenta estudar em uma escola integral rsrs, eu já piro com a minha em horário normal – Ela me respondeu rindo – Mas e ai o que manda de bom?
— Pois é rsrs, então amiga, o que fará hoje a noite? Eu vou ficar sozinha aqui em casa queria te chamar pra ficar comigo – Eu choraminguei.
— Claro vou sim, mas sozinha? Por que amiga? Cade seu papi e o boymagia do seu irmão? – Ela me perguntou fazendo algum barulho no fundo que imaginei ser de lixa.
— Ah, meu pai vai ter um evento da empresa, e meu irmão, que fique claro não tem nada de magia, vai pra festa da faculdade dele – Conclui revirando os olhos.
— Festa da faculdade? – Ela me assustou gritando do outro lado do telefone.
— Ai que susto, é uma festa de final de semestre, porque agora eles vão pro último, sei lá, nem me interessa também, ele não quer me levar – Respondi brava.
— Como não te interessa amiga? Cheio de boymagia lá, festa de faculdade é outro nível, a gente precisa ir – Ela comentou se animando mais ainda.
— Como assim a gente precisa ir? Meu irmão nunca nos levaria, sem chance – Eu imaginei chateada.
— Ahhh Moniquinha, por isso que disse pra você não demorar muito pra voltar pra Sampa, parece até que não lembra com quem está falando, sou eu a Denise, acha que não consigo colocar a gente lá dentro? – Ela me animou de repente.
Denise é do tipo de amiga que sempre está ao meu lado, ao mesmo tempo que é craque em entrar em enrascadas, é super hábil em sair delas. Quando se trata de conselhos, ela é ótima, pode até te ouvir chorando mas em seguida vem com alguma história que te faz rir, mais rir mesmo, daquelas risadas de doer a barriga e te fazer esquecer pelo menos um pouco o motivo da sua dor.
Nos tornamos amigas desde o começo, desde pequenas, já discutimos, claro, várias vezes, ainda mais que ela paga um pau pro meu irmão, e eu tenho aflição só de pensar nisso, mas nunca passa de um dia nossa briga, no momento seguinte já estamos juntas novamente.
— Sério? Não acredito? – Eu me levantei ansiosa – Que horas vou pra sua casa?
— Vem umas oito horas e trás todo seu estojo de maquiagem e sua roupa, se troca aqui – Ela concluiu – Agora deixa eu ir cuidar da nossa entrada, beijos.
— Ok, ok – Eu desliguei eufórica.
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