Meu querido amor.
2 Como tudo começou.
Notas iniciais

Desde o principio...
Tudo começou naquele fatídico dia.
Eu era uma criança bem peculiar, a cada semana decidia que ia ser alguém marcante. Já fui aspirante à embaixadora da paz, modelo internacional, campeã nacional de karate e todo o tipo de coisa incrivelmente difícil de tornar realidade, tudo isso com apenas cinco anos de idade. Naquele dia em especifico eu acordei decidida a ser “Kat, a amiga de todos”. Tomei essa decisão após assistir uma maratona inteira de Barney, em minha defesa eu gostava de me inspirar em absolutamente tudo o que via.
Era o primeiro dia na escolinha e eu havia escolhido a roupa certa, laço de cabelo certo, sapatilha certa estava até com o sorriso certo no rosto, mas tudo foi por agua a baixo a partir do momento que Peter Donald entrou na minha frente. Primeiro ele roubou meu chocolate, mesmo assim fui educada porque aquele era o dia que me tornaria “Kat, a amiga de todos”. Depois ele me fez escorregar no papel de chocolate que ele jogou no chão, continuei mantendo a pose. Mas ai então ele pegou o meu lápis que tinha a florzinha que cheirava na ponta e quebrou, ele QUEBROU.
Naquele momento vi que meu plano não teria futuro algum com aquele monstro destruidor de florzinhas na minha sala, e fiz o que toda criança madura de cinco anos poderia fazer. Abri o berreiro e comecei a gritar pela professora, que por alguma razão parecia ter sumido do parquinho.
— Para de gritar sua louca, se eu ficar de castigo cê vai vê. – gritava aquele monstro terrível apontando dedo na minha cara.
Eu só sabia chorar e sentir a dor do luto pela minha florzinha linda. Eu jurava que a qualquer momento Peter ia avançar em mim pra tentar me silenciar, mas por obra do destino ele foi impedido.
— Sai de perto da menina Peter Donald. – sim, essa frase saiu da boca de um garotinho de cinco anos.
— Eu não fiz nada, ele é que é um bebê chorão da mamãe.
De repente eu só vi o meu herói em miniatura dando um baita beliscão no Peter bobão e me pegando pela mão enquanto me puxava correndo pra se esconder atrás de um brinquedo qualquer.
— Você ta bem? – falou o garoto enquanto me olhava com as sobrancelhas juntas de maneira engraçada.
— E-eu tô – falei enquanto limpava o nariz e olhava com devoção aquele quem me salvou das garras do perigo.
— Eu sou Charles, Charles Hastings. E você?
— Sou Kat.
— Olha, se eu te der meu lápis você deixa de ficar triste? – falou o garotinho enquanto me estendia um lápis comum. Tudo bem que o lápis dele nem tinha nada de especial, mas eu achei o máximo porque naquele momento aquele garotinho era o máximo.
Depois desse dia abandonei de vez a carreira de “Kat, a amiga de todos”. Depois de conhecer Charles tive a primeira ideia brilhante da minha vida, eu seria “Kat, a RAINHA de todos”. Fiz de Charles o meu guarda costas particular e o meti em todas as minhas confusões, e aqui estamos nós, com 17 anos de idade, quase terminando o ensino médio. E é claro, sendo sempre o assunto dos lugares que frequentamos.
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