Meu professor
1 Capítulo 1
Yran era um professor de Química que, à primeira vista, parecia apenas mais um docente qualquer. Uma pessoa comum como quase todo mundo à sua volta. Oriundo da Paraíba, Yran veio para o Rio Grande do Norte lecionar sua disciplina em algumas das escolas tradicionais da região metropolitana de Natal.
Entrou num colégio de freiras, muito tradicional e de uma reputação de ponta nas aprovações do vestibular, na área esportiva e em Olimpíadas de conhecimento.
Com um currículo invejável e uma formação extensa, dedicada e aplicada com pós-graduações de renome, Yran foi prontamente aceito, contratado e se apresentou para dar aula logo no início do ano, para as turmas da segunda e terceira série do Ensino Médio da instituição. O colégio também contava com um projeto de escola filantrópica e uma faculdade noturna, que funcionavam em um dos mesmos prédios pertencentes à instituição religiosa.
O que ele não esperava era que aquelas turmas, especialmente a turma da terceira série, se revelariam bem desafiadoras para ele ao longo do ano letivo. Também não esperava que o cenário no qual ele acabava de ingressar se tornaria também o ambiente perfeito para uma metodologia e prática de docência que ele vinha teorizando em sua mente havia tempos, e que enfim teria a chance de coloca-la em prática com aqueles novos alunos.
...
...
...
...
Na primeira semana de aula, Yran arrancou risadas dos alunos com uma frase bem simples.
Recontou sua carreira escolar. Mesmo sendo da Paraíba, passara parte da sua trajetória secundarista e acadêmica lá mesmo no RN. Contou que quando chegou no primeiro semestre da faculdade, os demais colegas de sala diziam de qual escola estavam vindo antes de ingressar no ensino superior.
Uns diziam: "Colégio Marista". Outro: "Colégio Salesiano". Outro: IFRN. Outro: Ateneu Norte-Rio-Grandense. Outro: Jerônimo Gueiros. Outro: Escola Estadual Alberto Torres. Outro: Santos Dumont. Outro: Castro Alves.
Quando chegou a vez de Yran, ele respondeu: "CAJ". Era a sigla do Colégio Agrícola de Jundiaí, uma das escolas técnicas vinculadas à UFRN, localizada num outro município tangente à cidade de Natal. Tanto seus colegas de faculdades quanto os alunos do Terceirão a quem ele agora ministrava a aula e ouviam em primeiro mão o relato dessa história, irromperam em gargalhadas ao ouvir a sigla da escola. Aparentemente o som da sigla sendo pronunciada como se fosse uma palavra, soava de um jeito estranho para todos, que acabavam dando risada com o som feito ao se pronunciar essa sigla.
Yran também chamou um pouco a atenção deles ao dizer que tinha 3 filhos, todos com nomes iniciados na letra Y: Yann, Yuri e Yago.
Ao vê-los animados com a "piadinha" e a curiosidade sobre o nome de seus filhos, Yran sentiu que talvez conseguisse conduzir aquela turma de uma boa maneira até a realização do vestibular local e do ENEM. A madre superiora, diretora da instituição, havia lhe alertado de que os alunos dessa turma precisavam se manter animados e despertos ao longo das aulas durante o ano letivo, para não caírem no desânimo diante da pressão para que fossem aprovados no vestibular.
Para uma primeira impressão, Yran estava confiante e sentia que conseguira passar uma boa primeira imagem aos alunos.
Porém, o ano letivo estava apenas começando. Yran e os alunos ainda teriam algumas surpresas e reviravoltas com que teriam de lidar.
Fale com o autor