Ayano correu para nós dizendo que deveríamos ir para o festival de verão, concordamos depois de a mesma ter insistido tanto. Nos encontramos as 7:00 perto do relógio do parque.

– Vocês deveriam ter vindo de Yukata! – Reclamávamos depois de ver Shintaro e Haruka com roupas casuais.

– Eu já me trouxe até aqui e você ainda queria que eu viesse de Yukata? – Rebateu Shintaro, indiferente.

– Comer com o Yukata não seria mais difícil? – Perguntou Haruka com o seu meigo sorriso.

– Chega! Vocês não têm jeito e da próxima vez, eu não virei! – Que raiva! Não acredito que vim de Yukata e o Haruka não! Eu admito que gostaria de ver como ele fica vestindo um Yukata.

Fomos direto para o festival e tinham tantas pessoas... Preocupei-me. Olhei para Haruka e pensei que ele poderia estar preocupado também, mas na realidade, foi uma preocupação inútil. Sua felicidade era tão grande que dava para perceber que ele estava se divertindo de longe.

– Haruka, você vai ficar bem no meio de tanta gente? – Perguntei, quase sussurrando.

– O que? Eu não entendi, Takane. – Abaixou-se para que pudesse me ouvir.

– Está tudo bem ficar aqui? Quer dizer, você não vai se sentir mal? E-Eu não quero ter que te levar pro hospital, sabe? – Fiquei um pouco corada ao ver-lo tão de perto.

– Bem, é verdade. Me desculpe por te preocupar, Takane... Eu vou ficar bem e você não vai precisar me levar para o hospital. – Ele sorriu para mim.

Quando percebemos, Shintaro e Ayano haviam sido levados pela multidão que nos cercava. Olhei aos redores e vi Ayano me olhando e quando ia chamar-la, a garota fez um sinal de “ok”, me dizendo para ir em frente com Haruka.

– E agora, o que faremos, Tanake? – O garoto perguntava para mim.

– Vamos continuar, só isso. – Respondi.

E nesse momento, ele pegou em minha mão, fazendo com que eu ficasse mais vermelha que um pimentão.

– Desse jeito eu não irei me perder de você também, certo? – Ele sorria para mim mais uma vez.

– C-certo. – Eu gaguejei enquanto desviava o meu olhar.

Andamos, corremos e nos esquivamos da multidão. Comemos bastante, especialmente Haruka, ele carregava tanta comida em seus braços que teve de soltar minha mão. Encontramos uma barraca de tiro ao alvo e decidi tentar.

– Vamos naquela ali! – Não escondi minha animação.

– Sim, vamos. Você é boa nessas coisas, não é? Você é tão legal, Takane. – Ele dizia enquanto ia em direção a barraca.

– Sou, quer dizer, um pouco... Não sou tão ruim. – Quando chegamos à barraca, me concentrei o máximo possível e tirei todos os pensamentos desnecessários da cabeça. Atirei e atirei, de novo e de novo... E vi que não conseguia acertar. A realidade é que o dono da barraca estava roubando! Quando desmascarei aquela farsa, fiquei com o maior prêmio, que era um grande urso de pelúcia. Dei-o para Haruka como uma forma de gratidão.

– Você aceita? Acho que combina com você – Eu encostei o urso em seu peito.

– Um presente? Eu aceito sim! Obrigado, Takane! Você é realmente boa. – Ele me abraçou.

– Bom é você, seu bobo. – Sussurrei para que ele não me ouvisse.

Continuamos nossa jornada pelo festival até que Haruka ficou um pouco tonto com a grande multidão. Levei-o para o parque onde nos encontramos e sentamos num banco de lá mesmo.

– Eu disse... Você está bem? Quer ir para o hospital? Eu estava brincando, nós podemos ir agora. Devo chamar uma ambulância? Seus pais? Meus pais? Quem eu chamo? Ayano e Shintaro? – Atropelei-o com perguntas, eu estava em pânico.

– Calma, Calma. Foi só uma tontura e eu já estou bem. Obrigado, Takane. – Se recompôs o garoto.

– Eu só fiquei preocupada e não precisa agradecer, qualquer um faria isso. – Eu disse.

– Não só por isso... Por tudo. – Ele estava corado.

– Tudo? Tudo o que? – Me assustei com o rumo que a nossa conversa estava tomando.

– Por estar comigo e ser tão atenciosa com alguém como eu... Só queria me divertir um pouco com você e já trouxe dor de cabeça, me desculpe por ser tão fraco. – Sua voz estava abatida.

– Não diga isso! – Gritei.

– Taka...? – O interrompi.

– Eu não ligo se você é fraco! Eu te amo assim mesmo! Eu sempre soube do seu estado e nunca deixei de sentir amor por você por conta disso, isso só me faz te amar mais ainda e nunca mais diga isso, você me ouviu?! – Continuei gritando com ele.

– Amor? – Ele abaixou sua cabeça.

– Amor? Eu disse amor? Quer dizer... eu... – Não percebi que me declarei. O que eu faço? Eu não estava preparada! Eu vou levar um fora do Haruka... Eu...

– Takane. – Ele falou de forma séria.

– S-Sim? – Eu disse quase fugindo de lá.

– Isso é verdade? Você me ama? – Ele perguntou.

– E-Eu, sim, não, digamos... – Tentei explicar a minha situação. Perguntar as coisas diretamente assim fazia mal para o meu coração!

– Eu também te amo, Takane. – Ele me abraçou tão forte que achei que eu fosse quebrar.

– Haru...ka? – Me aconcheguei em seus braços.

Ficamos por um bom tempo daquele jeito, até que sai de seus braços e perguntei se aquilo realmente havia acontecido.

– S-Sim, aconteceu... – Era a primeira vez que vi Haruka corar.

– Então, você é o meu... meu... – Tentei fazer com que a palavra saísse de minha boca.

– Namorado, eu acho... Tudo bem para você? – Ele sorriu mais uma vez.

– Sim! E eu sou a sua namorada? – Fiz uma pergunta tão boba, mas eu estava tão feliz que nem ligava para isso.

– Sim! – Respondeu ele.

Demos as mãos mais uma vez e finalmente dei o meu primeiro sorriso realmente sincero daquela noite. Ficamos pelo parque por mais algum tempo e encontramos Ayano e Shintaro depois.

– Acabamos nos perdendo. – Riu Ayano – O que vocês fizeram?

– Precisamos contar uma coisa. – Haruka e eu dissemos em uma perfeita sincronização.

– Nossa! Contem, contem! – Falou Ayano.

– Estamos namorando. – Afirmamos.

– Uau! Sério? – Ayano e Shintaro não pareciam nem um pouco surpresos – Meus parabéns!

Na volta para casa, conversei um pouco com Ayano.

– como você sabia? – Perguntei.

– Você só precisava de um empurrãozinho. – Ela riu.

– Contou para o Shintaro também?

– É claro. Ele deveria saber! – Ela disse me entregando um chaveiro igual ao dela. – Comprei para você. Parabéns pelo seu esforço, Takane.

E assim, naquela noite de festival, fiz com que meu primeiro amor se tornasse o meu primeiro namorado. Nós, meros jovens, realmente vivíamos dias felizes.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!