Meu primeiro amor foi como uma flor
1 A primeira vez que nos falamos
Estava eu voltando da escola pra minha casa, quando ouvi o choro. Segui até à origem do barulho e a encontrei. Uma menina de longos cabelos castanhos, os olhos inchados de tanto chorar, toda encolhida, agachada atrás dos vasos da minha mãe, no quintal de casa. Eu a conhecia. Seu nome era Han Jae-Hee, a menina mais bonita da minha classe.
— O que foi? Por que você está chorando?
Ela me olhou assustada e ficou apenas soluçando, até que conseguiu falar.
— Meu pai quer me matar.
— Não é possível. Pais não matam os filhos. Eles os protegem de todo o mal.
— Meu pai (soluço) é diferente.
— Seu nome é Jae-Hee, não é? Meu nome é Kang Ma-Ru, sou seu colega de aula. Olhe, Jae-Hee, seu pai deve estar bravo agora, mas a raiva dele vai passar, pois os pais não ficam com raiva dos filhos para sempre. Seu pai vai perdoá-la, mais cedo ou mais tarde.
Jae-Hee sacudiu a cabeça veementemente recomeçando a chorar alto. Vendo que nada a convenceria do contrário, resolvi acalmá-la.
— Temos comida em casa. Você não quer comer alguma coisa? Beber água?
Ela assentiu com a cabeça. Ajudei-a a levantar e abri a porta de casa para ela. Ao ficar em pé, percebi que era mais alta que eu, pelo menos uns 2 cm. Suas meias estavam sujas de limo, e havia um pequeno rasgo na blusa. Ela devia ter se sujado enquanto corria, talvez até caído no caminho estreito e pedregoso da vila onde eu morava. Lavei as mãos e servi-lhe um prato de sopa. Ela ficou olhando para o prato com o caldo simples. Não somos ricos, mas minha mãe era uma cozinheira de mão cheia. Eu sabia que assim que ela provasse iria repetir. Ela olhou pra mim é mostrou as mãos. Estavam sujas de limo.
— Venha aqui! Pode lavar as mãos! — mostrei-lhe a pia.
Jae-Hee delicadamente lavou as mãos e voltou à mesa. Ela começou a comer e então sorriu pra mim. Foi como o sol brilhando após uma manhã de chuva. Naquele momento, a imagem daquela menina cavou um espaço no meu coração e ocupou um lugar central, como o oratório de Nossa Senhora de minha mãe. Tive certeza, naquele momento, que enquanto vida tivesse, ela sempre ocuparia um espaço enorme na minha vida, e que tudo eu faria para vê-la feliz e sorridente.
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