Meu primeiro amor

1 Yuri e Rafaela - Na volta pra casa


Notas iniciais
Primeiro casal!
Pode parecer meio estranho em meio a todos os romances estrangeiros aqui no site, mas todos os casais vão ser brasileiros (ou pelo menos eu acho que vão ser).

Rafaela:

Eu não estava muito feliz aquele dia. Assim que me sentei na minha carteira dentro da classe a chuva começou a cair com um estrondo do lado de fora. "Droga, droga, mil vezes droga!" me xinguei mentalmente, "Eu não trouxe a merda do guarda-chuva!". Ligando os pontos, pensei que talvez Yuri tivesse sido o bom faz tudo que ele sempre é e levado dois guardas-chuvas pra escola, mas não, claro que ele não teria feito isso. Agora era um rezar para a chuva parar até o final da aula e eu não ter que dividir um minúsculo guarda-chuva com ele!

...

Claro que a chuva não cessou, claro. Fiquei esperando ele no pátio coberto da escola, aquele garoto começou a voltar pra casa comigo no início do ano, quando eu descobri que ele morava duas casas após a minha. Meus pais ficaram felizes, já que o horário de trabalho deles não combinava com minha escola pela manhã, e eu não podia voltar sozinha, ainda não tinha idade.

EU, particularmente, fiquei feliz no início, toda bobinha, já arrastando a asa para o amor platônico. Também, aqueles olhos lindos do Yuri faziam qualquer garota ficar assim. Balancei a cabeça, eu não podia ser igual a minhas amigas, que quando descobriram que eu ia ficar aproximadamente meia hora quase sozinha com um menino mais velho praticamente começaram a gritar e pular.

Depois de uns dias, eu descobri que aquele garoto lindo era um idiota. Como qualquer outro garoto lindo. Pra começar, ele não me esperava, e eu tinha que sair correndo para alcançá-lo ou sacrificar os últimos minutos de conversa com minhas amigas para esperá-lo. Depois, ele não era nada gentil, sempre que eu derrubava alguma coisa no chão, ao invés de juntar, ele jogava o objeto para mais longe de mim e começava a rir. Além disso sempre fazia comentários maldosos do meu cabelo, roupa, ou coisas inadequadas. Um típico moleque.

Meus pensamentos foram interrompidos quando eu vi ele e um de seus amigos chegando. O amigo dele, comparado a ele, era muitas vezes melhor, tinha um cabelo encaracolado, um sorriso lindo e era muuuito gentil e carinhoso. Me lembro que uma vez quando eu era menor, quando algunsgarotos me derrubaram no chão (aposto que o Yuri era um desses), o Michel (o amigo do Yuri) foi o único que me estendeu a mão e me ajudou a levantar. Foi o primeiro garoto que foi gentil comigo, na época foi uma coisa que me atingiu muito forte, pois todos os garotos pra mim eram malvados e nojentos.

Mas é claro que nem tudo é perfeito, o Michel, já tinha namorada. Os dois se aproximaram de mim, rindo. Não quis imaginar sobre o que eles estavam falando.

- A gente se vê cara, — Yuri disse para o Michel praticamente me empurrando para o outro lado — vamos, tampinha.

- Tchau, Rafa! — ele respondeu, acenando pra mim.

Eu acenei de volta, sorrindo, enquanto ele se virava e ia pra direção contrária.

- Você é idiota? — Yuri falou.

- Sou, e daí seu tapado? — falei, irritada pelo tom de voz dele. — Abre logo a droga do guarda-chuva e vamos acabar logo com isso.

Ele deu um sorrisinho e falou: — Já tá irritadinha? Olha, desencana do Michel, você sabe muito bem que ele já tem namorada. — Dava risadinhas enquanto abria o guarda chuva. — E pelo visto, você não trouxe seu guarda chuva, estou certo?

Assenti, com medo do que ele iria falar.

- Então venha aqui. — ele disse, murmurando.

Olhei pra ele surpresa, esperando alguma piadinha ou algo como "Acho que vou ter que te deixar aqui hoje". Hesitando, andei devagar e me enfiei dentro do guarda chuva.

Ele não falou nada e eu não olhei para seu rosto, por mais que tivesse vontade. Yuri abriu sua mochila com a outra mão e tirou um casaco de lá.

- Toma isso, e vê se não se molha. — o idiota disse largando o casaco em cima da minha cabeça. Assenti e ele deu o primeiro passo, obrigando-me a acompanhá-lo.

Segui seus passos em silêncio, esperando que ele não visse que meu rosto estava vermelho. Eu conseguia sentir o calor saindo do se corpo de tão perto que estava. Ele se remexeu um pouco e seu cotovelo encostou no meu braço. Arrepiei e senti ele arrepiar também.

Ele resmungou alguma coisa e depois falou mais alto: — Rafaela, temos que atravessar a faixa.

Só aí senti vi que tinha parado e senti as gotas de chuva molharem minhas costas. Yuri estava na minha frente, com uma cara muito engraçada.

- Você vai vir ou não? — ele perguntou, meio que resmungando e tentando não olhar pra mim. — Droga, você está se molhando.

- Eu estou bem, — comecei a ir, andando em sua direção — não se preocupe comigo.

Andamos em silêncio mais um pedaço, me perguntei se ele não estava cansando de segurar o guarda-chuva. Pensei em me desculpar por ter sido grossa com ele antes, pensei em falar várias coisas, mas não falei nada. Estava gostando daquele silêncio até que ele o quebrou.

- Rafa, não olhe mais daquele jeito pro Michel. — Yuri falou tão baixinho que eu quase nem ouvi — Sabe, como eu disse, ele tem namorada, e...

- E? — perguntei, olhando para o chão.

- E... eu não gosto. — ele disse mais baixo ainda.

Toquei de propósito no cotovelo dele e levantei a cabeça. Ele me encarava pelo canto daquele olho lindo, esperando minha reação.

- Sabe, Yuri, porque você nunca tinha tido nada assim pra mim? — perguntei, nervosa. — Vou voltar debaixo do guarda-chuva com você mais vezes.

- Mesmo que não esteja chovendo? — ele falou.

Concordei com a cabeça e ele começou a rir. Parei de andar novamente e fiquei olhando para o chão. Depois olhei pra ele, que tinha parado também. Ele parecia hesitante, mas vi uma chama de coragem dentro dele quando passou o braço pelas minhas costas e me puxou em direção ao peito dele.

- Vamos, sua chata, temos que ir.

Não disse nada, e corri com ele até em casa.

Notas finais
Não ficou muito grande, mas garanto que os outros serão maiores.
Comentem! Eu sei que a história está no início mas adoraria ver um comentário! Onegai? o3o
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.