Meu primeiro amigo
1 Capítulo 1
- Saya, levanta, está quase atrasada.
— Hurpnh, muprh humg ! — Agora ! Hoje é o primeiro dia de aula, de novo, ultimo ano na escola finalmente, minha mãe sempre costuma me chamar muito cedo e dizer que é tarde, por isso, eu costumo demorar em levantar, mas hoje quero tentar não ir desajeitada para a escola. — Uaaaaa ! ; Ela bocejava feito um leão, seus cabelos concordavam com isso, estaria muito bagunçado e rebelde como de costume pelas manhãs, ela iria para o banheiro, quase que se arrastando. — Saaaya ! Mandei você... ; A mulher olharia para a cama, vendo os cobertores formarem uma estrada até a porta do banheiro, ergueria uma sobrancelha, logo daria de ombros voltando para a cozinha. A menina sairia do banheiro com a mesma cara, de sono, juntando as cobertas e se jogando na cama. — Aaah... Não gosto de ir a aula, realmente é entediante, hoje ainda mais, todas aquelas pessoas, eca. — Mãããe, cadê meu uniforme? — No seu guarda-roupa. — E cadê meu guarda-roupa? ; Ela olharia para frente, vendo toda aquela bagunça, roupas jogadas, cobertas, e entulhos de livros, resmungaria jogando roupas para todos os lados, até encontrar o uniforme todo amarrotado, suspirava fundo colocando ele sobre a cama. A morena levaria as mãos até as alças de sua camisola empurrando elas para o fim de seus ombros, deixando deslizar pela sua pele até o chão, jogaria ela com o pé para trás, vestindo o uniforme com calma, bocejando quase sempre, seus olhos mal abriam, ainda mais com ela coçando eles a todo momento, pegaria sua mochila, um caderno que estaria sobre seu criado-mudo e sua escova de cabelo, caminharia para a cozinha penteando suas madeixas escuras. — Quer chá? — Não, quero café ! O café ainda não é muito normal aqui no Japão, mas minha mãe sempre compra ele para mim, me mantém mais acordada. — Eu achei que iria querer, se não iria dormir indo para a escola, vai caminhando? ; Falaria entregando a xícara de café com alguns biscoitos(bolacha. u.u). — Arigato... Ahn, sim, vou andando. ; Ela começaria beber o café preto e comer os biscoitos dados pela mãe, enquanto escrevia já em seu caderno, era como um diário e agenda, complicado de entender. Após terminar o café já iria para a porta, guardando o caderno na mochila, vestia os sapatos, daria um até logo para sua mãe e sairia, na rua se esticava, estralando alguns ossos, enchia o pulmão, colocando os punhos nas cinturas. — Haha ! Hoje irei cheia de fôlego ! ; Começaria a caminhar com vontade, vendo o sol nascer no horizonte a sua volta teria mais alguns alunos caminhando também, a sua escola não ficaria tão longe, mas teria como ir de ônibus ou trem, após alguns metros, ela soltaria o ar, caminhando com total desanimo. – Acho que vou voltar para casa... ; Caminharia por alguns minutos, muitos alunos passariam por ela, com o mesmo uniforme, sempre acompanhados, ela não ligava de sempre caminhar sozinha, fora assim desde primeiro ano naquela escola. — Aaah ! Tem muita gente vendo em qual sala ficaram, como vou saber em qual estou? ... Desse modo vai demorar milênios. ; Ela se espremia entre eles, era um pouco pequena, isso dificultava mas logo conseguia enxergar seu nome. — Etto... Sala quatorze, acento... Ahn?! Vinte e três? Nããão, de novo, no fundo... ; Se deprimiu tanto que não ligou para ver quem sentaria do seu lado, caminhou pelo corredor, até achar seu armário, giraria a tranca algumas vezes, até ouvir o “tec” final, iria para o lado e abria o armário, de dentro cairia centenas de papeis picados, era de costume receber trotes de alunos com tempo para zoarem a menina, então já estaria acostumada, ignorava os papeis no chão e jogaria o restante ali mesmo, pegaria os livros do ano passado que deveriam ser trocados pelos os novos, assim bocejaria novamente, fecharia o armário caminhando para a sala, lá ela colocaria os livros em uma caixa, pegando em outra os novos, seus olhos avermelhados de sono assustariam de verdade, faria um bico com seu lábio inferior, subindo as escadas do corredor das classes, se sentando lá em cima, assim abriria os olhos até conseguir ler o quadro. — “ Bem vindos, aproveitem para confraternizar, aula somente após o almoço ! “ Que... Merda... Estudo em uma escola integral, tenho que passar o dia aqui, ainda bem que tenho muitos amigos para confraternizar. Aquela loira lá em baixo, é a Valentina, veio dos Estados Unidos e se tornou a garota mais popular da escola, realmente, não queria ser como ela. — Todos para fora das salas ! ; Diria um professor que entraria na sala, a menina resmungaria irritada, se levantaria pegando seus materiais, saindo da sala, assim se sentaria em um banco dos corredores, pegando seu caderno começando a ler o que teria escrito do começo de aula do ano passado. — Dias chatos, é o que há... ; Ela ouvia um barulho, olharia para o lado vendo um garoto próximo uma das janelas do corredor, nesse andar podia se ver todo o pátio da escola, era o que ele faria. Este menino é Shin Atesaki, ele entrou nas duas ultimas semanas de aula do ano passado, teve que fazer todas as provas de recuperação possíveis, e curiosamente, tirou nota máxima em todas, ele é um mistério para mim, mesmo que eu costume saber da vida de todos, já que me sobra tempo, não sei nada sobre ele. Ele vem andando para escola, não parece ser de baixa classe, usa roupas boas, é inteligente e muito bom no esporte, não é sociável, afinal, não fez sequer um único amigo quando chegou naquelas semanas, mesmo ficando popular entre as meninas... Seu cabelo negro, bagunçado, que ele sempre costuma manter bagunçado sacudindo com a mãe esquerda, seu estilo diferente dos demais, ele consegue deixar até mesmo o uniforme escroto da escola legal, ele tem um olhar perdido, não parece se importar com as coisas na volta, isso faz dele, ah... Lindo, lindo, lindo LINDO LINDO ; Ela começaria a riscar o caderno, escrevendo lindo por todos os lados, ela não contou não é? Desde quando ele entrou na escola, ela o achou... Lindo, um dom da menina sempre foi desenhar, e desde então, a cada folha escrita, teria um desenho dele, alguns até mesmo...
— “Lin...do...” ? ;Ela ouvia parando de riscar, assim erguia um pouco a cabeça, abrindo mais os olhos sonolentos, até ver o rosto do menino, embaçado pela luz do sol que batia nas costas dele, a menina ficaria rubra, quase sairia fumaça da mesma, ela apenas colocaria as pequenas mãos sobre a folha, afim de tapa-la. — ... ; Até tentaria falar algo, mas não sairia nada, ele levaria a mão até a mão dela, a colocando para o lado, apontando para um dos desenhos na folha. — Sou eu? ; Ele falaria girando a cabeça, tentando olhar de cabeça para baixo, ela logo puxaria o caderno. — NÃÃÃO ! ; Gritaria fitando o menino, assim bufaria fechando o caderno, voltando a coloca-lo sobre suas pernas, suspirando fundo. — Ah, desculpe. ; Ele se sentaria do lado dela, olhando para a janela ficando calado. O que eu faço? Ele veio falar comigo, ele quer puxar assunto? Ele está calado... — Aaah, como se conversa com alguém?! ; Falaria um tanto alto, assim olharia para frente novamente muito vermelha, ficando calada. — Eu tentei, mas acho que deveria tentar com um oi. — O-Oi-i. ; Gaguejaria por completo. — Saya Saruhai certo? — H-Hai... — Eu sou Shin Atesaki, prazer. ; Eles prosseguiam olhando para a janela, o garoto bocejava, colocando a mão no bolso da blusa, suspirando. — Gosta de melancia ? ; Ele ficaria por alguns segundos calados, ela daria um suspiro desanimado. “Gosta de melancia? “ Que droga de merda idiota é essa pergunta? Sem dúvidas ele vai achar que sou maluca... — Gosto ! ; Ele ria, olhando para a menina ainda sorrindo, ela olharia de canto para o sorriso do menino, novamente soltaria um suspiro, quente dessa vez, e ficaria cada vez mais vermelha, se é que isso seria possível. – Sempre comia melancia quando era criança. — Ela são bonitas. ; Cada vez ela menos sabia o que falar. — Nunca olhei desse lado, mas realmente, a parte vermelha dela é bem viva, deixa a fruta bonita... ; Ele falaria ainda olhando para ela, porém ela não retribuiria olhar algum, o garoto voltaria a olhar para janela, ficariam ali os dois, sem falar exatamente nada, ela abriria o caderno, folhando ele rapidamente para uma página branca, a menina puxaria um lápis ao invés da sua caneta, começaria a desenhar a janela, de forma complexa, ele fitaria os rabiscos feitos por ela, até entender que iria se tratar da janela com o sol no fundo, o menino se levantaria, caminhando para a janela, ficando de costas para a garota, olhando para o pátio como antes, ela sorria, começando a por ele no desenho, era muito detalhado a parte do garoto, mesmo que de costas, após mais alguns vinte minutos, ela terminaria assim apertaria o lápis na mão, com um pouco de vergonha, se levantaria caminhando para perto da janela, assim estendia o caderno para ele, que pegaria vendo o desenho, ficaria perplexo, estaria lindo, os traços usados por ela, o sol nos rastros de um lápis, era incrível, ele sorria e assim folharia o caderno.
Fale com o autor