Notas iniciais
Talvez você sinta um pouco de raiva deste capítulo.

Ainda chovia bastante.

A casa era absurdamente linda. Parecia levemente com a livraria, talvez tenha sido por isso que não me surpreendi tanto. Benjamin se manteve longe de mim – estranhei. Fomos guiados por Bento até uma área reservada.

Era encoberto e tinha uma mesa comprida com cadeiras estofadas. Um pequeno grupo de pessoas estava lá, logo, vejo uma mulher de pele morena, olhos negros e cabelos acastanhados, se aproximar com um homem loiro dono de um par de íris escuras – deviam ser os pais dele.

— Finalmente chegaram – disse ela.

— Desculpe, foi um pouco difícil achar Benjamin, estava numa livraria.

Bento cruza os braços.

— Ah, claro, fazendo coisas inúteis como de costume. – disse o homem.

Que rude.

— E esse – olha para mim – quem é?

— A-AH, sou Ariel – ergo a mão – estudo com Benjamin.

— Hum, interessante. – ela ignora e me olha de maneira presunçosa – ao menos faz medicina. Já que está aqui, não faça bagunça.

Me olhou de cima a baixo como se estivesse me analisando.

Não gostei do comentário, que mulher grossa. As sobrancelhas de Benjamin começam se juntar, a expressão que estava sendo desenhada em seu rosto não representava um bom sinal.

— Nossa irmã não pôde vir Benjamin, mas mandou um abraço.

— Onde ela está? – perguntei por impulso.

— Estuda no exterior. – falou Bento.

Por que apenas ela estudava fora?

Aquela velha cerimônia de aniversário começa. Pessoas abraçando os aniversariantes e desejando todas as coisas maravilhosas no mundo. Seria comum se não estivessem apenas mais três outras pessoas além de mim, os gêmeos, a noiva e os pais deles.

Resumindo, além de nós, tinha apenas um casal e uma moça – provavelmente a filha deles. Bento partiu o bolo, Benjamin se recusou a participar. Todos sentamos à mesa para comer.

— Então está no segundo ano de medicina, não é Benjamin? – perguntou o homem de cabelos grisalhos e robusto.

— Sim. – falou sem olhar para ele.

— Benjamin, tenha bons modos – disse a mãe, que não parecia nada com eles – o senhor Wisdamy está aqui para uma ocasião especial.

A filha deles sorriu.

— Não estou interessado. – comia olhando para o prato.

Benjamin, o que está fazendo? O clima começa a ficar pesado... Agora estou desejando loucamente sair daquela sala de jantar... Bento e a noiva apenas observavam, ele estava claramente mais preocupado.

— Benjamin, é a Elisabeth, lembra quando te falei sobre sua vinda? Vocês brincavam quando crianças, veio junto com os pais após uma longa viagem a Califórnia. É filha do diretor hospitalar mais renomado. – riu como uma baranga.

— Já disse, não estou interessado. – falou com rispidez.

O homem grisalho – pai da piveta – tosse, tentando demonstrar o quão inconveniente Benjamin estava sendo. A mãe de Ben parecia ficar cada vez mais irritada.

— Benjamin, tenha modos, olhe para mim!

Ele não responde.

— Benjamin!

Permanece calado.

— Olhe pra mim quando falo com você! – levanta da mesa gritando – não tente fingir que não está ouvindo. Já está decidido, vai viajar com ela para o exterior e ponto final!

Senti um arrepio na mesma hora. Levantei espontaneamente.

— Ele não pode ir embora! – bati minhas mãos na mesa.

— Ariel... – Benjamin olha para cima, seus olhos pareciam gritar para que eu sentasse novamente.

A mãe dele vira o rosto na minha direção, estranhando.

— Por que não, garoto? – olha para mim como se eu fosse um pedaço de lixo.

— Não pode viajar com ela porque ele é meu namorado! – saiu instintivamente.

Silêncio prolongado.

...

Os olhares chocados me mostraram a besteira que tinha acabado de fazer. Bento deixa o garfo – que antes iria para a boca – cair no chão. O casal estava boquiaberto com olhos esbugalhados, e a garota tapava a boca com as mãos.

Uma veia saltou na testa da mãe de Benjamin, o pai levanta violentamente derrubando o prato. Todos ficam de pé já que o homem quase destrói a mesa.

— O que? – sussurra a mãe – O QUE?!!

— BENJAMIN! – gritou o pai – DIGA QUE ESSE GAROTO ESTÁ MENTIDO, EU EXIJO!

A cor avermelhada agora tomava conta da face deste homem. Bufava como um touro – faltava apenas sair a fumaça pelo nariz – várias rugas se alinharam e montaram uma expressão monstruosa na cara dele.

Benjamin fica calado por breves momentos. Olha para mim, começa a ofegar, baixou a cabeça e fixou os olhos nos pais. A mãe se aproximava e eu me afastava.

Silêncio breve.

...

— É verdade – puxou o ar – eu e Ariel estamos em um relacionamento sério há quase um ano.

PAFF!

O som intenso do estalo ecoou naquela grande sala de jantar. O tapa que deu no rosto de Benjamin, foi forte o suficiente para fazê-lo cair no chão. Me assusto, aquilo fez um barulho absurdo. O loiro coloca mão onde foi acertado.

Um silêncio paira enquanto a mulher dava novas formas a sua expressão facial. Cerrava os dentes um contra o outro enquanto apertava forte os punhos fechados.

— Que nojo.... Que nojo, que nojo, que nojo!

Se afasta.

— Vire homem seu ser imundo! Vocês dois são a escória da humanidade! São uma raça que deveria ser excluída do planeta Terra, são o cúmulo da sociedade!

Comecei a ficar nervoso. A mulher gritava, parecia enlouquecida.

— Melhor ser queimado vivo a ter que aceitar essa nojeira! – disse o pai.

— Onde foi que nós erramos, onde?! – disse ela – que nojo, que nojo!

Bento apenas observava tudo. Nós ainda fomos mutilados com muitas frases prontas como aquelas – a qual prefiro não repetir – foram tantas que senti vontade de chorar... Mas me mantive firme.

— BENJAMIN! – gritou a mãe – SAIA DA MINHA CASA E NÃO VOLTE NUNCA MAIS!

O pai dele nos puxou pela gola e nos jogou para fora da casa. Vi a mãe correr para algum lugar, logo descobri para onde foi. Quando estávamos jogados no chão, roupas começam a cair do céu.

Era ela, jogava tudo dele pela janela. Se isso estava ruim, imagine durante a chuva. Os livros, coisas eletrônicas, absolutamente tudo ficou encharcado...

— Nunca mais coloque seus pés aqui, garoto imundo… – disse o pai, seu olhar furioso nos mostrava claramente o ódio que circulava naquele corpo grande. Bate a porta com força.

Um silêncio invade o lugar. Apenas a chuva parecia querer se pronunciar. Benjamin estava de cabeça baixa enquanto pegava suas coisas lentamente.

— Ben.... – começo a chorar – desculpe Ben.... – e a soluçar.

— Não foi culpa sua.... – sussurra, ainda de cabeça baixa – na realidade, você me libertou....

Levantou o olhar, vi aquelas íris esverdeadas agora lacrimejarem – pela primeira vez. Bastou que a pálpebra se fechasse para que a lágrima confinada se libertasse....

Eu o abracei.... Ajudei a pegar todas as coisas dele e fomos de táxi para minha casa. Preferimos deixar o carro, e qualquer outra coisa que não o pertencesse. Ítalo vem correndo quando nos vê naquela situação. Molhados e cheios de coisas...

Apenas pedi para que voltasse para o vídeo game. Tomamos banho juntos, mas nada além de olhares tristes se cruzaram, mal pude tocá-lo, eu me sentia a pior pessoa do mundo....

Passei a toalha sobre seu corpo macio, cabelos e rosto, mas ele não pareceu reagir de forma alguma... Dei a ele uma roupa minha, e coloquei as dele para lavar na máquina. Fomos ao meu quarto e ficamos sentados na cama.

— Ben…. – sussurrei – o que acabou de acontecer?

Passei minhas mãos nos cabelos ainda molhados dele.

— Eu estava te protegendo deles.... Mas não é culpa sua....

Fico calado.

— Está pronto para ouvir a minha história, Ariel? – olha para mim melancolicamente.

Aperto a mão dele.

— Estou. – falei com firmeza.

Notas finais
Olá pessoa cheirosa! Gostou do capítulo? Então deixa seu comentário! Ele é muito importante pra mim e o Ariel! Xoxo =*