Meu pequeno pomo de ouro
1 Capítulo Único
Notas iniciais
– Nãi faça isso — pedi.
– O quê? — seus olhos, aqueles olhos...
– Seu sorriso... — eu implorava — Me sinto perdido ao olhar pra ele...
Ele gargalhou. Aqueles olhos brilhavam ainda? Será que eram sempre assim ou era só quando me viam?
– Me perco no seu olhar — eu suspirei — Uma vez você disse que via sinceridade em meus olhos. Eu vejo todo o motivo da minha felicidade...
Somos 7 bilhões no mundo. Eu era Rafael Santos, um nascido trouxa brasileiro, estudante da grande escola de bruxaria na Amazônia. Melhor jogador do mundo, um palhaço sem cura, e com habilidades de modificar a própria aparência. Jogador de quadribol, a nivel mundial. E estava com o cara que um dia fui fã, o cara que me inspirou a jogar algo que nem ao menos sabia que existia até os doze anos, quando comparando toda a lógica conhecida, recebi a carta que mudaria toda minha vida.
Nunca estudei em Hogwarts. Quem dera... Nasci em Mato Grosso, acabei nascendo com o dom da bruxaria, para desespero da minha mãe.
Mas foi naquela sexta, final de Copa do Mundo, Argentina, que eu o conheci.
Uma tentativa de jogar longe o balaço que começou tudo. Ui, essa doeu em mim. O bastão bateu com força atrás da nuca do apanhador da Bulgária, o famoso Vitor Krum, jogador mais velho do mundial, aquele que tinha me tornado quem hoje sou, mesmo de longe. O juiz parou a partida, querendo descobrir se realmente tinha sido sem querer.
Graças a Merlim, tudo correu bem e o jogo seguiu, com Krum de volta. Eu o abracei, pedi desculpas.
Depois que ele mesmo pegou o pomo de ouro, ficando com o primeiro lugar e com o troféu de melhor jogador, eu não pude deixar de olhar. Aquele corpo, que hoje é meu.
– Krum, peço desculpas pelo incidente... — eu comecei, mas ele ergueu a palma, me interrompendo.
– Esqueça — seu portonhol engraçado me fez rir — Já foi provado que foi sem intenção.
Não podia deixar que aqueles momentos fossem só aquilo, era meu ídolo ali na minha frente!
– Talvez eu possa te mostrar Buenos Aires e te convidar para jantar se você quiser.
Caralho! Aquilo soeu muito romântico pra um pedido de desculpas. Onde eu estava com a cabeça? Ele podia me odiar ..
– E-eu? — não sei até agora por que ele ficou nervoso — Seria um prazer...
Eu sorri.
O dia foi divertido. Eu fiquei curioso de por que ele deixou a comemoração de lado para aceitar meu convite besta... Até Silva achou esquisito que eu não quisesse comemorar o segundo lugar... Ainda mais o grande Krum não ir fazer qualquer coisa para comemorar o título mundial...
Apesar de ainda estar um pouco tímido no início, eu o fiz rir muitas vezes. Brincava com meu cabelo, tornando em várias cores bizarras. Ele me disse que eu ficava bonito de verde. Sempre usei o cabelo verde perto dele.
Pra um céu tão estrelado na Argentina, a noite foi uma terrível confusão... Fomos jantar em uma churrascaria brasileira, onde um bando de troxas de camisa listrada azul e branca se entretiam com futebol.
Eu me soltei ali, contei piadas, que ele riu tanto que eu acabei rindo da risada dele. Deviámos parecer uns retardados ali. Mas eu estava feliz, e ele também estava.
Numa certa pausa de risada, nossos olhares se encontraram e eu vi aquele brilho pela primeira vez. Sorri, timidamente, e vi sua mão caminhar na mesa ao encontro da minha, tocando meus dedos com delicadeza. Sua mão gelada me bloqueou o pensamento e ficamos minutos ali, num silêncio reservado e compreensivo.
Nos vimos de novo só um ano e meio depois, quando os Nicols, da Paraíba, me venderam para o time da Bulgaria.
Ele estava parado no meio fo campo, a vassoura deitada a sua frente, como que esperando sua ordem para subir e treinar. Eu corri ao encontro dele e pulei em suas costas, fazendo ele dar um pulo que derrubou nós dois?
– Você é louco? — ele perguntou entre um sorriso.
– Sou — respondi, gargalhando.
Assumimos ali nosso relacionamento. Se houve preconceito? Nenhum... No mundo bruxo é mais fácil o preconceito com trouxas e sangue-ruins que com outra besteira qualquer.
O tempo foi passando e chegamos ali. Final da copa do mundo de quabribol de 2018, 4 anos exatos desde nos conhecemos.
E a questão final: Inglaterra X Alemanha... E o confronto que me interessava: nós brigavámos pelas torcidas opostas.
– Se me ama por que tem prazer em brigar? — Eu perguntei, o sorriso torto e meu cabelo aos poucos voltando ao tom de verde.
– Porque te ver assim bravinho, é uma das coisas mais impossíveis e fascinantes da Terra.
Eu gargalhei.
– Talvez Potter pegue o pomo de ouro agora — eu disse olhando o campo com os óculos.
Ele deu de ombros.
– O que me importa o pomo de ouro? — eu o olhei, surpreso — Peguei o meu há quatro anos.
Rolei os olhos.
– Exibido — acusei.
– Sou mesmo — ele riu — Meu pequeno pomo de ouro.
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