– Vamos Emma — Regina chamou, tirando a loira de seus pensamentos.
Ao olhar para o lado de fora do táxi, se deparou com uma casa amarela gigantesca, um jardim proporcional, uma piscina que se via nos fundos e um cão grande num canil, o qual não soube dizer a raça.
– É aqui? — Questionou, sabendo que sua pergunta fora tola.
– Sim, venha — Regina falou se mostrando mais animada.
Emma saiu do carro e pegou sua mala, já colocada na calçada. Respirou fundo e sentiu o cheiro das flores no jardim. Sim, aquilo a acalmou bastante.
Reparou na caixa de correio, a qual vinha com o sobrenome da família " Jones Mills", e da mesma Regina pegou cartas dali e a conduziu até a porta.
– Você ligou pra sua mãe? — A loira falou colocando a mala no chao, ainda do lado de fora da casa.
– Não — Ela sorriu — Avisei que viriamos e que chegaria hoje, mas não falei a hora. — falou por fim tocando a campainha.
– Oh... — Emma riu e esperou até que a mãe da amiga viesse abrir a porta.
Logo apareceu uma mulher, muito bem preservada por sinal, com os labios finos e vermelhos, e os cabelos negros como os da morena ao seu lado. Cora, fora mãe ainda jovem, com apenas dezoito anos trouxe Killian, e aos vinte teve Regina, sua caçula.

– Regina! — Cora praticamente berrou enquanto apertava a filha.
– Oi mãe, se lembra de Emma? Já lhe falei muito sobre ela.
– Claro que sim, vem aqui meu bem — Falou puxando a loira para um abraço de urso.
Emma olhou para Regina que fez uma careta e sinais que mostravam o quanto os seios da mãe eram duros, o que fez ela rir.
– Entrem, sinta-se a vontade! — Falou puxando as malas das duas para dentro.
Ambas entraram e foram recebidas pelo calor da casa bem iluminada.
A primeira coisa que viram foi a sala grande, com um enorme sofá marrom e a televisão ligada num canal culinário. Havia um lustre pequeno, porém admirável, e diversos quadros nas paredes, juntamente com fotos da família.
– Onde está Killian? — Perguntou Regina se deitando no sofá.
– Deve estar dormindo ainda. Não são nem dez da manhã.
– Mas já está tarde! — a amiga reclamou — Que irmão preguiçoso.
Emma riu e Cora pediu para seguirem até o lado dos dormitórios, onde poderiam se instalar e descer para comer algo que ela mesma havia preparado.

– Emma, seu quarto vai ser este. Tudo bem? — Regina apontou para a porta branca.
– Okay. E o seu? — Questionou
– Este — Abriu uma porta branca de frente para o de Emma — Pode trocar de roupa e vem pro meu quarto Okay?
– Mas não vamos comer?
Regina riu — Vai por mim, você vai me agradecer por te levar pra comer fora daqui.
A loira permaneceu confusa, mas entrou no quarto que lhe foi designado e puxou a mala para dentro. Enfim, só.
Encostou as costas na porta e analisou o quarto.
Era todo em tons creme e verde claro, havia uma cama de casal simples, com um criado em cada lado, um baú aos pés da cama, uma escrivaninha grande no canto do quarto acompanhada de três gavetas espaçosas. Numa parede perto da porta havia uma cômoda e do outro lado um guarda roupas pequeno.
Havia também uma porta que dava ao banheiro, pequeno, porém nada do que reclamar. Andou pela extenção do quarto e abriu as cortinas que iam até o chão, descobrindo ali uma porta de vidro de correr, a qual dava a uma varandinha, postas ali duas cadeiras de madeira e uma mesinha. Notou ainda uma porta ali, porém estava trancada e com cortinas iguais as de seu quarto.
Deu de ombros, desistindo de buscar o que havia ali e tratou de mudar de roupa. Fazia mais frio e decidiu trocar a blusa por uma verde escura de manga comprida fina, com um casaco preto.
A casa em si já era quente, e caso precisasse sair poderia só colocar um casaco grosso por cima.
– Emma? — ouviu uma batida na porta
– Sim? — respondeu abrindo-a.
– Vem, vamos comer. Mamãe insistiu em comermos os biscoitos dela.
– Eu gosto de biscoitos... — Emma falou sem graça, provocando risos na amiga.
– Depois de hoje não vai mais.

Desceram juntas e Cora falava com alguém no andar se baixo, na cozinha.
Murmuraram algo e depois cessou.
Quando chegaram, Emma reparou no rapaz alto, com os cabelos negros desalinhados e olhos tão azuis que poderiam facilmente ser confundidos por jóias. A barba parecia crescer há algumas semanas e o rosto ainda estava inchado pelo sono, mas nada disso impedia de ver o quanto ele era atraente. Sem falar que parecia ter um bom físico por baixo da camisa branca e calças de moletom azul escura.
– Emma, esse é meu irmão Killian. Killian, essa é Emma, minha amiga de Vancouver. Lembra? — Regina falou se mostrando receosa, deixando Emma perdida.
Só entendeu o receio da amiga quando Killian murmurou um "sim" ríspido e saiu, tateando a bancada até achar um banquinho para sentar, de costas para todos.
– Killian! Seja educado! — Cora falou — Sinto muito Emma, ele perdeu qualquer tipo de educação que o dei.
– Então não perdi nada — Killian respondeu cuspindo as palavras.
A resposta lhe rendeu um tapa na nuca, dado por Regina.
Irritado, Killian tornou a tatear a bancada, até que achou uma tigela com o que parecia ser cereal com leite e uma colher, como se nada tivesse acontecido.
Cora suspirou — Vamos para a sala — Pegou um prato lotado de biscoitos e praticamente correu até o cômodo, deixando Emma e Regina para trás.

– Não sei se te falei, mas meu irmão ficou cego com o acidente. — Por fim, falou tristemente — Ele costumava ser mais educado também.
– Tudo bem Re, eu entendo o que ele sente. — disse pegando a mão da amiga.
Realmente entendia, apesar de não ter ficado cega, trabalhou com diversas pessoas que ficaram cegas e alguns que já nasceram assim. Entendia os receios até mesmo de andar, pegar algo e ver TV, algo tão simples, mas que não podiam.
– Emma, espero que goste de biscoitos. — Cora falou dando seu melhor sorriso
– Adoro — A loira lhe sorriu de volta
– Otimo! Por aqui não valorizam muito minha comida — Cora falou fitando Regina, que riu. — Vou buscar leite. — E saiu.
Quando Emma olhou os biscoitos, pode entender o por que da fala de Regina.
O que era para ser, ou parecer, um biscoito redondo, estava mais para um pouco de massa que caiu na bandeja de uma boa altura e se espatifou. Algumas partes estavam queimadas e outras pareciam crus.
– Entendi agora — a loira disse rindo.
– Mas o gosto não é tão ruim, relaxe — falou Regina procurando o menos queimado.
Logo Cora veio até elas com dois copos de leite e os colocou numa mesinha.
– Meninas vou trabalhar, acham que conseguem se virar pra comer?
– Com toda certeza! — a filha respondeu .
Cora abraçou as duas e saiu, carregando uma bolsa grande e um casaco grosso.
– Quer ir na cozinha ver se tem algo comestível? — a morena falou fazendo uma careta com um biscoito na mão.
Emma riu — Tadinha, mas aceito.
Pegou a bandeja com os biscoitos e Regina pegou os copos, levando tudo para a cozinha.
Killian continuava sentado no banquinho do balcão da cozinha, mas agora tinha uma caixa de cereal e a garrafa de leite junto.
– Você não para de comer essas porcarias não? — a irmã reclamou, pegando duas tijelas e duas colheres, chamando Emma para sentar ao seu lado no balcão.
– Mal chegou e já está enchendo meu saco? — Killian respondeu, enfiando uma colherada do cereal na boca.
A amiga suspirou — Kill, só me preocupo. Será que da pra ser mais gentil? Emma está aqui e vai se assustar com você. Se continuar assim ela vai embora!
– Nem sei se ela realmente está aqui, tem os passos tão leves que mal os ouço e nem sequer abriu a boca!
– Só não tive a oportunidade de falar, mas estou aqui Killian — Emma respondeu de maneira gentil e o viu ficar estático.
Ninguém mais falou nada, apenas de ouvia Regina despejar o cereal nas duas tijelas e depois por o leite.
– Sinto muito — Killian por fim disse e se levantou, tateando o ar para não bater em nada e saindo da vista delas.
– Ual... Essa é nova...
– Essa oque? — Emma perguntou terminando de comer o cereal da tijela e já colocando mais.
– Ele não costuma pedir perdão assim. — riu — mal chegou e já fez a diferença hein — bateu em seu ombro.
Emma permaneceu um silêncio, comendo seu café da manhã acompanhada da amiga.
Ainda estava na dúvida se seria uma boa ideia estar aqui, mas depois de ver Killian, sentiu a necessidade de ajudá-lo. Sabia que podia, afinal já havia ajudado outros na mesma situação, inclusive ela mesma.
– Regina, e quanto ao trabalho de falou para mim? — perguntou a outra
– Conversaremos mais tarde sobre isso.
– Bem, e qual será nossa programação de hoje? — Questionou a loira, ciente de que odiava ficar sem fazer nada.
– Primeiro vamos desfazer as malas, depois vamos na loja da minha mãe pegar algumas roupas, já que pedi que não trouxesse muitas, até aí já deve ter dado a hora de ver o Roland. Depois resolvemos o resto. — Deu mais uma colherada no cereal — Relaxe que não ficaremos paradas.
– Okay — Disse e tornou a devorar o café da manhã/quase almoço.

Notas finais
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