Meu paquera em Hogwarts
15 "Você é uma pessoa incrível, Lynn"
Notas iniciais

❤ Lynn acordando ❤
POV Lynn
Eu estava afundando...
Eu sentia a água invadir meus pulmões e aquilo doía, doía muito... Mas eu não podia desistir.
Com toda a força que eu ainda tinha, eu me debatia, buscando a superfície. A coisa que eu mais desejava era encher meu pulmão com ar, apesar da dificuldade que eu tinha em me mover na água. O pior é que eu nunca soube nadar muito bem...
Se eu tivesse minha varinha comigo, eu poderia lançar um jato de água quente para trás e com isso ser impulsionada para frente, “mas o pior é que eu esqueci minha varinha lá em cima”, pensei.
Minha visão estava ficando turva. Eu não podia ficar inconsciente dentro d’água... Não podia! Mas eu não sabia nadar, e a escuridão era tão aconchegante...
Antes de fechar os olhos, eu vi um vulto vindo em minha direção.
E depois eu apaguei.
Eu abri os olhos.
– Hum? Onde eu estou? – perguntei para o nada. Não esperava que alguém fosse responder.
– Você está na enfermaria. Você se afogou e ficou inconsciente, e não acordava de jeito nenhum. Eu fiquei preocupado, então fiquei aqui com você. – uma voz muito agradável falou comigo.
Olhei para o lado, tentando reconhecê-lo. Para a minha surpresa, ele tinha olhos azuis e cabelos pretos.
– Armin? – pareci uma idiota perguntando o que eu já sabia. Eu sabia que era o Armin.
– Sim, sou eu. Meu irmão e seus amigos estavam aqui agora mesmo. Eles tiveram que ir embora, mas eu decidi ficar um pouco mais. – ele me contou.
Ele sorriu. Seu sorriso era tão bonito que eu quase não pude respirar.
Eu tentei me levantar, mas ele impediu.
– Não, não, senhorita. Você está proibida de levantar. A madame Pomfrey falou que seu pulmão ficou muito machucado e que você não pode fazer nenhum esforço por enquanto. Você quase morreu, sabia? – Armin me lançou um olhar de reprovação.
Eu fiquei muito irritada.
– Mas isso não foi minha culpa! Você viu, a Ambre me empurrou. – eu tentei me defender.
E para minha surpresa, ele riu! O que ele estava pensando? Eu fiquei vermelha. Tive vontade de bater nele!
– O que foi? Você está rindo de mim? – eu perguntei, e não tentei esconder minha irritação!
Ele riu mais um pouco, antes de responder.
– Não, é só que... Você fica muito fofa quando fica irritada. – ele disse, sorrindo.
Eu demorei um tempo pra processar. O Armin me chamou de... Fofa...
Calma Lynn, calma, não se iluda por alguém que você nem conhece direito!
– Você só está falando essas coisas porque não me conhece. Se me conhecesse, garanto que não pensaria assim... – eu ainda estava vermelha, mas dessa vez era de vergonha. Eu tentei me esconder debaixo do edredom, torcendo para que o Armin não descobrisse o motivo.
– Ei, por que está se escondendo de mim? Eu te deixei assim tão brava? – Armin me perguntou, e eu dei uma espiada. Ele parecia um pouco desconfortável. Eu não queria fazê-lo sentir assim.
– É claro que não! – Eu saí de baixo do edredom, e finalmente levantei a parte de cima do corpo, sentando na cama. Ele não podia me manter deitada para sempre! Além do mais, eu já estava me sentindo bem, exceto por algumas pontadas nas costas que eu sentia de vez em quando, e eram muito doloridas. Eu fui um pouco para trás, apoiando minhas costas nos travesseiros.
– Então por que ainda está vermelha? – ele perguntou, e eu fiquei calada. Não podia dizer o real motivo. “Bem, Armin, é porque você me fez um elogio, e eu estou envergonhada até agora”... Definitivamente não pega bem!
Armin parecia muito confuso. Coitado, ele era tão perdido quanto eu. Mas estranhamente, isso me fazia sentir segura perto dele. Será que era porque eu me identificava com ele?
“Com certeza”, respondi minha própria pergunta. Ele era como eu e por isso eu não podia fazer nada que fosse decepcioná-lo. Mas infelizmente, desta vez, eu teria que lhe contar uma pequena mentirinha.
– Ah, é porque eu estava com muito calor... Mas não se preocupe, eu já estou melhor. – eu dei um sorriso amarelo, torcendo para que Armin acreditasse.
Imediatamente, sua expressão confusa se transformou em uma feição muito preocupada, e eu até me assustei com o barulho da cadeira quando ele se levantou.
– Você quer que eu pegue um copo d’água? Ou que eu chame a madame Pomfrey? – ele veio em minha direção, e estava tentando colocar a mão na minha testa, provavelmente para ver se eu estava com febre.
Foi tudo muito rápido.
O problema é que ele estava muito longe, e também muito desesperado, e ele se atrapalhou um pouco e... Ele meio que caiu...
“Meio” não, ele definitivamente CAIU em cima de mim!
Meu Deus... “O QUE TÁ ACONTECENDO”, eu pensei.
Por alguns segundos, eu fiquei totalmente estática. Eu não conseguia acreditar no rumo que aquela situação tinha tomado!
Nós dois permanecemos nos olhando por alguns segundos, o que pareceu uma eternidade, mas quanto mais eu olhava no fundo daqueles olhos azuis, mais eu me perdia neles. Armin estava com as mãos apoiadas acima dos meus ombros, e eu pude sentir sua respiração. Ficamos sem reação por um tempo, apenas nos estudando com os olhos. Eu fiquei nervosa, então comecei a respirar mais forte, e meu pulmão começou a doer um bocado. O garoto estava começando a ficar muito vermelho quando finalmente reuniu coragem e saiu de cima de mim.
Ele se afastou e sentou na cama, virando de lado.
– M-me d-desculpe... – ele não estava olhando para mim. Provavelmente havia ficado envergonhado demais para me encarar, e, por isso, falava comigo olhando para o outro lado. – E-eu juro que eu não queria...
Eu me aproximei dele e segurei seu rosto com minhas mãos, forçando-o a olhar para mim. Eu estava realmente perto dele. Ele arregalou os olhos quando viu o que eu tinha feito. Acho que ele não esperava esse tipo de contato...
– Olhe para mim. Você não tem nada do que se envergonhar, entendeu? Você cair em cima de mim foi um acidente, só isso. Eu entendo. – falei, tentando tranquilizá-lo. E eu não estava falando mentiras.
Eu tirei as mãos do seu rosto, e ele assentiu com a cabeça, concordando comigo. Ele parecia mais calmo, mas ainda evitava me olhar. Ou seja, eu teria que tomar uma atitude drástica!
Ele ainda estava sentado ao meu lado, então...
Eu o abracei, envolvendo-o totalmente. E nesse abraço, eu tentei transmitir-lhe toda a paz e serenidade que pude.
– Obrigada por ficar comigo, Armin. – falei, com tanta gentileza e doçura na voz que até mesmo eu fiquei assustada.
Por um breve instante, ficamos os dois em silêncio, dentro de um mundo que parecia só nosso. Depois de um tempo, eu finalmente o soltei.
– Pffff. – Armin fez um barulho, como se não acreditasse no que se passava.
Ele hesitou um momento antes de continuar. Eu estava curiosa pela sua reação.
– Você é mesmo uma pessoa incrível, Lynn.
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