Meu novo amanhecer
10 Acidente
Notas iniciais
POV Renesmee
–E então?- ele perguntou com as mão ainda estendidas. -Amigos?
Aperte sua mão firmemente e disse:
–Colegas.
–Colegas?- desdenhou.
–Acredite, é o máximo que você vai conseguir de mim. Sabe muito bem que não faço amizades com vampiros.
Ele torceu a boca de um jeito engraçado, mas por fim acabou apertando a minha mão com um suspiro.
–Me conta mais sobre você?- pediu.
–Não sou boa em me descrever, pergunte e talvez eu responda.
Ele pensou um pouco.
–Qual tipo de música você mais gosta?
–Depende.
–Depende de quê?
–Dos meus sentimentos. Quando estou muito feliz costumo escutar músicas eletrônicas, quando estou estressada escuto rock, mas na maioria das vezes eu gosto mesmo é de escutar músicas clássicas tipo...
–Tipo?
–Vou falar, mas se você rir eu juro que arranco seu braço.
–Tudo bem, eu juro não rir.
–Debussy, principalmente o álbum Claire de Lune.
Ele riu e eu me enfureci.
–Você prometeu que não iria rir! Pode passar o braço Cullen.
–Calma, sem esquartejamento! Deixa eu explicar! Eu só ri porque esse também é minha cantora e meu álbum favoritos também.
–Ainda bem que é isso, senão você ia pagar caro.
–Nossa, você gosta de ameaçar.
Eu ri.
–Faz parte do meu charme- disse jogando os cabelos que estavam soltos para trás, fazendo ele rir ainda mais.
–Mais algumas perguntas?- sugeriu.
–Não Cullen. -ele fez um muxoxo. -Tenho que terminar a meditação que você fez questão de atrapalhar.
–Então... mais tarde?
–Quem sabe?- respondi já correndo para o mais longe possível dele. Não que eu não goste dele -mentira! não gosto, só estou aprendendo a suportar ele-, mas realmente preciso de um lugar só para mim.
Continuei correndo até me deparar com um penhasco.
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A visão que eu tinha dali era mágica e única. As florestas a frente e o mar enegrecido em baixo do penhasco conseguirão transformar a perigosidade que ali existia em simplesmente uma paisagem digna de vários poemas de Shakespeare.
Sentei-me perto da beirada do penhasco, cruzei minhas pernas, estiquei meus braços, relaxei os músculo e dei continuidade a minha meditação aproveitando ao máximo a conversação da floresta e seus habitantes. Aos poucos a paz ia invadindo cada cubículo do meu corpo e minha mente avaliava lentamente a forma e as atitudes daquela família vampiresca desde que eu havia posto os pés naquele lugar e cheguei a conclusão que: sim, eles eram diferentes e inofensíveis.
Será que meus pais são como eles? pensei.
Estava começando a abrir a mente para achar um novo lugar para procurá-los quando sinto um forte cheiro de cachorro depois da chuva. Fechei meus olhos com força e praticamente supliquei:
Não me sinta e siga o seu caminho, não me sinta e siga o seu caminho, não me sinta e siga o seu caminho, não me...
Minha prece se perdeu quando ouvi passos em minha direção, mas mesmo assim apertei os olhos ainda mais e fiz outra prece:
Me ignore, me ignore, me ignore, me ignore, me...
–Olá!- a voz estrondosa de Jacob se fez presente fazendo-me arrepiar da cabeça aos pés.
Não respondi e fingi ainda estar meditando, quem sabe ele não desistiria e ia embora? Mas como hoje o mundo estava completamente ao meu favor, ele se sentou ao meu lado e com um suspiro exasperado abri meus olhos e o encarei.
–O que você quer lobo?
–Nossa! Bom dia pra você também.
–Bom dia, o que você quer?
–Nada oras! Só queria conversar com você.
–Sentiu saudades das minhas personalidades Jacob?
Ele franziu os lábios e as sobrancelhas, mas não me respondeu então tentei voltar a meditação.
–O que você está fazendo?- perguntou.
–Eu estava tentando meditar, o que vocês tem contra afinal para nunca me deixarem concluir? -falei já me levantando. -Tchau tá!
Marchei de volta para a floresta e ele ficou me seguindo.
–Vai ficar me seguindo? Gostou tanto assim de mim?
–Tecnicamente falando... você é que está me seguindo.
Parei e o olhei.
–Aé? Por quê?
Ele abriu os braços e olhou em volta.
–Essa é Quileute, território dos lobos, e um vampiro vem até aqui é porque deseja falar com algum de nós.
–Então você me perdoe pela invasão. Não ocorrerá nunca mais!
Recomecei a andar, porém a mão máscula de Jacob em meu braço me fez parar e imaginar aonde mais ele poderia passar aquelas mão. Ele puxou meu braço fazendo-me virar e encostar em sua barriga -que vamos combinar era bem sarada- para me equilibrar.
–Desculpe. -ele pediu como se fosse uma criança arrependida depois de fazer besteira. -Não queria ter parecido grosso, estava só brincando.
Eu poderia ter retrucado, sido grossa ou simplesmente dizer "tudo bem", entretanto só o que eu fazia era admirar seus lábios carnudos e levemente rosados imaginando como seria bom ter meus lábios juntos aos seus.
Aparentemente Jacob percebeu o que se passava comigo, pois ele também passou a apreciar meus lábios e a cada segundo seus dedos apertavam meu braço levando-me a estar junto do seu corpo cada vez mais sem que seus olhos abandonassem meu rosto e os meu o dele.
Já estávamos a centímetros um do outro e meus olhos percorriam todo seu rosto procurando guardar cada detalhe, minha respiração estava totalmente descompassada e minhas mãos não conseguiam abandonar a quentura de sua barriga. Sim eu estava pronta para dar meu primeiro beijo, mesmo que o mesmo fosse realizado com uma pessoa que tinha a raça totalmente diferente da minha.
Jacob se abaixava enquanto eu me colocava na ponta dos pés para que nossos lábios finalmente se encontrassem. Estávamos tão perto que eu podia sentir sua respiração -igualmente descompassada- bater em meu rosto e sentir seus lábios carnudos roçarem nos meus, então decidi me entrega e fechei os olhos esperando ele me saciar.
Quando eu senti suas mão tomarem posse de minha cintura e seus lábios encontrando firmemente os meu, um ruído na floresta quebrou nossa bolha particular fazendo-nos voltar a realidade e a mim cair de bunda no chão já que estava na ponta dos pés.
Continuamos nos encarando até que ele estendesse a mão para mim e eu a aceitei, levantando e limpando a calça que estava usando.
Maldito destino! pensei enquanto voltava a andar de cabeça baixa, morrendo de vergonha do havia acabado de acontecer.
–Você é rápida?- ele perguntou depois de pigarrear.
–Como?
–Você é rápida?
–Sim... por quê?
–Rápida o suficiente para pegar um lobo?- um sorriso sapeca surgiu em seus lábios.
–É claro!- meu orgulho falou.
–Duvido muito, quero provas.
–É só falar.
–Então me espere aqui.
Ele se embrenhou no mato e segundos depois um grande lobo apareceu em minha frente repuxando os beiços como se estivesse sorrindo. Olhou no fundo dos meus olhos, se virou e correu.
Como não estava preparada demorei um pouco até perceber que aquela era a prova que ele queria para saber se eu conseguia pegar um lobo, mas isso não me atrapalhou muito já que realmente eu sou bem rápida.
Estávamos brincando disso a alguns minutos e sinceramente eu estava me divertindo como nunca, até agradecia a ele mentalmente por quebrar o gelo que havia se formado entre nós depois do quase beijo.
Jacob depois que viu que eu realmente poderia alcançá-lo começou a fazer movimentos inconstantes para testar minhas atitudes diante de suas evasivas. Devo admitir que estava indo bem até ele passar por um pequeno desfiladeiro coberto de terra que fizeram meus pés pisarem em falso, levando-me a cair e rolar rapidamente até que sinto algo entrar -literalmente- em minha cabeça e logo em seguida tudo desaparecer.
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