Meu namorado é uma superestrela
37 Terceira temporada: 9 meses
Minha mãe sempre chorava. Sempre tentava esconder o sofrimento. Eu sabia que ela estava depressiva, mas queria negar a mim mesma. Pena que isso tenha tomado um fim tão drástico.
As pessoas dizem que ela se matou para poder enfim descansar. Agora que ela sabia que eu e o Lucas ficaríamos juntos, ela não precisava mais se preocupar comigo, pois alguém me amava tanto quanto ela e iria cuidar de mim para o resto da vida.
Diziam também que ver os cadáveres do filho e do neto foi muito para sua cabeça. E foi assim que meu pai a encontrou, morta em cima da cama. Não tinha sangue em lugar nenhum, então os laudos confirmaram o que já sabíamos, ela tinha se envenenado.
Eu nunca me importei muito comigo mesma, por isso ao ver que a única pessoa que eu sempre amei não estava mais comigo, fui fraca e tentei me matar. Eu só levei para a realidade aquilo que eu já havia sonhado várias vezes.
Mas então quando o Lucas disse que me amava e que precisava de mim, eu me lembrei que o amava incondicionalmente também. Mas agora, eu tenho ainda um outro motivo para viver, um maior que todos. E por isso essa fase da minha vida será apagada como se nunca tivesse existido.
Eu estou grávida e preciso ser feliz para que essa pessoinha dentro de mim também seja. Se eu me assustei quando soube? Sem sombra de dúvidas, mas foi a melhor notícia que recebi.
Tudo bem que tenho 18 anos recém completados e que o Lucas só tem 19 e ainda está no primeiro ano da faculdade de engenharia, mas somos mais responsáveis que muitas pessoas mais velhas. Nós sabemos que conseguimos aguentar essa barra. Seremos fortes e daremos nosso melhor.
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– Se sente melhor? – perguntou-me o Lucas.
– Sim, amor.
– Vamos, certo? – ele olhou-me no fundo dos olhos e eu soube que teríamos muita coisa a enfrentar pela frente.
Saímos daquele hospital finalmente. Era bom ver que eu tinha me recuperado e que tinha apenas pontos nos meus pulsos. Meu pai estava bem também. Tinha se recuperado bem depois da grande doação que fez para mim.
Quando o Lucas me contou, fiquei surpresa e me senti eternamente grata. E então eu vi que também tinha um pai que precisava da minha ajuda. Ele iria para uma clínica de reabilitação afim de dar um fim ao vício das bebidas.
– Preciso falar com meu irmão. – disse ao Lucas dentro do carro.
– Tem certeza? – ele parecia em dúvida.
– Sim. Caso ele queira, podemos pagar a clínica para ele também. Lucas, eu preciso tirar o que resta da minha família do fundo do poço, não quero perde-los também.
– Eu sei, vou te ajudar, amor. Não se preocupe, as coisas vão dar tudo certo agora. – ele sorriu para mim e eu acreditei em cada palavra que me disse.
Eu iria concertar minha família e iria ficar com a pessoa que mais amo. Minha vida seria perfeita, eu a deixaria assim.
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Todos estavam em lágrimas e era difícil não estar. Estávamos nos despedindo do meu pai e meu irmão. Eles finalmente iriam se recuperar e seriam boas pessoas.
– Acompanhem-me. – disse a enfermeira e os levou para dentro.
Eles não ficariam na mesma ala. Iriam ser tratados em alas distintas e não iriam se ver em nenhum momento, assim como nós também não iriamos poder vê-los durante todo esse tempo.
Sequei minha lágrimas e agarrei-me ainda mais no Lucas.
– Te amo. – solucei para ele.
– Tudo vai ficar bem. – ele disse e então me beijou.
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