Meu namorado é uma superestrela
24 Last Hope
~Last Hope- Paramore
ouçam, por favor, a música enquanto leem~
POV Sabrina
Era tudo o que eu precisava. Foi a melhor provação que eu poderia enfrentar. Sem duvidas. E então eu seguirei em frente e viverei como se fosse meu ultimo dia de vida. Sem remorsos e apenas obrigações. Eu vou viver, porque já basta de sobreviver.
(Já não me conheço mais
Achei que estaria feliz agora
Mas quanto mais me esforço, mais eu percebo
Que perco o controle)
Meu pai, minha mãe, meu irmãos. Eles possuem a própria vida e que a vivam. Vou lutar e batalhar por mim e somente por mim. Se não daqui a pouco estarei em ruínas e já no meu final. E eu sem dúvidas não quero isso, não mesmo. Não quero que minha vida acabe sem antes a ter vivido.
(Tenho que deixar acontecer
Tenho que deixar acontecer
Tenho que deixar acontecer
Tenho que deixar acontecer)
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A noite estava fria sob minha pele e o sangue já estava nojento sob meus cortes. O fôlego faltava em meus pulmões pela longa distância corrida, foram quase dois quilômetros, neste momento eu estava agradecendo imensamente pelos treinos de corrida e natação.
Sentei-me naquele mato espesso e me recostei na árvore. Fora imensamente difícil fugir daqueles idiotas. Pressionei meus pulsos contra minha mão e notei o quanto foram cortados pelas cordas. Estavam doendo muito, mas decidi apenas ignorar a dor.
Aposto que meu rosto também tinha alguns cortes, pois eu sentia o ardido quando o vento os tocava. Sem contar no corte que o desgraçado tinha feito na minha boca quando a esmurrou. Idiotas!
Eu estava vagando por aquela floresta durante algumas horas já, disso eu tinha certeza. Eu consegui fugir no final da tarde quando o idiota que estava me vigiando resolveu tirar uma soneca, agora já estava escuro e eu não enxergava nem mesmo um palmo a minha frente.
(É só uma faísca
Mas é o suficiente para que eu continue
E quando está escuro
E não há mais ninguém, ela continua brilhando)
Achei melhor dormir um pouco já que estava exausta e sedenta por sono. Encolhi-me para em vão tentar me proteger do frio e fechei os olhos. Não demorou para que o sono viesse, mesmo que eu sentisse olhos me observando e insetos se rastejando próximo a mim. Hoje os animais seriam meus companheiros e vigias durante o sono e, adivinhem, isso não me incomodava nem um pouco.
(Toda noite tento ao máximo sonhar
Que o amanhã tornará tudo melhor
E acordo com a fria realidade
De que nada mudou)
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POV Lucas
Eu já estava ficando louco sem notícias da Sabrina. Já fazia dois dias que ela havia desaparecido, ou melhor, sido seqüestrada. As outras garotas da competição já haviam aparecido, o que era um grande alivio para todos, menos para mim.
Era a Sabrina a garota que eu amei de verdade em toda minha vida. Eu já havia namorado com algumas garotas e não podia negar isso, mas foram apenas namoros de aparência, não havia amor verdadeiro, apenas imprensa e dinheiro e fama.
Devo admitir que não foi amor a primeira vista, mas a Sabrina foi um desafio para mim. Quando todas as garotas me adoravam, ela foi a única que me enxergou como eu sou: mais uma pessoa comum igual as outras. Mal sabe ela, mas esse foi o melhor presente em anos que eu recebi.
– Lucas – alguém me tira do devaneio.
– Sim?
– Você está me ouvindo? – pergunta meu pai.
– Claro que estou. – minto.
– Certo. Você irá aparecer diante do país essa manhã e não pode simplesmente ficar viajando pelo mundo da lua.
– Desculpe. – me levanto e saio dali.
(Mas vai acontecer
Tenho que deixar acontecer
Tenho que deixar acontecer
Tenho que deixar acontecer, ah, ah
Tenho que deixar acontecer)
Ele grita meu nome, mas eu apenas ignoro. Não agüento mais as pessoas agindo assim, como se tudo já estivesse resolvido. Não está, que porra! A garota que eu amo pode estar morta agora e eu sou obrigado a ficar agindo como se tudo estivesse bem. Eu quero que todos se fodam! Pode parecer egoísmo, mas não me importo com as outras garotas nem um pouco.
Vou até a garagem e pego a moto. Saio dali cantando os pneus a toda velocidade. O vento batendo em meu rosto me relaxa de certa forma. E então eu me lembro que estou sem capacete! Nem me importo e continuo a pisar cada vez mais fundo no acelerador. Não me importo com as possíveis conseqüências. Se for para eu morrer que eu morra, realmente não vejo motivos para viver, aliás nunca vi mesmo.
(É só uma faísca
Mas é o suficiente para que eu continue
E quando está escuro
E não há mais ninguém, ela continua brilhando)
Quando minha mãe morreu a dor que eu senti foi tão grande que pensei que não fosse capaz de suportar, mas ainda assim eu suportei bem, até mesmo quando meu pai jogou a culpa toda em mim. Eu era apenas uma criança. Ainda não era famoso. Minha mãe morreu quando eu tinha apenas 12 anos. Eu não tive culpa, não tive.
(E o sal em minhas feridas
Não está queimando mais do que sempre queimou
Não é que eu não sinta a dor
Mas simplesmente não tenho mais medo de me machucar
E o sangue nessas veias
Não está pulsando menos do que sempre pulsou
E essa é a minha esperança
A única coisa que sei que me mantém viva)
Sinto minhas bochechas molhadas. À anos que venho escondendo essa dor no meu peito, mas não consigo mais segurar. Grito o mais alto que meu ar permite. Finalmente chego ao meu destino. O topo da cidade. Estaciono a moto e subo os andares do prédio até o terraço.
Esse é o prédio mais alto de São Paulo. Consigo ver toda a cidade daqui. Este é o meu lugar, onde eu posso me sentir como eu sou: uma pessoa pequena e imperfeita. O tempo todo sou rotulado como o perfeito, como se eu fosse mais importante que as outras pessoas. Aqui é onde consigo ver, sem as ilusões do mundo, como eu sou de verdade. Aqui eu posso viver como eu sou, sem rótulos, sem imprensa, sem fãs, sem riqueza, sem fama.
Sento num dos muros que protegem as pessoas de uma morte cruel. Fico balançando meus pés. Abaixo de mim os carros passam a toda. Apesar de ser já de madrugada as ruas continuam cheias. É incrível como essa cidade consegue ser irritante. Odeio São Paulo.
Por um breve momento penso em pular. Como as pessoas reagiriam? Será que alguma pessoa sentiria minha falta de verdade? Espanto esses pensamentos da minha cabeça e desço da onde estou.
(É só uma faísca
Mas é o suficiente para que eu continue
(Mesmo que perca o controle, posso ser forte)
E quando está escuro
E não há mais ninguém, ela continua brilhando)
Volto para a minha moto e acelero mais uma vez. É incrível como as pessoas são tão fúteis ao ponto de permitir que um bosta como eu faça o que quiser apenas por ser o queridinho das telinhas. Solto uma risada sarcástica e carregada de ódio. Chega de me importar com esses otários.
(É só uma faísca
Mas é o suficiente para que eu continue
(Mesmo que perca o controle, posso ser forte)
E quando está escuro
E não há mais ninguém, ela continua brilhando).
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