Meu namorado é uma superestrela
44 Capítulo 44
POV Lucas
— Vamos embora. Vem Jonathan. Vamos sair daqui. Por favor. – ela implorava segurando ele. Como ela podia?
— Quem você acha que é Lucas? Acha que só por ser famoso pode fazer o que quiser? Acha que é dono dela? – ele tinha a cara de pau de me desafiar.
— Ela é minha namorada e carrega um filho que é MEU! O intruso aqui é você.
— Senhores, por favor, vamos no acalmar. Vocês não podem sair brigando...
— Pra começar eu conheço a Sabrina a mais tempo que você!!!
— É? Mas quem é que ganhou o coração dela mesmo? Oh, é mesmo, FUI EU.
— Já chega vocês dois. Saem daqui. Esse é um lugar para pessoas civilizadas, oras. – dito isto, os seguranças nos acompanharam até o estacionamento do shopping.
— Vamos. Por favor. – A Sabrina continuava implorando sem nem mesmo olhar para mim.
— E VOCÊ? VOCÊ ACHA BONITO O QUE FEZ SABRINA? Anda, me responde e para de fugir de uma vez por todas. Faz um mês que tem me ignorado. Mas é claro – agora tudo fazia sentido, eu agarrei meus cabelos com força pra não bater nele de novo. – VOCÊ QUER ESTAR COM ELE! – me virei e fui até meu carro.
— LUCAS! NÃO. – ela veio correndo até mim chorando. Eu parei.
— NÃO? NÃO? É o que tem pra me dizer? Você é ridícula Sabrina!
— Não. – ela começou a soluçar.
— Então me explica. VAI.
— Você.não.tem.o.direito.de.gritar.com.ela. – ele falou entredentes.
— Está defendendo sua amante, é? Que comovente, meu Deus! Como fui cego. – encarei a Sabrina e com toda a raiva que eu possuía falei. – A Isabella tinha razão sobre você.
— NÃO! – ela gritou e eu senti o ódio que também emanava dela. Me assustei quando ela veio correndo até mim e me deu o tapa mais doloroso que já recebi. Segurei ela pelo braço e a encarei.
Ela estava bem ali na minha frente. Esse era o momento. A abracei. Ela se debateu no começo, mas cedeu com o tempo.
— Sabrina?- ouvi Jonathan chamando e me soltei dela. A realidade mais uma vez presente entre nós.
— Por favor, Jon. Precisamos disso. – ela falou e aponto para mim.
— Ok. – ele respondeu e com lágrimas nos olhos se virou e foi embora.
— Vamos. – puxei a Sabrina até meu carro e nós entramos. Ela estava chorando de novo.
Fomos até em casa num silêncio cortado apenas pelos soluços dela. Assim que entramos me joguei no sofá com as mãos na cara e ela se sentou de frente para mim na poltrona.
— Deseja algo para beber, senhor? – a nova governanta perguntou.
— Algo que acalme meus nervos.
Ela perguntou para a Sabrina e com um “não” como resposta se retirou.
Respirei fundo uma vez e de novo. O que tinha acontecido?
— Você me traiu. – ouvi ela sussurrar. Fiquei contente por ela dar início a conversa, mas ao mesmo tempo decepcionado com a afirmação.
— Se você tivesse me dado uma oportunidade de me explicar ou se tivesse até mesmo assistido a TV, teria visto que eu não te traí. Na primeira oportunidade que teve você fugiu de mim com meu filho e me deixou em pânico no escuro. E quando finalmente aparece depois de mais de um mês é agarrada com aquele filho da puta! Você estampada em todas as revistas e na televisão, depois de eu aparecer publicamente e negar todas as acusações contra você. Você não tem noção da humilhação que eu passei.
— NÃO TENHO? – ela explodiu se levantando. – VOCÊ ACHA QUE EU NÃO TENHO! DESDE QUE VOCÊ APARECEU NA MINHA VIDA SÓ MERDA ME ACONTECE. QUE PORRA. A humilhação que eu sempre sofri só piorou tudo porque você olhava pra mim ou me dava atenção. ME CHAMARAM DE INTERESSEIRA COMO SE EU TIVESSE DESEJADO ENGRAVIDAR COM 18 ANOS. Você é um riquinho mimado que não entende de humilhação. – ela deu a volta no sofá e começou a rodeá-lo.
Eu ri debochado:
— É tudo o que pensa sobre mim, não é mesmo? Desde o início você sempre jogou na minha cara como se eu tivesse culpa de ter o pai que tenho! Você sabe muito bem que tudo o que tenho é graças ao meu trabalho. Eu já te disse isso, mas é claro que prefere dizer que sou mimado, MESMO SABENDO QUE MINHA MÃE ESTÁ MORTA E QUE MEU PAI ME ODEIA E ME CULPA POR TER MATADO ELA! Sabe o que parece? Que você nunca me conheceu de verdade. Que continua me julgando da mesma forma que sempre. PARECE QUE NÃO ME AMA E QUE NUNCA ME AMOU, QUE COMO TODOS AO MEU REDOR SÓ ESTÁ INTERESSADA NAS COISAS QUE POSSO LHE OFERECER.
— Nunca mais diga isso. Você não sabe o amor que tenho por você e o tanto que sofro desde que soube que tinha me traído. Nunca diga que sou interesseira, nunca quis nada disso. – ela falava num sussurro quase inaudível.
A empregada deixou meu suco em cima da mesa e se retirou quieta como se nunca estivesse estado ali.
— Eu sei. – respondi no mesmo tom e me sentei, nem tinha percebido que estava em pé.
— Quero ir embora. – ela olhava para o chão e se abraçava.
— Você não vai embora. Ainda não terminamos e mesmo depois que conversamos decentemente não vai voltar para aquele idiota. – a raiva que eu sentia dele era tão grande que até eu me assustava.
— Sou sua prisioneira agora? – ela me olhou assustada.
Eu respirei novamente e me lembrei da expressão dela no shopping. Ela ainda estava com medo de mim. Agora eu notava a distância que ela mantinha entre nós. Me levantei e fui até a porta. Deixei ela aberta.
— Nunca faria algo que você não queira. Pode ir embora se quiser. – falei num sussurro olhando para o chão.
Ouvi ela andando e meu coração se despedaçou pela milésima vez. Mas para a minha surpresa ela subiu as escadas e bateu a porta do nosso quarto. Eu só consegui sorrir.
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Eu acabei adormecendo na sala e quando já era de madrugada subi para o meu quarto. Eu estava meio tonto e levei um susto quando vi um corpo adormecido ali. Aos poucos fui me lembrando do que tinha acontecido. Sabrina. Não sei por quanto tempo fiquei olhando sua respiração ritmada indo e vindo, seus cabelos espalhados pelo travesseiro e sua barriga agora ficando maior. A realidade que caiu sobre mim foi assustadora, mesmo longe eu não pude perceber o quanto senti a falta desses pequenos detalhes.
O medo que senti de perde-la foi maior do que o medo que senti quando ela foi sequestrada. Me sentei na poltrona que tinha no canto e continuei a observando. Lembrei de tudo pelo que ela já passou. Toda a humilhação que sofreu por ter nascido pobre e como tudo piorou depois que me apaixonei por ela. O irmão que a traiu por dinheiro. A mãe que se matou e a deixou sozinha. E eu. Que nunca facilitei as coisas na vida dela.
Me levantei e me deitei na cama.
— Me desculpe. – sussurrei em seu ouvido. – Tudo o que eu sempre quis foi que fosse feliz. Me desculpe meu amor. Eu te amo tanto. Prometo não te fazer sofrer nunca mais.
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Acordei com alguém se mexendo.
— Sabrina?
— Eu preciso fazer xixi. – ela sussurrou.
— Ah si, desculpe. – notei que estava abraçando ela forte demais e a soltei.
Depois que ela foi ao banheiro me sentei também e fui até o banheiro dos hospedes. Tomei um banho rápido e voltei para o quarto. Ela ainda estava tomando o banho dela.
— Oi. – ela disse quando saiu.
— Quer tomar um café? – perguntei para cortar o clima, eu sentia a tensão vindo dela.
— Lucas, eu não sei por onde começar ou o que dizer...
— Olha, não precisamos falar nada agora. Ok? – Me levantei e peguei sua mão. Seus olhos verdes estavam brilhando. Sem pensar a abracei.
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Tomamos o café quase que em silêncio e depois ela telefonou para aquele filho da puta para dizer que estava bem, como se ela devesse satisfações a ele. Fiquei bravo, mas me controlei e não disse nada.
Depois nos sentamos na varanda olhando para a piscina. Sabíamos que esse era o momento, mas ninguém queria atrapalhar o silêncio.
— Eu sinto muito por tudo. Eu não percebi o que meu pai e a Isabella estavam tramando. Mas eu juro que assim que você foi embora e eu soube de tudo o que estavam falando, eu fiz de tudo para desmentir e deixar claro que eu nunca seria capaz de te trair. Eu te amo, Sabrina. Nem em pensamentos eu sou capaz de pensar em outra mulher que não seja você. – eu olhava para ela, mas ela olhava para o chão.
— Eu quem tenho que pedir desculpas. Eu errei e agora entendo que não devia ter fugido ou te evitado por todo esse tempo. Eu fui uma covarde e eu quero deixar claro que o que eu fiz com o Jonathan foi tudo cena. Eu queria aparecer na mídia como alguém que estava bem e não sofrendo por ter sido traída. – as lágrimas escorriam por sua face, mas me controlei para não consolá-la. Ela também tinha errado.
— Você usou ele, Sabrina. Você não é esse tipo de pessoa. – as palavras dela tinham me surpreendido. Eu não conseguia acreditar. Então ela nunca quis ficar com ele, ela nunca quis beijar ele, foi tudo uma mentira. Mesmo com a seriedade da coisa eu não podia deixar de ficar feliz com isso.
— Eu sei. Sinto muito. – ela soluçava.
— Apesar de eu odiar aquele cara, eu não posso negar o quanto ele te ama também. E nós dois sabemos que o que fez com ele foi horrível...
— MAS EU DISSE PARA ELE QUE ERA APENAS ENCENAÇÃO. – ela chorava ainda mais.
— Ainda assim. Quando estamos apaixonados, acreditamos na possibilidade de algo acontecer. Ele tinha esperanças de que a encenação virasse realidade. Eu sou ator, Sa. Eu sei como é. A maioria das garotas com quem encenei tinham essa esperança. A Isabella mesmo sabendo que nosso namoro era de contrato, achava que eu a amava mesmo assim. Mas eu sempre deixava claro para elas que eu não tinha nenhum interesse. Imagine você. Ainda que eu não goste dele, acho que você tem que se desculpar. – eu falava no tom mais neutro que conseguia. Apesar de odiar o Jonathan não podia deixar de sentir pena dele. Eu sabia pelo que ele estava passando, se apegando na esperança de que ela podia amar ele de verdade.
— Eu sei.
Me levantei e a abracei.
— Pare de chorar. Não estou te culpando, ontem eu pensei pra caralho e entendi o seu lado. Eu sei dos seus motivos. O Jonathan te ama e ele não vai te odiar por isso. Só não magoe mais ele. E nem eu. – falei a última parte sussurrada e isso só fez com que ela soluçasse mais.
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Ela demorou para se acalmar e quando finalmente aconteceu, ela dormiu. Aproveitei para falar com o Jonathan e combinamos de nos encontrar em um barzinho. Pelo menos assim evitávamos de se matar.
— Oi. – cumprimentei quando ele chegou e se sentou. Ele balançou a cabeça. – Eu e ela conversamos e como já sabíamos vamos nos casar e construiremos nossa família juntos. Eu sei que você a ama, mas espero que entenda o que ela fez e o porquê. Ela está triste por tudo o que te fez, porque afinal ela também te ama, mas de um jeito mais fraternal. Espero que possa entender e seguir sua vida tranquilamente, sem remorsos...
— Cale a boca. – ele falou entredentes e eu parei de falar. – se você me chamou aqui para falar tudo o que eu já sei vou embora. Você não precisa dizer que ganhou a disputa, eu já sabia disso a mais tempo que você. Eu só espero que nunca mais faça ela sofrer, porque se não eu te mato, e não estou brincando com isso. – ele me encarava no fundo dos olhos.
— Eu acho melhor que você não se despeça dela. Será melhor para os dois. – eu sabia o quanto o encontro dos dois agora iria fazer com que a Sabrina chorasse e ficasse abalada.
— Você não é o dono dela. Eu verei ela sim, mesmo que pela última vez. Se já acabamos, eu tenho mais o que fazer. – Ele se levantou.
— Eu realmente nunca quis atrapalhar sua vida. Mas eu amo a Sabrina e seria capaz de tudo por ela... – também me levantei.
— Eu também a amo e morreria por ela, mas parece que isso não importa muito, não é mesmo? – ele deu um sorrisinho irônico.
— Não vou dizer que sinto muito, porque não sinto. Estou feliz por ela ter me escolhido, mas eu desejo que encontre uma pessoa boa como ela. – estendi minha mão para um aperto, mas ele apenas se virou e começou a andar.
— Antes que eu me esqueça. Isso aqui é dela e acho que foi um presente seu. Depois que eu li isso, notei que nunca tive chances com ela. Então não se preocupe, eu não insistirei mais. – ele me jogou um caderno.
Olhei para o caderno e notei que era o diário que dei a ela antes de tudo acontecer. Olhei para o Jonathan de novo, mas ele já tinha ido embora. Me sentei outra vez e comecei a ler o diário.
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