Meu namorado (im)perfeito

2 2 – A vida tem dessas coisas (II)


Notas iniciais
Eu fiquei tão feliz com a recepção de "Meu Namorado Imperfeito"! 18 reviews no primeiro capítulo é algo extraordinário. E nossa, eu já ganhei uma recomendação com apenas 1 capítulo! Muito feliz! Obrigada Doug ♥

2

Houve aquele momento de tensão para ambos, e tinham a certeza plena de que aquela era a única coisa em que ambos concordavam com algo: definitivamente, eles não poderiam ficar tanto tempo juntos, porque todos esses anos mostraram que apenas cinco minutos era o suficiente para sair tapas e atritos entre eles. Levy era como a água e Gajeel era como óleo. Por mais que fossem obrigados a passar um tempo juntos, jamais conseguiriam se misturar. Disso tinham certeza plena, e só o diretor do colégio era quem acreditava que isso poderia dar certo. Levy achava que o homem tinha batido a cabeça em algum lugar e deixado alguns fios soltos, mas ela ia tratar de interligá-los. Ah se ia!

Gajeel, por sua vez, e como já foi dito, estava com uma ideia semelhante à dela, mas ele tinha o seu próprio jeito de resolver as coisas. Na sua cabeça, já estava pensando de que forma seria expulso daquela instituição, porque ele é que não iria ceder a um pedido — ordem — desses. Ele tinha seu próprio orgulho.

Os dois se olharam por um momento, mas não foi para se fuzilarem com o olhar como das outras vezes.

— NÃO MESMO! — Disseram os dois ao Sr. Alberona, deixando bem claro que não estavam dispostos a isso.

O homem mais velho riu por um momento, e abaixou o semblante negando com a cabeça, com se dissesse “esses dois acham que estão em condições de escolher o que devem fazer ou não? Coitados”.

— Vocês acham mesmo que podem tomar alguma decisão? — Perguntou, como já previsto. — Eu dou as ordens aqui e nunca se esqueçam disso. É aceitar ou a expulsão imediata!

Levy ficou aflita. Ela precisava entrar para a faculdade no final do ano, e também precisava da carta de recomendação. Lutou demais para conseguir uma bolsa de estudos no Verônia, e se a coordenação da Universidade de Tóquio ficasse sabendo que foi expulsa — e disso saberiam, podem apostar! —, ela jamais conseguiria entrar para aquela universidade. E aí seu sonho estaria acabado!

Não podia deixar que isso acontecesse, até porque eles ligariam para a direção do colégio para saber seus antecedentes, e descobririam o motivo por qual foi expulsa: escrevia críticas ofensivas no jornal da escola e se negava a selar um acordo de paz. Seu sonho de virar uma jornalista famosa acabaria aí, até porque o boato ia se espalhar por outras universidades para qual quisesse ingressar. E também porque, precisava de uma boa carta de recomendação, e sendo expulsa, jamais conseguiria.

— E não como se fosse a pior tarefa do mundo — o homem continuou —, eu irei recompensá-los ao término de tudo.

— Que tipo de recompensa? — Levy perguntou animada. Será que era o que estaria pensando, a sua tão sonhada carta de recomendação?

— Eu não estou interessado em recompensas, dispenso! — Gajeel cruzou os braços emburrado e se estirou na cadeira como se estivesse em casa, esqueceu completamente os modos.

Levy olhou pra ele com reprovação, se dizendo “é mesmo um brutamonte! Não sabe nem como se comportar na frente do diretor”, mas não tanto como reprovou o Sr. Alberona, que tratou logo de dizer que se endireitasse na cadeira e sentasse como um rapaz.

— Uma boa recompensa — Sr. Alberona respondeu à pergunta de Levy.

Apesar de que se duvidasse que ele tinha fama de pervertido nos corredores do colégio, sabia mostrar pulso firme quando este era necessário. Levy sempre achou que sua personalidade sempre foi bastante rígida. Mas não que não quisesse que ele fosse mesmo um pervertido, como diziam os rumores, porque isso daria uma boa matéria para a sua coluna. Mas de que adiantaria, se no outro dia seria expulsa?

Mas ela também tinha as suas suspeitas, assim como todos os outros, porque estranhava que o uniforme feminino do colégio Verônia fosse composto por aquela blusa apertada e aquela minissaia que mostrava boa parte de suas pernas. Mas ela tinha aqueles gravetinhos invisíveis, ninguém iria pensar. Diferente do que acontecia com Lucy, por exemplo, que tinha belas bem torneava que chamavam a atenção de todos, até de algumas mulheres que sonhavam em ter pernas que se parecessem com as suas.

Levy não. Levy era invisível em vários sentidos. Era Gajeel quem notava a sua existência, mas de um jeito ruim. Ela queria justamente o contrário. Ser visível para os outros e ser invisível para ele. Que contradição!

— O senhor não pode dar mais detalhes?

— Vejo que ficou interessada? — Sorriu. — Uma boa recompensa, MacGarden. Você saberá ao término de tudo.

Enquanto isso, Gajeel estava no mundo da lua, pensando que poderia estar fazendo algo melhor àquela hora. Como surrando os nerds do colégio e roubando deles o dinheiro do lanche. Dinheiro roubado apenas para fazer o mau, porque vinha de uma família com nome e capital, não precisava disso.

Era por isso que, alguém como ele, baderneiro como tal, estava estudando naquele colégio.

— Sem essa! — Gajeel protestou. — Eu prefiro a expulsão a ter que conviver com alguém que é tão pequena e que mal posso ver. Como seria? Eu teria que fazer manobras incríveis para não pisar em cima da cabeça dela — falou cruzando os braços.

— Nem vem com essa! Eu sei que adoraria pisar em cima da minha cabeça.

Ele riu, porque era verdade. — Gi-hi.

Não existia ninguém que Levy mais odiasse que não fosse aquele cara. O seu olhar debochado, o jeito de tratá-la, o seu gosto para moda, o seu comportamento desclassudo. Tudo nele a irritava. Na face da terra provavelmente nunca existiria alguém tão insuportável como ele. Queria afundá-lo e matá-lo por afogamento em uma panela com ódio quente. Queria ver aquele rosto sacana desfigurado e o seu orgulho no lixo. Se perguntava porque toda aquela implicância. Que prazer doente era ele que sentia em se sentir maior e mais forte do que os outros? Essa superioridade lhe dava ânsia de vômito.

— Você acha mesmo que o Sr. James RedFox está disposto a perder seu tempo à procura de um colégio que aceite seu filho rebelde? — Levy replicou arqueando uma sobrancelha. — Vá em frente, garoto. Se não fosse pela boa quantia que seu pai paga, nunca estaria nesse colégio.

E era verdade.

O pai de Gajeel era aquele tipo de homem que só vivia unicamente para o trabalho, não tinha tempo para a família. E ficou ainda mais desgostoso da vida quando começou a receber advertências do colégio em relação ao filho, que estava malcriado demais e aprontando das mais variadas confusões com as mais variadas pessoas. Deu vários sermões no garoto, mas nenhum deles surtiu algum efeito. Ele continuava tentando chamar a atenção do pai de alguma forma, mas houve um tempo que o pai começou a fingir que aquele peste não existia.

A mãe, por sua vez, não era muito diferente. Ela estava sempre muito ocupada com festas de caridade e dando o seu jeito de aparecer na mídia.

Os pais de Levy eram o contrário disso tudo. Ela agradecia todos os dias pelos pais maravilhosos que tinha, dedicados e que sempre trabalhavam muito para que ela tivesse um bom futuro. Seu pai era um taxista muito prestativo, e levava Levy para o colégio todos os dias, assim ela não precisava pegar ônibus. Já sua mãe, a senhora MacGarden, era uma confeiteira de mão cheia, e amava o baixinho do seu marido, do qual Levy herdou os genes que determinavam a sua baixa estatura.

— Silêncio vocês dois! — Sr. Alberona bateu a mão na mesa, muito irritado. — Será possível que não se dão um minuto de trégua, nem na frente dos outros? Será que eu tenho que amarrá-los e trancá-los em um cativeiro? Vocês dois são impossíveis!

Os dois se calaram com o sermão e engoliram o orgulho.

— Continuando... — O diretor disse. — Vocês não têm o direito de escolha. Vocês vão aceitar as condições ou serão expulsos do colégio. Nem mais e nem menos que isso.

— O senhor acha mesmo que conseguirá entrar em um acordo conosco sem revelar nada? Como podemos saber que não está tentando nos enganar e que não há recompensa nenhuma? — Levy perguntou com o máximo de delicadeza.

Mas, mesmo assim, Sr. Alberona encarou isso como uma afronta. — Você também, MacGarden? Você também vai me afrontar?

— Não, senhor — ela se desculpou. — Longe disso! Me desculpe se entendeu errado. O senhor é a autoridade máxima desse colégio. A sua decisão está acima de qualquer outra — bajulou um pouco. — Mas nos sentiremos muito mais motivados a cumprir com a tarefa se a recompensa se fizer muito agradável. Concorda comigo, senhor?

— MacGarden — ele disse pausadamente, para que ficasse bem entendido —, a obrigação de vocês dois e de todos os alunos desse colégio é se concentrar nos estudos. Vocês estão errados! E está sendo uma atitude muito gentil da minha parte em recompensá-los por algo que não passa de obrigação.

— Não querendo ser grosseira, senhor, mas a ideia de recompensa não foi nossa.

Disse e imediatamente se arrependeu. Estava afrontando um homem de um modo peculiar, sem que ele se desse conta — ou desse —. Pior seria se ele os tivessem obrigado a se comportar sem receber nada em troca. Não importa do que se tratasse essa tal de recompensa, era uma recompensa.

— Que seja! — Gajeel bufou fazendo uma carranca. — Estou pouco me importando com a merda que seja a droga dessa recompensa! Eu serei expulsa dessa joça. Não me importa o tempo que aquele velho possa perder comigo — disse se referindo ao seu pai, por qual também não tinha muito respeito. — Foda-se! Não me importo com aquele velho.

Ele se levantou da cadeira com uma violência absurda, fazendo com que ela se destrambelhasse no chão. Caminhou em direção à porta e colocou a mão na maçaneta.

— Nem se a recompensa for a sua entrada garantida nos Dragon Slayers, Gajeel RedFox? — Sr. Alberona perguntou se sentindo o homem mais inteligente do mundo.

Levy levou as mãos à boca com a surpresa. Gajeel parou de imediato e ficou petrificado.

O sonho de qualquer garoto que estudasse no Verônia ou em qualquer outro colégio com certeza era fazer parte do time de baseball dos Verônia, os Dragon Slayers. Mas para isso, as notas teriam que ser as melhores. O capitão do time normalmente era aquele que tirava as melhores notas. O mais CDF, por assim dizer. Os nerds são, porque os nerds não sabiam jogar. Valia ressaltar que também era o mais mulherengo, e o número de vitórias coincidia com o número de mulheres que levou pra sua cama. Foi o que aconteceu com a nossa querida Miss Estudantil 2012, Lucy Heartfilia, e Natsu Dragneel, o capitão do time de baseball. Aquele colégio era uma zona!

E, embora fosse tudo isso, ainda era o mais renomado e nada conseguia manchar o seu nome. Ao contrário, a cada ano ele sempre estava crescendo em prestígio. Porque aquilo ali era o Japão, e os melhores jogadores também tinham uma mente superdotada.

Gajeel sempre foi classificado como um dos mais populares do colégio, e por isso andava com os descolados do time. Seu primo e amigo era o capitão, e isso também tinha fortes influências. Mas o seu sonho mesmo era fazer parte do time. E ele até que jogava bem, não era mal. Mas acontece que suas notas estavam entre as vinte e cinco piores notas do bimestre e Levy se recordava de um tempo em que chegou a ser a mais baixa da instituição. Seus pais foram chamados para uma reunião com os professores, mas nenhum dos dois compareceu.

E, como esperado, Natsu e Levy viviam brigando pelo primeiro lugar. Mas como Levy não era um garoto, não era bem uma ameaça para ele, era só que gostava de satisfazer o seu ego. Levy pensou a acreditar que o que ele fez à Lucy era uma maneira de se vingar dela, por ter ficado com o primeiro lugar no mês passado. Ele não suportava ser o segundo, tinha que ser o primeiro em tudo.

Se havia alguém tão irritante quanto Gajeel RedFox, esse alguém era Natsu Dragneel. Suas crueldades não tinham limites. Levy recordava-se e não se esquecia da vez em que ele cruelmente tirou a virgindade da amiga com a mão. Isso mesmo, com a mão! Aquilo praticamente foi um estupro. Mesmo com o consentimento de Lucy, ainda assim foi muito violento. Não se pareceu em nada com uma masturbação quando Lucy lhe contou. Se ao menos a pobre não fosse tão ingênua e fosse mais esperta como Levy era... Levy não se deixava enganar por ninguém.

— Você sempre quis fazer parte do time, certo? — Sr. Alberona repousou na poltrona tomando um gole do café que já começava a esfriar. Era assim que ele governava o seu mundo. — Estou errado?

— Dra-Dragon Slayer? — Gajeel balbuciou e engoliu saliva. Ele olhou para trás e tirou a mão da maçaneta.

— Exatamente! — Cruzou os dedos. — Você quer, não quer?

Claro ele queria.

Enquanto ele tentava persuadi-lo, Levy estava se perguntando até onde esse homem era bom com chantagens. — E quanto a mim, Sr. Alberona? — Ela perguntou interessada e ansiosa para saber quão grande a sua fatia no bolo. — O que eu ganho?

— Calma que também tem pra você. — Ele relaxou as costas novamente em seu trono. — Como boa colunista que é — Levy se perguntou se foi uma ironia —, mesmo que ande usando a coluna para coisas indevidas — ele estreitou os olhos condenado a pobre e ela sorriu envergonhada —, prevejo que deva seguir com a carreira de jornalista assim que terminar a faculdade. Certo ou errado?

— É exatamente isso, senhor! — Ela se agarrou àquela oportunidade. — Desejo muito!

Ele tomou outro gole de café e relaxou as sobrancelhas. — É daqui que saem os melhores nomes para as melhores vidas acadêmicas. E como suas notas sempre estão no topo, não seria difícil seguir com a carreira que almeja. — (Seria...) — Seria uma pena se fosse expulsa do colégio por motivos fúteis. As pessoas estranhariam porque a garota que possuía as melhores notas foi expulsa do Verônia assim... Do nada.

— Senhor-

— Para que isso não aconteça, aconselho que aceite a minha proposta. E para dizer que não soei muito como chantagem, a sua recompensa seria a sua carta de recomendação para a Universidade de Tóquio mais cedo do que qualquer aluno do terceiro ano. Antes mesmo das férias de verão!

Antes mesmo das férias de verão?! Isso era inacreditável! Ela seria, de longe, uma aluna prodígio ou uma garota com muita sorte. No fundo, sentia-se mal por aceitar aquilo, porque estava disposta a conseguir a carta de recomendação com o seu próprio esforço e ficava triste que outros alunos pudessem receber cartas de recomendações dessa forma. Mas não pensaria muito nisso, porque quando estivesse dentro da universidade, daria o melhor de si e faria valer à pena aquela recomendação, para não parecer muito que ganhou ela se merecer.

— O que teríamos que fazer exatamente? — Gajeel perguntou já muito interessado e tremendo por dentro. Imagine um cara de quase dois metros de altura com o corpo todo em tensão! Merda! Ele estava nervoso.

— Simples — o diretor pigarreou. — Para que ambos recebam as suas recompensas, Levy MacGarden tem o dever de lhe transformar no CDF número 1 do colégio em três meses. Quero lhe dar o posto de capitão do time, mas para isso terá que fazer valer à pena. Terá que passar até mesmo de Natsu Dragneel.

Mentira...

Isso era impossível! Natsu tinha as melhores notas e Gajeel tinha as piores. Os dois passaram a vida inteira nesses postos, era impossível que essa reviravolta pudesse se dar em questão de míseros três meses. Nem a vida toda seria suficiente.

Levy e Gajeel ficaram afônicos dando bye aos seus respectivos sonhos.

— Isso é impossível! — Disse Levy.

— Faça com que ele seja melhor do que ele... — Sr. Alberona tornou a dizer como se fosse a coisa mais simples do mundo. O que ele tinha contra Natsu? Será que ele queria motivos para expulsá-lo do colégio? Estava ciente das barbáries que ele aprontava, e se não fosse mais o capitão, certamente seria isso que iria acontecer.

Embora não fosse algo muito útil, porque Natsu também estava no terceiro ano e em poucos meses estaria entrando em uma universidade.

— Isso é impossível... — Gajeel murmurou se corroendo. Queria muito aquilo! Muito mesmo! Queria deixar o colégio com o carimbo “Dragon Slayers Baseball Time” no histórico, afirmando que um dia ele fez parte do time. — Ninguém consegue ser melhor do que ele. Essa tampa vem tentando há muito tempo e nada! — Falou se referindo à Levy quando disse “tampa”.

Mas como assim ela vinha tentando há muito tempo e nada?! Já era a terceira vez que conseguia o primeiro lugar. Talvez com muito esforço eles pudessem conseguir... Levy não ia perder a chance de ganhar a sua tão sonhada carta de recomendação. Embora tivesse nítida a limiar do impossível, ela não se amedrontava diante de desafios.

Ela se encheu de determinação. — Sr. Alberona, quando começamos?

[...]

Quando já era quase hora de as aulas acabarem no colégio, Levy encontrou Erza na biblioteca. Ela puxou uma cadeira e se debruçou ao seu lado, enquanto comia uma barra de cereal com chocolate e banana.

— Como foi tudo? Deve ter sido muito chato! — Levy perguntou a Erza.

— Está brincando comigo?! — Ela se recompôs endireitando os seus óculos para leitura. — Foi um inferno! Eu odeio como aqueles caras sejam tão desobedientes, eles nunca estão obedecendo as normas do colégio. Estão sempre ultrapassando os limites e nunca são punidos por isso.

— O que eles fizeram dessa vez? — Levy perguntou um tanto quanto preocupada, já temendo a merda que estava por vir.

— Ser chamado de Maria João por vinte garotos fedendo a encrenca não foi nada agradável, ok? Eu não sou lésbica! E sabe o que um deles me disse? Que se me pegasse iria fazer com que eu gostasse de homens. Ele ainda passou a mão na minha bunda! Eu dei um tapa tão forte na cara daquele imbecil que ele perdeu um dente.

Puta merda!

Aqueles garotos deveriam saber que Erza fazia aulas de Karatê, Judô e Boxe desde os cinco anos de idade. Seu pai fez parte do polícia japonesa de elite e a levava em todos os treinamentos, porque sua mãe morreu quando ainda era um bebê não gostava de deixá-la com estranhos em casa.

— Caraca... — Levy disse estupefada.

— Eu só não me envolvo com criaturas inferiores como eles. Homens são tão... Argh! E para completar, não conseguir alcançar o resto dos meninos que estavam zombando de mim. Quando arremessei uma cadeira de aço, ela acabou pegando na cabeça do vice-presidente Teobaldo. Ele está na enfermaria pondo gelo na cabeça e fazendo um curativo.

Pobre Teobaldo.

— Ai, Erza. Só você mesmo, amiga! — Levy lhe deu um abraço apertado, mas a barriga não parava de dor de tanto que ria. Ela se concentrou para perguntar: — Mas a entrevista com os novos integrantes em si, como foi? Você conseguiu fazer?

— Fullbuster não estava, tinha ido a sabe-se lá onde. E Jellal Fernandez... Ele... — Seu rosto começou a ficar tão vermelho quanto a cor do seu cabelo. Parecia um vulcão que estava prestes a explodir de tanta raiva. Ela cerrou os punhos e abaixou a cabeça e escondeu qualquer expressão por debaixo da sua franja. — Jellal Fernandez...

— O que é que tem ele, Erza? — Mesmo assim, Levy incentivou. — Diz logo de uma vez!

— ELE É UM PERVERTIDO DO CARALHO! EU DEVIA ENFICAR AQUELE TACO DE BASEBALL NA BUNDA DELE! — Ela gritou chamando a atenção de todos que estavam na biblioteca; e derrubou a cadeira no chão, fazendo um barulho estrondoso. A bibliotecária pediu silêncio a ela e, se envergonhando toda por ter chamado toda aquela atenção e ter se dado conta do que fez, pediu desculpas e recolocou a cadeira no lugar, voltando a se sentar logo em seguida.

Levy apenas ria. Ria muito. Sabia o que aquilo tudo tinha significado. Erza tinha gostado do garoto, não importava o que ele tivesse feito a ela.

— E foi isso... — Erza terminou dizendo com uma voz quase inaudível.

— (Lembrar de anotar no meu bloco de notas que eu devo deixar Erza e Jellal o mais próximos possível) — Levy disse ardilosamente para si mesmo, na mente. — Mas conta aí, o que foi que ele fez?

— Ele... Ele... Ele... — Oh, não. Erza estava começando a explodir novamente. Péssima ideia! Péssima ideia! Foi graças ao telefone da Levy que tocou que a cena não voltou a se repetir.

— Espere um instante — Levy disse a Erza. — Alô?

Levy... — Uma voz chorou no outro lado da linha. — Levy, eu preciso de você. Agora.

— Lucy?! O que é que houve?

O semblante de Levy mudou instantaneamente e Erza ficou perguntando “o que é que foi? O que é que foi? a amiga.

Levy-chan, é o Natsu de novo.

— Eu vou chamar a polícia... — Levy disse muito pálida, quase robótica. Sentiu o medo de ver a amiga possivelmente estuprada atravessar por todos os seus sonhos e doer nas cristas. Se aquilo fosse uma brincadeira, nunca perdoaria Lucy. Mas o pior é que não era. E sabia que não.

— O que diabos aconteceu? — Erza se desesperou e voltou a chamar a atenção de todos. — Por que você vai chamar a polícia?

Não é nada disso que você está pensando — Lucy explicou no outro lado da linha para manter a amiga mais calma, mas a verdade era que estava sem estruturas. Ela era quem precisava manter a calma. — É que eu resolvi fazer o teste porque minha menstruação estava atrasada esse mês. — 15 longos minutos de silêncio. — O teste deu positivo. Por favor, venha à minha casa. Eu não quero ficar sozinha.