Meu mundo pequeno
2 Ariel? Quem é Ariel?
Notas iniciais
Bem, agora vamos dar um pequeno salto na minha história. Eu contei quando meu pai morreu, tempo em que eu tinha sete anos, certo? Certo. Então, vamos lá... agora, eu tenho 10, e eu TENHO que contar isso.
Já ouviu falar de bullying? Pois é. Na minha antiga escola tinha muito disso, e eu não escapava. Tinha umas meninas, a Debrah, a Ally e a Janne. Elas eram tipo as "rainhas da sala" e achavam que tinham direito de mandar em todo mundo, principalmente em mim. Sei que parece meio clichê, três meninas que fazem bullying com os outros. Mas o que eu vou contar agora é como elas NÃO fizeram isso comigo.
— Debrah, sai, essa carteira é minha.
— É mesmo? Onde tá o seu nome escrito?
— Não precisa estar com meu nome escrito para ser meu o lugar.
— Ah, precisa sim!
Me zanguei, abri minha mochila, peguei um lápis e escrevi em letras GARRAFAIS o meu nome na cadeira: Ariel.
— Agora sai, por favor.
— Mas o seu nome não está escrito aqui. — Ela fez uma cara debochada e um sorriso de quem sabia rebater minha ação.
— Não? E esse "Ariel" aí?
— Ariel? Quem é Ariel? Meninas, vocês conhecem alguma Ariel?
As clones de Barbie apenas balançaram a cabeça, rindo.
— Pois é, não existe nenhuma "Ariel" nessa sala.
— E qual é meu nome, então?
— Seu nome? É Arie, lógico!
Fiquei surpresa. Ela era TÃO infantil e se achava adulta! Sério? Só tinha tirado o "L" do final!
— Meu nome não é Arie!
Nem adiantou protestar. Nem reescrever o nome na cadeira, o joguinho dela não ia parar. Só sei que as projeto de Barbie saíram espalhando pela sala a nova brincadeira do momento:
— Oi, Arie!
Nos primeiros dias até que fiquei com raiva do novo apelido, não é legal te chamarem de um jeito por puro deboche. Mas, depois, percebi que a maioria das pessoas (meus amigos) entenderam aquilo como apelido carinhoso, e também passei a pensar assim. Ou seja, meu nome não é mais Ariel. Tire o L e chame pela Arie agora.
Então entrou uma menina nova. O nome dela era Laura. Sempre achei lindo esse nome, não sei por que. Mas gosto dele. Ela era meio quietinha, mas logo começamos a falar uma com a outra. Laura gostava bastante de rir, das coisas mais bestas, e era isso que eu admirava nela. Ela era feliz. Mesmo com as zoações dos colegas. Mesmo com o mundo inteiro contra ela. Ela continuava com um sorriso no rosto.
Mas, enfim, ainda não é a vez de contar a história da Laura, e sim continuar a minha. Com todas as brincadeiras de mal gosto, eu acabei me irritando um dia.
— Arie! Olha só! Mas você não estava com o Miguel agora há pouco?
— O quê?
—(sala quase inteira) Arie e Miguel! Arie e Miguel!
Não tinha nada de errado com o Miguel. Ele era até bonito, mas o fato de ser nerd o rotulou como "feio de dar pena". Mas não foi o fato de eu supostamente estar namorando o Miguel que me deixou zangada. Foi o fato de ser uma mentira sobre mim.
Pulei em cima de Debrah e lhe desferi um belo tapa na cara.
— Sua maluca!
— Repete o que você disse! Anda, Debrah! Quero ver repetir!
Lhe dei um soco tão forte que ela caiu no chão.
— Anda! Se tem coragem repete!
Ela começou a chorar. coloquei o pé nas costas dela e subi fiquei de pé e ela começou a gritar.
— SAAAII! SUA DOIDA!
— Agora quero ver você dizendo que é mentira tudo o que você acabou de falar. ANDA!
— É mentira! É MENTIRA! AGORA SAI DE CIMA DE MIM!
— Pede desculpa!
— Desculpa, mas pelo amor de Deus, SÓ SAI DE CIMA DE MIM!
Saí, mas não a tempo suficiente para a professora não ver.
— O que significa isso, Ariel?
— Ela disse uma mentira sobre mim!
— Isso não é desculpa para tanta violência! Venha agora comigo!
Chegamos na sala do diretor, me sentei e fiquei imóvel minha expressão era fria e distante, o que mostrava que eu não tinha arrependimento nenhum.
— Senhorita... pelo que a Ms. Hatchoon me contou, você estava batendo numa coleguinha. É verdade?
— Sim.
— Por quê?
— Ela inventou uma mentira sobre mim.
Ele respirou fundo, antes de começar a falar de novo.
— Senhorita Taylor, você acha que isso foi certo? Uma mocinha como você deve ser recatada, educada e ter dignidade.
Lembrei das palavras da minha mãe e disse a primeira coisa que me veio à cabeça.
— Mas pode esquecer o recato quando se trata de honra.
— Mas você desrespeitou uma coleguinha, a turma e a Ms. Hatchoon.
— Se quiser me expulsar, expulsa. Mas a turma e a Debrah também não me respeitaram. E, quanto à senhorita Hatchoon, por que eu deveria levar a sério uma mulher cujo nome parece um espirro? Entendeu? HATCHOON.
Naquele momento, eu me levantei calmamente, me dirigi à sala, peguei minhas coisas e saí da escola. Mal sabia eu que aquele acontecimento iria ter consequências no futuro... efeito borboleta ou alguma coisa assim. Eu sei que o que eu fiz não foi muito certo, mas foi o único jeito de me defender.
Depois daquele dia, fui expulsa e passei algum tempo em casa, sem fazer nada, até minha mãe achar outra escola. E foi nesse tempo que aconteceu mais uma "aventura". Mas isso é assunto pra outro dia...
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