Notas iniciais
Olá gente, como foram de Natal? Espero que bem! Então, mil desculps pela demora e brigada pelos reviews de vcs. Espero que gostem do cap, fiz com muito carinho! Nos vemos lá em baixo!

Ela o fitava perplexa, sem conseguir acreditar em nada daquilo. Tanto que puxou as mãos abruptamente e se afastou magoada. Como ele ousava brincar com seus sentimentos daquele jeito?

-Não tem graça, Freddie! –Disse lhe dando as costas.

-Sam. –ele a girou pela cintura. –Estou falando sério.

-Ora, por favor alteza. Já disse que não passarei pro lado do duque, agora pare de...

-Pare com isso você! –Esbravejou. –Acha que está sendo fácil para mim? E ousa insinuar que eu esteja te manipulando?

-E espera que eu acredite que...

Então ela acordou.

Naquele momento, Sam viu apenas o garoto com quem brincara uma boa parte de sua infância, por quem se apaixonara perdidamente, principalmente pelo medo que ele sempre demonstrou de ser um monarca, camuflando-se em uma mascara de arrogância. Era a pessoa mais doce que conhecia. Ele não estava brincando. Tanto que não esperava dela apenas uma noite ou duas, que ela lhe proporcionaria sem pestanejar, mas queria uma vida inteira ao lado dela.

Sam sentiu as pernas fraquejarem, o coração disparar tornando-se praticamente audível mesmo em meio aos sons da floresta, e as mãos começarem a soar. Ela o viu se aproximar novamente e recuou. Recuou por que sabia que se não se controlasse, se atiraria nos braços dele e o beijaria. Não podia fazer isso. Muito menos aceitar o que ele pedia. Ainda que ele fosse o príncipe, estava subordinado a vontade do rei. Tinha um compromisso a honrar, e o rei seria capaz de decepa-la só para tira-la do caminho.

Fora isso, havia o fato dela ser uma inimiga. Pra aceitar tal pedido, deveria ser honesta com ele, e se o fosse, era certo que ele seria o primeiro a lhe virar as costas. Sam abria a boca para dizer um não definitivo e sair correndo dali para nunca mais voltar, quando ele a tomou nos braços e a beijou. Ele definitivamente não era o mais respeitador dos rapazes.

-Alteza! –ela o empurrou se afastando. –Achei que iria parar com isso!

-Se me disser sim, falo com meu pai ainda hoje. –Ele sorriu se aproximando.

-Mas e a sua noiva?

-Arranjará outro.

-Mas e o tratado com...

-Resolverei isso depois. Aceita se casar comigo?

-Não posso. Eu seria uma vergonha pra você. Somos de mundos diferentes.

-Te levarei pro meu mundo. Cuidarei de você vou te proteger. Pra sempre.

-Freddie...

-Gosto de ouvir você me chamar assim. –Ele sussurrou.

-Já pensou no que está fazendo? Tem noção que isso pode causar uma guerra?

-Eu já pensei em tudo. Vou compensar o reino italiano com boas terras. Você vai voltar pra casa dos seus pais, e daqui a uma semana, meu pai e eu procuraremos vocês. Em seis meses, nos casamos.

-E-eu, eu... –Balbuciou.

-Não quero te pressionar. Se a aversão que sente por mim é assim tão grande, entenderei sua recusa.

-Aversão? O que o leva a pensar assim?

-Toda essa sua hesitação...

-Hesito por que... Vai sofrer se escolher ficar ao meu lado, se tornará objeto de escárnio.

-Impossível. É a mais bela mulher que existe. O resto você poderá aprender.

-Mas...

-Não pense em nada disso. -Disse tomando-lhe as mãos novamente. -Por favor, apenas diga se quer.

-Mas é claro que quero! Faz ideia do quanto eu...

-Do quanto você?

-Eu o amo... -Ela baixou o rosto corando violentamente. -Eu o amo muito, mas está mesmo certo de que podemos nos casar?

-Você não merece menos que isso! E então?

Ela levantou o rosto timidamente exibindo uma face corada. Os dois trocaram um longo olhar antes dos lábios se encontrarem e iniciarem um beijo que começou suave e aos poucos foi se intensificando. A culpa que pressionava a mente de Sam a acabar de uma vez com aquela loucura sucumbia a medida em que ela sentia as mãos dele deslizarem por sua cintura e acelerar cada vez mais os movimentos que fazia com a língua. Quando o ar faltou, ele desceu os lábios ao pescoço dela percorrendo um caminho de beijos por toda a extensão daquela área. O cheiro que ela exalava o embriagava, ainda havia um leve aroma de maçã.

-Freddie. Por favor...

-Me desculpe. -Disse desgrudando os lábios da pele dela. -Me excedi.

-Freddie, preciso te dizer uma coisa...

-O quê? –Perguntou preocupado.

-Eu, eu... Não mereço seu amor. É claro que quero me casar com você, nada me faria mais feliz, mas, mas...

-Sam, o que você fez?

-Eu não fiz nada! Nada do que você está pensando! Apenas pertenço a uma família que... Possui valores diferentes...

-Não entendo.

-Somos descendentes de suíços. Talvez seu pai se oponha ainda mais por isso.

-Isso realmente é um problema. -Ele desviou o olhar pensativo. -Mas darei um jeito.

-Freddie...

-Sam, entenda, eu amo você e estou decidido a enfrentar o que for preciso pra ficar ao seu lado. Sei que não vai ser fácil, mas me proponho a lutar. Está disposta a fazer o mesmo?

-Estou. –Disse olhando-o timidamente.

-Então vou perguntar mais uma vez. –Ele abriu um largo sorriso. –Sam, você aceita casar comigo?

-Sim. –Ela riu extasiada. –Aceito!

-Amo você!

Dizendo isso, ele a tomou nos braços a girou no ar tropeçando logo em seguida num graveto. Os sons da floresta pareceram cessar no momento em que ambos se encontravam mirando-se nos olhos, caídos no chão. Ela estava por cima das pernas dele, que se erguera imediatamente após cair, mas não conseguira executar mais nenhum movimento após encontrar os olhos dela fitando seus lábios. Lentamente, ele aproximou-se encostou os lábios nos dela e fechou os olhos, sentindo o perfume dela penetrar-lhe mais uma vez as narinas. Num movimento rápido, ela levantou e afastou-se despedindo-se com um aceno. Freddie sorriu enquanto se levantava. Freddie pensou que ela não podia ter tomado atitude mais sábia, pois observando-a se afastar, teve certeza de que não poderia se conter por muito tempo.



Dentro de um pequeno casebre n parte mais isolada da aldeia, dois jovens rapazes conversavam obstinadamente. Havia uma pequena mesa no centro da sala e em cada extremo um dos homens bebia uma espécie de vinho enquanto pensavam no que fariam a respeito da decisão tomada pela garota. Um outro homem os observa do canto da sala, onde se encontrava sentado numa cadeira velha.

-Sir Nicolau disse que ela era perfeita. –Dizia um dos jovens a mesa.

-Pelo visto ele se enganou.

-Eu nunca me engano! –Esbravejou o homem do canto da sala. –Ela deve está amedronta, mas pensará direito. Vamos aumentar a recompensa!

-Não será possível. Ela me disse que não tem mais volta. –Disse Robie. –Por que não me deixam tentar?

-Como faria pra entrar no castelo? Até nessa questão ela é superior a qualquer outro, possui livre circulação por todo o palácio, não pode ser outra!

-Mas ela já disse que...

-Que se dane o que ela disse, Lucas! Aumentaremos a oferta, imploraremos se for o caso! Mas ela não pode deixar essa missão antes de trazer a prova de que precisamos.

-O senhor tem alguma ideia em mente para convencê-la? –Perguntou Robie.

-Já disse, aumentaremos a oferta. E você rapaz, faça alguma coisa, não eram noivos?

-Não chegamos a esse ponto. Ela tem uma pedra de gelo no lugar do coração.

-Quem em nome de Deus pode ser mais perfeita que a Sam? Chame a família dela aqui essa noite. Faremos parecer que é uma reunião de amigos.

-Ela é esperta...

-Eu sei, Lucas. Mas temos que tentar. Recebi ordens expressas do rei Teodoro para que executemos a missão antes do casamento. Isso já dura sessenta anos, há trinta eu perdi tudo o que tinha e antes de morrer, vou recuperar.

Quando o homem saiu, Lucas e Robie ficaram trocando olhares significativos. A verdade é que nunca entenderam o porquê de terem entregado uma missão daquelas a uma mulher. Sentiam-se frustrados em relação a isso, desejavam tal honra para si mesmos. Lucas estava disposto a colaborar, mas Robie se perguntava se aquela não seria a oportunidade que tanto queria. Alem de ser escolhido para ficar no lugar da garota, poderia em fim conseguir casar com Sam, uma vez que ela certamente ficaria encana por seu feito. Ele levantou e adiantou-se até a cidade.

Sam abriu o pequeno portão de madeira e entrou na pequena casa cantarolando baixo. A sala estava vazia, mas um som vinha do cômodo posterior, onde a mãe provavelmente cozinhava. Ela correu ao quarto e começou a retirar a trocar de roupa, mas não demorou muito uma mulher entrou no quarto e passou a fita-la da porta. Quando Sam voltou-se teve de conter um grito tamanho foi o susto. Ela tinha um olhar interrogativo e um sorriso curioso nos lábios.

-Como foi que se sujou desse jeito?

-Eu caí. –Respondeu desviando o olhar.

-E então, já falou com Sir Nicolau?

-Brevemente, numa carta. Mas ele está tendo dificuldades pra aceitar. Esse trabalho não é pra mim, talvez não seja pra ninguém...

-Sam, você está estranha. –A mulher se aproximou estudando-a. –O que é essa mancha no seu pescoço?

-Não sei, deve ter sido algum mosquito...

-Sam há alguma coisa que queira me dizer?

-Não, o que poderia haver? –Sam se afastou nervosa.

-Não sei, por que não me diz?

-Por que não há nada a dizer! Agora só quero recomeçar a minha vida! Estou até reconsiderando a ideia de me casar...

-Ótimo. O Robie tem nos visitado muito, mas você nunca aparece...

-Cadê o papai? –Perguntou mudando de assunto.

-Trabalhando... Mas não deve demorar.

-Tudo bem. Eu vou terminar de me trocar e já vou te ajudar com a janta, sim?

A mulher assentiu e saiu do quarto. Assim que ela saiu, Sam foi até a pequena cômoda e mirou-se em frente de pedaço de espelho que havia na parede. Havia uma mancha arroxeada em seu pescoço, que a fez se recordar do que foi um dos melhores dias da sua vida. Ela voltou a cantar enquanto se trocava. ainda não acreditava no que estava acontecendo, que finalmente seu grande sonho se realizaria. Era difícil acreditar que aquele rapaz arrogante a amava a ponto de quer se casar. Mas ele a amava, e por isso, um dia ela não teve coragem de dizer a ele toda a verdade. Talvez não fosse preciso, pensava. Sam se deixou cair na cama e acabou adormecendo, dividida entre a culpa e a felicidade extrema.

A carruagem real parou em frente ao castelo no momento em que os últimos raios de sol eram lançados sobre as terras verdes ao redor do gigantesco palácio. O rei desceu lentamente e seguiu ao interior do castelo pensando nos resultados da proveitosa reunião. Talvez fosse necessário atacar mais um ou dois vales suíços, mas não era nada com que tivessem de se preocupar, pois o exercito deles era tão fraco que cinco soldados franceses serviriam, daria conta de assusta-los.

O homem seguiu até a sala de leitura com passos contidos sentindo uma certa impaciência que ele não sabia de que advinha. Apenas uma vez sentira aquilo na vida, mas não lembrava em que situação foi. Ele acelerou a caminhada e em poucos instantes se encontrava em frente a sala de leitura cuja porta estava apenas encostada. Entrou cautelosamente e respirou aliviado ao ver o filho sentado em uma cadeira, lendo. Tinha uma expressão extremamente radiante, mesmo estando sério.

-Olá, Freddie.

-Ah, papai. –Ele levantou fechando o livro. –Estava esperando pelo senhor!

-Quer me dizer algum coisa?

-Sim. Muito importante.

O homem sentiu a impaciência crescer.

-O que houve, Freddie?

-É melhor que sente. –Disse num tom afetuoso.

O homem sentou na enorme cadeira vermelha e fitou o semblante do filho. Ele parecia nervoso e desconcertado, mas extremamente convicto do que fazia. O jovem sentou numa cadeira em frente ao pai e o fitou respirando fundo.

-Eu sei que estou comprometido com a minha querida prima. Mas lembra quando, a quatro anos atrás, aqui mesmo, eu perguntei ao senhor se poderia me casar com outra pessoa?

-Hm...

-O senhor disse que sim, que eu tinha plena liberdade pra escolher...

-Você era uma criança. –Interrompeu. –Não podia jogar nas suas costas tamanha responsabilidade. Mas agora sabe de suas obrigações. Para com seu reino!

-Sinto muito papai. Mas essa manhã eu pedi uma jovem em casamento.

-Como? -

-E o senhor tem de ir comigo pedir a mão dela aos seus pais.

- Você não pode estar falando sério.

-Mas estou. Estou apaixonado e saiba desde já que me disponho a abrir mão de tudo o que tenho para viver com ela, caso o senhor se oponha ao nosso matrimonio.

-Você ficou louco? –Ele sentia as mãos tremerem de ódio –Deixar o conforto do seu castelo, abrir mão de seu trono e de seu reinado por uma morta de fome?

-Papai, entenda, eu a amo. Como posso ser um rei se não tenho o direito de governar a minha própria vida?

-Uma coisa não tem nada a ver com a outra. –Esbravejou. –Escute, Freddie preciso te contar uma coisa. –Completou um tom mais calmo.

-O que?

-Sabe como chegamos aqui? Como nos tornamos o mais poderoso dos três reinos?

-Ganhamos a guerra... –Respondeu confuso.

–Quase isso. –O homem deu um longo suspiro. – Durante a guerra, os italianos se mantiveram neutros. Então, para trazermos eles para o nosso lado, pegamos uma droga de espada que eles possuíam e consideravam sagrada. Depois pagamos a um soldado suíço para que confessasse o roubo, e assim ganhamos um aliado. –Ele fez uma breve pausa. –Mas precisamos nos manter unidos, para evitar um levante suíço. E pra isso, você precisa se casar, é um tratado!

-E-então... Quer dizer que todo nosso prestigio... Foi construído dessa forma? Sob uma farsa, uma mentira? Meu Deus, papai, sinto-me envergonhado!

-Não temos escolha, Freddie. Não começamos nada disso, mas precisamos continuar.

-Não, nós não temos. Mesmo se não houvesse nada disso, casaria com a Sam, por que a amo, e isso só me deixou ainda mais decidido a fazer o que meu coração manda.

-Sam? –Disse com desprezo. –O nome da sua noiva é Sam?

-O senhor tem que ir comigo a casa dela. –Disse levantando-se. –Por favor avise-me quando poderá ir. O mais depressa possível.

O rei o observou sair da sala com um ar ainda mais resoluto do que antes, se é que era possível. Estava tudo acabado. O mais poderoso reino, possuidor do mais forte exercito, das mais vastas e valiosas terras, estava derrotado por uma moça. Uma jovem plebeia que envolvera o príncipe de tal forma que para ele, ser príncipe havia deixado de ser a coisa mais importante.

Furioso, o rei abriu a gaveta e pegou uma pena e o tinteiro. Ainda não estava tudo acabado.

Notas finais
Espero atualizar Cs no FDS, mas não se preocupem eu não abandonei só estou sem tempo, viu? Ah mais uma vez obrigada a BTR Love U pela linda recomendação, eu amei muito. Por favor, comentem! Bjos gente até mais!!