Meu melhor remédio
36 Só falta saber voar.
Notas iniciais
Por Quinn
Por que os professores da segunda feira insistem em estender as aulas o máximo possível? Estou com fome. Santana está quase caindo da cadeira, dormindo. Viro os olhos, rindo com a cena. Finalmente, o professor nos libera. Empurro o braço da latina, acordando-a. Ela levanta, desorientada, e pega suas coisas para irmos embora. Quando saímos da sala, vemos Rachel encostada na parede, com uma expressão séria no rosto. Abro a boca para perguntar o que ela está fazendo aqui, mas ela foi mais rápida.
– Diga que você não teve nada a ver com isso. – Sussurra. Eu estremeço com seu tom e sinto Santana ficar tensa ao meu lado. – Por favor.
– Do... Do que você está falando? – Pergunto nervosa.
– Nós descobrimos o paradeiro do Melchior. – Ela joga as mãos para o alto. Rindo, sarcástica. Engulo seco. – Ele está em um hospital.
– Oh, sim? – Estou realmente surpresa. Mas, não menos feliz. San morde o lábio.
– Sim! E você não sabe a melhor parte. – Eu nego com a cabeça. – Estão dizendo que o encontraram desacordado. Aparentemente, ele levou uma surra tão feia, que é arriscado ele não ter herdeiros. – Tenciono a mandíbula, evitando uma risada. Santana não faz o mesmo e gargalha alto. – Qual a graça, Santana? – Rachel pergunta para ela, mas seus olhos estão em mim.
– Não teremos que aguentar mais uma geração desse idiota. Isso é maravilhoso. – A latina bate palma. Eu sorrio de lado.
– O diretor foi visita-lo ontem e ele simplesmente pediu para sair da peça. E você sabe quando isso aconteceu, Fabray? – Nego outra vez. – Na sexta feira. À noite.
– Não vejo o que isso...
– Pelo o amor que você sente por mim, diga que você não fez isso. – Me interrompe. Eu troco um olhar com Santana e abaixo a cabeça, incapaz de falar.
– Flash Back –
– Você está sentindo isso, Brody? – Soco seu estômago com raiva, lembrando todas as noites que eu acordei por causa dos pesadelos de Rachel. – Fale, seu estúpido.
– Parem, por favor... Parem. – Implora, através do pano.
– Por que nós pararíamos? Você parou quando ela pediu para que você parasse? — Ele geme, sem responder. Chuto suas partes intimas, com força. Ele dá um grito abafado. – Responda.
– Não... Eu... Eu sairei da peça... Por favor...
– Bom menino. Eu quero que você conheça minha amiga. – Puxo Santana para frente dele. Seus olhos se arregalam.
– Eu sou de Lima Heights, Weston. E eu vou te ensinar o que nós fazemos com pessoas como você.
– Fim do Flash Back —
– Merda, Quinn... Eu confiei em você.
– Eu sinto muito, Rach. Eu não podia...
– Você também estava lá? – Santana assente. – Brittany...
– Não. Ela não sabe disso. – A latina se apressa a dizer. Rachel balança a cabeça, passando a mão pelo cabelo.
– Eu confiei em você também, Santana! Vocês prometeram. – Minha namorada quase grita. Percebo alguns olhares na gente.
– Vamos conversar em casa. – Peço.
Rachel me olha firmemente. Sinto meu corpo congelar. Então, ela assente, virando para ir embora. Santana coloca uma mão em meu ombro.
– Boa sorte com ela. – Sussurra. – Fizemos um bom trabalho, no entanto. – Brinca. Eu não consigo evitar um sorriso.
Corro para o estacionamento e entro no carro, que já estava ligado. Fico tensa no banco. Rachel não diz uma palavra, às vezes suspira pesado. O som está desligado, o que é um milagre. Ela estaciona em nossa garagem e sai, ainda em silêncio. Entramos no elevador, evitando nossos olhos. Estou começando a ficar com medo. Não era para ela reagir assim.
– Rach... – Chamo, uma vez que estamos dentro do apartamento. Ela vira abruptamente, me assustando. Ela está furiosa.
– VOCÊ PODERIA TER SE MACHUCADO. – Grita. Eu recuo um pouco.
– Mas, eu não me machuquei, meu amor. Eu estou bem.
– Eu disse que ele era perigoso, Quinn!
– Éramos três contra um, Rach. Ele não poderia fazer nada.
– Três... – Repete.
– Noah. – Digo baixinho. Ela fecha os olhos com força. Tento me aproximar, mas ela impede. – Rachel...
– E agora? Ele vai sair daquele hospital e buscar vocês até no inferno.
– Isso não vai acontecer. – Aviso, tranquilizando-a. – Nós mandamos uma gravação que ele admite o que fez para a polícia. Do hospital, ele vai para a prisão.
– Oh, meu Deus. – Sussurra, sentando. – Vocês não deveriam...
– Rachel. – Interrompo-a. – Ele precisava pagar pelo o que fez. Ele te... – Limpo a garganta. – Ele te fez mal e eu nunca, nunca, Rachel, vou perdoa-lo. Você é a pessoa mais importante da minha vida.
– E você da minha, Quinn. – Fala angustiada. – Pensar em você se arriscando assim... Merda, Lucy. – Suas lágrimas começam a cair. Levanto a mão para enxugar seu rosto, ela desvia, levantando. – Você tinha prometido.
– Me perdoe. – Peço, sincera. – Eu apenas... precisava.
– Eu vou dormir no meu quarto. – Assinto, confusa. – Sozinha.
– Meu amor, você não pode...
– Boa noite, Q.
Rachel vira e corre para o quarto. Eu vou atrás dela, mas ela fecha a porta no meu rosto. Eu encosto a testa contra a madeira, tentando virar a maçaneta. Trancada. Suspiro.
– Rach, vamos conversar, por favor. – Suplico. Silêncio. – Eu fiz isso porque eu te amo e eu não suportava a ideia dele estar no mesmo lugar que você. Deus, na mesma peça. Ser seu par romântico, Rachel. Você aguentaria isso? Ele teria que te tocar... – Minha voz é quase inaudível. – Não que eu não ligue para outros que poderão fazer esse papel, porque eu ligo. Mas, ele não podia. – Nada. – Abre, amor. Eu quero dormir com você. – Balanço a cabeça, derrotada, – Certo, só... Deixe destrancada, ok? Eu te amo.
– Eu também te amo. – Sussurra.
Faço um sanduiche, com esperança que ela volte, venha comer comigo. Mas, ela não o faz. Passo pelo seu quarto outra vez, aviso que deixei um para ela e vou para o meu. Tomo um banho demorado e deito-me na cama. Ela fica enorme sem minha pequena. Céus, ela está a uma parede daqui e eu sinto saudade dela. Pego meu celular.
Então? Acalmou a fera? – S
Viro os olhos e aperto para responder.
Fui chutada para dormir no sofá. –Q
HAHAHAHAHAHA isso soa como algo que Berry faria. –S
É, ela fez. Está com muita raiva. –Q
Passará, Quinn. O que importa é que está tudo acabado. – S
Sorrio. Sim, está tudo acabado.
E ele sem herdeiros. –Q
HAHAHAHA Perfeito! – S
Eu te amo, morena. Obrigada por ter me ajudado. –Q
Faço qualquer coisa por vocês. Eu amo você, loira. –S
Por Santana
Estava deitando na cama, quando a campainha toca. Resmungo, irritada. Quem diabos inventa de vim aqui essa hora? Por certo é algum vizinho idiota e...
– Britt... – Minha raiva passa ao ver a dançarina na porta.
Ela dá um sorriso e me beija intensamente. Suspiro no beijo. Não nos vimos todo o final de semana. Ela esteve ocupada, dando desculpas para os grandes partidos que a mãe estava arrumando. Estava ficando de saco cheio. Agora qualquer homem que essa louca ver, quer apresentar a Brittany. Aliás, se ele tiver dinheiro. O folego acaba e nós nos abraçamos.
– Estava com saudade de você. – Sussurra. Eu estremeço.
– Eu também. Como você conseguiu vim para cá em uma segunda? – Pergunto, passando o nariz em seu pescoço.
– Matteus. – Eu franzo a testa. O que ela ia conhecer? – Ele é legal, sabia? Gostei dele.
– Eu devo ter medo disso? – Aperto seu corpo. Ela gargalha.
– Ele é gay. – Continua rindo alto. Eu me afasto, confusa, mas sendo contagiada por seu riso. – Está na mesma situação que eu. A família querendo empurra-lo em um casamento.
– E eu achando que isso só existia em filme. – Resmungo.
– O fato é que ele vai ser meu laranja. – Rimos. – Eu disse que precisava ver alguém e ele topou ser meu álibi.
– Gostei disso. – Digo, mordendo sua orelha.
– Gostou, é? – Assinto. – Antes você vai me explicar o diabos aconteceu em Faberry, que Rachel estava desesperada.
– Ah, Deus! – Escondo a cabeça em seu peito. – Vai me colocar pra dormir no sofá também? – Brinco.
– Se você merecer...
Sentamos no sofá e eu começo a contar tudo o que aconteceu na noite de sexta. Brittany abre a boca, surpresa, mas escuta atenciosamente, sem me interromper.
– Flash Back –
– Lamento te informar, mas você não vai precisar mais disso aqui. – Aponto para seu sexo. Brody se remexe na cadeira, desesperado, aumentando o meu sorriso. Eu tiro o pano de sua boca.
– POR FAVOR, EU NÃO ESTAVA BEM NAQUELE DIA. – Sinto meu sangue ferver e chuto suas partes, fazendo-o se contorcer. Lágrimas começam a descer pelo seu rosto.
– Oh, não chore, Melchior. – Chuto com mais força.
– DEUS! PARE. PARE. PELO AMOR DE DEUS.
– Você acredita em Deus? – Pergunto, levantado uma sobrancelha. Ele balança a cabeça freneticamente.
– Sim, sim, sim. Por favor, me perdoe.
– Você já deve saber que vai para o inferno ou algo do tipo, certo?
– Santana...
– NÃO DIGA MEU NOME, ESTÚPIDO. – Chuto.
– AUUUSH! Me soltem. Eu sairei da peça, eu prometo, me perdoem.
– O que você fez para minha amiga, desgraçado, não tem perdão. – Cuspo em seu rosto e enfio o pano de volta na sua boca, para começar meus chutes certeiros e sem pausas.
– Fim do Flash Back –
– San... Eu não acredito que vocês fizeram isso. – Brittany leva a mão a boca.
– Você não está com raiva, está? Ele não... – Ela me interrompe com um beijo.
– Claro que não. Ele mereceu. – Sorrimos. – Mas, Rachel está certa. Vocês se arriscaram muito.
– Eu sei, bonita. Mas, já passou. Basta ele ser preso e essa história será enterrada.
– Estou feliz que esteja chegando ao fim.
– E eu estou feliz porque você está aqui. – Me aproximo. – Vamos aproveitar...
Por Marley
Estávamos na sala, conversando. Ou melhor, Puck estava contando tudo o que aconteceu. Eu não consigo acreditar que eles fizeram isso. É claro que Rachel está furiosa. Depois que ela contou, me confessou diversas vezes que tinha medo que ele machucasse algum de nós, principalmente a Quinn.
– Quinn e Santana fizeram um desastre tão grande, que eu quase não bati nele. Só dei dois socos e ele caiu desacordado. Foi frustrante.
– Não sou a favor da violência, mas eu o odeio por ter feito isso com minha melhor amiga. – Admito. Puck sorri. – Queria ter batido também. – Rimos.
– Não tem perdão, nem volta, mas nós lavamos a alma.
– Eu imagino. – Suspiro. – Amor, eu sei que tudo isso nos sugou e tal. Agora que ele está sendo preso, quando nós teremos aquele jantar, que está sendo adiado e adiado?
– Eu esqueci completamente.
– Eu sei. – Sussurro. – Por que você está evitando tanto?
– Eu não estou evitando, Marley. Eu só... Não tive tempo.
– Ok. – Digo chateada, olhando para as mãos.
– Linda... – Se aproxima, eu continuo sem me mexer. – Faremos amanhã.
– Não, Puck. – Olho em seus olhos. – Forçado eu não quero.
– Não será forçado, boba. O que você acha de ir lá pra casa? Nós preparamos o jantar e eu chamo meus pais, meu irmão, a família dele e sua mãe.
– Tem certeza? – Ele assente, sorrindo. – Soa maravilhoso.
– Será... – Me beija.
Por Quinn
Não consegui dormir, então resolvi ler um livro. Era quase 3:00h da madrugada quando eu escutei um grito. Merda! Merda! Levanto correndo e entro no quarto, desesperada. Ela fez o que eu pedi, deixou a porta destrancada. Vejo seu corpo tremendo, encolhido na cama. Deito junto com ela, abraçando-a. Ela vira para mim e puxa meu corpo para o dela, acabando com todo o espaço entre nós. Sinto suas lágrimas em meu pescoço.
– Shhh, amor. Ele não pode te fazer mal. Foi só um pesadelo. – Passo a mão em suas costas. – Estou aqui com você.
– Foi... Foi... Diferente. – Soluça.
– Diferente como, Rach? – Peço carinhosa.
– Não era eu... – Respira fundo. – Era você no meu lugar. – Chora mais forte. Eu engulo seco, apertando-a.
– Está tudo bem, minha pequena. Eu estou bem. E ele não poderá fazer mais nada. Se acalme, por favor.
– Eu te amo tanto, Lucy, tanto. Eu sinto muito medo de te perder.
– Não vai me perder. – Digo firme, segurando seu rosto para que ela me encare. Limpo suas lágrimas suavemente. – Você nunca vai me perder. Entendeu, Rachel? – Ela assente, suspirando. Beijo seus lábios devagar. – Eu amo você.
– Minha super heroína... – Rimos. Eu enrolo um lençol nas minhas costas, como se fosse uma capa. Ela gargalha doce. – Só falta saber voar.
Dormimos abraçadas, sentindo nossas respirações se misturarem. Tomamos café da manhã, tranquilas. Demorou, mas ela entendeu que tudo que nós fizemos foi para o seu bem. Estávamos no caminho para NYADA, quando Santana me liga. Atendo no viva voz. A latina avisa que Brody sairá hoje do hospital e que a polícia já está na frente. Ela já estava indo para lá, porque não queria perder isso. Brittany ia com ela, assim Puck e Marley. Rachel encosta a cabeça no banco, pensativa.
– Está tudo bem? – Sussurro, preocupada.
– Eu quero ir. – Eu me assusto, quase perdendo o controle do carro.
– Você não tem que fazer isso.
– Eu quero. – Olha para mim. – Me leve lá, por favor.
Assinto, mudando a nossa direção. Chegamos a frente do hospital e fomos para perto dos policias. Eles nos cumprimentaram e aproveitaram para fazer perguntas a Rachel. Meu coração afundou ao vê-la relatar mais uma vez toda a história. Mas, dessa vez ela falou tranquila. De repente, Brody surge sendo segurado por dois homens fortes. Ouço o suspiro de Rachel. Deus, nós fizemos uma arte em seu rosto. Vejo Santana e Puck baterem as mãos.
– FILHOS DA PUTA. – Brody grita, nos assustando. Eu abraço Rachel com força. – VOCÊS DISSERAM QUE NÃO IRIAM ME DENUNCIAR SE EU SAISSE DA PEÇA. EU SAI!!!
– E perder você se humilhando pedindo pra sair? – Santana encara. – Nunca.
– E VOCÊ? – Ele me olha. Coloco o meu corpo na frente da minha namorada, protetoramente. – ACHA QUE VAI SER BOM PARA CARREIRA DELA?
– Cale a boca. – Sussurro, franzindo a testa.
– O que os repórteres irão falar? Que a estrela da Broadway é gay? Que mora com uma mulher? Isso vai soar péssimo... – Ri.
– CALE A BOCA. – Ouço Puck gritar.
Os policias o jogam dentro do carro, algemado. Vejo seu sorriso sarcástico para mim. Eu não consigo me mexer.
– Quinn?
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