Meu melhor remédio
40 O nós somos?
Notas iniciais
Por Quinn
Certo, eu ainda devo estar dormindo. Essa é a cena mais estranha da minha vida.
– Rachel? O que você está fazendo aqui? – Shelby pergunta.
– Eu que tenho que te perguntar! – A morena ri, incrédula. – O que você está fazendo aqui?
– Eu vim... Eu vim falar com Quinn. – Eu franzo a testa. Comigo?
– Desde quando vocês se falam? – Rachel se dirige a mim.
– Não nos falamos. – Me defendo e volto o olhar para a mulher na minha porta. – O que você quer?
– Eu gostaria de falar com você. Mas, eu não sabia que Rachel estava aqui, então...
– Eu moro aqui. – A pequena enfatiza, fazendo a mais velha abrir a boca, surpresa.
– O que? Desde quando? Eu pensei que vocês se odiassem.
– Estamos namorando. – Diz firme. Ok, eu estou começando a ficar zonza.
– Como? – Shelby sussurra. Rachel bufa, virando os olhos.
– Você quer mesmo que eu te mostre?
– Rachel... – Murmuro, tentando chamar sua atenção. Eu não consigo ler o olhar da minha namorada. Parece estar... Furioso. Respiro fundo. – O que você quer? – Pergunto outra vez.
– Podemos falar... A sós? – Quando eu abro a boca para respondê-la, Rachel sai, batendo os ombros contra os da mãe.
– Merda. – Sussurro. – Eu preciso... – Aceno com a cabeça na direção que a morena correu. Shelby assente.
Eu corro pelas escadas, tentando alcança-la. Por sorte, ela não estava indo muito rápido. Seguro seus braços, impedindo-a.
– O que diabos você está fazendo?
– Estou deixando vocês duas sozinhas. – Responde sarcástica, tentando descer, eu aperto mais forte.
– Eu não pedi para você sair.
– Vocês devem ter muito o que conversar. – Eu fecho os olhos, suspirando.
– Por que eu estou sentindo que você está raiva?
– Eu não estou com raiva. Por que eu estaria? Oh, não. Minha mãe, que fez questão de me abandonar duas vezes, bate na porta do meu apartamento para conversar com minha namorada, como se fosse a coisa mais comum do mundo.
– Não é comum, Rachel. – Digo irritada. – Ela nunca veio aqui. Eu nem mesmo sei como ela conseguiu o meu endereço.
– Certo. – Murmura, sem acreditar. Eu solto seus braços. Ela me encara.
– Dane-se. – Eu viro, voltando a subir as escadas. – Estou indo falar com ela, se você quiser estar presente, ótimo. Se quiser continuar fazendo esse show, o problema é seu.
Evito olhar pra trás. Tudo o que eu não preciso agora é de Rachel desconfiando de mim. Eu entro no apartamento, vendo Shelby, ainda imóvel. Aceno para o sofá e ela me segue, sentando.
– Vocês estão...
– Estamos.
– Desde quando?
– Alguns meses. – Encolho os ombros, resumindo. Ela parece estar processando tudo. – Então... – O barulho da porta nos interrompe. A morena entra séria. Eu estendo minha mão para ela, que senta no meu colo. – Pode falar.
– Eu realmente gostaria que fosse particular.
– Eu não tenho segredos com Rachel. – A pequena aperta minha mão suavemente.
– Oh, ok. – Limpa a garganta, se levantando. – Eu não deveria ter vindo. Eu... Sinto muito ter atrapalhado.
Rachel me olha, franzindo a testa. Eu imito seu gesto, confusa. De repente, sinto um aperto no peito. O que Shelby teria para falar comigo? Deus...
– Shelby. – Chamo, fazendo-a parar. – Está tudo bem... com... Beth? – Sussurro.
– Sim, está tudo ótimo... com Beth. – Sorri de lado. Ela não espera por nós e sai rapidamente do apartamento. Rachel levanta para trancar a porta.
– Ok, isso foi louco. – Solta. Eu apoio os cotovelos nos joelhos e escondo meu rosto em minhas mãos. Rachel limpa a garganta. Eu sinto o sofá afundar do meu lado. – Quinn... – Sussurra.
– Eu preciso tomar um banho. – Digo finalmente, levantando.
– Amor, eu...
– Você pode me esperar? – Ela assente, abaixando a cabeça.
Eu não quis ser fria, mas a verdade é que sua atitude me magoou. Tomo um banho demorado, me recuperando do incrível “bom dia” que nós tivemos. Saio enxugando o meu cabelo e vejo Rachel sentada na minha cama, olhando diretamente em meus olhos. Eu suspiro arrastado. A morena levanta, envolvendo seus braços em minha cintura. Coloco a toalha pendurada na cadeira e devolvo seu abraço.
– Você está com raiva de mim? – Sua voz sai abafada contra meu pescoço, fazendo minha pele arrepiar.
– Sente aqui. – Nos afastamos um pouco, para nos olharmos e nos sentamos na cama. – Rachel, a última vez que eu encontrei sua... – Ela olha para baixo. Eu seguro seu queixo, conseguindo sua atenção de volta. – Shelby. – Corrijo.– Tinha sido no colégio. Você acredita nisso?
– Sim. – Murmura. – Mas... – Morde os lábios, nervosa. Eu espero que ela continue, acenando. – Talvez ela falasse com você sobre... Beth...
– Você acha que eu te esconderia isso?
– Não. Claro que não. Eu só... – Suspira. – Me perdoe. Eu não estava pensando. Eu só fiquei irritada por vê-la. E ela veio pra te ver. Deus, eu posso ter... Eu posso ter atrapalhado uma conversa importante. Se ela quisesse falar sobre... Oh, Quinn, eu sinto muito. Eu...
– Rachel. – Interrompo-a, segurando suas mãos. – Se fosse sobre Beth, ela falaria de qualquer jeito. Ela é mãe. Não evitaria um assunto sério assim.
– Ela é mãe. – Rachel balança a cabeça concordando. Eu puxo seu corpo para o meu. – Me perdoe.
– Está tudo bem, meu amor. Deve ter sido difícil para você. – Esfrego suas costas, sentindo-a assentir em meu peito. Ela respira fundo, afasta e segura meu rosto.
– E para você? – Dou os ombros, me fingindo de desentendida. Rach me dá um beijo fraco nos lábios. Eu fecho os olhos, aproveitando o seu carinho. – Lucy, responda, por favor.
– Estou bem. – Encosto minha testa na sua. – Fiquei preocupada, mas...
– Eu atrapalhei. – Murmura.
– Cale a boca, Frodo. – Digo em tom leve. – Já disse, se for importante, ela voltará.
– Eu te amo. – Sussurra em meus lábios. Eu sorrio.
– Eu também te amo, minha pequena. – Nos beijamos docemente. Não tinha língua. Nossos lábios se encostavam em puro sentimento. – Escute. O que você fez me doeu, Rachel. – Digo sincera.
– Oh, meu Deus. – Seus olhos ficam cristalinos. – Você vai... vai terminar comigo?
– Lógico que não. – Viro os olhos, ouvindo seu suspiro aliviado. – Só não duvide de mim outra vez, ok? Se eu te contar algo, acredita. Eu não tenho motivos para mentir pra você.
– Eu sei. – Sussurra culpada. – Você não fala sobre Beth comigo, então eu não sabia o que pensar. Me...
– Não peça mais desculpas. Eu já te perdoei. – Aliso sua bochecha. – Eu não falo sobre isso porque é um assunto difícil para mim. Eu prefiro falar com Puck. Se eu tivesse algum tipo de contato com ela, eu te diria, com certeza.
– Eu não farei mais isso, certo? – Eu assinto. - O que você acha de sairmos hoje? Sozinhas?
– Acho ótimo. – Sorrio, beijando seu pescoço. – Pra onde você quer ir?
– Não sei... Cinema? Depois jantamos em algum restaurante.
– E depois? – Levanto a sobrancelha, maliciosa. Ela morde o lábio inferior.
– Depois nós ficamos aqui.
– Aqui? – Ela confirma. – Na minha cama? – Confirma outra vez. – Não podemos pular tudo isso?
– Se controle, Fabray. – Ri, me beijando.
– Estou com fome. – Falamos em uníssono e gargalhamos.
Nos calamos e ficamos nos encarando por alguns minutos, esquecendo toda a confusão de antes. Como se só existíssemos nós duas no mundo. E bastasse...
Por Santana
Acordo virando para o lado, esperando abraçar a loira com quem eu dormi, mas tudo que encontro é um travesseiro. Franzo a testa, levantando. Acho uma nota em cima da cabeceira.
San, precisei ir pra casa mais cedo. Não quis te acordar, você estava dormindo tão tranquila... Assim que eu puder, escapo para cá, ok?
Já com saudades... Beijos, Britt.
Eu respiro fundo, guardando o bilhete na gaveta, junto com todos os outros. Às vezes, eu só queria poder acordar com seus beijos de bom dia. Ou beijá-la em festas, como fazíamos quando estávamos viajando. Eu sei que é difícil, eu já passei por isso. Mas, nunca fiquei com alguém que não tinha passado ainda. Meu celular vibra, me tirando dos meus pensamentos.
Shelby esteve aqui. – Q
Arqueio as sobrancelhas, surpresa.
O que ela queria? – S
Não sei. Ela não quis dizer na frente de Rachel.- Q
Está tudo bem? – S
Discutimos. Mas, já nos resolvemos. Minha cabeça dói. – Q
Droga! Ótimo jeito de acordar, Fabray. Hahaha – S
Nem fale. E você e Brittany? Vi que o clima estava pesado ontem. – Q
Ah, o de sempre, loira. Mas, já nos resolvemos também. – S
Chato... Aguente firme. – Q
Estou tentando. – S
O aparelho vibra novamente. Achei que era mais uma mensagem de Quinn, mas é uma ligação. Que número é esse?
– Alô? – Atendo.
– Santana? – Uma voz conhecida pergunta.
– Sou eu. Quem é?
– Tão fácil você esquece das pessoas, Lopez? – Oh, meu Deus.
– Dani?
– Já estava ficando decepcionada. – Ela ri. – Como você está?
– Estou bem e você? Há que devo a honra de sua ligação?
– Estou ótima. Você pode adivinhar onde eu estou?
– Não sei. No campo? – Brinco.
– Não, estou em NY. – Puta merda.
– Sério? O que veio fazer por aqui?
– Passear. Conhecer a cidade. Queria muito ver vocês hoje. – Eu engulo seco.
– Eu posso tentar combinar algo com todos.
– Faça isso, por favor. Te vejo a noite, então?
– Claro. – Rio nervosa. – Seu número é esse, certo?
– Isso mesmo. Vou esperar noticias.
– Já te aviso, Dani. Beijos.
– Beijos, San...
Eu desligo o celular, sem acreditar. Deus, Brittany vai me matar.
Ok, Daniela acabou de me ligar. Ela está aqui em NY. – S
Dani? Da casa que ficamos? – Q
SIM, QUINN. E ela quer sair hoje. Você e Rachel estão intimadas. – S
Sinto muito, San. Mas, nós já combinamos algo para hoje. – Q
Porra, Fabray. Vocês fazem sexo depois. Eu não posso ir sozinha. – S
Não podemos, preciso sair com ela sozinha. Chame Brittany. – Q
Claro. Brittany vai poder sair outra vez... – S
Ironizo.
Puck e Marley? – Q
Vou tentar. Obrigada. – S
Não fique chateada. – Q
Não estou. Bjs. – S
Merda, merda, merda.
Puck, eu já falei que você é o único homem que eu acho sexy e realmente gostoso? – S
Manda, Lopez. – P
Dani está em NY e quer nos ver. Faberry não pode, então vocês PRECISAM ir. – S
Poxa, tem que ser hoje, latina? – P
Sim, Puckerman. – S
Nós iremos sair. Marque outro dia. – P
Não respondi. Malditos sejam os amigos que preferem ir namorar. Maldita a minha sorte em não poder namorar com a pessoa que quero. Eu estou totalmente irritada agora. Deveria ter ficado na cama. Não custa tentar...
Daniela está em NY e quer nos ver. Os outros não poderão ir. Você pode? –S
Suspiro, esperando sua resposta, mas ela não chega. Tomo um banho e preparo algo para comer. Quase uma hora depois, a resposta chega.
Minha mãe marcou um jantar hoje. Você vai sair com ela? – B
Seguro firme o celular, pensando no que responder. Então ela vai jantar com um desses milhões de pretendentes que a mãe arruma e eu não posso sair com uma amiga? Nem namoradas nós somos.
Vou sim. –S
Divirta-se. – B
Eu posso imaginar o quão furiosa ela está.
Preferia que você viesse junto. – S
Tento amenizar o clima. Mas, ela me deixa sem resposta. Hoje será um longo dia...
Por Brittany
Quem diabos essa menina pensa que é? Primeiro, dá em cima de Santana no campo. Não satisfeita, ela vem atrás em NY? E Santana aceita sair com ela? Ódio. Bato na minha mesa, com força. Se eu pudesse ir, se eu pudesse assumir tudo. É tudo tão... Ahr... Eu baixo a cabeça, sentindo meus olhos arderem. Escuto alguém entrando no quarto e, rapidamente, expulso as lágrimas para longe. Minha irmã senta em meu colo, me abraçando. Eu descanso a cabeça em seu ombro.
– Você está chateada? Eu ouvi um barulho. – Sussurra.
– Estou. – Murmuro. – Mamãe inventou outro jantar.
– Céus, ela não desiste?
– Não, Lina. Ela só vai parar quando eu estiver casada. – Minha voz sai embargada. – Eu não aguento mais.
– Ei, shhh... – Me abraça com mais força. – Não é só isso, certo? O que mais está te incomodando?
– Uma loira estúpida que estava afim de Santana na viagem veio para cá e elas irão se encontrar.
– Você está com ciúmes? – Ri. Eu a encaro, séria.
– Claro que estou. – Assumo. – E sabe o que inferno eu posso fazer? Nada. Nem mesmo posso ir junto.
– Britt, não fique assim. Santana não fará nada.
– Ela disse ontem que poderia ficar com outras pessoas. – Suspiro, sentindo meu coração encolher. – E ia ficando com Dani lá, se eu não tivesse interrompido.
– Mas, vocês estão juntas, Britt. Ela gosta de você.
– E eu dela. Mas, o que nós somos?
– Vocês podem não ter um nome especifico, um rótulo, não sei. Só que Santana é algo para você, como você é para ela. Esse relacionamento existe.
– Só para nós... – Murmuro.
– Exatamente. Se ele existe para vocês, já basta. – Lina limpa minhas bochechas. – Não chore.
– É tudo tão difícil. – Soluço baixo.
– O que é difícil, Brittany? – Eu congelo ao som da voz da minha mãe.
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