Meu melhor remédio

21 E quase sem segredos.


Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=R9mRZgHYApA - http://www.youtube.com/watch?v=fFeNzkiGVJA

Por Marley

Santana e Brittany saíram para a cachoeira e as Faberrys foram à cidade. Aproveitei que Puck estava conversando com os vizinhos para ligar para minha mãe. Eu sei que estou fora há poucos dias, mas nós nunca ficamos distantes. Eu precisava conversar com ela, saber o seus conselhos. É tão impressionante ela adivinhar como estou me sentindo apenas do outro lado do telefone, sem ao menos me ver. Minha mãe sabe ler minha voz, como eu sei ler a dela. Tanto quanto sei que ela, apesar de ter me dado forças para vim, está morrendo de saudade de mim. Falar com ela aliviou um pouco mais meu coração. Talvez eu esteja querendo ir rápido demais. Rachel e Quinn se conhecem desde sempre. Eu conheci o Puck meses atrás. É querer muito que alguém mude de vida em pouco tempo, certo? Coloco minhas mãos nos olhos, interrompendo as lágrimas. Já deu por hoje. Estou ficando sensível demais. Não posso ser assim.

– Marley? – Me assusto. – Tudo bem?

– Sim, tudo bem. – Sorrio. Puck sobe na cama e me abraça. Deito a cabeça em seu peito, sentindo suas mãos carinhosas no meu cabelo. – Estava falando com minha mãe.

– Saudade de casa?

– Saudade dela. – Corrijo.

Ele solta um riso fraco, passando seus dedos nas minhas costas, suavemente. Fecho os olhos com o carinho.

– Você fala com seu pai? – Levanto a cabeça, surpresa pela pergunta. Ele apenas me encara, sem parar as mãos.

– Claro que não, Puck. Ele me abandonou. – Digo como se fosse óbvio e sinto seus ombros encolherem. Ele já não me toca. – Desculpe, eu falei algo de errado? – Pergunto preocupada.

– Não. – Ele ri falso. – Isso só... soa ruim.

– Que ele tenha me abandonado? – Assente. – Foi ruim.

– E se ele tivesse uma justificativa?

– Não sei, Puck. Nunca quis pensar nisso. Pra mim, é apenas indiferente. Já não importa.

– Você não o perdoaria?

– Eu realmente não sei. – Franzo a testa. – Por que você está me perguntando isso?

– É só... Eu... – Sento ao lado dele. – Eu meio que... Não sei. Fico pensando se a Beth um dia vai falar algo como você.

– Oh, meu Deus, Puck. – Ele está comparando Beth comigo? – São situações totalmente diferentes. Você não tinha escolha, se não dá-la para adoção, com a certeza de ela estaria em condições melhores. Você pensou no bem dela. Meu pai me abandonou quando eu tinha dez anos. Aliás, ele abandonou minha mãe também. Beth não vai pensar em você assim. – Garanto, segurando suas mãos.

– É só estranho, sabe? Fingir que nada aconteceu? Eu sei que Quinn sente o mesmo, mas nós evitamos ao máximo tocar nesse assunto. – Sua voz falha um pouco. – Às vezes eu me sinto culpado.

– Você tem notícias dela? – Pergunto abraçando seu braço, colocando a cabeça em seu ombro. Ele descansa a dele na minha.

– Que ela está bem com Shelby. É tudo.

– Você queria saber mais?

– Não. Saber disso é o que importa.

Ele deixa um beijo na minha cabeça, mostrando que encerrou o assunto. Pela primeira vez, nós conseguimos conversar sobre algo pessoal. E, com certeza, sobre o assunto mais difícil que ele tem. Suspiro.

– Eu gosto quando você confia em mim. – Admito.

– Eu gosto de ter você para confiar.

Sorrio, abraçando sua cintura e me rendendo ao sono.

Por Santana

Quatro vezes. Quatro vezes fazendo amor com Brittany dentro d'água. Quando eu acho que não pode ficar melhor, ela me surpreende. Isso é tão louco. Nado até a loira, que está embaixo da cachoeira. Ela sorri, me abraçando. Fico hipnotizada por seu sorriso. Como eu pude ficar tanto tempo sem ele? Beijo sua boca, fazendo nossas línguas se encontrarem calmas. Depois de tanto desejo, agora nós somos apenas carinho.

– Você deveria ficar bêbada mais vezes. – Digo, me afastando. – Gostei de suas apostas.

– Latina safada. – Ela me aperta. – O que você está fazendo comigo, San? – Pergunta doce, me fazendo estremecer.

– Nada do que você não esteja fazendo comigo. – Garanto.

Britt sorri, balançando a cabeça. Aproximo-me para beijá-la de novo, mas uma voz nos interrompe.

– Quem tem coragem de entrar nessa água agora? Ninguém. Parem com isso. Nós queremos a cachoeira também. – Viro os olhos.

– Quinn, por que você não está enfiando a língua na boca da anã, ao invés de estar aqui?

– Porque você me atrapalhou muito quando eu estava fazendo isso. – Britt ri fraco, me soltando.

– Eu te odeio, Fabray. – Resmungo para Quinn, que já está dentro d'água, abraçada com Britt. – Rachel, você não vai entrar?

– Depois eu entro. Estou cansada, preciso dormir um pouco. – Disse deitando na grama.

– É isso, então? Você faz sexo com a anã até esgotá-la. Daí quando ela não tem mais energia, você resolve me encher?

– Tipo isso. – A loira ri e eu jogo água no rosto dela. – Brittany, como você aguenta essa latina chata?

– Ela não é chata, Quinnie. – Britt faz um biquinho adorável. Eu não resisto, tento me aproximar, mas Quinn impede.

– Deus, Santana, se controla. – Quinn arranca uma gargalhada de Britt.

Por Rachel

– Rachel? — Essa voz. Meu coração congela.

– F... Finn? — Pergunto temorosa, procurando por ele.

– Ei, pequena. — Ele aparece na minha frente, sorrindo. O que diabos está acontecendo? — Eu senti sua falta.

– Você... Você... — Não consigo falar.

– Quinn está te fazendo muito bem.

– Ela... Finn! — Abraço sua cintura. — Deus, como eu queria falar com você.

– Estou aqui, Rach. — Sorri. — Mas, pelo visto, você já resolveu o seu problema. — Levanta a sobrancelha, malicioso. Eu sinto meu rosto corar.

– Sim... Eu meio que... Já.

– Fico feliz por ver você conseguindo resolver suas coisas. — Ele alisa meu queixo. — Você precisa contar pra ela, Rach.

– Contar o que? — Franzo a testa.

– Contar quem fez aquilo com você.

– Não, Finn. Nunca. Ela o mataria. — Ele arqueia a sobrancelha. — Digo, você sabe. Eu não quis dizer isso.

– Eu sei, Rach. — Ri. — Quinn precisa saber. E você precisa se livrar desse peso. Isso está te bloqueando para muitas coisas.

– Não está me bloqueando. Não mais.

– Não falo disso. Onde está aquela música que você começou a compor no dia que Quinn te levou para cima de um prédio?

– Ela... Eu não... – Eu realmente odeio que ele saiba de tudo agora. — Me falta inspiração, só isso.

– Sério, Rach? Você precisa de mais inspiração que a loira está te dando? Você conseguiu fazer música para uma tiara. – Nós rimos. – Tenho certeza que consegue fazer algo maravilhoso disso tudo. Mas, nós sabemos que você precisa se livrar desse bloqueio.

– Eu quero apenas esquecer.

– Você consegue? — Nego. — Ele precisa arcar com as consequências. Se eu pudesse, já teria dado meus próprios murros nele.

– Você não sabe brigar, Finn. — Viro os olhos, divertida.

– Por você? Eu sei fazer tudo, pequena.

– Eu sinto tanto sua falta. — Murmuro, sentindo as lágrimas queimarem meus olhos. Ele sorri de lado, passando a mão no meu rosto.

– Quinn te ama muito, Rach. Ela vai cuidar de você. Basta você deixar.

– Eu a amo também, Finn. Muito. — Sorri.

– Então, seja honesta com ela e se deixe ser feliz.

Ele me abraça forte. Sinto o cheiro da sua camisa. O que é isso? Ele está sumindo entre meus braços. Não. Não vá. Finn, por favor, volte.

– Rachel? – Abro os olhos, assustada, procurando por ele. Deus, foi um sonho. – Rach, você está bem? – Quinn pergunta preocupada.

– Sim. Foi apenas... um sonho. – Sussurro.

– Foi o pesadelo outra vez? – Sua voz é angustiada. Sorri, beijando seus lábios de leve para acalmá-la.

– Não. Foi bom. Eu sonhei com... meu anjo da guarda.

– Então, você está bem, certo? – Pergunta brincalhona.

– Sim. O que você está... – Quinn me coloca nos braços. – Fabray, o que você está fazendo? Quinn, não...

Ela me joga dentro d’água. E, graças a Deus, a água está quentinha. Subo na loira, fingindo afoga-la. Quinn consegue sair dos meus braços e me prender, com um sorriso vitorioso no rosto.

– Sem forças, Frodo? – Sussurra no meu ouvido, me fazendo arrepiar.

– Você tira minhas forças, Lucy.

– Vocês podem fazer sexo, agora a gente não pode? Eu exijo meus direitos. Nós chegamos aqui primeiro. – Quinn gargalha e eu viro os olhos para Santana.

Por Quinn

Chegamos em casa, encontrando Puck e Marley abraçados no sofá, assistindo um filme. Fomos tomar banho e voltamos para eles.

– O que faremos hoje? – Britt pergunta.

– Eu pensei em ficar em casa, tocando violão, cantando e tomando um vinho. Ainda estou cansado por ontem.

– Puck, você consegue ser mais fraco que a anã.

– Santana!! – Rach se finge ofendida. – Lucy, me defenda.

– Lopez, dá para parar de implicar com minha mulher?

– Ui, vou parar porque Fabray pediu, Hobbit. – Santana diz sarcástica. Rachel vira os olhos.

– Certo, crianças, já terminaram? – Marley pergunta. – É melhor ficarmos em casa, precisaremos de energia para amanhã.

– O que tem amanhã? – Pergunto.

– A festa dos Hales. Dizem que é uma das melhores festas que eles dão por aqui. – Puck responde entusiasmado.

– Isso soa muito bem. – Santana levanta. – Vou buscar o violão.

Sento no chão e Rachel senta no meu colo. Ela se aproxima para dizer algo, mas antes que ela possa Puck começa a dedilhar o violão, tocando Sweet Caroline. Um sorriso apareceu no rosto de todas nós. Ele está cantando e andando ao redor de Marley. Ela está corando um pouco, mordendo os lábios. Santana dá um olhar malicioso para Britt, que levanta a sobrancelha. Rachel aperta minha mão e sussurra no meu ouvido:

– Parece que alguém está se abrindo.

Sorri, vendo-o terminar a música e beijar Marley. Batemos palma e assobiamos. Os dois não paravam. Troquei um olhar com Santana, que assentiu, sorrindo.

– Yeah, sexo ao vivo. – Grito. Rach se assusta e dá uma tapa na minha perna. – Aush, Frodo. Nós temos filmes para isso, não precisamos deles.

– Já basta, Purcley, Marck, Noaose. Gente, como é difícil arrumar um nome para vocês. – Santana bota a mão na boca e nós gargalhamos. Marley precisou se afastar de Puck para rir também.

– Acho justo Marley cantar agora. – Britt fala.

– Você canta? – Perguntamos em uníssono.

– Canta lindo, até. – Rachel confirma.

– Ah, não gente. Vocês cantam lindo, eram do coral da escola, uma está até em NYADA. Eu não vou competir com isso. – Diz vermelha.

– Não estamos competindo, linda. Por que você nunca falou que cantava? – Puck cruza os braços.

– Porque eu não can...

– Canta logo, Marley. – Santana interrompe e ela vira os olhos.

Rachel pega o violão e começa a tocar o início You Drive Me de Britney Spears. Marley olhou para ela, sorrindo e balançando a cabeça. Britt bate palma, animada, fazendo Santana abraçá-la com força. De repente, Marley começa a cantar. Certo. Que voz é essa? Ela pode não ser melhor que Rach, óbvio, ninguém pode, mas é linda. Puck está com a boca aberta, igual a Santana, e com certeza, igual a mim.

– O que mais você esconde? – O moicano pergunta incrédulo, quando a acaba a música, fazendo Marley corar outra vez.

– Você tem uma voz maravilhosa. – Digo e todos concordam rapidamente.

– Certo, parem. Quando iremos fazer nossa banda? – Ela brinca rindo, contagiando todos.

Puxo Rachel de volta para o meu colo, encostando minha cabeça em seu ombro. Santana agora está tocando. Minha morena segura minhas mãos com as delas em sua barriga. Sinto uma mordida suave na minha orelha, que me faz estremecer.

– Eu estou tão feliz com você, Lucy.

– Eu também, Frodo.– Franzo a testa, sorrindo. – O que foi isso?

– Só quero que você saiba. Sempre.

– Eu te amo.– Beijo seu pescoço.

– Eu também te amo, namorada.

Notas finais
Vocês querem que eu continue, certo? Não deixem de comentar!!! Quero que essa festa seja bem movimentada. :**** http://ask.fm/FlorDeLins_ Ps. para Thais Davila: Tentei atender o seu pedido, eu espero que você tenha gostado. ;)