Meu melhor remédio
25 De volta.
Notas iniciais
Os últimos dias passaram depressa. O Natal estava se aproximando e os amigos resolveram aproveitar o lugar ao máximo, conheceram até cidades vizinhas. A saudade de lá já era óbvia para todos. Ninguém queria voltar, mas sabiam que precisavam. No penúltimo dia, Puck chegou a casa, gritando que havia achado um rio com um penhasco onde os jovens saltavam. Santana e Quinn quase correram quando ouviram a notícia. Rachel deu seu surto de sempre, fazendo um monólogo do quão perigoso é pular dessas coisas. A latina teve que ser controlada por Brittany para não gritar com Rachel. Quinn jogou todo o seu charme e, no fim, conseguiu convencer a cantora.
– Amor, não pula, por favor. – Tenta outra vez.
– Rach, não é perigoso. Várias pessoas já fizeram isso. – Quinn segura o rosto da namorada e beija sua testa. – Vai ser rápido.
A pequena suspirou derrotada, sentando ao lado de Brittany e Marley, que também não tiveram coragem de subir. Era mais alto do que imaginavam. As três ficavam tontas só em olhar. O primeiro a pular foi o moicano. Ele deu alguns giros no ar, sendo aplaudido por Marley, antes de chocar dentro d'água. Puck volta à superfície e grita para Santana. A latina não espera mais e imita o amigo, saltando. O coração de Brittany se encolheu por cinco segundos, antes de ver Santana voltar. A loira quase gritou de alívio, pulando dentro do rio para ir ao encontro da latina.
Na vez de Quinn, Rachel apenas fechou os olhos, segurando a grama com força. Quando ela ouviu o barulho da loira caindo na água, estremeceu. O tempo parecia ter parado. Silêncio. Já era para estarem gritando feitos loucos, certo? Rach abriu os olhos, depressa, encontrando os rostos assustados dos amigos. Onde está Quinn? Não, por favor, de novo não. Ela já estava prestes a pular, quando a loira nadou para a superfície e explodiu em risadas. Rachel franziu a testa.
– Santana, você tinha que ver sua cara. – Zombou.
– Não foi engraçado, Fabray. – A latina joga água no rosto da amiga, já rindo também. – Você é uma idiota.
– Frodo, você viu a cara de San... – Quinn se interrompeu ao ver a expressão de Rachel. A morena a olhava incrédula, com a boca meio aberta. – Você... Você está bem?
– Dane-se, Quinn. – Falou fria e foi embora.
– O que deu nela? – Puck pergunta confuso.
– Quinn, vai atrás dela. Ela ficou com medo. – Britt pede.
A loira balança a cabeça, reagindo e sai atrás da namorada.
Por Rachel
Brincadeira estúpida e sem graça. Quem ela pensa que é para fazer isso? Minhas mãos estão tremendo. Não sei se é por causa do susto ainda ou é por raiva. Me encosto em uma árvore, tentando controlar minha respiração. Sinto uma mão em meu ombro e afasto-a quando vejo quem é.
– Vai embora. – Peço.
– Rach, me desculpe, eu só queria brincar com Santana.
– Brincar? Sério, Quinn? – Seguro minhas mãos com força. – Volta pra lá, eu não quero falar com você.
– Não vou voltar sem você. Vamos conversar.
– Se você ficar aqui, eu vou te gritar. – Fecho os olhos.
– Prefiro que você faça. – Diz. Não respondo. – Rachel, não era para você...
– NÃO ERA PARA EU ME ASSUSTAR? – Grito. Ela dá um passo para trás, assustada. – Você é louca, Fabray?
– Rach...
– Você tem ideia do que eu senti quando vi que você não tinha voltado? – Pergunto nervosa.
– Rach...
– Parecia que estavam pegando o meu coração e apertando-o para que ele explodisse.
– Rachel...
– Eu pensei que você ia me deixar. – As lágrimas começam a correrem furiosas em meu rosto. Ela não tenta me interromper dessa vez, engolindo seco. – Pensei que você ia me deixar, como o Finn fez.
Eu não aguento mais, minhas pernas cedem e eu sento no chão, encolhendo. Sinto os braços de Quinn me envolverem. Não luto contra eles, pelo contrário, me agarro em seu pescoço com força, como se minha vida dependesse disso. O corpo dela está molhado, mas ainda consegue me aquecer, me acalmar.
– Eu te amo. Eu não... Eu não quero te perder. – Digo com a voz tremula.
– Me perdoe, eu não pensei no que isso poderia te causar. – Fala sincera. – Eu queria só brincar com San, me desculpe, por favor.
– Eu sei, meu amor. – Me acalmo. – Eu me assustei. – Sussurro.
– Shhh, está tudo bem. Eu não vou te deixar, estou aqui com você.
Nos beijamos. Um beijo cheio de amor, de agonia. Um beijo que parecia estar me devolvendo à vida. E pela primeira vez, eu percebi o quão dependente eu sou disso.
– Não faça isso de novo, Lucy. – Dou uma tapa em seu braço. Ela ri.
– Eu não farei. – Prometeu, antes de me beijar outra vez. – Vamos voltar? A água está uma delicia.
Por Santana
– Finalmente, Faberry. – Levantei as mãos para o alto. – Marley e Britt vão pular. Só falta você, Hobbit.
– Nem sonha. – Se esconde atrás de Quinn. Viro os olhos.
– É divertido, Rachel. E aquela parte é funda, sem pedras, não tem como se machucar. – Puck avisa.
– Eu tenho pavor de altura, sem chance.
– Tudo deve ser grande demais ai debaixo né, anã? – Digo. Rachel mostra a língua. – Faremos uma aposta, então.
– Não, Santana.
– Sim, Santana. O que você quer? – Quinn levanta uma sobrancelha, curiosa.
– Trocamos de quarto essa última noite. Você fica livre para gritar a noite toda, sem se importar com o casal sem nome. – Aponto para Puck e Marley.
– Santana! É nossa última noite. – Britt resmunga.
– Eu sei, minha linda. Mas, ela precisa de um incentivo. – Pisco o olho.
– Vamos lá, Frodo. É só um pulinho. – Quinn implora, nos fazendo gargalhar. – Eu pulo com você.
– Quinnie... – Sussurra, nervosa. – Ok. – Suspira.
– Viu só? Perdemos o quarto. – Britt bate no meu braço.
– Dê um pulo bem lindo que eu prometo que essa aposta valerá a pena. – Garanto.
– Mesmo? – Se aproxima, mordendo o lábio.
– Brittany, vamos logo. – Rachel grita.
As quatro sobem, enquanto eu saio da água e sento na grama com Puck. Marley pula primeiro, fazendo o moicano imitar a sua torcida. Vejo Rachel quase pular, mas voltar para trás. Rimos com a cena. Quinn parece estar tentando convence-la. As duas dão as mãos e pulam juntas. Viro os olhos. Rachel grita quando volta para a superfície e avisa que todos nós teremos que aguentá-las elas hoje a noite. Percebo Quinn corar um pouco. Ia brincar com ela, mas Britt saltou antes, me fazendo paralisar. Ela tentou dançar no ar. Deus, como é linda.
– Valerá a pena? – Ela chacoalha o cabelo.
– Com toda certeza. – Rimos. – Eu já falei que eu amo seu cabelo?
– Uma vez.– Responde tímida.
– Flash Back -
– Eu gosto do seu cabelo. Ele é lindo. — Consigo soltar. Minhas mãos estão suando.
– Obrigada. — Ela cora. — Você canta muito bem, gosto de sua voz.
– Fim do Flash Back -
– Eu nunca vou esquecer aquele dia. – Afirmo.
– O dia em que você me enlouqueceu. – Brinca.
– O dia que eu enlouqueci por você.
Por Marley
Terminei de arrumar a mala. Como passou tão rápido! Ao mesmo tempo em que quero ficar aqui para sempre, quero também ir para casa, abraçar minha mãe. Suspiro, lembrando tudo o que aconteceu. Um sorriso bobo invade meu rosto.
– Pensando em mim? – Puck pergunta, me assustando.
– Talvez. – Sorrio. – Não podemos passar Natal aqui? Ano novo? Páscoa? – Rimos.
– Se você quiser, compro uma casa aqui e nós abandonamos NY de vez. O que você acha?
– Acho ótimo. – Aliso sua bochecha, traçando um dedo por sua boca. – Vou sentir falta de dormir com você.
– Nos veremos lá, bonita. – Ele suspira. – Olha, Marley, eu não sei muito sobre relacionamentos, o único que eu tive foi com Quinn e acabou não dando muito certo. – Ri sem graça. – Eu gosto de você, de verdade. Podemos continuar assim? Conhecendo-nos?
– Só se você aceitar passar o Natal lá em casa.
– Com a sua mãe? – Assinto. – Eu preciso só passar pela casa do meu irmão antes. Tudo bem assim?
– Você vai mesmo? – Seguro seu rosto entre minhas mãos.
– Mande-a preparar um banquete. – Brinca.
Por Quinn
Termino de arrumar minhas coisas, enquanto Rachel está no banho. Nós realmente aproveitamos esse quarto. Só em pensar que amanhã estaremos em casa... Eu quero falar com minha irmã, quero vê-la, quero tirar esse peso de mim. Deus, quero conhecer minha sobrinha, que eu nem mesmo sabia que existia. Quantos anos ela terá? Será que Frannie é casada? E por que ela veio sozinha? Por que agora? Como ela reagiria se eu contasse que estou namorando Rachel? Com outra mulher. Será que ela me julgaria como Russel provavelmente faria?
– Leroy e Hiram estarão em NY para o Natal. – Rach interrompe meus pensamentos e eu a agradeço por isso. – Eu quero te apresentar como minha namorada. – Um sorriso orgulhoso me domina.
– Eu vou amar isso, Rach. – Beijo seus lábios de leve.
– Você está nervosa, não é? – Me abraça. Enterro minha cabeça em seu peito, assentindo. – Daremos um jeito nisso, meu amor.
– Eu quero ir. – Sussurro.
– Então, nós iremos. – Diz firme. – Digo, se você precisar de mim...
– Claro que eu preciso de você. – Levanto a cabeça para encará-la. – Por favor, não me deixe ir sozinha.
– Eu não vou deixar. – Sorri. Volto para minha posição. – Só quero que você fique calma.
– Acho que eu não consigo. – Rio falso.
– E se eu tento? – Levanta a sobrancelha, maliciosa.
– De novo? Frodo, nós iremos viajar amanhã cedo. Aliás, hoje já. – Ela faz seu biquinho adorável. – Dane-se.
Levanto e puxo seu corpo para baixo do meu, beijando-a. É, eu posso me acalmar muito bem.
Por Brittany
– San, você está estranha. – Reclamo. – Não fique assim na nossa última noite.
– É isso, Brittany. Nossa última noite. – Diz com a voz embargada.
– Nossa última noite aqui, Santana. – Suspiro. – Para de pensar assim, por favor. Isso está me matando.
– Te matando? É você quem vai correr para os braços de seu namorado, enquanto eu vou para casa, sozinha. – Fala irritada. Isso foi como um soco no meu estomago. Ela percebe minha expressão. – Desculpa, eu estou confusa.
– Tudo bem.
– Britt... Eu não queria dizer isso.
– Certo, Santana, mas você disse. E eu sinto muito, ok? Agora vamos dormir, acordaremos cedo.
– Só se você me abraçar a noite inteira. – Fala dengosa. Eu sorrio, abraçando-a forte. Como eu vou sentir falta disso.
Acordamos com Marley batendo na porta. Mas, já? Santana abre os olhos, triste e me dá um beijo com saudades. Sinto meus olhos arderem. Levanto rápido, antes que eu desista e caia no choro. Tomamos um banho de despedida. Olho para ela mais uma vez, ela assente, levantando a mala. Pego a minha, seguindo-a para fora do quarto. Todos já estão na sala. Falando com... Ah, não, a dona da casa. Eu quase tinha me esquecido. Seguro forte a mão de Santana, que dá uma risada divertida. Olho séria para ela. Isso não tem graça.
– Espero que vocês tenham gostado daqui.
– Amamos, Dani. Queremos voltar logo. – Quinn conversa.
– Vocês têm meu telefone, qualquer coisa, é só entrarem em contato. – Ela olha direto para Santana. Não tem vergonha de dá em cima de gente acompanhada? Digo... – Foi um prazer conhecer vocês. Tenham uma boa viagem.
– Obrigada, Dani. – San responde. Aperto mais ainda a mão, fazendo-a soltar um gemido de dor. – Boas festas para você.
Viro os olhos. Despedimo-nos dela, dos vizinhos e fomos em direção ao aeroporto, de volta a realidade. Sinto um frio enorme subir pela minha coluna. Abraço Santana, forte, com medo, com saudade, com... amor. Ela devolve o abraço, na mesma intensidade. Seu corpo treme, deixando escapar alguns soluços. Eu também não consigo mais controlar as lágrimas. Ela se afasta, beijando minha testa com força. Fecho os olhos. Que tudo dê certo.
Por Santana
Passamos a viagem inteira abraçadas. Sabíamos que tudo mudaria quando pousássemos em NY. Troquei um olhar agoniado com Quinn, que estava na cadeira ao lado, com Rachel. A loira deu um sorriso triste, entendendo minha mensagem. Engoli seco. Quando pousamos, meu coração quase saiu de mim. Respirei fundo. Puck e Quinn me abraçaram, quando Britt soltou meu braço para descer. Sorri, agradecendo-os.
– Meu amor.
E aqui estamos nós. De volta.
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