Meu melhor remédio
38 Cannonball.
Notas iniciais
Por Marley
– Jake é o apelido de Jacob. – Puck responde nervoso. Eu franzo a testa.
– O que? – Seu pai parece incrédulo. Meu coração começa a acelerar. O que está acontecendo aqui?
– Papai. – Ouço Ian repreender baixo.
– Você contou ao seu irmão que eu cantava? – Tento entender. O moicano abre a boca, mas o som vem de outra.
– Noah comentou no dia do Natal com a gente. – Meu cunhado explica. Puck assente rapidamente.
– Você não falou pra ela? – Meu sogro tenta ser discreto, mas não consegue. Vejo todos mandarem um olhar fuzilador, ele encolhe os ombros. – Como eu estava dizendo, Marley, você é uma ótima cantora.
– Além de uma excelente cozinheira. – Minha sogra ressalta.
– E, sem dúvidas, será uma jornalista incrível. – Laíse continua, sendo acompanhada por todos.
Eu coloco um sorriso falso no rosto. É óbvio que algo não está se encaixando. Por Deus, que o pensamento que me passou pela cabeça esteja completamente errado. Ele teria me dito... Suspiro, olhando para minha mãe. Ela dá um pequeno aceno, pedindo para que eu me acalme. Eu faço o que ela pede e sigo a noite tentando agir normalmente. Duas longas horas depois, todos vão embora, nos deixando sozinhos. Percebo o nervosismo do meu namorado de longe. Ele sorri de lado e se aproxima de mim, tentando me beijar. Eu viro o rosto, fazendo com que o beijo seja na bochecha.
– Meus pais te adoraram. – Ele me ignora e continua falando, abraçado na minha cintura. – Meu irmão e minha cunhada estão encantados. – O encaro, séria. – Oh, e meus sobrinhos estão loucos por sua mãe. Aliás, o que ela faz pra atrair tanta criança? – Ele ri. Eu sei o que ele está tentando fazer. Definitivamente, não está conseguindo me distrair.
– Faltou uma pessoa, no entanto. – Sinto seu corpo ficar rígido. Ele me solta.
– Não faltou, Marley. Minha família estava toda aqui. – Segue para a cozinha.
– E seu outro irmão? – Eu vou atrás dele.
– Eu já falei que eu não o considero. Nunca o fiz, nem mesmo antes de conhecê-lo. – Resmunga.
– Você parecia à vontade contando-o minhas coisas.
– Eu estava conversando com Ian, ele apenas ouviu. – Por que ele parece chateado? – Sinto muito que você não tenha gostado disso.
– Não estamos falando disso e você sabe, Puckerman. – Digo dura. Ele fecha os olhos. – Por que você não me mostra uma foto dele?
– Eu não tenho fotos dele. – Diz rápido. Eu levanto uma sobrancelha.
– Qual seu Facebook? – Peço, indo em direção ao seu notebook. Ele me segura.
– Não tem necessidade disso.
– Sua família foi adorável comigo, por que você tinha tanto medo? – Eu sinto minha garganta começar a fechar.
– Eu já falei. Eu não tinha experiência com isso. Marley, por que estamos discutindo?
– É ele, não é? – Pergunto temorosa. – É o mesmo Jake.
– O que? Não. De onde você tirou isso? – Ele está quase suando. Sinto as lágrimas trilharem por minhas bochechas. – Marley...
– Soa como algo que meu ex namorado diria. Ele gostava de me ouvir cantar. – Puck suspira. – Você não queria falar sobre ele, não tem fotos para me mostrar e estava com medo de que eu soubesse disso. – Afirmo. Ele assente lentamente. – Oh, meu Deus.
Eu sento no sofá, reprimindo um soluço. Ele se aproxima, mas eu o afasto.
– Por que você não disse? – Pergunto irritada.
– Porque eu não sabia como fazer isso.
– Era só me contar, merda! – Grito. – Isso não pode estar acontecendo... – Sussurro. Puck tenta colocar uma mão em meu ombro e eu levanto. – Eu preciso sair.
– Mas, você disse que ia dormir aqui. – Choraminga. – Amor, eu não tenho nada a ver com isso.
– Você escondeu que o imbecil do meu ex namorado é seu irmão, Puck!!
– Ele não é meu irmão. – Se defende. Eu bufo, passando a mão pelo cabelo. – Meio irmão, ok. Mas, eu não tinha a opção de escolher.
– Eu não estou reclamando o fato dele ser a porra do seu meio irmão. – Cuspo. – Estou furiosa por você ter me escondido. Quando você iria me contar? Em uma festa da família que ele aparecesse de surpresa?
– Marley...
– Eu preciso pensar, ok? – Suspiro, encostando nossas testas. Ele prende meu corpo no dele e eu devolvo o abraço.
– Eu te amo. – Sussurra. Um soluço escapa da minha boca. – Não me deixe.
– Eu não estou te deixando. – Minha voz é falha. – Apenas tenho que colocar os pensamentos no lugar. Foi uma grande informação para ser processada.
– Diga que me ama. – Murmura. Eu sorrio de lado, levantando o rosto para encará-lo. Meu coração congela ao ver seus olhos vermelhos.
– Eu te amo, Noah. – Dizer seu nome parece o mais apropriado agora.
Eu saio da sua casa, perdida. Entro no carro soluçando. Ligo para Rachel. Chama, chama e não atende. Merda. Ligo para Brittany, o mesmo acontece. Bato no volante, irritada. Tento Quinn e logo Santana, mas ninguém responde. Ótimo. Tento todas outra vez. O choro começa a aumentar. Eu preciso falar com alguém. Espero algum retorno, mas quando nada acontece, eu ligo o carro, frustrada e dirijo para casa. A porta se abre e eu abraço a única pessoa que parece estar por mim... Minha mãe.
Por Quinn
– Frodo, você precisa controlar seus gritos. – Rio. Ela faz um pequeno bico. – Não faça isso. – Mordo seu lábio suavemente. Ela sorri. – Mas, os vizinhos um dia reclamarão.
– Não seja exagerada. – A morena resmunga. – Eu não tenho culpa se você faz isso comigo.
– O que eu faço com você? – Provoco, mordendo seu pescoço. Ela solta um gemido fraco, mas me empurra.
- Controle-se, Lucy. Eu tenho que ir para NYADA, depois tenho que correr para os ensaios.
– Claro. E beijar a boca de Jesse. – Solto, deitando na cama. Rachel gargalha alto.
– Você é uma boba ciumenta. – Ela fica por cima de mim. Eu sorrio, abraçando-a. – A única boca que eu quero é essa. – Rach me beija. Passo as mãos em suas costas nua, descendo para suas pernas. – Quinn, nós acabamos de fazer isso.
– Merda. – Resmungo. Ela ri. – Você não vai ligar para Marley? Eu tinha três chamadas em meu celular e o seu bem mais.
– Sim, claro. Mas, antes eu preciso de um banho. – Levanto uma sobrancelha, maliciosa. – Sozinha, Q. – Vira os olhos. – Amor, eu quero que você vá me buscar no ensaio hoje. Tenho algo para te mostrar.
– No ensaio, Rach? – Pergunto insegura. Mas, me arrependo quando vejo a expressão de seu rosto ficar séria. Ela levanta da cama. – Ei, eu irei, ok?
– Você vai se você quiser.
– Eu quero. – Afirmo, segurando seus braços. – De que horas eu passo lá?
– Eu te ligo assim que terminamos. – Ela sorri.
Santana começa a me apressar para ir busca-la, então eu tomo banho no outro banheiro, correndo para não me atrasar. Deixo um beijo em minha namorada e vou embora. Buzino na frente do prédio da latina, que entra resmungando vários palavrões em espanhol.
– Puck te ligou? – Pergunta já calma.
– Não, por quê? – Franzo a testa.
– Ele me ligou, mas eu estava dormindo. – Encolhe os ombros. – Deixou uma mensagem na caixa de mensagem, parecia chateado.
– Você não retornou?
– Retornei. Ele disse que depois falava, que estava dirigindo para a aula.
– Marley me ligou. – Lembro. – E ligou para Rachel. Mas, nós... – Limpo a garganta. A latina ri. – Estávamos cansadas e... Agora de manhã nós... Enfim, não retornamos.
– Como os vizinhos aguentam a gritaria de Berry? – Um sorriso surge em meu rosto.
– Ela não tem culpa do que eu faço com ela. – Sussurro. Santana me olha e eu percebo o que estamos conversando e coro fortemente, fazendo minha amiga rir alto. – O fato é: Marley e Puck brigaram?
– Não sei. Ela também me ligou, mas também não vi. Estava igualmente cansada. – Rimos.
– Brittany dormiu com você?
–Não. – Suspira, ficando mais séria. – Não tinha desculpas para dá à senhora das cavernas.
– Deus, essa mulher é insuportável. – A latina assente. – Como vocês estão?
– Bem. Estamos bem. – Sorri de lado. – Eu a amo muito.
– Eu sei, morena. – Aperto sua perna. – E ela te ama. Britt vai falar com os pais logo, logo.
– Eu espero, Q. Falando nisso, o que você resolveu em relação ao que o Melchior disse?
– Não iremos nos esconder. – Suspiro. Ela abre um sorriso. – Só quero que isso não cause nenhum dano futuramente.
– Causaria danos se vocês se escondessem. Acredite em mim, não é bom gostar de alguém e só poder ficar com essa pessoa entre quatro paredes.
– Eu não pensei em você enquanto estava falando tudo aquilo ontem, eu sinto muito. – A culpa me agarra. – Eu só estava confusa e assustada.
– O que importa é que ele não conseguiu alcançar o objetivo e separar vocês duas.
– Não nos separarem, San. Nunca.
Por Rachel
Saio de NYADA em direção a Broadway. Às vezes, eu simplesmente não acredito que eu ensaio naquele palco. Tudo parecia ser um sonho tão distante. Paro em um restaurante perto, para almoçar. Quando entro, vejo um rosto conhecido sentar em uma mesa escondida. Peço licença ao pessoal da peça que veio comigo e me junto a minha amiga.
– Marley. – Digo. A morena levanta a cabeça, com óculos escuros. – Tudo bem?
– Sim. – Sua voz é dura. Eu sento ao seu lado.
– O que você está fazendo aqui?
– Almoçando. – Eu franzo a testa.
– Aconteceu algo?
– Não, Rachel.
– Oh, merda. — Eu bato na testa. – Eu me esqueci de te ligar. O que você queria?
– Já resolvi. – Balanço a cabeça, assentindo.
– Marley, você não vai acreditar. – Digo animada. – Eu consegui compor.
– Que bom, Rachel. – Ok, isso não está certo.
– Você não quer ver? – Pergunto confusa. Ela sempre quer ver minhas letras.
– Outra hora.
– Bem, eu ia almoçar contigo, mas já percebi que você quer ficar sozinha. – Levanto, um pouco magoada. Ouço um suspiro pesado.
– Bom ensaio. – Sussurra. Eu beijo sua cabeça e saio.
Ela está chateada por que eu não atendi suas ligações e não retornei? É isso? Deus, eu estava ocupada. Eu estou, aliás. Almoço o mais rápido que posso e vou para o ensaio. É cada dia mais mágico estar aqui. Jesse é um excelente ator e cantor. Sem dúvidas, o Melchior perfeito. O diretor parece ouvir meus pensamentos.
– Céus, vocês já viram quanta química têm juntos? Seremos um sucesso. – Vibra. Nós nos abraçamos, rindo. – Por hoje, deu. Espero vocês aqui cedo amanhã.
– Amanhã é sexta, diretor. Nos libere antes. – Jesse brinca.
– Só se vocês fizerem tudo de primeira. – Pisca um olho, nós assentimos.
Vejo um cabelo loiro na porta no teatro e entrecerro os olhos para ter certeza. A luz não ajuda bem.
– Quinn? – Tento. Me solto dos braços de Jesse e ando um pouco mais para frente. – Lucy?
– Ahn... Oi. – Sorri tímida, entrando. – Não quis atrapalhar.
– Claro que não. Já terminamos. – Puxo sua mão.
– Quinn Fabray! – Jesse saluda. – Rach me falou de vocês. Aliás, ela fala sobre você o tempo inteiro. – Ri. Quinn me olha surpresa, com um sorriso escondido.
– Você fala de mim? – Eu mordo o lábio e assinto. – Acho bom você ter cuidado com ela, Jesse St James. – Fala me abraçando. Uma onda de felicidade sobe no meu corpo por ela não ter pirado sobre isso.
– Eu tomarei. Eu sei que nosso passado não é um dos melhores, mas eu mudei, Quinn. Na verdade, o amor me mudou. – Ele ri, quase corando. Quinn levanta alto as sobrancelhas.
– Fico feliz em saber disso, Jesse. Espero que você seja o Melchior certo dessa vez.
– Obrigado. Bom, eu vou deixar vocês. Todos já foram e eu soube que...
– Jesse. – Repreendo. – Só vai.
– Enfim, até outro dia, Quinn. – Ele beija minha cabeça. – Até amanhã, Rach.
Quando ele sai do teatro, eu viro nos braços de Quinn, ficando de frente para ela. Seus olhos estão em um misto de vários sentimentos, que eu não consigo ler. Eu ia perguntar, mas ela pressiona os lábios nos meus, pedindo carinhosamente passagem com a língua. Suspiro, deixando-a passar. Estou beijando a mulher da minha vida, no lugar da minha vida. Não pode ser mais perfeito. Lembro-me do motivo para ter pedido para ela vim me buscar e me afasto, sorrindo.
– Senta aqui. – Aponto para a cadeira. Ela senta. – Só um minuto.
Subo no palco e pego um violão. Sento no chão, posicionada na frente da loira. Ela me olha confusa, mas ainda sorrindo.
– Escute bem essa música, porque você faz parte dela. – Aviso. Ela assente. – Se chama Cannonball.
Começo a cantar, olhando para minha namorada. É tão mais emocionante cantar com ela. Saber que a pessoa que me inspirou está me ouvindo agora. Os olhos de Quinn ficam cristalinos. Eu sorrio e continuo cantando. Parece que o filme passa pela minha cabeça. Termino de cantar o último verso e desço do palco, esperando uma reação dela. Mas, a loira está parada, sem dizer nada. Ok, isso não era pra acontecer assim, certo?
– Eu, eu... Penso em... – Limpo a garganta. – Talvez uma boa bateria e...
Ela me interrompe, beijando minha boca. Oh, sim, bem melhor...
– Você compôs, meu amor. – Vibra, me girando. Eu rio. – Quando você fez isso?
– A melodia eu fiz naquele dia quando você me levou para o alto do prédio.
– No nosso primeiro encontro. – Sorri grande. Eu assinto.
– A letra eu fiz ontem.
– Ontem? Por que você não me mostrou?
– Porque nós tínhamos brigamos. – Suspiro. – Então, nos reconciliamos. – Sorri maliciosa. Ela gargalha.
– Ficou linda, Frodo.
– Você é a luz do fim do túnel, sabe? Você é minha coragem, a minha volta.
– Deus, como eu te amo. – Beija minha boca. – Por que agora, Rach? Foi porque nós brigamos?
– Não... Finn me falou que eu só ia conseguir compor quando eu te contasse a verdade sobre... Brody.– Sussurro. Ela me olha assustada.
– Finn?
– Eu sonhei com ele. E ele me disse isso no sonho. – Seus olhos ficam cristalinos e eu passo a mão na sua bochecha.
– Também queria sonhar com ele. – Admite. Eu beijo sua testa. – Bom, então ele estava certo.
– Sim, ele estava. – Sorrio.
– Falando em briga... Marley e Puck discutiram.
– O que? Merda! – Escondo o rosto em seu peito. – Encontrei com ela e ela estava super chateada. Achei que fosse por causa das ligações...
– Eu acredito que tenha sido, amor. Ela ligou pra Santana e Britt e elas também não atenderam. – Diz em um tom culpado. Meu coração encolhe.
– Você sabe o motivo?
– Sim! Acho melhor você procura-la. Quer que eu te leve lá? Estou pensando em ir atrás de Puck.
– Claro. – Viro para pegar minhas coisas, mas ela me prende. – O que?
– Eu te amo, Frodo. – Sorrio. – Eles podem esperar mais uns minutos... – Me beija.
– Sim, eles podem... – Me entrego ao beijo maravilhoso da minha namorada.
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