Meu melhor remédio
32 Boas notícias.
Notas iniciais
Por Quinn
– Rach, amor, por que você não tenta dormir um pouco? – Sussurro, cansada.
Amanhã é o teste dela. Todos nós sabemos que a ela vai conseguir ganhar fácil, mas ela nos deixou nervosos por tabela. Ela já levantou três vezes depois que deitamos. Nós já fizemos amor, já conversamos, já nos distraímos, mas nada parece acalmá-la.
– Eu não consigo, Lucy. – Diz frustrada. Eu puxo seu corpo junto com o meu, abraçando-a por trás. – É a Broadway. – Lembra.
– Sim, eu sei. – Beijo sua nuca. – E você é Rachel Berry, futura estrela da Broadway. Vamos lá, Frodo, você nos enchia com essa conversa.
– Eu sou uma estrela. – Ela afirma. Eu sorrio. – Eu sou uma estrela. Barbra um dia vai me vê nos palcos.
– Isso! Você vai brilhar, amor. – Digo, aliviada por ela ter conseguido a confiança de volta. Rachel vira para mim, me encarando.
– Eu tive uma ideia. – Sussurra. Eu coloco uma mecha do seu cabelo atrás da orelha, prestando atenção. – Eu queria surpreende-los, no entanto, eu não consigo escrever nada. – Suspira. – Mas, eu ainda tenho uma letra. E essa letra é muito importante para mim.
– Que letra? – Pergunto curiosa.
– Você só vai saber disso na hora que eu cantá-la. – Ela sorri e eu franzo a testa. – Eu vou me arriscar, eu sei. Eu quero que você saiba que eu farei isso por você.
– Rachel, você não pode se arriscar por mim. – Falo nervosa. – Cante algo que te faça se sentir segura.
– Essa música me faz segura. – Garante. – Muito segura.
– Então, ótimo. – Sussurro. – Certo?
– Certo, Lucy. – Ela passa a mão na minha bochecha. Fecho os olhos com o contato. O sono está me dominando. – Você é linda. – Murmura. Eu sorrio, apertando mais nossos corpos.
– Durma, meu Frodo. – Peço. – Amanhã será seu grande dia.
Por Santana
Meu celular começa a tocar, me acordando. Olho o relógio: 7:30h. Maldito seja, eu só tenho aula no turno da tarde hoje. Sinto Brittany me abraçar e distribuir beijos nas minhas costas, enquanto eu pego o aparelho. Meu mau humor vai embora.
– Fala, Fabray. – Atendo.
– Morena, será que dá para vocês virem para cá mais cedo? – Suplica. Eu franzo a testa, lembrando que dia é hoje.
– Berry está louca?
– Não. Ela está muito calma. E eu não sei se isso é bom. – Confessa.
– Então, ela deve estar bem, e ahh. – Brittany morde minha orelha. – Nós estaremos ai logo.
– Santana, vocês... – Desligo.
– Bom dia, Sanny. – A dançarina fala inocente.
Eu avanço nos lábios dela, unindo nossas línguas, desesperadas por controle. Não tivemos problemas com roupas, já que dormimos nuas pela noite anterior. Sem perder tempo, coloquei meus dedos dentro dela. Os gemidos, suspiros e palavrões começaram a soar pelo meu quarto. Brittany mordeu meu pescoço, mostrando que estava próxima ao orgasmo. Então, um grito aliviado sai de sua boca, enquanto seu corpo tremia em prazer. Eu poderia ver essa cena por toda a minha vida e nunca me cansaria.
– O que Quinn queria? – Ela fala depois de um tempo, me fazendo lembrar que a loira queria nossa ajuda.
– Disse que Rachel está muito calma e que ela está preocupada.
– Oh, Deus! – Brittany suspira, colocando uma mão na cabeça.
– Merda. Ok. – Levanto da cama rapidamente. – Pela sua reação, isso é realmente ruim, certo?
– Eu prefiro que ela fique nervosa agora que na hora e...
– Isso não vai acontecer. – Interrompo a dançarina, sabendo o que ela queria dizer.
Tomamos banho depressa, comemos algo e fomos para a casa Faberry. O carro de Puck e o de Marley já estavam lá. Ótimo, ao menos elas estavam com ajuda. Mas, agora sei que nos atrasamos um pouco. Quinn abriu a porta, com uma expressão séria no rosto. Antes que eu desse tempo para que ela reclamasse da demora, eu entrei, procurando a cantora. Rachel abriu um sorriso tranquilo, me abraçando. Estranho isso. Vejo Marley trocar um olhar com Brittany.
– Certo, Berry, você está me dando medo. Até ontem estava quebrando tudo, nervosa. E agora está assim? – Digo de uma vez. Todos me repreendem, mas eu sei que estavam querendo falar isso também. Viro os olhos.
– Está tudo bem, gente. Eu só achei a música certa.
– Bom... Que música é essa? – Levanto a sobrancelha, curiosa.
– Eu não vou dizer. – Rachel cruza os braços fazendo bico.
– Eu não digo a Quinn, Hobbit. – Prometo.
– Se eu disser a Santana, vocês param de me tratar assim? Eu pensei que vocês quisessem que eu ficasse calma. – Diz um pouco incomodada.
– Só estamos preocupados. – Quinn soa magoada.
– Eu sei, meu amor. – A morena abraça minha amiga. – Mas, eu estou dizendo que estou bem. Pode acreditar em mim? – Silêncio. – Por favor, Lucy? – Vejo o corpo de Quinn relaxar nos braços de Rachel, derrotada.
– Só fale com Santana, ok? – Pede. A pequena assente, dando um beijo rápido na namorada.
Por Quinn
As duas estão trancadas no quarto de Rachel por mais de meia hora. Ela só ia falar o nome da música, certo? Será que Santana não gostou? Ou era mentira? Deus isso está me matando. Sinto braços fortes me abraçarem por trás. Encosto a cabeça no ombro de Puck, agradecendo o contato.
– Rachel não precisa que nós fiquemos nervosos por ela, Q.
– Eu sei. – Suspiro, virando para Marley e Brittany. – O que vocês acham?
– Eu fico com medo por tudo o que já aconteceu, mas ela me pareceu bem. – Brittany responde. Olhamos para Marley.
– Devemos acreditar nela. Estamos falando de Rachel. Ela pode cantar qualquer música ali e dá um show.
– É verdade. – Sorrio orgulhosa.
O barulho da porta abrindo nos interrompe. Viro rapidamente para elas. Santana sai com um sorriso sincero no rosto, mas meu coração afunda quando eu vejo os olhos avermelhados de Rachel.
– Antes que você brigue, Quinn, está tudo bem. – A latina me tranquiliza. – Só foi uma conversa emocionante. – Confessa. Minha namorada sorri para ela.
– Eu te amo. – Rach sussurra, me abraçando. – Quero você na primeira fila hoje.
– Eu estarei, linda. Eu sempre estarei. Hoje e nos próximos espetáculos que você vai apresentar daqui para frente.
A campainha toca, nos afastando. Kurt entra pulando na sala, abraçando Rachel. Nós rimos da empolgação dos dois. Quanto tempo nós os vimos sonhar com isso?
– Vamos! Precisamos arrumar você. – O menino diz empolgado, girando a pequena. – Marley, Britt... – Chama. As duas levantam, sorrindo. – Logo traremos sua namorada, Quinn.
Eu aceno, agradecida. Sento no sofá entre Puck e Santana. Olho para a latina, querendo que ela me fale algo. Mas, minha amiga apenas encolhe os ombros, se fingindo de desentendida. Eu bufo de raiva. Puck gargalha e eu dou uma tapa no moicano.
– Eu não vou falar nada, loira. Prometi isso.
– Por que vocês demoraram tanto? – Suplico.
– Porque ela precisou se explicar. – Sorri. Eu franzo a testa. – Confie no Frodo.
– Não chame ela assim. – Resmungo, fazendo os dois rirem.
– Eu posso te dizer algo...
– Por favor. – Viro para ela, nervosa. A latina põe a mão no queixo, como se estivesse pensando. Dou um soco no seu braço.
– Aush!! Não seja grossa, Quinnie. – Dou outro. – Ok, ok. – Gargalha. Eu estava pronta pra dá mais um, mas ela segura minha mão. – Rachel gosta muito de você.
– Sabemos disso, Santana. – Puck ironiza, eu concordo.
– Ela gosta a mais tempo que nós imaginamos...
Por Rachel
Viro no espelho. Meus amigos fizeram um ótimo trabalho. Respiro fundo e saio da quarto. Todos me elogiam e me dão forças. Quinn me dá um sorriso enorme, que enche meu coração de esperança. Dirigimos até NYADA, onde estava tendo as audições. O lugar estava cheio. Vi vários rostos conhecidos. Começo a andar de um lado para outro, sentindo o nervosismo, finalmente, chegar. Quinn me acompanha com o olhar. Kurt senta, batendo os dedos na cadeira. Santana está abraçada a Brittany. Marley parece tranquila, enquanto Puck balança as pernas. Eu agradeço por meus amigos estarem comigo. Escuto uma voz conhecida soar dentro do auditório. Lexy. Fecho os olhos com força.
– E se eu... – Respiro fundo. – E se eu falhar? Eu posso falhar como aconteceu nas audições para entrar aqui. Não posso? – Minha voz falha. – Eu errei don't rain on my parade.
– Você não vai falhar. Olhe para mim. – Ouço a voz da minha namorada, perto de mim. – Olhe para mim, Rachel. – Pede mais forte. Eu obedeço. – Você é melhor que ela.
– Eu sou. – Digo insegura.
– Você é. – Quinn diz firme. Eu sorrio para ela, relaxando. Como pode ser tão perfeita? – No que você está pensando?
– Que eu sou apaixonada por você. – Confesso. Ela cora um pouco, fazendo meu sorriso aumentar ainda mais.
– E eu por você.
Nos beijamos, esquecendo que todos estavam presentes, esquecendo a tensão do momento, esquecendo que existe um mundo lá fora. Eu amo essa mulher. Preciso dá o meu melhor, por mim e por ela. Eu quero demonstrar todo o meu amor. Nos afastamos, deixando nossas testas encostadas, como amamos fazer. Antes que pudéssemos dizer qualquer coisa, uma menina aparece gritando “próxima”. Olhei para Quinn, tremendo.
– Eu vou dá um jeito de entrar, certo? – A loira segura minha mão e me dá um beijo na testa. – Vai brilhar, meu amor.
Dou um beijo rápido na minha namorada, olho para meus amigos, que devolvem com um sorriso encorajador. Respiro fundo e entro no palco. Dois homens simpáticos sorriem para mim e uma mulher apenas acena. Engulo seco.
– Seu nome, que papel você quer e que música você cantar, por favor. – Um dos homens fala.
– Meu nome é Rachel Berry. – Seguro a respiração, controlando meus nervos. – Eu quero o papel de Wendla Bergmann. – Eles assentem, sorrindo. Vejo Quinn entrar no auditório, devagar, sendo seguida pelos outros. Bem na hora. Sorrio. – A música que eu cantarei se chama Get It Right. Ela é minha. – Olho para minha namorada, que está de boca aberta em uma das cadeiras.
– Corajosa. – A mulher fala. Eu estremeço. – Vai precisar de alguém para tocar ou você mesmo vai fazer?
– Preciso de alguém, por favor. – Peço. Logo um homem aparece, sentando no banco do piano, sorrindo. Entrego os papeis com as notas e o agradeço.
– Quando estiver pronta. – Diz o outro jurado.
Olho mais uma vez para minha namorada. Ela assente. E, de repente, todos somem. Eu só consigo enxergar Quinn. Comecei a cantar a música que conheço tão bem. A música que Quinn, de um jeito ou de outro, me inspirou a escrevê-la. Eu queria mostra-la quão importante essa música é para mim, por causa dela. A loira sorri, segurando as lágrimas. Meu amor... Um filme passa pela minha cabeça, enquanto canto. Quinn me salvou, me devolveu a vida. Aquela líder de torcida, que eu sempre admirei, que talvez, eu sempre tenha amado, está logo ali, sentada na primeira audição. Meu coração bate forte no meu peito. Sinto vontade de descer do palco para ir em direção a ela. O tempo voo. Quando eu percebo, a música já tinha terminado. Meus amigos levantam, aplaudindo. Quinn diz um eu te amo e eu consigo lê-la, devolvendo.
– Excelente, Rachel Berry. – O homem mais velho fala. – Você quem escreveu?
– Sim, senhor. – Sorrio nervosa.
– Ótima música, Rachel. – O outro concorda.
– Muito obrigada.
– Sem dúvidas, surpreendente. – A mulher sorri pela primeira vez. – Você se arriscou muito, menina. Mas, valeu a pena.
– Rachel, o resultado sai hoje mesmo. Boa sorte.
Desço correndo, indo de encontro com meus amigos. Não deu tempo eu falar nada, os lábios de Quinn me impediram. Eu aproveito o beijo, sentindo todo o amor transbordar com o gesto.
– Uou, isso foi bom. – Sorrio, enquanto ela continua distribuindo pequenos beijos na minha boca.
– Você é incrível. Sua voz é perfeita, foi absurdamente lindo. Você cantou bem melhor que nas regionais. Eu sinto tanto orgulho de você, meu amor. – Quinn fala, olhando fundo nos meus olhos. – Você pode me dizer o motivo da música agora? – Pede tímida.
– Nós brigamos quando eu escrevi. – Lembro. Ela assente. – Eu me senti horrível depois. Eu só queria me dá bem com você, fazer parte da tua vida.
– Eu sinto muito. – Sussurra.
– Não sinta. – Seguro seu rosto. – Essa música nos deu muitas coisas boas. Você me inspirou. Você me inspira desde sempre, agora eu percebo isso. Eu descobri que essa música foi um pedido de socorro... Para que você me amasse.– Suspiro, limpando algumas lágrimas do rosto emocionado da minha namorada. – E eu espero que ela traga outro presente.
– Ela trará, amor. – A loira fala emocionada. – Eu te amo, sempre te amei.
– Eu te amo muito.
–x-
Os seis amigos estavam na casa Faberry, esperando pela ligação. Rachel sentou no colo de Quinn, enquanto a loira fazia carinho em seu cabelo, acalmando-a. A cantora se permitiu descansar um pouco, coisa que não fazia desde a virada de ano. Puck e Santana faziam brincadeiras, descontraindo o clima. Marley preparou a janta, com a ajuda de Brittany e chamou os amigos para comerem.
– Está uma delícia, como sempre, linda. – O moicano elogia a namorada.
– Claro, com a ajuda das mãos da minha mulher... – A latina sorri, maliciosa, fazendo todos gargalharem e a dançarina corar forte.
– Santana. – Brittany reprende.
– As mãos eu não sei, mas a boca... – Rachel diz, conseguindo a atenção dos cinco, que olharam curiosos para ela. – Vocês não viram a marca monstruosa no pescoço de Santana? – A morena diz espantada.
A latina levanta rápido da cadeira, cobrindo o pescoço. Puck segura a amiga, enquanto Marley puxa a mão de Santana, mostrando a marca. Quinn solta uma risada alta, sendo seguida pela namorada.
– Britt, pensei que você fosse mais delicada. – Marley zomba, rindo.
– Vamos falar de nossas vidas sexuais agora? – A dançarina pergunta, incomodada.
– Não seria uma má ideia. – Santana diz. – Aush, Britt, não precisa me bater.
A brincadeira dos amigos foi interrompida pelo toque do celular de Rachel. O silêncio, imediatamente, tomou conta do apartamento. A morena encara o aparelho, engolindo seco. Quinn aperta seu ombro, em sinal de apoio. Com uma inspiração funda, Rachel atende.
– Rachel Berry?
– Sou eu. – A morena diz trêmula.
– Somos da produção de Spring Awakening e gostaríamos de te parabenizar. Você conseguiu o papel.
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