Meu melhor remédio

46 Ainda somos os mesmos.


Notas iniciais
http://www.youtube.com/watch?v=tRwNsJwIJZk

Por Rachel

O despertador soa, me acordando. Pego o celular e silencio, irritada. Por que parece cada dia mais cedo? Levanto devagar para não acordar Quinn. Ela foi dormir muito tarde. Apesar de ter pedido para eu vim pra cama logo, não consegui pregar os olhos de verdade enquanto ela não deitasse também. E demorou. Suspiro ao vê-la mudando de posição e agarrando o travesseiro. Que vontade de deitar de novo e abraça-la até meio dia. Beijo sua cabeça, suavemente e vou me arrumar. Como algo rápido e pego um taxi até a Broadway. Todos já chegaram. Merda.

Corro, tentando passar despercebida.

– Berry e Jesse, quero os dois no palco em 15 minutos. – O diretor anuncia, com raiva. – E se demorarem mais, começo com os substitutos.

Viro os olhos, indo para o camarim. Como alguém consegue acordar todos os dias estressado assim? Pior ainda, consegue estressar todos por causa disso. Coloco a roupa da cena, respirando fundo.

– Bom dia. – Jesse aparece por trás. Eu assinto, sem encará-lo. – Alguém acordou com o pé esquerdo?

– Está falando de mim? – Ironizo.

– Também. – Ri. – O que aconteceu?

– Problemas em casa. – Murmuro.

– Você está parecendo uma mulher casada falando assim. – Brinca. Eu não evito um sorriso. Jesse é tão idiota. – Vocês brigaram?

– Não. – Franzo a testa. – Eu acho que não.

– Como você não sabe, Rachel?

– Estou cansada. – Esfrego meus olhos. – Deus! Eu só queria alguns dias de descanso.

– Já entendi. – Senta no batente, me esperando. – Vocês não estão tendo tempo juntas.

– Como... – Ele levanta uma sobrancelha. – Claro. Você também está com problemas. – Sento com ele.

– Sim. – Suspira. – Mas, elas precisam entender que é nosso futuro, certo? Que é só uma etapa que precisamos passar.

– Você acha que teremos tempo outra vez? – Pergunto, sem esperança.

– Precisamos, né? Não somos robôs.

– Precisamos mesmo. – Mordo meu lábio. – Só em pensar na possibilidade de perder Quinn...

– Não vai perder, Rach. – Põe uma mão em meu ombro, sorrindo. – Você está muito apaixonada. – Eu sorrio boba. – Não te vi assim nem mesmo por Finn. – Meu sorriso diminui um pouco. – Sinto muito, eu...

– Tudo bem. A fase de não poder ouvir o nome dele já passou. – Rio, sem graça. – Funcionávamos como bons amigos. Quinn é a pessoa da minha vida, meu amor.

– Ahhh, que doce. – Brinca. Eu empurro seu ombro. — Vamos lá. A primeira cena é sua.

– Sim, sempre. – Suspiro, levantando.

– Oh, Rachel Berry está reclamando?

– Claro que não. – Sorrio, arqueando as sobrancelhas. – Nasci para isso.

Subo as escadas, correndo. Todas as luzes já estão apagadas. O diretor pede silêncio absoluto. Respiro fundo, indo para o meio do palco. Escuto as primeiras notas da música, subo na cadeira e começo a cantar. Logo a luz vem em mim e eu esqueço completamente os problemas lá de fora. Toda a minha sonhando, brigando por solos, sendo chamada de egoísta. E aqui estou eu, ensaiando na Broadway, com o papel principal. Termino a música e passo as falas com a atriz que faz a personagem de minha mãe.

Depois de algumas horas de ensaio, aproveito a vez dos rapazes estarem no palco e pego meu celular. Uma chamada não atendida. Uma mensagem. Merda.

Passarei na casa de Frannie quando terminar minha aula. Você poderá ir comigo? – Q

Engulo seco, olhando para os lados. Os meninos começam a cantar e eu sei que a próxima cena eu tenho estar lá. Digito e apago duas vezes. Melhor não responder agora. Tomo um pouco de água e volto para o meu lugar, antes que comecem a gritar meu nome. A música de todos juntos acaba e eu fico sozinha no palco com Jesse. Mas, eu não consigo mais me concentrar. Eu sei que Quinn está sentindo falta de Elisa, que toda a história de Shelby e Russell a deixou confusa. Eu preciso estar com ela.

– Wendla, nós vamos passar a cena pela última vez. Se você errar novamente, teremos que encerrar hoje. – Gritam.

– Sinto muito. Eu... – Suspiro, voltando pela quinta vez para inicio. – Não acontecerá de novo.

– Rachel, se concentra. Já passamos essa várias vezes, você sabe. – Jesse segura minha mão.

Eu assinto, chateada. Conseguimos terminar a cena e fazer a nossa música sem interrupções.

– Certo, venham para cá. – Fecho os olhos, respirando pesado. Lá vem mais reclamação. – Vocês já entenderam que são os protagonistas? – Balançamos a cabeça. – Ah, que ótimo. – Bate palma. – Porque não parece! – Aponta. – Estamos a semanas da estreia e vocês estão errando besteira. — Cospe. – Quero a concentração do inicio.

– Estamos cansados. – Jesse tenta explicar. Eu me sinto mal por ele. A culpa dos erros foi minha.

– É? Eu também estou. Mas, se terminássemos rápido, iriamos para casa cedo. – Reclama. – Agora teremos que prolongar o ensaio até vocês saírem bem.

– Mas, nós fizemos a cena. – Protesto.

– Fizeram bem mal feita, por sinal, Rachel. – Suspira. – Olha, eu entendo, certo? É assim mesmo. Vocês estão aqui porque eu confiei em vocês, então, por favor, não me decepcionem.

Ele dá as costas e sai. Escondo o rosto na mão e deito no chão, sem forças para falar algo. Tiro o celular do bolso, encarando a tela.

– Ele não vai fazer nada sozinho, você sabe, não é? – Jesse zomba, passando uma toalha no rosto.

– Sei. – Sussurro.

Sairei tarde hoje. Dê um beijo em Lisa, por mim. Sinto muito. Te amo. – R

– Você não pode deixar isso te tirar o foco.

– O “isso” de que estamos falando é o meu namoro? – Pergunto, sarcástica.

– Não. Estamos falando das brigas de vocês. Vai...

– Não brigamos. – Corrijo, depressa.

Imaginei. Até mais tarde. –Q

– Droga. – Resmungo.

– Não brigaram? – Ri. Eu não respondo. – Rach, liga pra ela. Fica bem, concentra. Se não, vai atrasar aqui e piorar lá.

– Não sei o que dizer. – Choramingo.

– Rachel Berry sempre sabe o que dizer. – Franze a testa.

– Jesse, você me vê muito ainda como a menina do ensino médio, né? – Rimos.

– Tenho certeza que tem bastante dela ai dentro. – Aponta para meu peito.

Eu suspiro, digitando o número dela. Olho para o menino outra vez, que assente e levanta, me deixando sozinha. Chama, chama, chama... Fecho os olhos com força, ouvindo cair na caixa postal. Óbvio que ela não quer falar comi... Quinn chamando.

– Oi, amor. – Atendo, rápido.

– Oi, você me ligou.

– Liguei. – Me bronqueio. Ela sabe, idiota. – Só... Queria... Está tudo bem?

– Está. – Responde, desconfiada. – Aconteceu algo? – Eu sorrio para o seu tom preocupado.

– Não posso mais te ligar? – Tento brincar.

– Claro. – Ri, sem graça. – Te deram um descanso?

– Deram. Um descanso meio forçado, mas ok.

– Como assim?

– Não importa. – Não quero falar que fiquei distraída por causa dela. – E você? Não está em aula?

– Estou fora da sala. Quando vi você me ligando... Sai. – Suspira. – Santana acabou de brigar com o professor, amor. – Gargalha. Meu coração se alivia.

– Por que, Quinn?

– Ah, ele estava falando algo sobre direito penal, que...

– Que não adianta você me explicar, que eu não vou entender. – Nós rimos.

– Isso. Enfim, resumindo, ela não concordou e começou a fazer aquela discórdia na turma e os dois começaram a bater boca.

– Santana não tem jeito. – Balanço a cabeça.

– O pior é que ela queria que eu levantasse para discutir com ela.

– Você levantou?

– Lógico, Rachel. – Eu solto uma risada sonora.

– Soou como uma líder de torcida. – Brinco.

– A Cheerio nunca sairá de mim. – Eu assinto, me lembrando do que Jesse me falou há alguns minutos. – Rachel?

– Ainda bem. Seu lado sensual é todo dela. – Provoco.

– Ah, é? – Ri. – Bom saber, Berry.

– O que voc...

– BERRY, CINCO MINUTOS. – Eu me assusto, colocando a mão no celular, tapando-o. – E NÃO ME VENHA DISTRAÍDA.

– JÁ VOU. – Suspiro. – Quinn...

– Eu ouvi. – Murmura. – Você está distraída?

– Não, eu... – Mordo o lábio. – Sim.

– Por quê?

– Porque eu queria ficar com você. – Sussurro. Ouço sua respiração pesada do outro lado. – Eu preciso desligar.

– Tudo bem. Bom ensaio. Concentre-se.

– Vou tentar. – Resmungo. – Lucy... Eu te amo.

– Eu também te amo, Frodo. Eu te amo demais. – Fala, antes de desligar.

Solto um suspiro, que tinha dentro de mim, aliviando meu interior e tirando o nó que estava na minha garganta. Levanto em um pulo. Que venham os ensaios.

Por Santana

– Estou nervosa, Britt. – Choramingo.

– Ai, San, é só minha irmã. Calma. – Ri.

Depois da confusão da aula, resolvi sair mais cedo e almoçar com Brittany e Lina. Eu sei o quão importante esse encontro é para minha namorada. Saber que sua irmã não virou as costas para ela é gratificante e eu nunca vou esquecer isso. Mas, não posso evitar o nervosismo. Afinal, é alguém da família. Lina é sua representante, sua responsável, sua melhor amiga. Sei que é a única pessoa que eu não posso decepcionar, porque Brittany a escuta de todos os jeitos e forma. Bato os dedos na mesa, tentando me distrair. A dançarina ri, segurando minha mão e deixando um beijo na minha testa.

– Ela vai te amar, Santana. – Avisa. – Não tem como alguém não gostar de você.

– Você que pensa. – Bufo.

– Boba. – Beija meus lábios, suavemente. – Basta ser você.

– Hmm... – Me aproximo, querendo mais. Então, alguém limpa a garganta atrás de nós, me fazendo saltar de susto. – Oh, eu...

– Lina! – Brittany levanta, abraçando-a, enquanto meu rosto queima. – Que saudade de você. – Sussurra.

– Hey, menina. – A loira mais alta passa as mãos nas costas de Britt, carinhosa. Sorrio com o gesto. – Como você está?

– Estou ótima. – Minha namorada sorri grande e bonito, se afastando. – Lina, essa é Santana. San, minha irmã, Lina.

– Muito prazer, Santana. – Eu levanto, abraçando-a. – Não acredito que demorei tanto tempo pra te conhecer.

– É verdade. – Rio. – Estou muito feliz por você está aqui, de verdade. – Digo sincera.

– Eu nunca deixaria minha irmã, Santana. – Garante. Nós nos sentamos. – Como vocês estão? Precisando de ajuda?

– Estamos muito bem. – Olho para Britt, que sorri, confirmando. – Vou cuidar dela, fique tranquila.

– Eu tenho certeza disso. – Arqueia a sobrancelha. – Britt... – Suspira, assumindo uma expressão séria. – Papai conversou comigo.

– Eu não quero saber. – Cruza os braços, desviando o olhar. Lina me encara, pedindo ajuda.

– Amor... – Tento puxar sua mão. – Brittany, não faz assim. – Repreendo. – Escuta o que ela tem pra te dizer.

– Estou escutando. – Resmunga.

– Papai está chateado com o rumo que essa história tomou. Você sabe que ele sempre fica do lado da mamãe, por mais que ele não concorde...

– Não estamos falando de uma simples discussão, Lina. – Interrompe. – Mamãe me expulsou de casa. E ele não moveu um dedo para impedir.

– Ele está arrependido, Britt. – Choraminga. – Eu sei que você acredita, sempre vê o lado bom das pessoas.

– Eu sempre via. – Cospe. – Essa menina ficou lá na sua casa.

– Não ficou. – Franzo a testa. – Essa menina ainda está ai e foi por quem eu me apaixonei, Brittany. – Firmo. – Você é uma pessoa cheia de sonhos e positividade e não deve perder isso. Por nada. – Lina sorri para mim, acenando.

– Você não vai mudar. – Diz, calma. – Por mais que queira, que finja, você não vai mudar. – Repete. – Eu sei que é uma merda, ok? Que dá vontade de jogar para o alto. Mas, não feche os olhos para tudo. Mamãe já tentou fazer isso antes e não conseguiu. Não será agora que ela conseguirá, certo? – Britt assente, escondendo o rosto nas mãos. – Dê uma chance para ele.

– Tudo bem. – Suspira, nos fazendo vibrar. – O que você quer que eu faça?

Por Quinn

Me surpreendo com Marley abrindo a porta do apartamento da minha irmã. Ela disse que Frannie precisou sair com sua mãe para fazer compras para o restaurante e ela teve que ficar com Lisa. Vou para o quarto de minha sobrinha, chamando-a.

– Tia, Quinn! – Elisa corre para minhas pernas, me abraçando. Eu giro seu corpo no ar, apertando-a.

– Que saudade eu estava de você, pequena. – Beijo suas bochechas.

– Cadê tia Rach? – Pergunta, olhando para os lados. Eu suspiro, colocando-a no chão.

– Tia Rach está trabalhando. – Digo, abaixando para ficar da sua altura. – Mas, ela mandou um super beijo para você. – A pequena loira sorri enorme, assentindo.

Nós brincamos um bom tempo. Depois de comer, Elisa cai no sono, em meus braços. Aliso seu cabelo, vendo-a dormir. Marley bate na porta, devagar. Eu sorrio para morena, colocando minha sobrinha na cama. Beijo sua cabeça e saio do quarto.

– Você leva jeito com crianças.

– Elas que levam jeito comigo. – Rio, sem graça.

– Não tivemos oportunidade de conversar sobre o que aconteceu. – Morde o lábio, sentando do meu lado no sofá. – Mas, eu gostaria.

– Sobre o que você quer falar, exatamente? – Pergunto, confusa.

– Puck ficou bastante mexido com a presença de Shelby. – Avisa. Fecho os olhos, encostando a cabeça na almofada. – Ela nos mostrou fotos. De Beth.

– O... O que? – Volto a minha posição inicial. – Como... Eu...

– Ela está linda. – Sorri. – É uma mistura de vocês dois. – Abro a boca, mas não acho minha voz. – Você fica como ele quando eu toco nesse assunto. – Segura minha mão. – Eu sei que eu não devo me meter, mas... Talvez seja a hora de vocês darem um passo em relação a isso, ficarem bem de uma vez.

– Como assim? – Sussurro.

– Shelby deu abertura para vocês conversarem com ela. – Explica. – Ela disse que queria falar com você ainda, Quinn. Você não acha que pode ser uma oportunidade de ver Beth? – Continuo em silêncio, processando.

– Eu... Não sei se consigo. – Admito. – Ela não entenderia o que eu tenho pra falar. – Rio, amarga.

– Você entende? – Baixo o olhar, negando.

– Tenho medo. – Minha voz é só um fio. – Tenho medo de vê-la.

– Eu imagino. – Suspira, me puxando para um abraço. Descanso a cabeça em seu ombro. – Eu só te falei isso porque acho que poderia fazer bem a você e ao Puck, como uma forma de seguir em frente, de superar.

– Faz sentindo. – Concordo, embargada. – Eu vou pensar, ok?

– Faça isso por você, não por mim. – Sorri.

– Puck tem muita sorte de ter você, Marley. – Digo, fazendo o sorriso dela aumentar e um tom rosa aparecer em seu rosto. – Como vocês estão?

– Estamos ótimos. Puck é o melhor namorado que alguém pode ter. Ele é atencioso, carinhoso, ele... – Ela para de repente e eu levanto uma sobrancelha. – Você deve saber, já namorou ele. – Diz, sem graça. Eu gargalho alto.

– Eu namorei meu melhor amigo. – Balanço a cabeça. – Essa pessoa que você namora é um lado de Puck que só pertence a você. Ele nunca esteve assim antes.

– Como Rachel nunca esteve assim com ninguém. – Aponta. Eu rio fraco, assentindo. – Ah, não... Brigaram de novo?

– Não. – Suspiro. – Não temos tempo mais para brigarmos.

– Muito ensaio, não é? – Concordo. – Mas, isso terminará em breve, Q.

– Ou piorará. – Lembro. – Rachel será uma estrela da Broadway, Marley. Não será uma peça de colégio ou de NYADA. É a Broadway.

– Mas, ela é Rachel Berry e sempre dá um jeito. – Tenta me confortar. – Rachel te ama.

– Eu sei. – Sorrio. – E eu também amo muito Rachel, pode ter certeza. Por isso que... – Solto o ar. – Que é tão difícil.

– Se fosse fácil não seríamos nós. – Rimos.

– Nossa! Precisamos de uma trégua, por favor. – Brinco.

– Nós teremos. – Aperta minha mão. – Tudo isso um dia será recompensado. Você acredita nisso?

– Eu preciso acreditar...

Notas finais
Hey, vocês o/ Espero que gostem do capítulo! ;)) Não deixem de comentar... http://ask.fm/FlorDeLins_ ;**