Meu melhor remédio
23 Festa - Pt.2
Notas iniciais
Já se passava da meia noite, mas a festa havia apenas começado. Era impossível imaginar como uma cidade tão pequena poderia dar uma festa com tanta gente. Talvez algumas pessoas fossem de fora, como os seis amigos que estavam ali. Uma coisa que os vizinhos disseram, sem dúvidas, era certa: a festa é incrível. Os anfitriões chegaram a cumprimentar a maioria das pessoas, educados e simpáticos. Dois jovens com menos de trinta anos. Boatos dizem que são os mais ricos da redondeza.
Rachel e Quinn estavam concentradas em apenas em dançarem, beberem e, claro, se beijarem. A loira demonstrava seu carinho a cada segundo, fazendo a cantora se derreter em seus braços. Rachel estava certa de que se apaixonava mais por Quinn toda vez que sentia os lábios dela irem contra o seu. Todo mundo que estava ao redor das duas, sentia o sentimento que vinha dali. Até quem olhava torto para as duas mulheres, sabia que era verdadeiro e deixava o preconceito afundar com o ciúme.
Quanto ao outro casal de mulheres, ah, esse estava mais difícil de ser controlado. A briga que elas tiveram fez com que elas perdessem 'muito' tempo separadas. Isso foi o que Santana usou para não descolar de Brittany em algum segundo. A dançarina não ousou ir contra isso, amando essa ideia de reconciliação que a latina teve. Daniela se remexeu incomodada do outro lado da casa, o que não passou despercebido por Santana. Depois que Britt cantou, ela não voltou para dar explicações para a dona da casa. Não é como se ela tivesse que fazer, mas Santana sentia que deveria, ao menos, se desculpar. Afinal, passaram o início da festa juntas, com a latina dando falsas esperanças até o show. Brittany também havia percebido o desconforto das duas, mas fingiu que não. Ela apenas não queria arriscar soltar Santana mais uma vez.
Já Puck e Marley... Bom, Marley resolveu beber demais. Apesar de o moicano estar controlando-a o tempo inteiro, ele se divertia com aquilo. Marley sempre era um tanto quanto comportada em relação a bebida, era sempre ela quem voltava dirigindo. O álcool fez com que ela se soltasse, como na primeira vez que eles ficaram, na casa das Faberrys. A morena fazia cara feia e resmungava para as meninas que ainda insistiam em ir para perto de Puck. O rapaz é bonito, certo, mas bastava um sorriso que elas iam atrás dele como abelhas procurando o mel, mesmo que o sorriso não fosse para elas. Até porque, eles eram todos para Marley.
Por Puck
– Esse é o último. – Sinalei para ela. – Você já passou da conta.
– Alguém já te disse que você é um chato?
– Você me ama menos por isso? – O que diabos?
– Eu não te amo. – Ela se aproxima, deixando uma mordida no meu lábio. – Eu só tenho muito tesão por você. – Solto uma gargalhada.
– Você me machucou seriamente agora. – Fiz um biquinho. Talvez isso realmente tivesse acontecido, se ela estivesse sóbria. Talvez. – Eu achei que bêbados só falassem a verdade.
– Ah, é isso? – Ela ri, tomando outro gole. – Você está me usando para que eu me declare para você?
– Touché. – Sorri, colocando uma mexa de seu cabelo para trás. – Marley, eu...
– O que vocês estão olhando, vadias? – Ela sai da minha frente, se aproximando de duas meninas que estavam rindo para nós. – Vocês o querem para vocês, né?
– Ei, vem pra cá, deixa elas. – Seguro seu punho, mas ela se solta. – Marley...
– Por que vocês não vão procurar um que esteja sozinho? – Empurra uma das meninas. Brittany aparece depressa e segura a morena. – Me solta, elas precisam aprender a...
Marley coloca a mão na boca, enquanto as duas olham incrédulas para ela. Brittany puxa seu corpo depressa para o banheiro mais próximo, sendo seguida por Rachel. Santana ri, batendo no meu ombro.
– Não consegue nem segurar uma mulher mais, Puckerman?
– Falou quem deixou Britt subir no palco e fazer danças sensuais. – Devolvo a brincadeira. O sorriso de Santana aumenta.
– Ela estava dançando para mim. – Diz orgulhosa. Reviro os olhos.
– Sim, estava quase pulando no pescoço de Daniela.
– Você viu? – Gargalha. – Oh, Deus! Eu preciso encontrá-la.
Antes que eu abra a boca, a latina sai disparada. Nego com a cabeça, indo para a porta do banheiro, esperar as meninas, junto a Quinn.
Por Santana
Aproveito que Brittany está cuidando de Marley e vou atrás de Dani. Reviro todos os lugares, mas a loira simplesmente desapareceu. Suspiro culpada. Eu deveria ter falado com ela antes. Quando estava voltando para Puck e Quinn, vejo pela janela uma pessoa encostada em um dos carros, fumando. Droga! Saio da casa, indo ao seu encontro. Ela me oferece um cigarro e eu nego, me encostando do seu lado.
– Bonita a loira. – Diz, soltando a fumaça.
– Dani, eu sinto muito.– Ela sorri fraco. – Eu não estava bem...
– San, está tudo bem. Você não precisa me explicar nada.
– Mas, eu sinto que sim. – Suspiro. – Brittany é um caso complicado, um... Ponto fraco. – Rio sem graça.
– Uau, você gosta dela. – Bate o cotovelo fraco na minha barriga. Sinto meu rosto queimar.
– Tipo isso. – Rimos. – Sem ressentimentos?
– Claro. – Ela segura minha mão. – Qualquer coisa, estamos aqui.
– Eu iria gostar de ficar com você. – Admito.
– Seria um prazer. – Ela pisca um olho.
– Atrapalho? – Uma voz nos assusta. – Já estamos indo embora. Você vem? – Pergunta irritada.
– Claro que sim, Brittany. – Franzo a testa, constrangida pelo jeito que ela está falando. Olho para Dani, que está prendendo o riso. Reviro os olhos. – Nos vemos outro dia, Daniela.
– Nos vemos, Santana. – Ela acena. – Tchau, meninos.
Todos devolvem o aceno, menos Brittany. Entramos no carro, com Puck dirigindo. Foi impossível continuar com raiva da dançarina com Marley bêbada no banco de trás. Ela está cantando alto todas as músicas misturadas, nos fazendo gargalhar. Às vezes ela soca o braço de Puck, o chamando de safado. Definitivamente, Marley precisa ficar bêbada mais vezes. Entramos em casa, comemos algo e fomos para nossos quartos. Entro no banheiro para tomar um banho, quando ligo o chuveiro, sinto uma mordida no meu ombro. Gemo em resposta. Viro para encarar a loira, que me puxa para os seus braços.
– Você realmente ia ficar com ela? – Diz rouca. Seus olhos estão intensos. Estremeço ao vê-los.
– S-sim. – Balbucio.
– Santana. – Fala firme no meu ouvido. Eu fecho os olhos. – Você não deveria ter feito isso.
– Ah, não? E quanto ao Sam?– Consigo dizer. Ela aperta mais ainda nossos corpos. Sinto sua mão deslizar nas minhas costas. – Britt...
– Você é minha, Lopez.
– O que... Oh, Deus! – Minhas pernas fraquejam, quando ela coloca um dedo dentro de mim. Apoio-me na parede.
– Daniela nunca vai ter isso. – Começa a fazer movimentos. Minha garganta fecha, em prazer. O único que eu posso fazer é suspirar. – Você está me ouvindo, Santana? – Assinto. – Bom. – Ela morde meu pescoço. – Você ia ficar com ela? – Pergunta outra vez. Nego. – Eu quero que você responda. – Ela tira os dedos.
– Não, Brittany!! – Digo desesperada pela falta de contato. Ela sorri maliciosa. – Eu só quero você, só você. Por favor...
Seus dedos voltam depressa, com fome, com vontade, me levando ao orgasmo em apenas alguns segundos.
Por Quinn
Estamos deitadas, depois de fazermos amor. Mexo no cabelo da morena, esperando que ela durma. É tão lindo vê-la adormecer. Ela levanta a cabeça em meu colo, procurando meus olhos. Eu sorrio confusa. Ela beija meu queixo e deita novamente.
– Você estava linda. – Diz de repente.
– Você também, Frodo. – Franzo a testa.
– No dia do baile. – Ela suspira. – Vestido lilás com detalhes prata. Você parecia uma princesa.
– Uou. – Rio baixinho. – Você foi a rainha do baile, no entanto.
– Quão surreal é isso? – Pergunta incrédula. Tento esconder meu sorriso. Claro que ela não precisa saber que eu mudei os votos, junto com Santana. – Isso era importante para você. – Murmura.
– Não mais que te ver brilhando na frente de todos. – Seguro seu rosto. – Eu te amo, Rachel. Te disse, já te amava desde lá.
– Por que você não me disse antes? – Sussurra.
– Porque eu tinha medo. – Engulo seco. – Porque eu ainda não me aceitava e... Não sei, por causa de Finn.
– Mas, nós terminamos assim que nos formamos. Eu até te falei que nós funcionávamos melhor sendo amigos.
– E eu quase morri de alegria, Rach. – Aliso sua bochecha. – Só não sabia o que fazer, por onde começar...
– Você poderia ter evita... – Ela fecha a boca antes de terminar. Franzo a testa. – Esquece.
– O que eu poderia ter evitado?
– Eu te amo, Quinn. – Me encara. – Eu te amo muito.
Por Puck
Depois de muita luta, consigo colocar Marley debaixo da água fria. O banho parece tirar sua eletricidade, acalmando-a. Deito na cama, trazendo seu corpo para meu colo. Ela deita a cabeça no meu peito, se encolhendo. Faço carinho em suas costas.
– Fiz papel de ridícula, não fiz? – Pergunta temorosa, já mais sóbria. Abraço-a mais forte, rindo.
– Você só quis se divertir um pouco. Eu teria feito o mesmo, se eu não tivesse que ser o motorista das mocinhas. – Rimos.
– Mas, aquelas loucas estavam me provocando. – Diz irritada. – Você estava dançando comigo e elas não se importavam.
– Eram apenas adolescentes querendo aparecer. – Balanço a cabeça. – Você ficou com muito ciúme. – Sorrio.
– Não era ciúme. – Cora. Mordo o lábio para não rir. – Só estava revoltada com elas. Me irritaram.
– Já sei. – Aperto seu nariz, brincando. – Até porque você só sente tesão por mim. – Lembro suas palavras. Ela levanta para me encarar.
– Começo a achar que você ficou realmente magoado. – Diz sarcástica, levantando uma sobrancelha. Sinto meu rosto arder um pouco. Beijo-a, para que ela não perceba isso.
– Noah Puckerman não fica magoado quando alguma garota diz que sente tesão por ele. – Brinco. Ela vira os olhos.
Ela deita novamente no meu peito, suspirando. Fecho meus olhos, quase me rendendo ao sono, quando o som de um gemido ecoa no quarto. Marley gargalha alto. Eu a imito, negando com a cabeça.
– Sério? Outra vez? – Pergunto, limpando as lágrimas do riso.
– Quinn deve ter mãos mágicas. – Diz.
– E Rachel precisa de um quarto com tratamento acústico. Os vizinhos irão expulsá-las quando voltarem. – Marley assente.
– Puck, vamos gravar? – Ela senta. – Amanhã nós as perturbaremos o dia todo com isso. – Meus olhos brilham com sua ideia. Procuro o celular ao lado da cama e ligo o gravador.
– Você está convivendo demais com Santana.
– Será que... – Ela sorri, maliciosa e eu entendo seu recado.
– Se conseguíssemos de Brittany...
– Ficaríamos ricos. – Gargalha.
Levantamos da cama, andando devagar até a porta do quarto Faberry. Marley tapa a boca, segurando o riso. Faço sinal de silêncio para ela. Deus, Rachel deve achar que está em um palco da Broadway na hora do orgasmo. Descemos as escadas, de ponta de pé. Marley encosta a cabeça na porta Brittany. Franzo a testa. Ela encolhe os ombros, frustrada. Quando estávamos subindo novamente, escutamos um gemido fraco vindo do corredor. Santana? Minha vez de prender o riso. A morena pega meu celular e encosta na porta. Estamos parecendo duas crianças fazendo isso, mas... Quem se importa? De repente, silêncio. Marley se afasta rápido e sai correndo pelas escadas. Eu demoro a reagir, mas quando vejo a porta se abrindo, me escondo por trás do sofá. Brittany caminha para a cozinha. Aproveito que ela está de costas e subo também. Entro no quarto e vejo Marley sentada no chão, segurando a barriga de tanto rir.
– Você é louca? Me deixou sozinho lá em baixo? Se fosse Santana, eu teria apanhado. – Falo sem evitar o riso.
– Isso foi demais. – Ela suspira. Sento do seu lado, me aproximando de sua boca. Ela respira nervosa, parando de rir.
– Sabe, essa brincadeira toda acordou o Puckersauro. – Sussurro.
– Faremos ele dormir, então. – Morde um lábio.
E sim, eu quero que você sinta mais que tesão por mim, minha linda.
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