Meu melhor remédio
42 Eu preciso de você.
Notas iniciais
Por Quinn
Rachel me empurra para dentro do apartamento, apressada. Eu fecho a porta, rindo, sendo imprensada na parede. A morena se apossa do meu pescoço, enquanto suas mãos sobem desesperadas pelo meu corpo. Minha respiração começa a ficar irregular. Tento tocá-la, mas ela me impede. Olho surpresa para minha namorada, que não se afasta um segundo.
– O que você bebeu? – Rio, fechando os olhos, sentindo seus dentes pelo meu abdômen.
– Fizemos um trato, lembra? Se estivesse tudo bem por lá, voltaríamos e ficaríamos juntas. Estou cumprindo. – Responde contra minha pele.
– Rach... Oh, Deus. – Ela vai descendo suas mordidas cada vez mais. Coloco uma mão na sua nuca, mas ela afasta a cabeça. – Eu preciso tocar você. – Murmuro irritada.
– Não. – Seu tom rouco e firme faz meus joelhos falharem. – Eu preciso tocar você.
Rachel segura minha mão e me puxa para o sofá. Ela deita por cima de mim, sugando cada parte do meu corpo. Me remexo para que ela faça na parte gritante, mas só recebo um grunhido em resposta. Prendo minhas mãos nas almofadas, aguentando sua tortura deliciosa. Eu posso ter um orgasmo só com os seus toques. Às vezes eu acho que posso ter só em olhá-la. Ela é a mulher mais bonita que existe. E é minha. Esse pensamento me faz querer agarrá-la, só que eu sou impedida novamente.
– Rachel, por favor. – Suplico, com a voz cortada.
– Fique quieta. – Sussurra, tirando minha calça. – Ele fez isso com você, Quinn? – O que? Eu abro a boca, surpresa. Não tenho tempo de responder, ela abocanha minha parte intima. Arqueio minhas costas. – Ele te dava prazer, Quinn? – Continua, sem se afastar. Solto um gemido alto, apertando com força a lateral do sofá. – Ele te enlouquecia, Quinn? – Sinto seus dois dedos entrarem de repente. Um grito estrangulado me escapa. Encontro seus olhos cravados no meu, o que só aumenta meu prazer. – Ele te conhecia tão bem quanto eu, Quinn?
– Não. – Consigo sussurrar. – Ninguém. – Um sorriso malicioso se forma em seu rosto. Com a outra mão, ela segura a minha e leva até seu seio, por baixo de sua blusa. Eu o aperto, louca por esse contato. Ela geme baixo, acelerando os movimentos em mim. – Deus, Rach...
– O que foi? Ele não te fazia gozar.
Quando ela termina de falar isso, meu corpo é tomado por uma onda de tremedeira prazerosa, fechando os dedos dela dentro de mim. Inspiro fundo, tentando me acalmar. Ela tira seus dedos, levando-os para a boca. Essa é a imagem mais sexy que eu já vi na vida.
– Uou, isso foi... Uou! – Sorrio, abraçando-a. Ela se aconchega comigo. – O que foi isso, Frodo?
– Eu não suporto pensar que você teve outras pessoas. – Resmunga, escondendo o rosto em meu peito.
– Mas, você também teve. – Franzo a testa.
– É diferente quando se dá um rosto para elas. – Bufa. – É mais fácil fingir que não existem.
– Amor, você está sendo boba. – Levanto seu rosto. – São passados, já foram. Não precisa se incomodar com isso. – Beijo sua testa. – Você quer saber? Você é a melhor. Ninguém me deu tanto prazer como você me dá, ninguém conhece meu corpo tão bem quanto você. Eu te amo, Rachel, como nunca amei antes.
– Eu acredito em você, porque eu sinto a mesma coisa. – Deita, passando os dedos, suavemente, pela minha barriga. – Eu precisava estar no controle, sinto muito.
– Sente muito? – Rio. – Fique no controle sempre que quiser, não vou reclamar.
– Você gostou, hm? – Desliza a mão em minha perna.
– Nem pense. – Impeço seu movimento, recebendo um olhar confuso. Eu viro por cima dela. – Minha vez, Frodo ciumento.
Subo sua blusa, arrancando um gemido suave da morena. Sorrio ao ouvi-la. Dou um pequeno beijo em sua boca, antes de descer a minha para sua cintura, tomando posse de um dos meus lugares favoritos de seu corpo. Ela segura minha cabeça, como o previsto, aumentando meu sorriso. Começo a desabotoar sua calça e então... Campainha.
- NÃO. – Rachel segura meu corpo no dela. – Não pense em parar agora. – Diz nervosa, eu quase gargalho, mas as batidas desesperadas me impedem. – Ok, estou com medo.
– Calma, eu vou ver quem é.
– QUINN! – Eu viro, franzindo a testa. – Você está nua. – Vira os olhos. – Eu vou...
Eu assinto, me enrolando com o pano do sofá, enquanto coloco camisa novamente. Rachel abre a porta. Não deu tempo ela falar algo, Brittany entra e se pendura no pescoço da minha namorada, soluçando alto. Logo atrás, Santana aparece, com uma expressão preocupada no rosto. Rach cruza o olhar comigo, sem saber o que fazer.
– Sinto muito por atrapalhar vocês, mas... – A latina começa.
– O que houve? – Interrompo. Desculpas a essa hora não parecia o certo. O choro da dançarina fica mais intenso. – Santana...
– Shhh, calma, minha amiga. Está tudo bem, eu estou aqui com você. – Rachel pede, levando Brittany para uma cadeira. – Q, pegue água, por favor. – Balanço a cabeça, virando. – Quinn. – Chama outra vez, me fazendo parar. – Algo que acalme.
Eu sei o que ela está pedindo. Quantas vezes eu tive que fazer isso na época de seus pesadelos? Vou para a cozinha, tremendo um pouco. Coloco água e abro o armário, atrás de um remédio. Santana aparece atrás de mim, me assustando. Eu engulo seco ao ver seus olhos vermelhos.
– Morena, o que...
– Ela contou. – Solta. Arqueio as sobrancelhas, confusa. – Ela... – Respira fundo. – Ela contou para os pais.
– Oh, meu Deus. – Suspiro, abraçando-a. A latina descansa a cabeça em meu ombro, parecendo exausta. – Pelo visto não foi nada bom, certo?
– Foi tudo péssimo, Q. – Sua voz é embargada. – E é tudo culpa minha.
– Ei, você não tem culpa disso. – Afasto-a para encará-la. – Ela te ama, Santana. Não tinha como ela escolher isso, aconteceu.
– Eu sei. – Prende o ar. – Depois nós conversamos, dê isso a ela logo. Ela precisa descansar. – Seguro seu punho, não deixando ela sair.
– O que você está me escondendo?
– O que? Eu... Ahn... – Desvia os olhos. – Nada.
– Santana.
– Por favor, primeiro deixe Brittany se acalmar. – Continua encarando-a. – Por favor.
Por Rachel
Nós fomos para o meu quarto e, depois de muito relutar, Brittany se rende ao sono, em meu colo. Suspiro pesado, beijando sua cabeça. Como é ruim ver minha melhor amiga quebrada desse jeito. Pego meu celular e mando uma mensagem para Marley.
SOS Britt. – R
Não demora muito para vir a resposta, apesar de ser tarde. Talvez ela esteja com Puck.
O que houve? Onde estão? – M
Aqui em casa. Ela explodiu. – R
Estou a caminho. – M
Sorrio de lado para o celular. Claro que ela viria. Afasto a loira, colocando-a no travesseiro. Ela se remexe, mas logo se aconchega. Espero mais um pouco, para ver se está tudo bem. Quando vejo que ela realmente dormiu, volto para a sala. Encontro Santana com um olhar perdido e Quinn com uma expressão confusa. A latina me vê e corre em minha direção.
– Ela dormiu? – Pergunta trêmula.
– Dormiu, San, fique calma. – Sento-a no sofá, ao lado de Q. – Você precisa tomar algo também?
– Não. – Sussurra. – Quer dizer, eu quero café.
– Café? Sério? – Franzo a testa.
– Você pode fazer, Quinn? Um forte, dos seus. – Pede. A loira entrecerra os olhos, mas não vai contra. O que está acontecendo? – Eu preciso falar com você. – Santana diz baixo.
– Pode falar.
– Britt foi expulsa de casa. – Murmura.
– O QUE? – A latina tapa a minha boca, olhando para a cozinha. Quinn não aparece. – Oh, meu Deus...
– Rachel, eu sei que é foda, mas você não pode pirar agora. – Sua voz é firme, me chamando a atenção. – Quando Quinn estava grávida, seus pais a expulsaram. Ela tem muita mágoa disso, muita raiva. Eu não sei como ela vai reagir ao ouvir essa história. Por favor, segure-a. Eu prometo que vou segurar Britt com todo meu coração.
– Eu entendi. – Respiro fundo, esfregando meu rosto. – Eu prometo também, San. – Envolvo meus braços nela e ela se alinha no abraço. – Como você está?
– Estou preocupada. – Sussurra.
– Estou perguntando sobre você. – Passo a mão em seu cabelo, sentindo a respiração dela ficar desregulada. – Você sabe que nós vamos te segurar também, não sabe? – Bastou.
Santana explode em um choro nervoso, agarrando-se em mim, desesperada. Puxo-a para trás, buscando uma posição mais confortável. É estranho vê-la chorar. Ela sempre segura até o fim, só se abre para Quinn. Minha namorada aparece, segurando uma xícara. Quando ela nos vê, dá dois passos para trás, incerta. Busco seu olhar, mas ele está fixo em Santana.
– Quinn... – Sussurro, chamando-a. Santana se afasta, não encarando a loira. – Vem cá.
– Não. – Sorri sem graça. – Aqui está o café, eu vou ver como Britt está.
– Quinn. – A latina fala, com a voz cortada. – Fique aqui.
– Tem certeza? – Meu coração se parte ao ouvi-a assim.
– Eu preciso de você. – Santana soluça. Rapidamente, Quinn se joga no sofá, segurando-a. Eu sorrio triste para a cena.
– Seja o que for, eu estarei aqui. – A loira sussurra, esfregando as costas da amiga. – Brittany não está sozinha, ok? Você também não.
– Vocês acham que ela acorda hoje?
– Acho que não, San. – Limpo seu rosto. – Tente descansar um pouco. Eu vou ficar com ela, depois você vai.
A latina assente, escondendo a cabeça no peito de minha namorada. Eu suspiro forte, indo para o meu quarto. Deito ao seu lado, puxando-a para perto. Ela não vai acordar agora, está dopada, mas ainda assim eu tomo cuidado para não assustá-la. Caio no sono por alguns minutos, então sinto a cama afundar. Antes que eu vire para ver quem é, um braço me rodeia, segurando Britt também, me deixando no meio. Sorrio fraco, sentindo um beijo na minha cabeça.
– Elas me disseram o que aconteceu. – Marley fala baixo.
– Tudo? – Pergunto angustiada.
– Não sei. Santana disse que era melhor que Britt contasse. – Suspira. – O que você sabe?
– Expulsaram ela de casa?
– O que? Eu não acre... – Se interrompe. – Aliás, eu acredito sim. É claro que aquela idiota faria isso.
– Quinn ainda não sabe dessa parte. Não fala, tá? Santana pediu.
– Certo. – Encosta em meu ombro. – O que faremos agora?
– Não a deixaremos sozinha. – Aliso o rosto da dançarina. – Nunca.
Ficamos assim por mais um tempo, até que eu me rendo ao sono. Quando acordo, percebo que há mais alguém na cama. Santana está atrás de Brittany, abraçando-a pela cintura. Eu levanto um pouco, vendo Quinn dormindo na minha poltrona. Franzo a testa, tentando sair dos braços de Marley e não acordar ninguém. Elas se mexem, mas não despertam. Eu sento no colo da minha namorada, que abre os olhos assustada e logo relaxa ao me ver. Beijo seus lábios, suavemente e encosto nossas testas.
– Por que você dormiu aqui? – Sussurro.
– Porque eu... Eu não... – Limpa a garganta. – Não queria te deixar sozinha.
– Mas, eu não estav... – Eu entendo o que ela quis dizer. Meus pesadelos. Suspiro fraco, beijando-a de verdade agora. Sua boca me faz esquecer quão errado estão as coisas. – Eu te amo.
– Eu também te amo, Frodo. – Me abraça. – Vamos preparar alguma coisa para comer.
Nós tomamos um banho e vamos para a cozinha. Puck está vendo tv na sala. Lógico ele veio também. Sorrio, cumprimentando-o. Ele nos ajuda com o café da manhã e parte do almoço. Marley é a primeira a aparecer. Depois Santana vem, junto a Britt. A dançarina tem uma expressão cansada, seu rosto está inchado. Nós comemos, tentando quebrar um pouco o clima. Então, nos reunimos na sala, esperando a loira começar a falar. Ela toma duas respirações fundas, antes de abrir a boca.
– Eu não aguentava mais. – Suspira. – Eu não queria ficar com ele. Eu me irritei quando minha mãe disse que a dança era só uma fase minha. – Ri irônica. Eu fecho minhas mãos em punhos. – Então, só soltei...
– Flash Back Brittany –
Nós fomos para casa, em silêncio. Lina tentou amenizar as coisas, mas minha mãe estava furiosa por eu ter arruinado o jantar de seus sonhos. Quando chegamos, vi um olhar que eu nunca tinha visto nela. Era ódio, decepção, aquilo estava me matando. Eu até quis voltar atrás, dizer que eu só queria sair dali, mas eu não podia. Santana vinha na minha cabeça. Daniela vinha na minha cabeça.
– Você é louca? – Cospe fria.
– Mãe, não precisa ficar assim. Eu sou uma pessoa normal, só...
– CALE A BOCA. – Ordena, levantando um dedo. – Cale essa boca estúpida. Você não é... Você não...
– Eu sou gay. – Repito, ficando com raiva. – EU SOU GAY, VOCÊ NÃO PODE MUDAR ISSO.
– CALE A BOCA. – Sinto uma tapa arder meu rosto. – MINHA FILHA NÃO É ASSIM. QUEM ESTÁ FAZENDO ISSO COM VOCÊ?
– Mãe...
– VOCÊ VAI PARAR DE FALAR ISSO. VAI PEDIR DESCULPAS PELA CENA INFANTIL E VAI DAR UMA CHANCE PARA ELE.
– Mãe... – As lágrimas começam a correr. – Eu não posso.
– Vai embora.
– O que? – Meu coração para.
– Pegue suas coisas e vá embora dessa casa.
– Você não pode fazer isso. – Lina fala, incrédula. – Pai, faça alguma coisa.
– Sua irmã já decidiu. – Sua voz é triste. Eu sei que ele não quer isso, mas ele não vai contra a mamãe, ele nunca vai. Eu assinto, derrotada.
– NÃO. Britt, não vá. – Lina pede, desesperada. – MÃE, ELA É SUA FILHA.
– Não é. Ela deixou de ser quando começou a se comportar assim. Primeiro a dança, agora isso... – Fala com nojo. Eu sinto um soco no estômago. – Eu vou subir, quando sair do quarto, quero ela longe daqui.
– Fim do Flash Back de Brittany. —
Eu esfrego as lágrimas do meu rosto, revoltada. Como ela pôde fazer isso? Como alguém expulsa a própria filha de casa? Oh, meu Deus. Olho para Quinn, que está com os olhos fixos no chão. Cruzo o olhar com Santana. A latina assente, preocupada. Eu coloco uma mão no braço da minha namorada, assustando-a. Ela dá um sorriso estranho e levanta, saindo do apartamento. Fico surpresa, mas logo levanto junto. Eu corro atrás dela.
– Quinn, espera. – Peço. – Quinn, por favor.
– Eu preciso ficar sozinha. – Avisa. – Fique com Brittany, ela precisa de você.
– Você precisa de mim. – Paro-a, segurando sua cintura. – Amor...
– Rach, eu só quero respirar. Você sabe aonde eu vou. – Dá um beijo terno em minha testa. – Por favor.
– Não quero te deixar.
– Eu não vou demorar.
– Promete?
– Prometo.
– Você está bem? – Ela não responde.
– Eu te amo.
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