Meu melhor remédio

7 Baby, be strong for me.


Notas iniciais
http://letras.mus.br/glee/1970527/traducao.html

Por Quinn

Por favor, devolvam o ar dessa cozinha, porque eu não consigo encontrá-lo. Rachel está na minha frente e acabou de me perguntar se eu quero beijá-la. Oh, Deus, SIM, SIM. Eu quero mais que tudo nessa vida, eu quero te abraçar, quero te cuidar, quero casar com você e ter uma família linda. Abro a boca, mas não sai nada. Tento formular uma frase, não consigo. Eu preciso mesmo respirar.

– Quinn. – Ela cobra.

– Rachel. – Ri falso. – Eu... eu estava brincando com Santana.

– Sério? Não parecia.

– A gente... Rach, nós... – Limpo a garganta, tomando um folego. – Por que a gente não conversa sobre isso... depois? – Pedi.

– Tudo bem. – Solta o ar e eu consigo relaxar um pouco. – Espera. Santana e Britt? – Ela pergunta desconfiada.

– Acho que você vai ter que perguntar pra Britt. – Sorri de lado e ela assente.

Rachel passa por mim e pega mais uma garrafa dentro da geladeira. Eu fico paralisada, observando seus passos, ainda em estado de choque. Ela volta, dá um beijo na minha bochecha, sorri e sai. Certo, ela sorriu. É um bom sinal, certo? Qualquer uma estaria pirando por ouvir sua amiga, colega de apartamento, sua ex rival de colégio, dizendo que quer te beijar... certo?

Voltei pra sala. Puck e Marley estavam ficando. Sorri pra cena. Eles fazem um casal bonito. Rachel conversava com Brittany e Santava estava encarando algum lugar na parede. Me senti triste por ela. Eu lembro o dia que ela ficou com Britt e das consequências que isso trouxe. San sempre teve dificuldade em demonstrar seus sentimentos, mas essa loira mexeu muito com ela. E Rachel, que sempre foi a melhor amiga de Britt, não sabia? Droga.

Me aproximei um pouco mais, tentando chamar a atenção da latina, mas ela parecia em outro mundo. Ao invés disso, consegui a de Puck, que desgrudou uns segundos de Marley e percebeu minha tentativa frustrada de falar com Santana. O moicano sussurrou no ouvido da morena, que assentiu e foi para o lado de Santana, conseguindo tirá-la do transe e puxar uma conversa. Fiz um sinal para que Puck me seguisse.

– Eu fiz besteira, eu sei, eu sei. Eu só queria ajudar, ok? Não é justo que ela...

– Rachelmeouviudizerprasantanaqueeuquerobeijá-la. – Solto.

– O que? – Ele franze a testa. – Ok, Q, respire fundo e fale.

– Rachel. Ela ouviu minha conversa com Santana. Ouviu quando eu disse que... – Suspiro. – Que eu quero beijá-la.

O moreno abre a boca surpreso, me encara e gargalha alto. Eu me assusto e tento fechar sua boca, para não chamar atenção dos outros... de Rachel.

– Desculpa. – Ele limpa as lágrimas do riso. – Porra, Quinn, vai falar isso praticamente na frente dela.

– Eu não sabia que ela estava ali, ok? – Resmungo, sentando na minha cama e colocando as mãos no meu rosto. – Eu só não sei o que fazer. Não era pra ela saber assim, Noah. Não agora.

– Ei, aconteceu. Não fique assim. – Ele senta ao meu lado e me segura em seus braços. – Aproveite isso, Q. Você sabe o que fazer.

– Não, eu não sei.

– Você gosta dela, certo?

– É muito mais que isso. Eu... – Olho pra porta, eu não quero que ela escute mais uma vez. – Eu amo Rachel. – Sussurro.

– Então, minha amiga, você sabe o que fazer.

Puck segura meu rosto e dá um sorriso, eu retribuo. Talvez eu saiba o que fazer. Só preciso de um pouco mais de coragem.

Por Rachel

Agora que Marley resolveu soltar Puck por um tempo, Santana está ocupada. Bom, Quinn não está na sala, tampouco. Será que ela está bem? Eu não deveria ter pressionado ela, teria sido melhor se eu tivesse esperado todos irem embora para perguntar. Agora já é tarde. O choque foi maior na hora e eu não conseguiria aguentar a curiosidade. Ao menos eu sei que ouvi direito. Vamos ao que interessa, Rachel. Puxei Britt para mais longe das outras duas e a encarei séria.

– Brittany, acho que você precisa me contar algo.

– Eu não tenho nada pra contar. – Ela tenta fugir e eu cruzo os braços. – Faz muito tempo, Rach, não precisa...

– O que aconteceu há muito tempo, que você não contou até agora? – Digo irritada.

– Santana me beijou. – O que? Arqueio as sobrancelhas, surpresa. – Quer dizer, nós nos beijamos. Foi só uma vez e faz tempo mesmo.

– Por que você nunca me contou isso?

– Ah, Rach... – Ela suspira, brincando com as mãos. – Nós nos beijamos e fingimos que nada aconteceu. Não fique com raiva.

– Mas, aconteceu, Brittany. Vocês podem fingir que não, mas aconteceu. Ainda estou esperando o motivo pra você ter me escondido.

– Eu gostei, tudo bem? Eu gostei e eu queria mais. E isso não ia acontecer, falar ia fazer tudo real.

– FOI REAL, BRITT! – Eu grito.

– EU SEI, RACHEL. – Ela grita também, mas eu escuto um tom de mágoa na voz dela e me acalmo, em alerta. – Eu sei. – Sussurra.

– Vem cá. – Ela se aproxima, com os braços cruzados e eu abraço ela. – Desculpa. Por que você não quis ficar com ela hoje?

– Porque eu estou namorando e eu gosto do Sam. – Fico em silêncio, esperando uma resposta melhor. – Porque eu não quero que isso volte, depois de tanto tempo.

– Você gosta de Santana? – Pergunto me afastando, para poder olhar em seus olhos. – Britt.

– Rachel, que parte do eu estou namorando e gosto do Sam que você não entendeu?

– E o que você não queria que "voltasse"?

– Isso. Eu não posso ficar com ela.

– Porque ela é uma mulher?

– Porque minha família nunca entenderia.

– Mas, Britt, você só iria ficar... Oh, meu Deus! Você gosta dela. – Sussurro. – É muito para um dia só.

– E o que teve mais? – Ela levanta a sobrancelha, tentando mudar o assunto.

– Você nem imagina. – Suspiro.

Voltamos para a sala depois de conversarmos tudo e Puck já estava agarrado com Marley novamente, virei os olhos, rindo com Britt. Consegui o olhar de Quinn e abri um sorriso, demonstrando que estava tudo bem. Ela sorriu também, me chamando para sentar ao seu lado. Fiz o que ela pediu, me aconchegando em seus braços, como sempre ficamos. Conversamos um pouco mais. Santana foi a primeira a levantar para sair. O que é absurdamente estranho. Ela nunca sai cedo, na maioria das vezes até dorme aqui. Mas, o clima pesado era nítido. Claro que a latina queria sair daqui correndo.

Logo depois, Brittany também se despediu, sendo seguida por Puck e Marley, que sim, foram embora juntos. Enfim, sós. Respirei fundo, fechando a porta para eles. Quinn começou a arrumar a bagunça que a sala estava, me juntei a ela, arrumando a cozinha também. Quando terminamos, fomos tomar um banho. O banho mais longo da história, que eu diga. Estou nervosa e minhas mãos já estão até tremendo. O que diabos é isso? Você vai lá no quarto dela, conversa, resolve e pronto! Tudo certo. Ok.

Coloquei meu pijama e fiz o caminho para o quarto da loira. O caminho de sempre, aliás. Estranhei quando vi tudo escuro. Chamei seu nome uma vez. Sem resposta. Outra vez, mais alto. Nada. Liguei a luz. Ela já estava deitada, de olhos fechados. Sorri fraco, desliguei a luz e deitei ao lado dela, no meu canto de sempre.

– Eu sei que você está acordada – Sussurrei e ela sorriu.

– Culpada. – Abriu os olhos. – Hey!

– Hey, você está fugindo de mim? – Perguntei em tom de brincadeira, colocando uma mecha de seu cabelo para trás.

– Sim. – Admitiu. Eu franzo a testa. – Não estou preparada para o que você quer me perguntar.

– Mas, eu já te perguntei. Quer que eu pergunte outra vez? – Ela assente, fechando os olhos de novo. – Você queria me beijar?

– Sim. – Ela responde alto. – Eu quero.

– Uou. – Não sei o que falar. – Gostei da sinceridade.

– Você tem mais perguntas? Pode aproveitar disso.

– Uh! Bom saber. – Sorri, mesmo que ela não me veja, porque ainda está com os olhos fechados. – Desde quando?

– Desde o último ano do colégio.

– O que... Mas... Você me odiava. – Ri incrédula. Seus olhos encontram os meus e eu estremeci com a seriedade neles.

– A primeira vez que eu senti isso, você estava fazendo o solo de Out Here On My Own para o teste de...

– West Side Story. – Dissemos juntas e sorrimos.

– Isso. Eu achei que estava ficando louca, mas depois desse dia isso acontecia com frequência. E eu me acostumei. – Murmurou.

– É só uma atração?

– Não. – Outro sorriso. – Eu sou apaixonada por você.

Essa é a hora que o público aparece rindo, chega o apresentador e mostra a câmera escondida. Quinn Fabray está dizendo que é apaixonada por Rachel Berry. Maior pegadinha do mundo. Eu começo a rir, mas ela continua me olhando com sinceridade. Engulo em seco. Oh, merda!

– Você não está falando sério.

– Eu tenho medo, sabe? Eu não queria te dizer assim. Tantas vezes eu passei essa cena na cabeça, com todas as falas certinhas, decoradas. E você descobre, sem querer. Sabe por que eu estou te dizendo? – Abro a boca, mas ela não deixa que eu responda. – Exatamente pelo o que você perguntou. Eu não quero que você pense que eu queira te beijar e pronto. Eu tenho um sentimento forte e verdadeiro por você. – Solta o ar.

– Eu... Eu... – Balbucio. Ela sorri triste dessa vez. – Realmente, não o que te falar.

– Não precisa, Rach. – Suspira. – Só não se afaste de mim, por favor. Eu não...

– Quinn! Como eu me afastaria de você depois de tudo o que você fez e faz por mim? Se eu tenho que fazer algo, é te agradecer, Q, por tudo. Te agradeço por você sentir o que sente. É... lindo.

– Você é linda. – Sussurra e uma onda sobe pelo meu corpo.

Ficamos em silêncio alguns minutos. E eu não aguento mais. Olho para ela, que parece estar dormindo, tranquila.

– Quinn... – Sussurro.

– Frodo...

– Você ainda quer me beijar?

Os olhos esverdeados se abriram, com uma mistura de desejo e ternura. Mordi o lábio.

– Mais que tudo, Rach.

O que está acontecendo comigo eu não sei. Mas, eu me aproximo do seu rosto, devagar, sentindo a respiração nervosa da loira. Ela encosta a testa na minha. Agora nossas respirações estão misturadas, eu inspiro o cheiro doce vindo dela e em um surto de coragem, beijo sua boca. Continuo dando pequenos beijos, até que sinto sua mão na minha nuca, me prendendo naquele espaço. Ela murmura um dane-se e pressiona seus lábios fortes nos meus. Sinto sua língua pedindo passagem e abro a boca, para deixá-la passar. E, meu Deus, eu estou beijando Quinn Fabray. Nossas línguas se encontraram e isso é a coisa mais maravilhosa que eu já provei na minha vida.

Nenhum beijo que eu tive foi assim. Ela é suave e, nossa, é... gostosa. Eu não quero parar nunca, por favor. O ar vai começando a falta e eu sinto Quinn soltar um gemido triste. Sorri ainda no beijo e finalmente nos separamos.

– Não quero te machucar.– Sussurrei, depois de recuperar o folego. – Isso foi... Ufff! Foi maravilhoso. Mas, eu preciso ir devagar.

– Eu te espero, Rach. Te espero o tempo que for preciso.

Um sorriso toma conta do meu rosto. Essa foi a melhor coisa que eu podia escutar hoje. É tudo muito confuso ainda, preciso assimilar o que está acontecendo, mas essa promessa me fez bem. Extremamente bem. Tão bem que eu tomei sua boca mais uma vez. Eu preciso disso, preciso do seu gosto pra poder conseguir dormir. Bom, se for possível parar.

Por Quinn

Estava dormindo, quando senti um beijo leve nos meus lábios. Certo, depois da noite louca de ontem, agora estou imaginando coisa. Sinto mais uma vez, junto com cheiro de Rach. Sorrio.

– Bom dia.– Ela murmura com a voz rouca.

– Hmmm... Ótimo dia.

– Acorda, Q. – Sinto sua mão fazendo carinho no meu rosto.

– Não quero.

– Por que?

– Estou com medo acordar e ser tudo mentira. - Respondo consciente que meu rosto está em um tom forte de vermelho.

– Abre os olhos, Quinn.– Ela sussurra, me fazendo estremecer. – Abre, por favor, preciso te falar algo. Quinn...

Obedeço. Abro meus olhos devagar e encontro o sorriso mais lindo que alguém pode ter. Não é sonho. Ela está mesmo, aqui na minha frente, me acordando com beijos e... Rachel me beija outra vez, agora de verdade. Sua língua pede passagem, desesperada. Venha! Esse gosto que eu tanto quis provar. É melhor do que eu imaginava. É... perfeito. Como se a boca dela existisse para minha. Ah, maldito ar que falta e nos afasta.

– Pensei que você quisesse ir devagar. – Ri e ela corou um pouco.

– E eu quero. Mas, eu precisava te agradecer.

– De novo, Rach? Não...

– Por outra coisa. Bom, mais uma coisa. – Ela morde o lábio inferior e, Deus, me ajude a resistir à vontade de morder também.

– Posso saber o motivo?

– Quinn, você dormiu a noite inteira. – Franzo a testa, confusa. – Não percebeu? Depois de quase dois meses eu não tive pesadelo.

– Rach... – Sim! É verdade. Nós dormimos a noite toda, sem gritos, sem sustos, dormimos bem. – Meu Deus, Frodo, isso é maravilhoso!

Abracei a pequena com força. Ela gargalhava. Isso! Acordei com seus beijos, sentindo o seu cheiro, sentindo seu toque e agora eu escuto sua risada. Meus sentidos agradecem. Eu estou perdidamente louca por essa mulher.

– Você é maravilhosa, Quinn. – Ela se afasta, me olhando. – Você que me segurou todas as noites, você que não se importou em perder suas horas de sono, você que cuida de mim. Você tem sido minha força desde... – Ela engole seco e meu estomago embrulha. – Desde aquele dia. Eu não te mereço tanto. – Suspira.

– Eu te amo, Rach.

Notas finais
Eu queria muito saber a opinião de vocês. Continuo ou nem?