Meu imbecil

4 capitulo 4 - Draminha.


Notas iniciais
Ei coisinhas, leiam aqui: EU PROMETO AGORA POSTAR 2 VEZES POR SEMANA. Estou de ferias, então será capitulos redobrados. Descupem a demora. Enfim, bom capitulo.

Por incrível que pareça, a noite foi muito frio. E eu passei a maior parte dela dentro da minha barraca, tentando dividir meu espaço com o de Rodrigo, ou seja, nossos colchões. Eu não fazia ideia que na serra fazia um frio imenso e por consequência não trouxe nenhum casaco, mas tudo bem, Tina, você sobrevivera. Abri a barraca e os vi por volta de uma fogueira, comendo e Heitor estava com um violão.

Só para lembrar que eu não poderia sair da barraca por conta do frio, por conta da minha voz, era isso o que dizia na lista da minha mãe: Morra, mas preserve sua voz. Mas quem liga para ela agora? Eu estava morrendo de fome.

— A bela adormecida acordou! — Duda gritou sorrindo.

“Uhum, eu super estava dormindo.”

Sentei ao lado dela e peguei um pão, que tinha pasta de alho.

— Cara, eu achei que isso aqui seria mais legal, mas cá estou eu, morrendo de frio. — Disse Heitor fazendo batuque no violão.

— Sabe uma coisa que podíamos fazer? — Duda perguntou. — Brincar de verdade ou desafio. — Fizemos uma careta reprovando. — Qual é, pessoal... Vamos nos conhecer melhor!

Encolhi-me pelo frio e parei de ouvi-los discutir sobre quantas verdades teriam e desafios também. Minha nossa, o que eu poderia estar fazendo em casa? Lá devia estar um calor maravilhoso. Olhei para o lado e Rodrigo estava me encarando, virei rapidamente para nossos olhares não se encontrarem, e por um minuto senti um calor inexplicável, fazendo-me até esmagar o pão que estava entre minha mão e meu joelho esquerdo.

— Terra para Tina! — Duda tacou um pão em mim, e olha que eu estava ao seu lado.

— O quê? — Falei irritada, ninguém interrompi os pensamentos de Tina!

— Entendeu como vai ser? — Ela perguntou.

— Na verdade, não... Pode me explicar?

Ela revirou os olhos e deitou-se no lençol onde estavam nossas bundas.

— Uma verdade, um desafio. Cada um escolhe quem vai desafiar. Entendeu? — Perguntou Heitor sem olhar-me, ele estava bem analisando o corpo de Duda, enquanto ela estava deitada de olhos fechados.

— Ok... Quem começa? — Eu não tinha entendido nada, mas para não me fazer de burra...

— Eu. — Rodrigo encostou-se mais na gente. — Quero a Tina, digo, desafiar a Tina. — Pareceu sem graça.

— Uau! — Duda levantou-se rápido. — Parece que essa brincadeira será maravilhosa! — Disse em um tom de malicia.

— Tudo bem, eu escolho a Duda. — Falei rapidamente. Se Rodrigo fizesse algo comigo, eu iria descontar tudo nela!

— Eu escolho o Rodrigo! — Duda disse ainda maliciosamente.

— Então eu me escolho? — Perguntou Heitor, nos fazendo gargalhar.

— Vamos fazer assim... — Agora Rodrigo estava com a mão no queixo. — Eu faço pra Tina, Tina para Duda, Duda para Heitor e Heitor para mim. Tudo certo?

Que puta complicação!

— Quem começa? — Duda perguntou.

— Você! — Heitor virou-se totalmente para ela, e os dois ficaram se encarando por alguns segundos.

— Pode ser qualquer pergunta? — Ele assentiu. — Ok... Quantas garotas você já trepou na vida?

Bem, essa é Duda... Linda, direta e objetiva. Todos nós nos calamos por minutos, tímidos talvez. O barulho das arvores era a única coisa que me fazia estar acordada ali, já que eu odeio esse tipo de brincadeira. E juro, juro por Deus, que eu estava pensando em algo “cabuloso” para Duda.

— 5. — Ele ainda pareceu confuso. E começou a contar nos dedos, iam pra 5, depois voltavam para 4, até que ele concluiu: — 7 gurias.

Duda quase cuspiu o refrigerante assustada.

— Isso tudo? Sério? — Ela perguntou.

— Ué, ainda nem começou... Né não, Rodrigo? — Encarei Rodrigo pelo canto de olho.

— Me tira disso, cara. — E eles gargalharam.

— E meu desafio? — Ele a encarou ainda sorrindo.

— Você... Vai... Beijar Tina!

— Oi? — Nós três falamos juntos, Heitor, eu e Rodrigo(?)

— Sim, é isso que eu disse! E quero um beijo hiper de cinema, aqui, agora mesmo.

— Duda, por favor... Isso é um desafio pra ele, não pra mim. — EU NÃO QUERO BEIJÁ-LO.

— É isso aí que ela tá dizendo. — Heitor completou. — Eu não quero beija-la.

— Não se preocupe que eu também não quero fazer isso contigo, viu? — Falei irritada.

Duda e Rodrigo se olhavam, depois nos olhavam discutir. Será que eu teria que mostrar a lista que minha mãe fez? Nada de beijar garotos, 100% nada! Respirei fundo e calei minha boca, acho que eu já estava ficando vermelha e o calor da irritação estava me possuindo. Ele podia ser tão rude ao ponto de dizer que não queria me beijar? Eu também tenho a droga de um sentimento, ok? Ok!

— Eu vou para minha barraca. — Levantei-me e segui, até ser puxada pela canela por Rodrigo.

— Não vale sair da brincadeira assim, ainda não fiz nada pra ti. — Olhou-me por cima.

Puxei minha perna com toda força do mundo e entrei. Era apenas um draminha para eu não ter que beijar uma boca, nada contra, mas não seria a de Heitor. Bem, eu estava puta da vida com Duda, com Heitor, e com Rodrigo porque não fez nada para “defender-me”, então a idiota aqui pegou um lençol e saiu pelos matos sem ninguém perceber. Comecei a caminhar seguindo o brilho da lua, segui, segui, até encontrar a cachoeira que provavelmente iríamos amanhã. Coloquei meu lençol por lá mesmo e deitei. Juro, não há nada melhor o que senti a brisa da natureza, a própria brisa dela. Comecei a cantar Please Don’t leave me, de Pink, bem baixinho. E quando eu já estava na metade da música, ouvi um galho quebrar perto de mim.

— Puta merda! — Foram minhas únicas palavras ao ver um homem alto em minha direção. Seria o slender man?

Quem me dera.

— O que faz sozinha aqui? — Era a voz de Rodrigo.

— Nada. — Falei mais baixo. Ele ia sentando-se no lençol, mas o interrompi. — Fique longe de mim! Aqui tem uma cachoeira e não quero ser afogada novamente!

— Sério que você ainda sente raiva de mim por isso? — Ele sentou-se ao meu lado.

— Não era? Você quase me matou! Você enfiou minha cabeça na água como jogamos nossos peixinhos mortos na privada, eu me senti em uma enorme privada e sendo levada para morte. Eu era novinha e você quase acab... — E nesse momento, nesse maldito momento, Rodrigo grudou nossas bocas e enfiou a sua língua na minha, digo isso assim porque foi a pior sensação da minha vida, nos primeiros 3 segundos.

Depois, pareceu que havia jogado um balde de água em mim, água gelada. Fiquei de olhos abertos e o vendo virar sua cabeça algumas vezes e seus olhos bem fechados. Por fim, aquele quase sufoco acabou. Ele deitou-se e cruzou as pernas. Fiquei sentada, inerte, tentando voar dali sem fazer barulho.

— Por que fez isso? — Minha voz saiu um tanto falha.

— O quê? Não gostou? — Virei para ele e o vi com a testa franzida, olhando para o céu. — Tudo bem, também não acho que um beijo seja algo importante em um relacionamento.

— Que relacionamento? — Tenho dom de estragar climas.

— Deixa para lá. — Ficou um silencio estranho. — Deita aqui.

Ele puxou minha cintura e quando vi, já estava deitada em seu ombro. Ficamos calados olhando o céu até que eu dormi. Dormi bem dormido.

Notas finais
O que será que vai acontecer, hein? Hein? ahaha. O que acharam?