Notas iniciais
Minha Robin é a Elle Fanning com seu sorriso de coração.

Regina se depara com Dashiel parado em pé diante de uma janela imensa, olhando a madrugada lá fora. Ainda estava com as roupas que havia usado durante o dia e suas costas mostravam-se tensas. Sente o desejo de tocar-lhe as costas, beijar-lhe os ombros, mas teme a reação do homem. Ele já havia sido tão gentil ao convidar-se ao banho naquela tarde e ousar tocar-lhe o rosto, sem pudores ou restrições, então, ela não deveria abusar.

— Está sem sono, meu amado?

Ele se vira bruscamente e avança na direção dela, tomando-a nos braços e puxando-a para um abraço tão faminto e protetor que a deixa sem ação.

— Eu...preciso...respirar...Dashiel...

Ainda com as mãos prendendo os ombros da Rainha, o homem a olha tão profundamente que lhe invade a alma. Era perturbador.

— Não tive coragem para convidar minha família para o baile, Regina. Todos ficaram loucos, contaminados pela febre do poder e do ouro. Meu pai está parasitado por moedas vivas que caminham pelas roupas dele e há um carneiro de ouro, vivo e caminha como se fosse um cachorro fiel ao lado dele.

— O seu pai fez isso acontecer com a força das palavras. Sabe, Dashiel, as palavras têm força para restabelecer ossos quebrados e as pessoas abusam disso sem saber.

— Isso é horrível! – ele a liberta, mas não se afasta.

— Amaro me disse que queria o ouro porque era mais importante que qualquer coisa na vida. O ouro era a vida dele e assim foi feito.

— Clara é uma comerciante influente e está encabeçando uma revolta contra seu governo...

Regina caminha para longe do homem e vai sentar-se num dos degraus da sala. Mesmo trajando as roupas de dormir, era elegante. Estava à vontade com homem e não usava máscaras, deixando apenas os cabelos cobrirem parte de seu rosto.

— Estamos apenas lidando com nomes, Dashiel. Quando eu me transformar completamente, muitas pessoas tentarão assumir o meu lugar no governo. Pelo menos sabemos o nome de quem será.

— Você não está entendendo, Regina! – Dashiel começa a andar de um lado a outro, mantendo a mão sobre a testa. – Ela e outros comerciantes estão criando uma falsa revolta apenas para desculpar a violência que querem cometer contra sua vida! Não poderemos permitir que isso aconteça, Regina!

Ele se larga sentado no soalho do cômodo.

— Por que eles querem a sua morte?

— Porque eu sou um monstro. As pessoas têm medo daquilo que não compreendem. Eu também tive medo quando descobri que tinha poderes e depois quando me deparei com a possibilidade de ser uma mutante.

Dashiel nega com a cabeça e ri baixinho.

— Estou com tanto medo...

— O medo é saudável para sermos mantidos vivos. – uma estranha preocupação começa a encher a alma de Regina. – Estamos caminhando para um final inevitável, meu amor. Mas quero que saiba que jamais permitirei que alguém faça algo de ruim contra você.

O príncipe abaixa a cabeça e cobre os olhos com uma das mãos. Desespera-se porque o tempo estava acabando e não poderia permitir que Regina aceitasse sua sina com tamanha resignação.

— Precisamos mostrar que não somos frágeis, Regina.

— Mas não somos. – ela sorri. – Eu sou muito forte e posso defender o meu território e a todos que estão nele. Caso os revoltosos queiram vir em ataque, podem vir, porque saberei defender-me. Além disso, sei que não estou sozinha. Meu coração me diz que poderei contar com aquelas pessoas malucas que vieram pelo portal...você estará ao meu lado?

Depois de ajeitar sua camisola, Regina se levanta a vai sentar-se ao lado de Dashiel no soalho. Segura a mão dele e beija-lhe o dorso.

— Precisaremos ser parceiros. Mesmo que não seja no amor, mas temos de ser parceiros na defesa do nosso reino. Quer isso?

A resposta afirmativa do homem encoraja Regina a fazer a coisa mais louca que poderia imaginar. Ela se inclina para frente e beija-lhe os lábios finos. Amava a boca de Dashiel e queria sentir a maciez dela.

Esperando o repúdio e a demonstração de asco ou nojo, a Rainha fecha os olhos e aguarda encontrar-se sozinha quando voltasse a olhar o ambiente em volta. Mas ao abrir os olhos, depara-se com Dashiel bem próximo a ela, também com os olhos fechados. Ele estava começando a retornar o beijo.

Ah, teria de ser aquele momento! Abraçando-o com imenso carinho, Regina o envolve em uma nuvem de fumaça verde e leva-o embora dali, depositando seu precioso pacote sobre a cama de seu quarto. Iria aproveitar-se daquele momento único e transformar aquela noite, na noite mais linda do mundo para ela.

Iria usar os mesmos toques delicados de sua infância, quando despia suas bonecas ricas de porcelana. Iria privar aquele corpo masculino tão desejado, de todos aqueles tecidos indesejáveis. Peça a peça, fita a fita, laço a laço, tudo sendo cuidadosamente desfeito para que seus olhos pudessem ser presenteados com a pele nua daquele que imaginava ser o amor de sua vida. Aos poucos, toda a beleza natural daquele homem vai se exibindo aos olhos apaixonados da Rainha.

Era um momento bem diferente daqueles instantes em que o via em seu banho ou em suas trocas de roupas. Ele estava sendo despido exclusivamente para ser tocado, explorado, beijado e amado sobre a cama que seria o ninho para outras tantas e tantas noites de amor ou de prazer. Dashiel estava permitindo ser tocado, e nada, nem ninguém impediria que ela completasse aquela noite e tornasse aquele homem, o seu verdadeiro príncipe consorte. Ele seria seu, mesmo que fosse apenas de corpo.

Teria apenas cinco horas para isso e antes que o carrilhão avisasse o fim daquele sonho, deveria estar pronta para retornar à realidade. E ela sente que tudo em sua volta começa a ser transformado, como se alguma gigantesca flor tivesse libertado seus polens brilhantes e dourados para iluminar aquele quarto. Sente que a magia enviada pelo pirata de olhos celestes, já estava solta no ar e que apenas aguardava seu momento exato para ser percebida.

Na manhã seguinte, observando por uma janela da sala do trono, Regina se encanta com o homem do lado de fora do prédio. Dashiel conversava com Killian e ambos admiravam uma égua de crinas amareladas.

As lembranças da noite anterior ainda estavam nítidas dentro da alma da Rainha. Todos os toques, todos os beijos, todos os sons e até as obscenidades sussurradas aos ouvidos, se transformavam em momentos felizes.

Iria agradecer os truques do pirata, porque as horas usadas para o prazer jamais seriam esquecidas. Dashiel havia se entregado sem pudores e sem restrições, sequer se importando com as marcas fincadas no rosto dela.

— Regina?

A voz provoca arrepios em todos os pelos do corpo da Rainha. Ela se vira para a origem da voz e arregala os olhos ao ver Zelena com a expressão mais cínica que alguém pode exibir.

— Mas que merda aconteceu aqui??

— O pirata me libertou.

Correndo para a janela, apoiando as mãos abertas contra o vidro, Regina sente o ímpeto de atravessa a superfície fria e ir esganar aquele pirata dissimulado. Volta-se para a irmã.

— Você vai voltar para o seu chiqueiro, porque aqui comigo não vai ficar!!

— Não se aflija, queridinha. Não pode fazer nada contra mim. – Zelena exibe o bracelete. – O pirata me bloqueou para ser alvo de truques ou para fazer truques. Somente ele pode retirar esse enfeite de mim.

— Eu vou trucidá-lo!! Por que ele fez isso??

Encolhendo os ombros, a ruiva sorri.

— Ele diz que quer sair daqui e não deixar um fio de cabelo para trás.

— Isso é mentira, Zelena!!

A ruiva gargalha e bate palmas.

— Mas é claro que é! Esse pirata é perigosos e está atrás de alguma coisa muito importante que está dentro de nosso castelo! É uma criatura forte e perigosa demais! Não está apenas tentando encontrar mais uma mãe para outra filha dele!

A indignação enche o peito de Regina. Ela anda de um lado ao outro e depois vai sentar-se num banco qualquer. Larga-se ali.

— O pirata veio atrás de algo que somente poderia encontrar em nosso reino. Não sei o que é ou queria seria, mas tenho certeza de que algo grandioso está para acontecer. – Zelena começa a destilar seu veneno verde. – Temos de unir forças para defender o que é nosso, porque seremos dilapidadas em todas nossa honra e nossas riqueza!

Crispando as mãos, a Rainha controla suas emoções. Não iria permitir que sua alegria e suas lembranças suaves fossem enegrecidas pelas palavras perversas de Zelena. Desta vez, iria ignorar as provocações, não sucumbiria às palavras venenosas e iradas da irmã, porque desejava ainda nutrir sua alma com os regalos da noite anterior.

— Cale a boca, Zelena! Volte do buraco negro de onde você saiu e não me incomode!

— Não posso voltar para o espelho, queridinha. O seu hóspede mago decidiu que todos ficaremos sob a tutela dele, para que os planos que o trouxeram aqui, sejam realizados.

— Caso eu não esteja enganada, sua filha está neste castelo e veio apenas para conviver com você. Por que não está com ela, brincando de mamãe e filhinha? Pensa que não sei? – Regina aponta para a saída da sala. – Agora, você não tem mais poderes e nem mesmo as suas palavras conseguirão roubar minha felicidade e minha alegria. Agora, saia daqui antes que eu mande trancafiar você numa das masmorras! Saia!

Zelena se sobressalta com o grito. Não esperava tanta frieza por parte de Regina, quando as duas se reencontrassem ao vivo, depois de tanto tempo separadas pela superfície fria do espelho. Havia perdido o jeito de influenciar o humor de Regina? Quem a estava influenciando agora? Killian ou Dashiel?

Lá fora, Killian acaricia as crinas da égua. Ele sentia que algo grande estava preenchendo a alma de Dashiel e estava disposto a descobrir.

— E então, companheiro, o que está causando esse vinco entre suas sobrancelhas? O que o preocupa?

Dashiel sorri e suaviza o rosto.

— Eu deveria estar sereno porque tive uma noite linda ao lado de Regina...

— Regina e você...quero dizer, vocês dois...

— Ela estava incrivelmente sedutora, ontem à noite. Eu me senti provocado e não me senti na obrigação de resistir aos encantos dela.

— Você finalmente viu encantos nela?

— Foi somente o que eu vi. Ela estava suave, humana, macia e a pele dela me queimou. Ainda consigo sentir meu corpo quente...

Killian inclina a cabeça para o lado e franze a testa. Finge sentir preocupação.

— Mas ela não se transformou em estátua ao amanhecer...

Uma risada infantil ilumina os lábios de Dashiel. O riso se transforma em gargalhada.

— Ela me apresentou um objeto circular umedecido com uma viscosidade que nos protegeu. Você desenrola o círculo em torno do seu...- ele aponta para baixo em seu corpo e mantém o sorriso envergonhado. – Não sei como poderei explicar ao senhor...

— Sei bem do que se trata. Usamos muito em nosso reino.

— O senhor forneceu isso para que Regina...

— Como eu iria tocar em um assunto tão delicado como este, com sua Rainha?? Ela iria me pendurar pelas orelhas usando ganchos de carne! Mas sim, fui eu quem apresentou a ela!

Os dois homens começam a rir. Momentos depois, Dashiel se torna sério outra vez e olha rapidamente para os lados, verificando se aquele momento seria seguro para expor sua angústia. Inclina-se para ficar mais perto do pirata.

— Capitão, o senhor já ouvir falar em uma seta forjada em ouro, encontrado em um navio afundado por fantasmas?

A função suricato é acionada e Killian assume uma postura engraçada.

— É uma arma poderosa...nunca a vi, mas já ouvi sobre ela.

— Sim e aliada a uma gota de sangue da vítima em potencial... torna-se infalível. – Dashiel abaixa o tom de voz. – Minha irmã mandou forjar essa arma e exigiu que eu conseguisse uma gota de sangue de Regina. Ou...

— Ou...

— Disseminará a mentira que a Fera contaminou inúmeras pessoas, dentre elas o meu pai e várias crianças, que serão caçados, presos e desmembrados...

Sem reagir de imediato, pensativo, a alma de Killian grita por uma solução que acabasse com toda aquela confusão criada por Zelena. Sabia do poder da seta de ouro e de sua potencialidade, quando molhada pelo sangue da vítima. Ninguém havia escapado de seu ataque.

— Minha irmã quer matar Regina em meio a alguma multidão, para garantir o respeito e o direito de ser a próxima líder do reino. Pensei em entregar meu sangue no lugar do sangue...

Com gestos frenéticos, o pirata ordena que o príncipe ficasse quieto. Queria pensar e a voz de Dashiel o estava irritando e confundindo. É atendido.

— Você convidou sua irmã para o baile?

— Não tive coragem, Capitão. Seria oferecer o momento propício para o crime.

Killian fica pensativo. Ergue a mão e fica esfregando os dedos entre si, como se os quisesse limpar de alguma poeira fina. Depois ergue o dedo indicador imperativamente.

— Quero que envie um soldado de areia até sua irmã, com o convite do baile. Exija que esteja presente e vestida a rigor. Será um baile inesquecível!

— Mas Capitão...

— Confie em mim, Príncipe. – o pirata sorri, levanta as sobrancelhas e move rapidamente a cabeça para o lado. – Vá conviver um pouco mais com a sua Rainha e deixe o restante comigo.

########

Exausta, Belle afasta um dos livros e massageia os olhos. Que droga! Nenhum dos livros oferecia alternativa para resolver o problema criado por Zelena. Teriam de esperar o tempo passar e desejar que sentimentos bons surgissem na alma e no coração de Dashiel, para o salvamento de Regina. E seriam meses naquele lugar onírico.

Enquanto isso, deveriam criar algum mecanismo de defesa do castelo, porque o ponto fraco dos soldados de areia já era conhecido. Em breve seriam atacados e precisavam estar preparados.

— Onde está Robin?

— Está no jardim com a mãe. É bom que as duas convivam, porque tudo o que precisamos é de bons sentimentos envolvendo a todos nós. Espero que o amor renasça na alma de Zelena.

Verena olha pela janela e concorda com um movimento de cabeça. Ouve Belle perguntar:

— Você pertenceu ao exército do Rei Omar, certo?

— Sim.

— Então, conhece estratégias de luta e de batalhas, certo?

— Sim.

— Poderia treinar novos movimentos nos soldados de areia.

Sem entender a pergunta, Verena faz uma careta de desentendimento.

— Como é o conhecimento de Regina que domina os soldados, você poderia treiná-la.

Uma súbita gargalhada é a primeira resposta da soldada. Somente poderia ser delírio da mulher pequena. Treinar Regina as artes de lutas? A Rainha iria comê-la viva!

— Treinar Regina Mills? E por que uma mulher tão poderosa precisa ser treinada por uma simples soldada?? Ela vai mover um dedo e eu vou sair voando pela janela até mergulhar no pântano!

— E por que eu faria isso?

Verena e Belle gritam ao mesmo tempo, quase saltando da própria pele. As duas encaram a Rainha como se ela estivesse com duas cabeças.

— O que houve?

— Não vimos você se aproximar, Rainha. – Belle tenta sorrir. – Estávamos falando que Verena poderia ensinar novos truques de batalha para que a senhora coordene os movimentos de seus soldados.

— Para lutar contra os revoltosos? – Regina dá de ombros. – Mesmo sem treiná-los, meus soldados dizimarão os camponeses.

Negando com a cabeça e discordando das palavras de Regina, a soldada consegue controlar seus batimentos cardíacos. Ela abre a mão sobre o peito.

— Não podemos simplesmente matar os camponeses revoltosos, Rainha.

— Insurgentes devem ser presos e mortos.

— E quem lhe disse isso? – Verena cruza os braços na frente do corpo.

— As minhas leis são essas. – a voz de Regina sobe um tom.

Outra vez a soldada discorda.

— Todos sabem que cortando o uniforme dos soldados de areia, eles escoam pelo corte. Muitos reinos usam esse artifício e saem vitoriosos. Isso não foi inventado por você, Rainha. Quem criou os soldados de areia usando feitiço, foi uma mulher com mãos de macaco, conhecida como a Senhora de Ferro!

— O reino é meu e tudo o que há aqui dentro foi inventado por mim! Eu sei lidar com quem desobedece às regras!

— Você sabe apenas matar as pessoas que discordam de suas opiniões e que não podem defender-se. Mas agora, esses camponeses estão sendo orientados e treinados por pessoas que não temem os seus poderes. Além disso, quem inventou toda essa patuscada que você chama de reino, foi a demente de sua irmã que deveria estar presa num sanatório! Um emaranhado de informações sem nexo e que não permitem saber o que é real e o que é insanidade daquela desqualificada!

Regina avança na direção da soldada, mas é impedida quando esbarra no corpo pequeno de Belle, surgido para evitar algum confronto entre as duas habilidosas.

— Estamos aqui em paz! Viemos apaziguar e não criar problemas, Verena. – a mulher pequena empurra a mulher mais alta.

— Eu vim resgatar Dashiel. Pouco me importa o que acontecer com Regina, Zelena ou qualquer camponês deste reino de faz de conta! Vou sair daqui carregando o meu protegido, mesmo que o tenha de roubar das garras desta descompensada!

A fúria explode da alma de Regina e sem sentir a obrigação de controlar seus instintos, permite que a Fera dentro de seu corpo tome o total controle de suas emoções. Aquela mulher havia ousado expor o verdadeiro motivo de sua chegada aquele reino e iria ser trucidada por tamanho atrevimento. A Fera urra e sem temor algum exibe a transformação assustadora em seu rosto, num misto de mulher, morcego e demônio, arreganhando dentes pontiagudos e perigosos.

Verena não se intimida e aceita o desafio. E em poucos segundos, as duas habilidosas estão despencando da janela do quarto, estabacando-se contra o chão lá embaixo fora do prédio. Um amontoado de tecidos, cabelos e movimentos ferozes.

A luta torna-se horrorosa quando as mulheres começam a usar suas habilidades para causarem ferimentos mútuos. Mas nada acontece aos seus corpos, apenas tombos homéricos, golpes fortes e agressões verbais que não provocam dano físico algum. Não havia forma de fazê-las parar e os serviçais estavam afugentados, evitando serem atingidos pelos resquícios daquela insanidade.

Surgindo correndo de algum ponto do jardim, Killian e Dashiel não hesitam em atrapalhar o conflito e colocar um ponto final naquela luta irresponsável. Atiram-se sobre as duas habilidosas e não pensam o que pode ocorrer como consequência.

Para Killian absolutamente nada acontece quando ele separa as duas mulheres e recebe sobre seu corpo uma carga de choque enviada ao mesmo tempo por elas. Entretanto, a mesma sorte não tem Dashiel, quando ele se atraca com a Fera que dominava o corpo e a mente de Regina.

O monstro solta um urro metálico e usa suas garras para golpear o peito do homem, derrubando-o num canto qualquer do cenário daquela confusão. Ele grita e é quando o som de seu grito atinge a alma adormecida de Regina e a traz de volta à realidade de que ainda era um ser humano.

Antes que Verena consiga dominar a Rainha Fera, o pirata a imobiliza utilizando-se dos conhecimentos que tentava manter dentro de sua alma. Volta-se para dominar Regina, quando a vê amparando Dashiel em seus braços.

— Saia de perto dele! – o pirata avança e sem medir seus atos, tira o príncipe dos braços da Rainha, que não reage de imediato. – Suas estúpidas!

Momentos mais tarde, o pirata bufava e praticamente cuspia as palavras sobre as pessoas que estavam naquela sala de audiência.

— É inadmissível que estando presos numa situação tão bizarra e perigosa, que coloca em risco a vida de todos nós, ainda haja espaço para divisões e discussões! Não poderemos sair daqui, simplesmente abrindo um portal e entrando por ele! – o pirata esmurra a mesa e continua andando pela sala.- Não temos a arma principal para o fim da maldição e pelo que percebi sou o único preocupado com isso!

— Em momento algum pedi que viessem em minha ajuda, Capitão.

— Não vim para este lamaçal por sua causa, Regina! Não seja burra! – ele grita e parece estar sem controle. – Vim porque soube que Dashiel estava em perigo, haja vista que impedi as duas pessoas que viriam resgatar você! Emma Swan e Mary viriam para levá-la de volta e eu as impedi porque não tinha interesse em sua integridade!

Mesmo sem entender o que ele queria dizer com aquilo, Regina se sente ultrajada pelo descaso do pirata.

— Depois de pensar melhor, decidi que você deveria ter uma chance! Mas devo ter enganado a mim mesmo! Talvez todos fiquem melhor se você for mesmo transformada em Fera e ficar à mercê de qualquer que quiser invadir seu reino!

— Sei que é inaceitável o que ocorreu...

— Inaceitável, sua imbecil! Você quase matou Dashiel! Eu me importo com ele, porque perdi meu único amigo Robin e não vou perder Dashiel! Será que todos somos tão mesquinhos a ponto de não conseguirmos o ingrediente básico para nossa volta para casa??

Regina não se mostra constrangida, embora seu coração estivesse apertado com a mera ideia de quase ter provocado a morte de seu consorte. Logo depois de uma noite tão linda, sua irracionalidade causara dano ao homem que estava suavizando sua alma.

— E quanto a você, Verena? O que estava querendo provar com aquela luta? Não temos inimigos neste reino e nem neste castelo!! – num ato de fúria, Killian arranca o gancho e o crava na mesa. Em seguida, surge com duas mãos como antes de ser mutilado por Gold. – Saibam, senhoras, que quando uma maldição não é quebrada, o caos é instaurado e a demência transforma a todos em monstros! Ninguém saberá quem é humano ou quem é vampiro canibal! Todos irão devorar-se! Será que agora está esclarecida a necessidade de quebrarmos esta maldição antes de irmos embora?? O caos não ficará restrito a este reino! Ele se insaturado em todos os reinos saídos dos contos de fadas!! Monstros comendo pessoas, pessoas comendo monstros, e pessoas destroçando pessoas!

Zelena cobre os olhos com uma das mãos. Seu estômago revira-se e ela sente aboca encher-se de água. Estava impactada pela informação que desconhecia.

— Quando um Dark One ensina maldições para seus pupilos, ele nunca explica que tudo é parte da engrenagem para que as trevas cubram todos os reinos! E caso isso aconteça aqui, não haverá vencidos ou vencedores! Todos nós seremos perdedores comedores de miolos cerebrais!!

Silêncio entre as pessoas na sala. André não conseguia mover-se, tamanho pavor que dominava sua alma e seus movimentos. Nem mesmo o convívio diário com o surrealismo daquele castelo, tinha conseguido provocar tamanho horror.

— Olhem para todos nós! Somos pessoas cheia de nada! Nossos corações estão vazios de bons sentimentos e piedade! Por que achamos que somos melhores do que a Fera que está dentro de Regina ou daquelas criaturas que nos atacaram na floresta? O que nos faz melhores que elas? Nada! Somos seres abjetos que sequer temos a capacidade de amar uns aos outros!

Robin ouve as últimas palavras do pai e levanta-se do soalho onda estava sentado ao lado do Cupido. Corre para os braços do pirata, abraça-o pela cintura e o toma de assalto pela atitude. Esconde o rostinho na barriga dele e sente as mãos dele se fecharem em suas costas. Depois, ela levanta o queixo e sorri, derramando brilhos dourados e vivos por toda a sala.

— Eu amo você.

Em poucas vezes em sua vida intempestiva, o pirata havia chorado. E naquele momento, as lágrimas sobem aos seus olhos com tanta facilidade que não podem ser contidas. Surgem quentes e poderosas, rolando pelo seu rosto como se fossem uma cascata cristalina e salgada. Era um choro sentido e dolorido.

Como se fosse um combinado sem palavras, em poucos segundos todos estão chorando também. Choros envergonhados de reconhecimento da mesquinhez. Exceto por Dashiel que não estava li, todos choram, inclusive a pequena estátua rechonchuda. O Cupido percebe que nunca tivera utilidade naquele lugar onírico.

Mais tarde, com a alma mais cheia de coragem, Regina entra no quarto onde Dashiel havia sido levado depois de ter o corpo restaurado nas águas medicinais da fonte. Ela o encontra deitado na cama, com um aspecto saudável e ouvindo atentamente alguma coisa que uma das serviçais lhe falava.

— Deixe-nos a sós, por favor.

A jovem quase salta da própria pele e teria atravessado a parede, caso tivesse força o suficiente. Praticamente sai correndo do quarto e nem percebe que a Rainha havia pedido “por favor”.

— Como você se sente, amado meu?

— Como se uma fera tivesse rasgado meu peito, mais uma vez.

— Peço desculpas pela minha insanidade...

— É isso que devo esperar de nosso convívio, Regina? Uma noite prazerosa com a Rainha e um dia sendo talhado pelas garras da Fera? Esta é a minha condenação?

— Eu fiquei encegueirada pelo ódio, quando Verena me disse que viera ao reino apenas para levar você de meus braços. Tive tanto medo de perder você que...

— Quase perdeu a si mesma, Regina. Você se transformou numa Mandícore sem a cauda de escorpião. É assim que consigo definir o que eu vi naquele jardim.

Ela abaixa a cabeça e brinca com os dedos.

— O Capitão nos fez enxergar que somos prisioneiros de nossa falta de amor.

— Em outras palavras: somos mortos vivos. As pessoas não morrem quando deixam de viver, mas quando deixam de amar. E estamos todos enterrados vivos neste castelo, porque não há nenhum vestígio de amor aqui dentro. Seremos massacrados quando vieram caçar você, porque não haverá segregação. Pois, todos nós somos feras, agora.