Meu estranho amor 2

13 Conselhos, bons conselhos


Johnathon assopra a vela que representava seu terceiro ano de vida. Bate palmas e sorri para os pais, orgulhosos pela independência do menino.

Durante a festa organizada no rancho da família, várias crianças convidadas corriam em todas as direções e faziam a sonoplastia animada daquele evento colorido.

— Ele está cada vez mais lindo! – Mary sorri e ajuda sua filha Anna a comer mais um pedaço do bolo.

— Vocês capricharam na produção. — Killian comenta sem pudores, sendo repreendido por um olhar rápido de David. Percebe, sorri e ergue o polegar. – Anna também é linda!

— Você não quer ter filhinho também, Zelena? – George segura a mão da filha. – Uma menininha ruiva!

Zelena nega com a cabeça e quase se engasga com a cerveja.

— Não! A produção aqui está muito veloz, embora eu pudesse aproveitar que o Amintas ainda está solteiro!

Todos os adultos que estavam na mesa começam a rir, inclusive Regina e Amintas.

— Aproveite a liquidação, enquanto pode. – Killian fala e provoca um silêncio súbito.

— O que você está sabendo? – Cora se interessa. – Juliette está por perto?

Batendo três vezes sobre a mesa, Killian refuta a pergunta. Gesticula como se estivesse apagando seu comentário. Troca um olhar rápido com Regina, mas que não passa despercebido pelos olhos ligeiros do ex-policial.

— Emma, não pretende ter um bebezinho? – George insiste em querer mais crianças na família.

— Primeiro quero terminar meu mestrado. Depois providenciaremos mais netos para o senhor.

Todos aplaudem festivos. Amintas mantém o olhar vigilante sobre Regina e Killian, percebendo que alguma nuvem estava pairando sobre aquelas duas cabeças ocas. Embala a filha nos braços, mas não se distrai da cumplicidade daqueles dois. Pólvora e fagulha, juntos para alguma explosão.

E a festa continua animada, com muita dança e brincadeiras para os pequenos convidados. Orville tinha feito uma rápida aparição e não se demorado devido a uma viagem para fora do país em negócios. Recebido de forma familiar e protetora, ele se sente ainda mais acolhido por aquele grupo singular. Era sua nova família e seus novos amigos, de fato. Estava mesmo acolhido, embora ainda sofresse pela perda de seus amores, mesmo não os tendo conseguido em seus braços.

Lá pelas tantas, os pais dos pequenos convidados começam a chegar para a busca de seus filhotes bravos e relutantes em partir. Mas era tarde e a festa estava no fim. Tendo saído e deixado somente os membros da família de Regina, um jantar é servido para todos os adultos, incluindo funcionários e músicos.

O clima festivo sofre uma modificação, tornando-se mais suave e adulto. Quem tinha seu par, vai para a pista de dança e curte as músicas ao vivo. Quem estava desacompanhado, esperava um par desocupar o parceiro. E tudo ficava bem.

Um tempo depois, Killian se ausenta e quando retorna está acompanhado por dois homens desconhecidos e sorridentes. Regina entrega Amintas para dançar com Zelena e dirige-se para os recém-chegados, começando a conversar com eles sob o olhar atento de Killian. De fato alguma explosão iria acontecer.

Sorrindo, ela caminha até os músicos e eles param de tocar, atendendo um pedido dela. Apanhando o microfone, Regina se volta para sua família e mantém o sorriso mais maroto que conseguia exibir. Sim! A explosão iria acontecer naquele momento!

— Quero agradecer a todos vocês, pela proteção e cuidados que têm sido colocados em torno de minha filha e de mim. Obrigada mãe, pai, irmãs e meus amigos. Quem poderia dizer que um assalto a banco iria proporcionar tantas mudanças em minha vida, inclusive a maturidade de uma maternidade.

— Maternidade sim, mas maturidade...- Cora fala baixo, mas é ouvida.

— Eu ouvi isso! – Regina alarga o sorriso e inspira profundamente. Vê Killian gesticular e sente fortalecida. – É o momento mais louco de minha vida, depois do nascimento de Melina e quero que saibam que vai ser feito com muito amor.

Zelena se aproxima dela, entrega uma caixinha escura aveludada e recebe o microfone em suas mãos. Acompanha a irmã que caminha até Amintas, mantendo o microfone junto à sua boca.

— Obrigada, Amintas, por ter atendido o chamado de Killian e ter vindo negociar com ele naquele pseudo assalto ao banco. Obrigada por entrar em minha vida e por ter me presenteado com o meu bem mais precioso. Obrigada por seu amor e por jamais ter desistido de mim. – ela se apoia sobre um dos joelhos e abre a pequena caixa, exibindo um belo par de alianças. – Amintas Gabriel Rochut, você quer se casar comigo esta noite?

Incrédulo e encantado pela coragem da mulher em expor-se tanto, Amintas apenas consegue cobrir a bocarra com uma das mãos em concha. A explosão tinha acontecido de fato!

— Claro que eu aceito! E sem hesitar! – ele estende a mão e sorri ao ver Regina proteger seu dedo com um dos anéis. Apanha a aliança dela e faz o mesmo com a mulher.

Uma correria se instaura naquela pista de dança. Funcionários providenciam uma mesa saída de algum ponto desconhecido e a colocam no centro da pista, cobrindo-a com uma toalha rendada e dois vasos com flores. Os dois homens desconhecidos correm para trás da mesa e depositam um livro preto aberto sobre o móvel, junto com uma caneta prateada. Unem as mãos diante de suas barrigas e sorriem, aguardando orientações. Mary e David se aviam e ficam em pé do lado de Regina, que se levanta a assume uma posição oposta aos homens de roupas elegantes e escuras. Emma e Killian se aproximam e ficam ao lado de Amintas, sorridentes e excitados, enquanto os demais adultos rodeiam a mesa. Cora providencia um lenço tirado do terno do marido e prepara-o para a hora do choro.

— Pelo poder a mim instituído pelas leis da nossa comarca, dou inicio ao casamento civil de Regina Mills e Amintas Rochut! – um dos homens dirige-se para Regina e sorri. – Todo o discurso já é bem conhecido, então, vamos “aos finalmentes”: Regina, você aceita Amintas como seu esposo para tudo o que já sabe o que vai acontecer?

— Sim! Continue mais rápido!

— Amintas, você aceita Regina como sua esposa e já sabemos que sim! Então, pelo poder a mim concedido, declaro que se é para a felicidade geral da nação, vocês estão casados perante a lei do nosso país! E antes que vá beijar ou brigar com a noiva, assine aqui!

Atordoado, Amintas começa a rir. Não estava acreditando que o juiz estava apontando aquela caneta em sua direção, como se fosse uma arma. Ainda rindo, apanha a caneta e inclina-se para assinar o livro. Depois, entrega a caneta para Regina que não ousa titubear e assina no local indicado. Era a situação mais patética que havia vivido, depois dos arroubos de falsa paixão de Killian ou mesmo das presepadas de Regina naquele constante vai e volta.

— Afirmo que esta cerimônia é legal, correta e todos os trâmites foram seguidos à risca. Além disso, ninguém está sendo forçado a casar-se, certo? Portanto, agora sim, pode beijar a noiva...a esposa, quero dizer! Vá, Regina, avance também!

Um beijo apaixonado é trocado e todos aplaudem ao mesmo tempo. Para completar a legalidade da cerimônia, os respectivos padrinhos também deixam as suas firmas registradas no livro do cartório.

Casado em questão de segundos? Sem tempo para reflexão ou questionamentos? O que mais faltava acontecer em sua vida, depois de ter conhecido Regina e Killian? O que mais precisava acontecer em sua vida, para provocar alguma surpresa? Um OVNI pousar no jardim do rancho com pequenos ETS pedindo coordenadas para seu planeta! E ainda incrédulo, gargalhando, Amintas abraça Regina e transmite para ela, a maior força que havia dentro de sua alma: o seu amor verdadeiro. Um amor resistente e real, nascido pela primeira troca de olhares naquele banco, durante aquele assalto que não existiu.

Ele estende o braço e exige a presença de Killian, agradecendo-o pela sua total insanidade em ter trazido Regina para dentro de sua vida e de sua alma. Abraçam-se os três e aos poucos um a um dos familiares vai aproximando-se para o abraço coletivo, no centro da pista.

E é isso!

FIM.

Notas finais
Obrigado a quem destinou tempo para ler esta história. Beijos mil! Edu
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!