Meu estranho amor 2

9 A festa não tem fim


O Senador confirma com um movimento de cabeça.

— Ficamos a manhã toda após o resgate, num dos quartos da fazenda. Íamos dormir, mas não tivemos tempo. Mas depois do almoço, Regina viu Orville e apaixonou-se imediatamente.

— E quem não se apaixonaria, seu cretino presunçoso?? Olhe para ele! Para ela, sei lá!!

— Quem tivesse o mínimo de respeito pelo parceiro. Você me raptou, concordou em forjar defeito no helicóptero, ficou horas caminhando como se estivesse perdida, fez sexo comigo por horas, declarou seu amor e quando viu Orville...ficou amnésica.

— Vocês ficaram uma manhã inteira fazendo sexo? Que disposição, hein? E o filho não é seu? – George arrisca a pergunta.

— Eu sou a dona do corpo!! – Regina explode e começa a chorar ruidosamente. – Não estou grávida!! Eu sou uma mulher desregulada!

— Mentalmente, você é mesmo. Alguém aqui consegue entender o seu comportamento? A sua tara é impedir que eu seja feliz, mesmo que tenha de simular um rapto e uma reconciliação. E eu, por amor a você, traí minha noiva. Penso que já fui bem castigado por este ato.

Todos olham para Regina e aguardam uma resposta. Mas ela apenas grita e chora.

— Já fez o teste de gravidez? – pergunta Zelena.

— E precisa?? Eu sou leigo nesse assunto e já percebi as mudanças no corpo dela! Olhem o tamanho dos peitos dela! Está parecendo uma atriz pornô!! – Killian joga mais uma pérola. –Olhem os contornos! Conseguiu ficar mais bonita que Mary!

Mary enrubesce e sorri. Troca um olhar divertido com Zelena.

— Não precisamos de testes para saber isso. Sou mãe e posso afirmar que ela está grávida. E mais uma vez estamos discutindo esse mesmo assunto, tendo o mesmo pai como denominador comum. – Cora encara Amintas outra vez.

— Pode mesmo afirmar que sou o pai deste bebê? Eu amaria que fosse verdade, mas somente Regina pode afirmar quem foi o felizardo. Afinal de contas, ela vive em sua própria comunidade matriarcal e pode escolher com quem quer passar cada uma das noites.

Furiosa, Regina salta por cima de um sofá e iria acertar um soco em Amintas, se o homem não fosse mais rápido que ela e não a detivesse. Ela se desvencilha e afasta-se dele, embora tudo o que realmente desejasse, era ficar naqueles braços fortes.

— Eu fiquei apaixonada por Orville, no primeiro instante que o vi!! – ela grita e descabela-se. – Nutri a paixão, embora continuasse amando Amintas!! Mas Amintas não era mais novidade em minha vida!!

— Aí você abandonou um menino com coisinhas, ou coisas grandes, para correr atrás de um menino sem coisinhas, que não é um menino de verdade, e acabou sendo agarrada pela irmã do menino sem coisinhas. História bem maluca!!

Regina começa a rir pela raiva. Larga-se no sofá e Mary vai sentar-se ao lado dela, acariciando-lhe suas costas.

— Você entende, não é? – Regina fala chorosa para a irmã. – Amintas é delicioso demais!!

Todos os olhares se voltam para o Senador, rubro pela vergonha.

— Com tanta propaganda, vou querer ter um filho dele também. – George vai para um canto em busca de uma bebida. Mas somente encontra refrigerante.

— Vamos fazer o teste de paternidade? Temos o tal jornalista que trabalha em sua revista e há Amintas...há mais alguém? – Cora não se altera.

— Não precisa. – Regina recomeça a chorar. – Eu não me protegi somente com Amintas! Ele é o pai do meu filho!

— E eu sou o padrinho. – Orville sorri orgulhoso e paciente.

— O padrinho sou eu. No máximo, você será a madrinha, se chegar antes de Mary e Zelena. – Killian não perdoa.

Orville sorri e vai ajoelhar-se diante de Regina. Segura e beija as mãos dela.

— Eu estarei o tempo todo ao seu lado, minha amiga amada. Saiba que serei um companheiro fiel e amoroso. Sei que Amintas assumirá a paternidade, mas caso ele se recuse, eu farei com todo meu amor.

— Não o elegi meu representante, Orville. Isso foi indelicadeza de sua parte. Deduzo que agora que Regina assumiu a gravidez, ela e eu temos de conversar a sós.

Momentos depois, todos fora da sala. Amintas se senta no mesmo sofá e observa Regina enxugar as lágrimas que encharcavam seu rosto.

— Isso deve ser uma tortura para você, não é? Estar grávida de um homem que não é mais novidade em sua vida. Seu brinquedo novo quebrou-se e agora terá de brincar com aquele que foi desprezado num canto qualquer.

— Vá à merda! Eu falei que estava grávida, apenas para que me deixassem em paz!

— Então, nossa conversa acaba por aqui? E se em mais alguns meses, o seu abdômen começar a crescer junto com um feto, deverei solicitar a guarda desta criança que não existe?

Derrotada, Regina cobre os olhos com uma das mãos.

— Não sei como agir...

— Não precisa fazer nada, além de cuidar-se muito bem nos próximos meses. Eu pedirei a guarda e cuidarei do nosso filho com todo o amor que tenho em meu coração. Serei o mesmo ótimo pai que sou para Johnathon. Você não terá problemas depois do nascimento, e continuará sua vida louca, com seus diversos amantes nacionais e estrangeiros. Apenas peço que não se esqueça dele ou dela, como fazem os pais que não querem casamento.

— E quem está falando em casamento, Amintas? Mesmo que me peça, eu me recusarei.

— Não estou pedindo você em casamento, porque respeito a sua paixão devastadora por um transexual. Orville é de fato uma pessoa maravilhosa e merece receber essa paixão que você sente. Talvez ele seja uma pessoa bastante eclética na cama e você nem perceberá a diferença. E ainda você será bem desejada por Miranda.

Rápida como sempre, Regina acerta um cruzado de esquerda no rosto de Amintas. Ele cai sentado no chão, massageando o lugar atingido.

— Já lhe mandei à merda! O que está fazendo aqui ainda? Ria, esta foi a piada mais engraçada de todas!

— Eu não riria da mulher que amo, a menos que ela risse comigo. – o Senador levanta-se. – Caso não tenha certeza sobre a paternidade, eu não me refutarei a fazer o teste. Apenas não sei se o saguão do laboratório será suficientemente grande para receber todos os supostos pais. Mas poderemos alugar um ginásio...

— Desgraçado!! Saia daqui, infeliz!! Está contente??- ela grita furiosa. – Essa foi sua vingança para punir-me das vezes em que o repudiei??

Amintas alarga o sorriso e torna sua boca ainda maior.

— Não. Este é o presente que os Céus me deram, por eu ter perdido a única família que tive. Leminsky se foi, mas meu filho está chegando. Não tive tempo de ficar chorando e sofrer pela tristeza. Perdi Charlote, perdi minha noiva, perdi a mulher que amo, perdi minha mãe, mas ganharei outro filho. E ainda tenho chances de ficar com ele, somente para mim...estou feliz, apesar de tudo.

Levantando os olhos, Regina o fuzila com suas pérolas castanhas. Ela o estava odiando naquele momento e temia continuar odiando no próximo milênio.

— Vá embora, Amintas, antes que eu...

— Assuma que me ama?

— Você já sabe que é pai...o que precisa saber mais?

— Quero saber sobre a intensidade do seu amor por mim. Sei de suas paixões, mas e do seu amor? A quem ele pertence? Para ser dominadora e uma rainha, não precisa conquistar um homem diferente em todos os dias...conquiste o mesmo homem em cada um dos seus amanheceres. E você sabe que este homem sou eu.

Amintas caminha para a porta e quando a abre, uma avalanche de pessoas se desequilibra. Killian é o primeiro cair aos seus pés, e Cora, logo trás consegue se conter, enquanto que os demais ficam estáticos, aguardando a reação do casal.