Notas iniciais
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Onde estou?

É o que todos se perguntam, isso não poderia ser diferente com aquele pequeno querubim de cachos platinados. A garota estava sozinha, perdida, solitária naquele vasto mundo sem cores.

Estou sozinha?

Sim, ela estava seguindo os mesmos passos que todos os outros, entediante. Sua aparência angelical merecia ser fitada por todos, aplaudida, renomada, mas estava aqui; sozinha, inconscientemente buscando por alguém para dividir seu medo.

—Tem alguém aí?

Chama pela primeira vez, levantando-se com cuidado do chão que não se diferenciava das paredes; com o movimento, pequenos globos luminosos e amarelados levitam à sua volta, eram pequenos e delicados, como aquela jovem dama. Seu vestido é belo como de rainhas inglesas, volumoso e enfeitado, se tornando um tanto pesado para a garota.

—Quem é você?

Oh, já notou-me, geralmente demoram um tempo para me perceber. Em um mundo completamente branco, sem quaisquer discrepâncias entre longe e perto, nossa sombra pode se tornar um abrigo, pois sempre está conosco. Pois é isso que sou. Saio de onde fingia ser a sombra do pequeno querubim, sem tomar uma forma concreta, sou o escuro, posso me moldar de qualquer maneira.

—Sou quem quiser que eu seja, um amigo...

Minhas sombras tomam a forma de um garotinho que a pequena menina já conhecera e dividira seus segredos.

—Um parente...

Me moldo como aquele que lhe carregara quando pequena, aquele que lhe era um exemplo de aconchego e proteção.

—Um amor...

Estranhamente minhas sombras não formam nada, permaneço em minha forma instável, busco nas memórias da garota, não havia nenhum amor. Na breve vida do querubim, nunca conhecera o que é amar.

—Um amor? Sim, um amor seria bom.

Garota ousada, aparentemente apenas seu rosto é angelical. Poucas vezes vinham até mim sem nunca ter amado; mas quando acontece, é sempre divertido.

—Pois bem, teve alguém que já 'quase amou?

A pequena parece pensar por uns instantes, seus olhos fitavam os próprios pés.

—Não.

Uma resposta bem simples, trágica, irritante. Isso aumentaria meu trabalho.

—Onde estava antes de chegar aqui, minha pequena?

A garota em nenhum momento pareceu me temer, estranho. Sem graça.

—Um baile, o lorde a quem fui predestinada não compareceu...

Finalmente seus olhos ganham alguma melancolia, os outros costumam estar gritando e chorando a essa hora, esse lugar costuma enlouquecer aqueles de mente fraca.

—Entendo, então é isso, querubim.

Assumo a forma de um jovem rapaz, poucos anos mais velho que a garota à minha frente, com uma reverência e um gesto de mão, a chamo para uma dança. Sua última dança. Aquela que seria minha dama essa noite aceita meu pedido, uma de suas mãos desliza para meu ombro enquanto a outra segura minha palma esquerda, fazendo-me levar a direita a seu quadril.

Uma melodia calma começa a tocar, minhas sombras formam um piano negro, que tocaria por toda a noite sem um pianista.

—Não me respondeu.

Pela primeira vez me senti desentendido.

—Desculpe, o quê?

—Eu perguntei, lembra: quem é você?

Com um sorriso no rosto repondo o mesmo de sempre.

—Quem quiser que eu seja.

A garota parece pensar novamente, enquanto nossos pés se movem com uma leveza notável, parecíamos flutuar alguns centímetros acima do chão.

—Então, você não é ninguém.

Uma fala, de repente uma fala de uma garotinha me deixa completamente sem resposta, a raiva, há muito desconhecia a raiva, mas demonstra-la é uma grosseria.

—Lamento, o quê disse?

Meus olhos brancos a fitavam de forma profunda, seus olhos negros me encaravam impassíveis, sem qualquer emoção.

—Disse-me que é quem eu quiser que seja, mas quero que seja quem você é. Logo você não é ninguém.

Ódio. Por que essa garotinha não me teme? Todos temem a mim. Mas ela está aqui brincando e tirando sarro daquele que vai levá-la embora.

—Eu sou tudo, sou único, sou o dono deste lugar, sou todos aqueles que você já conheceu, e todos que poderia ter conhecido, tudo aquilo que qualquer um pode desejar.

Uma resposta perfeita, ela não poderia dizer algo para me abalar, tenho milhões de anos a mais que ela, nunca perderia em uma discussão.

—Menos o que eu posso desejar.

Sinto a raiva me subir à cabeça, minhas unhas crescem e se tornam afiadas, não havia mal algum levá-la antes de terminar a dança...

—Mas está dançando comigo,

Ela se aproxima ainda mais de mim, me deixando desentendido.

—e essa noite eu dançaria com meu amor, então, acho que vou chamá-lo assim.

Meus pés simplesmente param de dançar, essa garota é estranha. Percebeu quem sou, mas ainda assim não demonstra temer o que virá por acontecer.

—Diga-me, quando terei de partir?

Abro um curto sorriso, de fato seria interessante fazê-la terminar seu ciclo.

—Quando finalmente sentir amor.

Pela primeira vez, uma gargalhada forçada, percebo que ela apenas estava brincando com a situação.

—Teremos então uma longa noite, meu cavalheiro sem luz.

Notas finais
OBRIGADA A QUEM LEU! Quaisquer crítica construtiva será bem aceita! Por favor, comente o que achou.
Aponte qualquer erro, o cap foi revisado mas posso ter deixado escapar um errinho ou outro...
Obrigada por ler!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!