Meu anjo da guarda

1 Capítulo Único - Angel


Notas iniciais
Essa one-shot é minha primeira fic aqui no site. Ela foi escrita quando precisei fazer um texto para um concurso na escola. Acabou que fiquei em segundo lugar, e espero realmente que gostem :3 Boa leitura!

Acabo de me deitar em minha cama, e assim que encosto a cabeça no travesseiro a única coisa em que consigo pensar é no tal CD que ele me deu antes de que tudo acontece-se. Para falar a verdade, faz um bom tempo que eu não escuto esse CD, justamente por me lembrar de tudo o que nós vivemos. Aliás, de uns tempos para cá não paro de pensar nele e em toda a desgraça e confusão que aconteceu.

Coloco o CD para tocar no meu tocador. A música se chama Angels do Robbie Williams. Sempre que a ouço — lá uma vez ou outra — me arrepio dos pés a cabeça, e como esta é a única música que contém no CD ela sempre repete quando termina, o que me causa grande agonia porque sei que agora ele não estará aqui para me proteger mais. As vezes penso que essa música foi feita para nós dois, ele sempre me ajudou e me protegeu, mesmo que na época eu só o tenha rejeitado.

Como eu já me encontrava deitada na cama, rapidamente peguei no sono, só que o que eu não esperava aconteceu. Sonhei com ele. Depois de tanto tempo ele voltou a invadir os meus sonhos.Na verdade isso não foi um sonho, foi basicamente a minha volta ao meu passado e as minhas lembranças que eu imaginava estarem guardadas no fundo do baú. Fui levada de volta ao meu passado, mas precisamente a um ano atrás.

Era uma linda tarde de domingo, eu me encontrava no jardim da casa de meus avós. No dia anterior eu tinha levado um tremendo de um choque, Percy tinha me ligado, agitado e nervoso, chegava até mesmo a gaguejar,me contou que me amava, ou melhor, que sempre me amou. Por isso eu já esperava, mas não pensava que ele iria dizer o quanto sofria por mim nunca tê-lo amado e por nunca tê-lo dado a chance de se aproximar de mim. Me dei conta de todo o mau que tinha causado a Percy, e com a ajuda das palavras dele me dizendo que eu o havia ferido de tal maneira que ele precisou de ajuda psicológica para que não atingisse o fundo do poço. Percebi que eu realmente não queria ser a causadora de todo o seu sofrimento, e ali no telefone com ele, chorei como uma criança pedindo perdão por todo mal que eu havia causado a ele. Como resposta Percy perguntou se poderia me encontrar no dia seguinte, e eu topei. E bom, é isso o que estava fazendo no jardim... esperando por ele.

Estava anoitecendo quando Percy resolveu aparecer. Ele era bonito, apesar de eu nunca ter reparado muito bem em seus atributos masculinos. Ele tinha os olhos claros, assim como a sua pele, mas o cabelo era escuro puxado para o preto. Nas mãos ele trazia uma tulipa, não sei como, mas ele acertou em cheio. Eu sempre fui apaixonada por tulipas. Conversamos bastante, e ele disse que tinha algo sério para me contar, só que eu acabei o interrompendo, pois precisava muito que ele me perdoasse. Na hora ele respondeu que sim, me perdoava, mas lá no fundo eu percebi que não era bem assim, pois como pode uma pessoa perdoar outra de uma hora para outra? Eu não esquentei muito com isso, queria saber mais sobre aquela pessoa que sempre fez de tudo por mim. Conversamos mais um pouco, até que ele disse que precisava ir, pois já era bem tarde, mas me prometeu que no dia seguinte nos veríamos novamente. Ele ainda disse que estava feliz por termos nos tornado amigos. Eu também estava feliz e respondi com um sorriso sincero e um abraço apertado.

A partir daquele dia passamos a nos encontrar cada vez mais, todos os dias ficávamos juntos, nos divertíamos por horas passeando pelos melhores lugares da nossa cidade. Conheci muito mais sobre ele e vice-versa. Cada minuto, cada hora, e cada dia que passava eu ficava arrependida por não ter dado a ele a chance de se aproximar de mim.

Na quarta pela manhã eu precisei viajar para uma cidade vizinha a que eu morava, tinha umas coisas pendentes para tratar por lá. Quando voltei fui direto para a casa de meus avós, naquele dia eu ainda não tinha falado com o Percy, mas quando cheguei lá recebi a notícia de que ele tinha sido levado para um hospital o mais depressa possível, e precisou ser internado. Ele se encontrava em estado grave. Peguei rapidamente uma coisa que eu precisava dá-lo e sai dali o mais depressa possível.

Quando cheguei ao hospital fui logo falar com a mãe do Percy. A Senhora Jackson sempre foi de poucas palavras comigo, pois sabia de tudo o que eu havia feito com o filho dela, só que naquele dia, ela reagiu de outra maneira. Me cumprimentou com um sorriso triste, mas que eu pude perceber que era sincero. Ela me disse que o Percy já havia me chamado por duas vezes, e que por estar muito fraco por causa do câncer dormia praticamente de dez em dez minutos. Não acreditei quando ela me contou da doença do filho, e também não sabia qual foi a razão do Percy não ter me contado sobre isso antes.Assim que seus tios saíram do quarto eu entrei para vê-lo e sinceramente, quando o olhei estirado na cama, minhas pernas fraquejaram. Eu me perguntava onde estava o Percy alegre e sorridente que eu conhecia, mas cheguei a conclusão de que esse Percy estava sendo levado pela doença.

Fiquei parada na porta esperando que ele notasse a minha presença. Ele se virou e me encarou por longos segundos, daí vi um sorriso triste no canto de sua boca. Não aguentei mais, minhas lágrimas começaram a inundar o meu rosto, eu não conseguia me segurar em pé, até que me encostei na cama e segurei a sua mão.

– Não chora... por favor! – Ele me pediu.

– P-por que... por que não me contou sobre isso antes? – Dessa vez eu o perguntei.

– Não queria que ficasse assustada por minha causa, Anne.

–Percy, você tinha que ter me contado! – Disse como se fosse óbvio.

– Eu sei, eu sei. – Ele levantou a sua mão que se encontrava com o soro em sua veia e acariciou o meu rosto.

– Há quanto tempo você descobriu que estava doente? – Eu o perguntei.

– Há sete meses.

– E não tem medo? – Eu acariciei a sua mão na frustrante tentativa de aquecê-la.

– Medo de que? Da morte? – Eu assenti. – Não, essa é a realidade do mundo todo. Mais cedo ou mais tarde todos iremos morrer.

Eu comecei a pensar em como seria a minha vida sem ele. Mesmo que não tivesse muito tempo desde que nos aproximamos, eu já havia me acostumado com ele todos os dias me acordando com uma mensagem, ou então, me surpreendendo com outras surpresas ao longo do dia.

– Annabeth, sabe, eu não sei se eu sairei bem desse hospital, mas quero te dar algo. – Ele disse com um pouco de dificuldade, ficando mais fraco ainda.

Então eu assenti e ele me pediu para que pegasse uma sacolinha que se encontrava em um pequeno móvel ao seu lado. Ele disse que era para mim, mas quando abri a sacolinha encontrei um CD, e bom, achei um presente um pouco estranho.

– Ali naquele móvel tem um pequeno aparelho de som, pegue-o e coloque o CD para tocar.

Eu fiz o que ele pediu, e quando escutei a canção não acreditei. Há dois dias atrás ele havia me falado sobre essa canção e disse que parecia que ela tinha sido feita para nós. Eu sempre fui apaixonada por essa música, e quando fechava os olhos para senti-la sempre pensava no amor verdadeiro.

– Você sabe que eu amo essa canção, não sei porque, mas sempre quando a escuto lembro de você, ou melhor, de nós. — Eu disse sentindo um aperto nocoração.

– E através disso tudo, ela me oferece proteção, muito amor e afeição,esteja eu certo ou errado. — Ele repetiu alguns versos do refrão da música com os olhos marejados e a voz baixa, quase inaudível.

– Esteja eu certo ou errado. – Eu repeti novamente. Me virei para ele, dei um beijo molhado em sua bochecha e o agradeci pelo presente. Passei minha mão na dele e deixei uma correntinha para que ele se lembrasse de mim.

– Te adoro! – Eu disse enquanto fazia um cafuné em sua cabeça.

– Eu te amo! – Ele me respondeu. Nossos olhares se encontraram, e eu chorei mais ainda por perceber que eu nunca fui merecedora desse amor. Nesse momento, uma enfermeira me dirigiu a palavra dizendo que eu precisava sair do quarto pois o horário de visitas já tinha terminado. Eu dei um abraço apertado nele, e o ouvi sussurrar no meu ouvido. -Você é o meu anjo, não sinto rancor de você. Sinto amor, não me esqueça nunca.

Assim que eu sai do quarto de Percy, acordei. Sentei na cama e meus olhos se encheram de lágrimas. Hoje fazia um ano e seis meses desde que ele tinha deixado a terra para ir para um lugar melhor. E sinceramente, eu não acredito que eu tenha sido o seu anjinho, mas tenho certeza de que ele foi e sempre será o meu. A música ainda continuava tocando, bem baixinho. Me levantei e abri a janela, olhei para o céu, e vi um conjunto de estrelas que formavam um anjo, naquele momento pensei que aquele conjunto representava o Percy, o meu anjo da guarda.

Notas finais
Bom, é isso. Eu espero que tenham gostado. Penso sim em dar uma continuação nessa vida de escritora de fic's. Seria ótimo se vocês comentassem sinceramente o que acharam, e recomendassem também, porque isso realmente ajuda à escrever alguma outra coisa. Então é bem provável que nos encontremos em um futuro próximo. Obrigada por ler. Mil beijos!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!