Meu amor veste Dior.
3 Escrever, escrever, escrever...
Assim que Maura saiu, eu comecei a ver as fotos que ela havia deixado em minha mesa, eram datadas, e era do dia anterior, supostamente no desfile que ela abriria. E era um desfile de biquínis, e logo as primeiras fotos eram de Maura, num biquíni verde fluorescente sem estampas. Seu corpo era esbelto, ela não era do tipo magricela, Maura tinha um belo corpo, coxas torneadas, seios relativamente fartos e pelo visto não havia silicone (o que é raro com essas modelos, porque algumas são tábuas mesmo) e garanto a vocês que eu não sou tábua ok? Mas voltando ao assunto, eu estava acho que quase, quase que babando nas fotos de Maura. Eu devia ter passado no mínimo dez minutos admirando as fotos dela, então lembrei que eu tinha que começar a coluna para a edição, e comecei a pensar no que eu escreveria.
“A moda é a peculiaridade singular da vida. Está presente em todos, ou em quase todos. A tendência muda conforme o dia, conforme o clima, conforme o mês, conforme o ano... alguns fazem a junção de peças: aquela calça desbotada com o aquela camiseta nova, com uma sapatilha. O óculos de sol é importante, um detalhe que faz o look ter aquele tchan de vintage, o batom vermelho nos lábios... para os rapazes adeptos à moda, suas barbas por fazer é um grande tchan para as mulheres de Nova York. Tem aqueles que não estão nenhum pouco dando à mínima para a moda, vestem-se conforme lhes parecer bem; o que pode ser, para alguns que estão olhando um tanto quanto ofensivo, para outros não tão assim, normal, para o próprio que está usando é o confortável que está ótimo assim. O natural, o normal... A verdade é que a moda está em cada um de nós, a moda é você quem faz. Cada um tem a sua moda, a sua maneira de vestir-se bem, de sentir-se bem. O fato, o ponto crucial é: até que ponto o modismo tendencial das roupas fashion pode estar nos influenciando? Moda é sentir-se bem, é vestir-se bem à maneira em que sua disposição pede para sentir. Tem vezes que nós queremos apenas sair com um short, camisa de manga fina e um chinelo havaianas no pé e ir às compras como qualquer outra pessoa normal. Saímos elegantes, e voltamos fadigados no fim do dia, apenas querendo jogar os sapatos para o alto e tirar aquela roupa que está nos incomodando. Deixo aqui uma dica: a tendência ela passa, mas a sua imagem, a imagem de você mesmo que está lendo esta coluna, sua imagem fica, e causar uma boa impressão é sempre o primordial. Vista-se bem, sinta-se à vontade. Mas nunca passe dos limites do aceitável. Eu estava em uma conversa com uma colega e ela disse-me “Jane, você nunca foi apegada a essas coisas de moda, o seu estilo casual chama a atenção de todo mundo, e você não percebe” sabem o que isso quer dizer? Quer dizer que do mesmo jeito que o extravagante chama a atenção, o simples e casual também chama. A mulher tem que ser sensual sem ser vulgar, tem que esbanjar beleza sem perceber, tem que sorrir mais, tem que saber andar com leveza e levar as tarefas do dia a dia com a sutileza e leveza de uma brisa suave. Saber que a moda ela não agride às vistas. É saber que é para aquele momento, e que depois, bom, depois virá novas tendências, novas cores, novas estampas, novas coleções, novos desfiles, novas roupas, novos sapatos... Fique ligado às tendências. Mas como eu disse: nunca ultrapasse o limite do aceitável. Seja elegante com a roupa casual à ousada. A mulher tem, e sempre terá sua própria essência.”
Passou-se uma hora e pouco desde que eu comecei a escrever, claro que eu parava para pensar, lia e relia, apagava e escrevia de novo, mas sempre que eu começava a escrever, eu parecia uma máquina, minha mente trabalhava a mil. Maura me ligou enquanto eu escrevia dizendo que iria ter uma reunião com os editores, colunistas e outros mais em meia hora, a sorte era que eu já tinha terminado. “Leve o que acabou de escrever, pelo seu jeito concentrado, esse texto deve estar muito bom” — foi o que ela disse ao telefone. Será que ela ficou me observando enquanto eu escrevia? Bom, agora não importa.
Dirigi-me à sala de reuniões que ficava no andar de baixo, e lá já havia algumas pessoas, cumprimentei todas, e sentei-me ao lado de uma mulher morena, cabelos extremamente lisos. Fiquei quieta, estava analisando todos os que estavam conversando e rindo ali.
–- Já trouxe sua matéria do dia?
–- Tá falando comigo?
–- Não vejo outra Jane Rizzoli aqui.
–- Como sabe meu nome?
–- É o que consta no seu crachá – sorriu – A propósito, me chamo Emma Ruksh – estendeu me a mão, que eu apertei com firmeza, Emma sorriu para mim, e eu sorri de volta.
–- Então, respondendo sua pergunta: sim, eu trouxe hoje, provavelmente vocês todos irão ler assim que começar a reunião, então... — dei de ombros.
–- Hm. Entendo...
Naquele momento Maura entrou e todos estavam em seus devidos lugares.
–- Boa tarde a todos; como sabem, estamos reunidos para mandarmos para a gráfica nossas matérias da semana, fotos, dicas, novas tendências, enfim. Aproveitando e quero-lhes com muito prazer apresentar-lhes a nova colunista, a senhorita Jane Rizzoli. — todos fizeram um aceno de cabeça para mim – então – ela retomou a fala – desde já agradeço o esforço de todos vocês, e peço que já na próxima semanas, entremos com força total para mais uma campanha. Os dias passam rápidos, as horas voam. Confio na capacidade de todos vocês e confio nos seus liderados também.
A pauta da reunião discorria, havia discussões, trocas de ideias, inovação em cada área, devo admitir que eu já estava gostando de trabalhar naquele local. Já estávamos quase finalizando quando Maura pediu para que eu apresentasse para eles o que eu havia escrito. Então fiz o que ela mandou. Pluguei o pen-drive no notebook e apareceu o meu texto. Todos começaram a ler, cada um para si, e eu fiquei apreensiva, segurando minhas mãos uma na outra, olhando para o retroprojetor a nossa frente fora uma leitura de mais ou menos três minutos, mas que pareceu durar uma eternidade para mim.
–- uau! — Emma exclamou. — Para uma pessoa que estava usando uma calça rasgada no dia anterior, você escreveu sobre a moda de um jeito que eu nunca li desde quando eu entrei pra esse mundo. Parabéns.
Todos pareciam ter gostado do meu texto, aprovado pela maioria. Cada um foi para o seu lugar, e eu estava arrumando minhas coisas para retornar a minha sala. Estava apenas Maura e eu, e o seu perfume não saia de mim, parecia cada vez mais perto.
–- Então sua dica é vestir-se bem, mas não ultrapassar o limite do aceitável?
–- Sim. Ninguém é obrigado a vestir-se conforme a moda dita. Por exemplo, você não usa suas roupas de desfile, porque as roupas de passarela, são de passarela, não do dia a dia.
–- E se eu usar?
–- Aí você passará do aceitável, e vai ver todo mundo olhando pra você como se você fosse um ET, Maura. Posso não ser conhecida como você, como seus pais, mas a verdadeira moda é aquela aonde nós criamos para nos mesmos, claro, sempre no limite do aceitável, passou dessa linha é caretisse.
Fiz careta e rimos do que eu falei, voltamos para os nossos andares e cada uma partiu para suas respectivas salas e mais trabalhos. A ideia de falar sobre moda, de dar dicas, de expor meu pensamento sobre aquilo, estava me dando um gás novo para poder escrever mais e mais, afinal, se a poderosa aprovou, sinal que eu já comecei bem.
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