Notas iniciais
Demorei para esse cap minha cabeça ficou meio perdida muita coisa acontecendo ao mesmo tempo! Acho que esse é o momento decisivo estamos nos encaminhando para o fim . Eu acho!

Lucas

Mais uma vez, me sentia um idiota por estar chorando, dessa vez ele não me soltou ou separou o abraço. Brenno ficou ali me envolvendo em seu abraço quente e firme, como se fosse para me proteger. Depois disso, fomos para a sala e contei como as coisa com a Viviane começaram e como chegaram até naquele ponto. Ele ficou em silêncio, mas prestou atenção em toda história.

Depois contei o porquê de eu ter ido parar na casa dele no outro dia, como consegui seu telefone e todo o motivo por trás do beijo. Isso deixou-o em completo silêncio e, por um momento, bem distante.

— Vai falar alguma coisa? — Tentei interagir depois de alguns minutos. Minha boca ainda doía um pouco, minhas costelas e barriga também, onde o Maurício me acertou. Sem contar meu olho que ainda mantinha fechado, apesar de Brenno ter passado uma pomada e me feito tomar mais remédios para dor.

— Não sei por onde começar.

— Do início. — Ele estava com uma cara fechada e um olhar penetrante — Seria bom.

— Você me disse que nunca amou sua ex-namorada. Me disse que já beijou um garoto. Me disse que nem em sua primeira transa nem em seus namoros ou paqueras sentiu nada além de gostar da pessoa. Agora me diz que depois que me beijou sentiu borboletas e como se o mundo tivesse parado?

— Sim! — Agora estava vermelho de novo, descobri um ponto interessante no tapete e me concentrei nele.

— Isso tudo é loucura. Você não passa a amar uma pessoa da noite para o dia, muito menos uma pessoa do mesmo sexo...

— Isso faz alguma diferença — Agora estava confuso, tanto quanto ele. — Você sentiu algo naquele dia? Algo diferente?

— Bom — silêncio de novo. — Confesso que sim, notei você desde que cheguei atrasado no primeiro dia, mesmo sem meus óculos, depois fui desenvolvendo uma curiosidade e, como é do meu feitio se apaixonar pelos caras errados, tentei deixar esses sentimentos de lado. Então você me beijou naquele dia e eu o afastei porque fiquei apavorado.

— Você, apavorado? Não chegou a pensar em como eu estava? Depois de você ter me afastado tão repentinamente.

— Então me deixei levar por um impulso e provei do meu pecado particular.

— Profundo. — Eu disse com um meio sorriso. — E o que sentiu? Como foi pra você?

— Quer mesmo saber? — Fiz que sim com a cabeça. — Feche os olhos.

Fiz o que ele me pediu e ele se aproximou de mim e me beijou carinhosamente, de leve por causa dos meus lábios ainda inchados, depois se afastou e ficou em silêncio.

— Como devo interpretar isso? — Perguntei.

— Como você quiser, quero saber, o que vai fazer agora?

— Bom, não sei. Não tenho mais uma namorada, oficialmente nos beijamos sóbrios e você já me viu sem roupa. — Agora foi a vez dele ficar vermelho. — Acho que isso é o começo de um possível relacionamento?

— Você pode ter batido a cabeça na queda. E acho que deve tomar um banho quente, depois comemos algo e vemos um filme!

— Acha que estou louco?

— Acho que pode estar certo. Podemos dar uma chance para essa possível relação.

Abri um sorriso para logo depois me arrepender. A dor foi lacerante por um breve momento. Brenno fez uma careta ao me ver fazendo careta pela dor. Depois disso, meu telefone tocou e ele assentiu para que eu atendesse.

— Alô? — Digo ao atender minha mãe.

— Filho, você está bem? — Ela estava aflita e, antes que me fizesse mais de uma pergunta, a interrompi.

— Mãe, estou bem. Muito bem na verdade, já quase não dói — o que era uma meia verdade. — Vou tomar um banho quente e comer algo para dormir, posso ir para casa amanhã?

— Seu coração está bem? Ainda existem dúvidas? — Achei a pergunta meio sem sentido. Como a ligação estava no viva-voz, vi Brenno abrir um sorriso.

— Sim, o coração está ótimo. — Depois de ver a reação dele, entendi a pergunta. — Não restam mais dúvidas.

— Bom, espero você para jantar no domingo, beijo e bom descanso. — Ela desligou e me virei para ele.

— O que vocês andaram conversando? — Ele apenas sorriu e me disse novamente para tomar um banho.

Depois disso, tomei um banho quente e, quando saí, ele estava com a janta na mesa e, desta vez, não era um lanche e sim comida mesmo. Olhei em volta em busca de embalagens de comidas de algum restaurante e não as encontrei.

— Você fez isso? — Perguntei ainda olhando em volta.

— A menos que você esteja vendo mais alguém. Sim, fui eu quem cozinhou. — Ele sorriu e me entrega um prato.

Brenno cozinhava bem. Depois de comer, fomos para a sala e vimos um filme, tomei mais uma dose de remédios e acabei dormindo no sofá. Acordei novamente no quarto e, dessa vez, ele estava ao meu lado; como sabia que já viera parar aqui dormindo antes, sabia que ele não tentara nada, afinal, ele teve mais de uma oportunidade e não tinha feito nada. Acordei-o com um beijo leve, e outro. E outro.

— Bom dia. — Disse quando ele abriu os olhos e sorri.

— Bom dia. — Dessa vez, foi ele quem me beijou demoradamente. Meus lábios já não doíam tanto e eu retribui o beijo. Ficamos ali deitados e os beijos e carícias aumentaram de intensidade, acabei ficando sem fôlego e ele também, nos afastamos um pouco e ele sorriu.

— Acha que devemos avançar? — Ele perguntou com um sorriso bobo.

Apenas puxei ele mais para perto e recomeçei a beijá-lo.

...

Passamos o sábado em casa jogando. Como a Viviane costumava dizer, jogando meus joguinhos nojentos. Por coincidência, ele jogava os mesmos jogos, e agora o fazíamos juntos. Ele se mostrou um cara perfeito até agora, carinhoso e amoroso, coisas que nem de longe cheguei a passar com a Viviane ou outra pessoa.

No domingo, ele me levou até minha casa. Mamãe o convidou para entrar, apresentei meu irmão mais novo e meu quarto, damos uns beijos lá só para quebrar o clima e depois ele foi para casa.

Liguei para ele antes de dormir no fim do dia e marcamos de nos encontrar no campus cedo para tomar um café. Ele decidiu não se transferir de turma, o que ia ser muito bom para mim. Mal sabíamos que outras pessoas estavam combinando de me encontrar na manhã seguinte também. A segunda-feira seria um dia corrido e cheio da pura emoção.

...

Acordei na manhã seguinte com uma mensagem de texto.

“Bom dia! Como está se sentindo? Podemos conversar na biblioteca mais cedo hoje no campus? Beca.”

Achei a mensagem estranha, mas como estaria lá mais cedo para tomar café com o Brenno, disse que sim. Momentos depois, tomei uma ducha rápida e, quando voltei, encontrei mais mensagens.

“Bom dia, meu lindo! Vou chegar mais cedo para o café, beijos. Brenno.”

“Você está bem? O Maurício vacilou ontem, mano. Preciso falar com você, Thiago”

“Oi, querido, vai exibir esse rostinho lindo desfigurado hoje? Beijinhos. Vivi”

Reli todas elas mais de uma vez, imaginei que a Viviane iria comemorar, afinal dois caras brigando por ela a colocava no pedestal, quanto a Rebeca e ao Thiago, não sabia o que eles queriam falar. Respondi todas as mensagens antes de sair de casa.

Para Brenno: “Bom dia, estou bem, te encontro na cafeteria, só vou passar na biblioteca antes. Beijos.”

Para o Thiago: “Estou bem, vacilou legal, não precisa se preocupar.”

Para Viviane: “Meu rosto está bem inteiro, e se esse foi o preço para me ver livre de você e dele, foi um preço baixo.”

“Apague meu número se puder, não temos mais nada para conversar!”

Enviei duas para Viviane, depois me arrependi e pensei que ela não precisava de resposta, afinal só estava alimentando seu ego.

Minha mãe sempre me levava para o campus, mas como pretendia chegar mais cedo, fui de ônibus mesmo. Quando cheguei, fui direto para a biblioteca onde encontrei Rebeca sentada em uma área de leitura com uma revista em mãos.

—Bom dia. O que precisa falar? — Eu disse sem medir esforços.

— Bom dia, Lucas. — Ela usou um tom de voz doce e meigo, algo que eu nunca notara nela. — Sei que você me acha insuportável, afinal você deixou isso claro quando almoçamos da última vez.

— Podemos pular o papo furado e ir direto ao assunto?

— Ok, vejo que você não está de bom humor e vejo que o olho roxo é verdade. — Ela disse olhando o hematoma no meu rosto. — Lucas, eu nunca achei que você e a Viviane combinassem, ela é muito esnobe e sempre te tratou mal, por outro lado, eu e você combinamos muito. — Ela disse isso com uma seriedade e um sorriso meigo.

— Você só pode estar brincando, né? — Fiz uma cara de espanto e horror.

— Não, nenhum pouco. Sempre achei você uma graça, menos quando está com essas roupas ou falando de seus jogos, mas ainda acho que formaríamos um casal muito melhor do que era você e ela. — O que havia com minhas roupas? Estava novamente de preto, a franja sobre o olho roxo. Isso só podia ser uma pegadinha, olhei em volta e me levantei.

— Desculpa, Rebeca, não vai rolar, sério, não mesmo. E não é só porque acho você insuportável nem nada, é que acho que já tenho alguém melhor em vista. — Ela estava de cara fechada e um meio sorriso.

— Tudo bem, só não se arrependa depois.

Saí da biblioteca o mais rápido que podia e ela veio atrás com passos leves e lentos. Quando cheguei no corredor, encontrei uma Viviane sorridente no meio do caminho.

— Olha o que temos aqui. Um garotinho assustado que se esconde atrás dessas roupas escuras. Sério, Lucas, depois de eu te dar o fora você voltou a ser o mesmo de anos atrás? Lastimável. — Ironia e desprezo era tudo que eu identificava em sua voz.

— O que você quer? — Respondi sentindo a raiva crescer dentro de mim.

— Ela não quer nada, mas nós ainda temos algumas coisas para acertar. — me virei rápido e vi que o Thiago e a Rebeca estavam ocupando a outra ponta do corredor. Demorei demais para ver que estava encurralado como um rato. No meio do corredor, Maurício estava com os punhos cerrados.

— Não temos mais nada para acertar. Ela é sua, fique com ela. Me deixem passar — vi que Rebeca tinha um olhar vingativo. Era isso, ela foi a isca. Thiago estava com um olhar estranho como se não quisesse fazer parte disso.

— Achou mesmo que ia deixar passar? Por sua causa, o campus ligou para meu pai e agora estou suspenso. Também ganhei um castigo, sem moto por um mês.

— Se está suspenso, o que está fazendo aqui? — Comecei a tremer. Já tinha brigado com ele, sabia que não daria conta.

— Como eu te disse, contas a acertar. Talvez se eu deixar seu outro olho roxo, você não fique andando por aí como se nada tivesse acontecido — por um momento, congelei, ele veio em minha direção... Tudo que aconteceu em seguida foi muito rápido e demorei para me orientar.

Notas finais
Tretas, podem pegar a pipoca e sentar em um lugar confortavel no sofá ou na cama! Vejo vocês no proximo capitulo!