Meu adorável erro
13 Capitulo 13
Notas iniciais
Julie
Entrei no banheiro de Alex não sabendo se me sentia eufórica, culpada ou ambos. Eu sabia que deveria ter dito a verdade para ele, que o havia seguido e me hospedado na casa dele apenas pra fugir da realidade de casa. Eu sabia que deveria te-lo alertado sobre o que eu sentia la no fundo, sabia que deveríamos ficar afastados, mas ao acordar com os seus braços me envolvendo, todos esses pensamentos me fugiram da mente.
Olhei para a minha imagem no espelho e fiquei assustada ao perceber que parecia bem, ao contrário do que imaginei. Penteei o cabelo, tentando deixar os cachos arrumados num rabo de cavalo. Coloquei a roupa de líder de torcida e guardei a camisa de Alex na bolsa. Talvez eu apenas quisesse levar o cheiro dele comigo hoje, ou talvez eu estivesse apenas distraída. Não sei, mas de qualquer forma, começo a me maquear. Claro, apenas o mais básico. Pó, um rímel e um batom vinho que tem um contraste muito bonito com a minha pele branca. Aproveito para mandar uma mensagem de texto para a minha mãe, tranquilizando-a. Ela deve estar surtando em casa nesse exato momento por eu ter simplesmente desviado o curso e sumido. Escolho as palavras delicadamente, pois sei que ela não esta no melhor dos humores. Aproveito para mandar uma mensagem para Mary e Mille pedindo para que me encontrar algumas ruas antes da escola pois eu tinha muitas coisas para contar a elas. Então, ouço alguns barulhos, como se alguém estivesse brigando. Não dei importância, Alex poderia ter ligado a TV num filme de luta. Após alguns instantes, ouço batidas na porta.
— Julie?- Era Alex. Sua voz parecia um tanto fragilizada,e isso acabou me gelando por dentro. Abri a porta e o encontrei parado bem na minha frente, o olho esquerdo inchando e ficando levemente roxo.
—O que houve com você?- Perguntei, já me desesperando.
—Nada. Você...- Ele parou, olhou por cima dos ombros e logo após voltou a atenção para mim — Você precisa ir embora. Agora.- Ele me olhava com um certo pavor no olhar.
—Alex, o que houve?- Insisti — Olha pra mim — Peguei seu rosto nas mãos- A culpa disso... é minha?- Perguntei, hesitante.
—Não- Ele respondeu rapidamente, quase como se estivesse escondendo isso e eu tivesse acabado de descobrir- Mas você precisa ir, pra sua segurança- Ele falava freneticamente, pegando minhas coisas e me arrastando pelo quarto- Eu preciso que você vá. Me encontra na escola? — Ele perguntou. O aperto em meu braço cada vez mais forte- Promete pra mim, Juju.- Pisquei, confusa com o novo apelido, mas consegui assentir.
—Meu braço...- Eu disso, baixinho.Ele soltou, mas ja estava roxo onde, logo antes, ele me apertava desesperadamente- Eu... prometo. Mas me prometa que vai ficar bem.- Eu falei, e um sorriso sossegado passeou pelos lábios dele.
— Não posso te prometer isso, mas eu vou tentar. -Ele beija minha testa e me empurra até o topo da escada.- Agora vai.. e me perdoa por isso, eu te explico... algum dia — Ele sussurrou, como se não quisesse que eu ouvisse, mas eu ouvi. Aquilo me doeu, me incomodou, mas mesmo assim eu desci as escadas, abri a porta e sai. Andei, parei, continuei andando, parei novamente e dessa vez não consegui continuar. Parei e fiquei olhando pra baixo, me xingando mentalmente. Como eu pude deixa-lo naquele estado? Quem sabe o que pode ter acontecido? Ou pior,o que vai acontecer? Senti uma lágrima quente descendo pelo meu rosto e fechei os olhos.
Uma buzina. Me dou conta de que estou no meio da rua. Seco o rosto rapidamente e corro para a calçada. Respiro fundo. Estou a algumas ruas da escola, preciso ir. Ele vai me encontrar la, sinto isso. Então, continuo.
—Oi, Julie.- Era Mille e Mary.- Sua cara ta péssima.
—Obrigada- Murmuro, distraída.
—Ahn.. Que houve?- Mary pergunta, desconfiada.
—Nem sei por onde começar... Por favor, não interrompam, é complicado.- Eu pedi, e então expliquei tudo. Desde a saída da escola, até a casa de Alex, e os acontecimentos desta manhã. Como eu pedi, elas não interromperam, mas fizeram expressões de espanto que, em circunstâncias normais, eu acharia engraçado.
—Nossa... eu nem sei o que dizer.- Mary parecia realmente chocada.
—Como Alex está?- Mille perguntou, e então eu não pude mais segurar.
—Eu não sei...- Lágrimas rolavam livremente pela minha face.- Isso é tudo culpa minha, eu tenho certeza.- Elas começam a me abraçar. E então, eu ouço. Passos. Gritos. Há alguém correndo. Está desesperado. Antes de me virar, um barulho mais alto. Um tiro. Vejo todos a minha volta se abaixarem e cobrirem as cabeças, tentando inutilmente se proteger. Continuo de pé. Mesmo porque agora tenho meus motivos. Alex. Está parado a apenas alguns metros de mim e, atrás dele, um homem. Não, não um homem qualquer. Seu pai. A arma em mãos, mirando na direção de Alex. Não penso duas vezes e saio correndo em sua direção. Mais um pouco, qual é. Por que me sinto tão lenta? Me esforço um pouco mais, conseguindo alcançar Alex e o abraçando. Outro tiro. Uma queimação insuportável na lateral esquerda do meu corpo. Fui atingida.
—Droga, Julie- Diz Alex, tentando estancar meu sangramento. Não dói mais. Mas sinto que alguém está se aproximando, e sei que Alex está muito ocupado com meu sangue em mãos para perceber.
—Eu disse para não envolve-la nos nossos problemas, seu merda.- Ouço alguém dizer. Algo bate atrás da minha cabeça. Sinto o gosto metálico de sangue, minha visão começa a ficar preta. Consigo focar em Alex, seus olhos arregalados, cheios de pavor e de raiva.
Sinto que estou caindo lentamente. Agora, o lugar onde a bala está alojada dói mais. Minha cabeça dói muito, acho que é uma concussão. Sinto as mãos de Alex num aperto forte tentando inutilmente me amparar. Meus olhos se fecham lentamente. Droga, não. Quero continuar acordada. Quero ver quem é o homem com tamanha crueldade, quero tranquilizar Alex. Mas não consigo. Então, eu apago.
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