Notas iniciais
Gente, são 02:10 da manhã, não consigo dormir então resolvi escrever. Espero muito que gostem.

Julie

Enquanto andávamos em direção ao refeitório, não conseguia focar em outra coisa a não ser a conversa dos meninos atrás de mim. Sorri enquanto olhava pro chão ao ouvir os comentários do Alex. Ao chegar no refeitório, percebi que os meninos ficaram um pouco atrás da gente na fila. Então, interrompi a conversa das meninas.

–Ok — eu disse, quase me colocando entre elas — Acho que posso confiar em vocês, né? Então, quero contar umas coisas sobre hoje.

– Claro — Mille me olhou um tanto ansiosa — pode falar.

Então, eu falei. Falei sobre como eu gostei de ter visto o Alex com ciúme porque o irmão dele havia dado em cima de mim. De como ele machucou a mão, e do curativo que fiz nela. Falei do jeito que ele saiu da sala da enfermaria, como se eu tivesse dado um soco dele.

– Caraca, muito estranho. — Mary comentou.

Falei da nossa dança no corredor. De como ele conduzia meu quadril enquanto sua respiração quente provocava arrepios na minha nuca. De como a mão dele passou da cintura pra barriga, da barriga pra cintura de novo, da cintura para as coxas. Como apertei os braços dele quando as mãos dele apertaram minhas coxas, e do beijo no meu pescoço antes de ele sair e me deixar sozinha no corredor.

– Gente — Disse Mille — não tô acreditando.

Falei de como surpreendi ele ao correr pelo colégio todo com a touca dele na mão, e de como as muitas vezes que ele me pegou, eu consegui fugir de novo. Do jeito que ele me prendeu entre ele e os armários, e de como eu consegui distrai — lo facilmente apenas dando a idéia de que ia beijar ele. Do jeito que passei a mão na camisa dele, levantei bem devagar, e passei a unha nas costas dele bem de leve. Ele começou a me soltar e passar a mão no meu rosto e nas minhas costas.

–Cacete — Disse Mary — isso que é a primeira vez que vocês se vêem e se conversam.

– Eu sei — eu disse rindo, um tanto tímida. — nem sei como tudo isso aconteceu realmente. Mas foi tão tentador beijar ele, não sei como consegui fugir se novo. Nossos corpos estavam colados.

– Meu, você tem que sair com a gente hoje a noite — disse Mille. — A gente vai pro cinema. Não queremos deixar nenhum dos dois de vela. Mas estou certa que pode rolar algum clima ein? — Ela piscou pra mim e riu, enquanto nos dirigirmos pra mesa.

– Tá, mas tudo bem se vocês forem até a minha casa pra convencerem minha mãe? — Eu pedi, porque sabia que minha mãe iria achar que eu iria fugir e não ia deixar. — Olha, eles estão voltando, então assunto Alex acabou.

– Vish, ok- Mary me olhou e levantou as mãos, como se estivesse se rendendo — Não vou falar nada, juro. Minha boca é um túmulo.

– Amor, você pegou iogurte? — Era Erick, sentando ao lado da Mary- Esqueci dessa merda de novo.

– Peguei sim — Mary deu um beijo em Erick- Peguei dois, sei que você sempre esquece.

– AH, Mary. Não precisava — Mah chegou e se sentiu ao lado de Mille, estendendo o braço para pegar um dos iogurtes de Mary.

–Tira as patas do meu iogurte, Marcelo — Mary deu um tapa na mão dele- Quer morrer, é? — Todos estavam rindo, até mesmo eu.

–Pode me devolver minha touca agora? — Era Alex. Ele havia se inclinado e sussurrando em meu ouvido.

– Cacete, que susto. — Olhei para ele, como se fosse mata- lo. — Nem reparei que tinha sentado aí.

–Desculpa. — Ele riu timidamente. Então senti a mão dele encostar na minha coxa — Me da, por favor.

–Ok, pera aí. — virei de lado e abaixei para pegar a touca dele, e senti o olhar dele na minha bunda. Passei a touca por debaixo da mesa, direto na mão dele. — Toma — Sussurrei, olhando pra bandeja na minha frente.

–Ei, você tá vermelha — ele pegou meu queixo e levantou meu rosto — Por que tá vermelha?

–Não é nada- Eu menti. Se eu falasse que era porque ele estava olhando minha bunda.... Achei melhor não — Deve ser o calor — Tentando disfarçar, peguei a maçã da minha bandeja e dei uma mordida.

– Então, gente. Talvez a Ju vá no cinema com a gente, hoje. — Mary comentou

– Mas só se a gente falar com a mãe dela antes — Mille completou

– AH, mas a gente ia pra casa do Mah hoje antes do cinema. — Erick rebateu, frustrado

– Por isso — Mille começou — Eu e a Mary vamos pra casa da Ju falamos com a mãe dela, passamos nas nossas casas, nos trocamos e vamos. — terminou, satisfeita.

– Isso- Disse Mary — que filme vamos ver?

– O pior que tiver — Erick disse, e começou a beijar Mary

–Talvez um infantil — Disse Mah, e foi se aproximando de Mille.

– Ok — Mille concordou — Mas uns doces e refri a gente pode levar?

–Super concordo — Eu disse.

–gente, olha. — Erick apontou pra mim chocado — Ela fala...

–Aí, trouxa. — Eu ri, e joguei uma bolinha de papel nele.

– A gente podia comprar uns fini, chocolate, Pepsi ou Coca. Algo assim — Alex sugeriu, agora com a touca na cabeça — O que acham ?

– AH, por mim tudo bem. — Mah concordou — Todos de acordo?

–Sim- Respondemos quase num coral.

Ouvimos o sinal e fomos cada um para as respectivas classes. O resto do dia passou bem rápido. Tive duas aulas de biologia e a última de química. Quando fui ver, já estava fora do colégio esperando pela Mary e pela Mille.

– Ok então. Vamos? — Mille disse, animada

–Vamos — eu disse. E fomos. O caminho até em casa não demorava muito, então fomos sem pressa. Quando chegamos, abri a porta e fui recebida pela minha gata Gina. Entramos e fui chamando minha mãe.

– MÃE — eu praticamente berrava. Aquela casa era enorme, não sabia se onde ela tava conseguia me ouvir.

– Que foi, Julie? — Minha mãe surgiu da cozinha. — Ah, oi. Eu sou Lilian, mãe da Julie. Vocês são quem?

–Eu sou a Mary — Ela se apresentou e beijou o rosto da minha mãe.

–Mille, prazer — disse, sorrindo, e também beijou mamãe no rosto. — Queríamos saber se a Julie pode ir no cinema com a gente hoje?

–Cinema? Hoje? Hm.. — Minha mãe parecia confusa e pensativa. — Quem mais vai?

–Vamos nos três, meu namorado Erick, o namorado da Mille, o Mah — Ela parou e riu um pouco — e por incrível que pareça, Alex e Julie,que na verdade são nossas velas.

–Poxa, esperava a palavra "Namorado da Julie" — Mamãe suspirou — Bem, pode sim. Quer quanto? Acha que 50 da?

–Aí mãe, claro que dá. — Peguei o dinheiro e dei um abraço nela. — Obrigada mãe. Vou me arrumar.

–Ah, Julie. Advinha só — Ela fez uma pausa e sorriu maliciosamente — Quem vem passar um tempo na casa do Tio Harold?

–mãe, não brinca — Coloquei a mão na boca e sorri

–é isso mesmo. — Ela concordou com a cabeça — Ana Alice e André. — e sorriu. Eu comecei a gritar e pular.

–quem são? — Mary perguntou, curiosa.

–Meus melhores amigos. — eu disse, eufórica — São do Brasil. Não vejo eles a 3 anos.

–Eles chegam amanhã, ou depois. — mamãe me disse — Agora vai se arrumar

–Claro, obrigada mãe. — Abracei ela e fui subindo as escadas — Vem, meu quarto é lá em cima. Elas subiram comigo e, quando abri a porta, elas abriram a boca.

–Caraca, que quarto lindo — Mille disse, enquanto se sentava na cama.

–Obrigada — Eu disse, com um sorriso fraco. Meu quarto, lindo? Era grande, sim. Mas não tinha nada demais. Uma parede inteira roxa, com quadros e adesivos. Três estantes de livros presas na parede. Uma cama de casal, um guarda roupa branco com detalhes roxo. Uma escrivaninha onde estava meu notbook, um livro e algumas canetas. E um espelho enorme. Mas eu não achava bonito, ainda.

–Então. — Mary me olhava ansiosa — Acha que rola algo hoje? Você e o Alex?

–não sei, de verdade. — Eu disse, sorrindo para o chão. — Mas espero que sim.