Meu adorável erro
2 Capítulo 2
Alex
Aquela garota. Não me sentia assim ha muito tempo. Eu havia gostado dela, mas agora não conseguia parar de pensar numa situação... Então Erick se virou, fingindo pedir meu material todo, incluindo meu caderno, emprestado.
–É impressão minha ou rolou um clima entre vocês?- Perguntou Erick, sorrindo maliciosamente.
–Que? Com quem? Ah,não. Claro que não.- Senti meu rosto ficar quente. Olhei para o lado, meio sem jeito e reparei que Julie me olhava com um sorriso discreto e malicioso.
–Rolou um clima.- Ele me deu um soco no braço.- E, pelo o que eu vi, se vocês continuarem se olhando assim, vai rolar um clima sempre.
–Algum problema com o Alexander, Erick?- A professora Katia havia parado a aula de física.
–Não, professora. Nenhum Problema.- Disse Erick, se segurando para não rir.- Estava apenas perguntando ao meu amigo Alexander onde foi que paramos na aula passada, já que eu não vim.-Eu comecei a rir. Era a primeira aula do ano.
–Você acabou de voltar de férias, sr. Blacktorn.- A sala inteira estava rindo. Olhei para o lado e vi que Julie, Mary e Mille riam juntas.- Vire-se e preste atenção na aula. E você, Alexander.- Tirei os olhos de Julie e me virei para a professora.
–Sim?- Perguntei, meio distraído.
–Da próxima vez, não dê corda ao seu amigo.- Prof. Katia voltou com a aula. Eu não estava conseguindo me concentrar, então abri o caderno e comecei a desenhar. — Alguém se habilita a responder?- Katia olhava para todos os alunos.- Srta. Evans?- Eu levantei a cabeça. Evans? Quem tinha esse sobrenome?
–Perdão, professora. Poderia repetir a pergunta?- Disse Julie. Eu olhei para ela. Julie Evans. Ela é filha de um importante agente da CIA? Não, acho que não.
–Claro.- A professora Katia estava sendo... legal?- O que são Táquions?
–Ahn.. Táquions?- Perguntou ela, um pouco embaraçada.- Se eu não me engano, professora Katja, táquions são partículas que viajam a velocidades maiores que a da luz.- Respondeu ela. Agora, ela estava confiante. Olhou para mim, arqueando as sobrancelhas, quase como se me desafiasse a duvidar dela.
–Correto, querida. Obrigada.- Julie sorriu. Professora Katia continuou.- Marcel e Millene. Vocês querem compartilhar esse bilhete com o resto da turma?- Todos riram, inclusive eu. Mah e Mille eram grudados desde o jardim de infância. — Troquem esses malditos bilhetes de amor fora da classe. Agora, por favor, prestem atenção na aula. Isso vai cair na prova.- Todos voltaram a prestar atenção nela e na sua aula particularmente chata. Voltei ao meu desenho. Um papel voou na minha carteira. Olhei para o lado, e ela estava sorrindo, me encorajando a abrir.
"Percebeu, não foi?"
"Percebi o que?"
"Quem é meu pai. Adam Evans, um famoso agente da CIA que não para em cidade nenhuma."
"Ah, sim. Percebi. Você não se parece muito com ele."
"Qual seu nome?"
"Alexander. Eu lembro de ter me apresentado."
"Seu nome completo."
"Alexander Richard Mercury. Sim, filho do magnata Tom Mercury. E o seu?"
"Julie Michelle Evans. Michelle pela minha avó."
O sinal havia tocado. Pegamos nossas coisas e saímos.
–Sabe onde é seu armário?-Perguntei, provocando-a.
–Na realidade, eu não sei.- Ela respondeu um tanto frustrada, e riu.- Pode me ajudar?
–Claro.- Respondi.- Qual o número do seu armário?
–É o armário 37.- Ela disse. Eu sorri de canto.- O que foi? Não existe armário 37?
–Existe, sim. É o armário do lado do meu.- respondi, rindo. Peguei-a pelo pulso e a conduzi pelo corredor lotado de alunos.- É esse aqui.
–Ah, obrigada.- Ela disse, se atrapalhando para abrir o cadeado. Eu ri.
–Quer uma ajuda aí?-Perguntei, erguendo a sobrancelha e rindo.
–Por favor. Nunca tive cadeado nos meus armários.- Ela disse, me entregando um papel com a senha.- A senha é essa. Pode me ensinar a abrir?- Ela perguntou, quase como se implorasse por isso.
–Claro. É simples, olha.- Mostrei a ela como abrir e depois fechei.- Tenta você, agora.- Ela riu e abriu o cadeado.- Essa senha é fácil de decorar.
–Pra mim, não muito.- Ela pegou o papel da minha mão. Tentei memorizar os números 3715.- Eu tenho muitas senhas na cabeça. Senha do alarme de “casa”, senha do cofre de París, senha do alarme de casa na Austrália.- Ela disse, contando nos dedos.- E muitas outras.
–Onde você nasceu, Julie?- Perguntei, curioso. Ela havia pego o meu caderno e agora o folheava.
–No Brasil. Minha mãe, Lilian, era Brasileira. Morei no Brasil até os 5 anos de idade, então com 6 anos, me mudei pra Itália por causa do meu pai.- Ela estava chegando no meu desenho, mas ela não podia vê-lo.- E você, Alexander?
–Por favor, só Alex.- Respondi, tirando o caderno das mãos dela e guardando no armário.- Nasci no Texas. Com 7 anos, eu e meu irmão viemos morar com o meu pai e a minha madrasta, Anastácia.
–Perdão, irmão?- Perguntou ela, distraída.- E me chame de Ju, se puder.
–É, irmão.- Disse um garoto moreno, com olhos castanho, alto e um pouco musculoso.- Oi, eu sou o Marco, irmão do Alexander.
–Olá.- Ju cumprimentou meu meio irmão.- Você tem algum apelido? Ou eu te chamo de Marco mesmo?
–Não. Marco, mesmo. Sempre chamamos ele assim.- Respondi, abraçando-o.- Como está minha mãe?
–Está bem. Senti saudades também, irmãozinho.- Rimos. Então, ele fez algo que eu detestava. Ele a olhou, abaixou e sussurrou algo em seu ouvido. Mas eu já sabia que ele estava convidando ela pra sair pra depois tentar transar com ela.Ele não ia fazer isso de novo. Não com ela. Soquei meu armário, o que a fez gritar e se encolher.
–Ah, meu Deus.- Ela disse. Minha mão estava sangrando.- Por que fez isso? Me deixa ver, da a mão.
–Ele sempre faz isso. Parece que as garotas são como um troféu pra ele. Babaca do caralho.- Eu olhei para ela, que ainda tentava pegar minha mão.- Não.
–Deixa que te contar uma coisa. – Ela sorriu de canto e sussurrou pra mim -Ele não vai conseguir nada comigo. Não saio com gente babaca, e ele não faz muito meu tipo.- Ela se afastou, rindo- Agora me da a droga da mão, cacete.- Ela agarrou meu pulso com uma mão e, com a outra, vasculhou a bolsa.- Ai, que droga. Vem aqui.- Ela me puxou. Só quando chegamos foi que percebi que ela tinha me trazido para a enfermaria.
–O que eu to fazendo aqui?-Perguntei, desvencilhando-me do aperto firme de sua mão pequena.- Não estou doente, nem passando mal, e nem...
–Cale a boca.- Disse ela, tapando minha boca.- Eu tinha que lavar a sua mão antes de fazer qualquer curativo, e o banheiro feminino é um lugar meio improvável para te levar. – Ela respondeu sarcasticamente.
–Está perdendo a sua segunda aula.- Eu disse, olhando para ela. Ela pegou meu pulso e me levou até uma pequena pia que havia ali. Procurou na prateleira e pegou um vidro de álcool.
–Não tem problema, era gramática.- Disse ela, abrindo a torneira e colocando minha mão debaixo da água.- Isso vai arder um pouco.- Ela jogou um pouco de álcool na minha mão. Ela pegou um pano e secou minha mão, que sangrava um pouco, para logo depois colocar umas ataduras.-Posso apertar?- Eu assenti, e ela enrolou apertadamente as ataduras na minha mão.- Pronto. Pode parar de me olhar assim.- Ela colocou a mão sobre a minha, e ficou me encarando.
–Obrigado.- Eu disse. Ela sorriu. Agora olhava para minha mão. Coloquei alguns cachos atrás de sua orelha e reparei que ela tinha um piercing transversal.- Cara, que foda! Quando colocou?
–Eu tinha 14 anos. Coloquei para irritar meu pai, mas acabei gostando.- Ela disse, sorrindo. Ainda segurava minha mão.
–Eu gostei, ficou bem maneiro.- Eu disse, mexendo em seu cabelo distraidamente.
–Então,- Disse ela- Quer me contar por que socou o armário?
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