Meu Suícida

1 Capítulo Único - Nós


Notas iniciais
Oii queridos >///

Essa é uma pequena one que eu fiz, faz um tempo até haha
(Tomara que não esteja confuso .__.)
Espero que gostem ~~~

Logan White era seu nome, ambos tínhamos 17 anos. Eu sempre o achei meio estanho, por isso fui falar com o mesmo, descobrindo que se mutilava. Logan nunca se abria para mim, talvez por não ter confiança, ou não querer-me consigo.

Porém, eu consegui me aproximar. Disse a ele que não sairia do seu pé, mesmo que algo ruim acontecesse, e eu me tornaria sua amiga. Ele faltou na semana seguinte. Quando voltou estava mais pálido, com olheiras e mais ignorante. Eu voltei a falar com ele. Meus amigos, pouco a pouco, foram se afastando e Logan percebeu, me mandando ir embora ou então perderia grandes amigos.

― Eu não preciso deles, preciso de você.

Lembro perfeitamente o que lhe disse. Não avia duplo sentido naquela frase, naquele momento, naquele dia. Logan parou de tentar me afastar e aceitou minha presença após aquele dia. Pouco a pouco me perdi no mundo de Logan, sem cores ou vida.

E pouco a pouco fui o preenchendo de cores e sentimentos.

Com três meses, descobri onde ficava sua casa, acabei indo lá sem avisar. Era um sobrado moderno. Logan me atendeu surpreso, mas não se importou. Por dentro era tudo muito vazio, cheio de amargura e solidão, a tensão se estendia por toda a casa. O antebraço dele estava coberto pelo moletom, mas pude ver certa mancha. Descobri que Logan estava se cortando até então.

― Por que faz isso?

― É meu jeito de continuar vivendo.

Preocupada, disse que ficaria com ele o dia inteiro, incluindo à noite. Dormir na casa de Logan foi assustador nos primeiros minutos, eu mal piscava com medo, além disso, aquele clima tenso me deixava acordada. Saí do quarto de hóspedes e fui ao dele, pedindo para dormir ao seu lado. Logan dormia de roupas surradas.

Naquela noite, o abracei, dormindo de conchinha com ele. Logan segurou minhas mãos que se juntavam sobre seu abdômen. Foi uma cena inesquecível. Seu cheiro, do qual se assemelhava a um mofo cheiroso indescritível, estava ainda mais impregnante naquele quarto.

Nos tornamos bons amigos. Eu o arrastava para muitos lugares, no começo ele protestava, mas depois se acostumou. Tinha dias que ele estava mais deprimido que o normal, daí me chamava para dormir com ele, eu sempre ia. Logan White finalmente me queria por perto. Nunca parei ele, ou reclamei quando se mutilava, por isso ele me admirava; eu era diferente, como dizia. Ele gostava do jeito que eu era.

Quando vi pela primeira vez seu sorriso me apaixonei. Ele era um garoto apático, sem sentimentos, o único que demonstrava era a raiva e semelhantes, como ignorância. Ele nunca sorria. Foi em sua casa, eu estava ao seu lado sentada no chão com a cabeça em seu ombro e de costas para a parede. Olhávamos para o nada, ou melhor, pensávamos enquanto olhávamos para o nada. Logan inclinou a cabeça e instantaneamente levantei a minha, fitando-o. Sério, ele começou:

― Eu andei pensando muito nisso e cheguei a conclusão: eu não sou mais o mesmo de antes, Lucy, você é minha estrela. Me desculpe por ser tão egoísta, mas eu preciso de você. ― suas palavras saíram num sussurro, porém, ecoaram repetidas vezes na minha cabeça. Ele demorou um tempo para continuar. Ao começar, vi uma, duas, três e várias lágrimas caírem. ― Eu não aguento mais essa dor, por favor, não me abandone! ― e sorriu.

Seus lábios estavam trêmulos, mas continuavam formando o sorriso. Ele chorou enquanto sorria. Fiquei surpresa, depois feliz e meu coração bateu mais forte. Lhe abracei e disse que sempre estaria com ele.

Daí eu sabia que o amava. Talvez ele não sentisse o mesmo, mas eu só precisava ter sua presença para estar bem. Perdidamente apaixonada pelo meu melhor amigo que se mutilava.

Mas piorou depois.

Eu fui na casa dele no dia de seu aniversário, mas ele não me atendeu. Entrei sem permissão mesmo e subi para o seu quarto, quando cheguei, entre em pânico; Logan estava pendurado pelo pescoço numa corda, sem se mexer, com os pés acima do chão. Imediatamente pus alguma coisa por baixo de seus pés e comecei a desatar o nó.

Ele caiu em meus braços. Ainda sentia seu pulso. Soltei um grande suspiro de alívio, o deitando sobre sua cama. Tudo bem, ele não estava morto. Naquele dia, descobri que Logan já havia tentado diversas vezes se matar.

Inconscientemente acabei me apaixonando por um suicida.

Com seis meses fui morar com ele. Ambos tínhamos 18 anos, éramos independentes. Ele deixou e eu fui, assim poderia ficar de olho nele. Os dias eram monótonos e cada vez mais Logan se fechava. Quase não saia do quarto e eu não entendia o porquê. Ele me olhava com dor, era um sentimento horrível.

Certa vez o vi se mutilando, eram cortes profundos em busca do pulso. Ele tentava se matar nas simples ações.

― Por que faz isso?

― Eu preciso saber que estou vivo.

Para ele, era tudo uma ilusão, era tudo morte e desespero. Certa vez, me disse que a única pessoa que lhe tirava destes pensamentos era eu, sua luz brilhante. Eu me perguntava o porquê dele ter começado a se mutilar, mas temia lhe questionar tal coisa. Até que, quando o vi pela segunda vez, entrei no quarto e o observei.

― Os pais que me maltratavam, agora estão mortos. Eu nunca fui um bom fruto e não posso ser. Todos me abandonaram nesta casa. Eu não sou digno de pena, nem de atenção. Lucy, você é a única que não liga. Me vê se cortando e deixa. Sou uma péssima pessoa, não sou? Enquanto você cuida de mim, eu continuo na mesma, sendo apenas um fardo…

Seu sangue manchou minha camiseta quando o abracei.

― Eu o amo demais para abandoná-lo nesta casa. Eu o amo demais para deixar que faça isso, mas eu só quero o seu bem. Se isso te faz bem, eu não me importo. Eu o amo demais para considerá-lo um fardo!

A medida que minha voz aumentava, mais eu o abraçava. Ficamos em silêncio por um tempo.

― Lucy, eu te amo.

Aquele com certeza fora um dia inesquecível. Os estalos dos nossos lábios, sua boca na minha, nossas línguas fazendo movimentos mútuos. Era um beijo necessitado, de muito tempo.

Nunca mais nos tocamos daquele jeito depois. Continuamos os mesmos, mas agora sabendo que tínhamos sentimentos recíprocos. Ele nunca me deu mais que aquilo, nem dará, mas ficará marcado para sempre em minhas memórias.

Um mês se passou sem problemas. Ele chorava, ele se cortava, depois eu o ajudava. Logan andava deprimido à toda hora, mal saia de casa ou abria as janelas do quarto, continuava se afastando do mundo. Ele ficou mais indiferente perante as coisas. Era dezembro, estava frio, deixando o clima naquela casa mais pesado.

― Logan, o que há?

O encontrei na sacada, segurando uma carta que arrastava sobre seu sorriso. Seus olhos, porém, eram melancólicos. Fui ao garoto sem fazer muito barulho, assim que parei ao seu lado, Logan começou:

― Você me ama?

Surpresa, mas sem demonstrar, congelei por alguns segundos, encarando a lateral da casa.

― Sim ― respondi, voltando os olhos para ele.

Logan fechou os olhos, ficando pensativo, abaixando e é estendendo a carta.

― Fique com isto, mas só abra quando eu morrer ― mandou.

Mesmo desconfiada, assenti.

― Lucy, eu sei que foi muito difícil cuidar de mim, se tornar minha amiga, e tudo mais, mas tudo o que eu tenho a dizer é: obrigado ― inclinou a cabeça, chegando perto do meu rosto. ― Eu a amo muito, Lucy, e quero que viva. Eu não posso ficá-la segurando. Quero que tenha filhos, case… Mas eu não serei está pessoa.

― Do que está falando? ― interrompi. ― Você nunca será um incômodo. Se depende de mim, posso ter seus filhos, posso casar contigo, menos parar de ser sua amiga. Eu o amo, afinal. Eu não me sinto forçada nem nada, Logan.

Ele, mesmo não parecendo, estava surpreso, tanto que por alguns segundos ficamos apenas nos encarando. Logan, sem aviso algum, se aproximou e me beijou. Correspondi no mesmo segundo, pondo minha mão em sua bochecha. Sua língua não pediu passagem, fora apenas um breve selinho.

― Poderia me esquecer, então? ― perguntou, mostrando um singelo sorriso.

Arregalei os olhos de imediato.

― O que…

― Seja feliz! ― ele me empurrou, pulando no parapeito.

― Ei, Lo… ― levantei o mais rápido que pude, pronta para puxá-lo.

― Eu te amo, Lucy Sparks!

E caiu.

Ele se jogou.

De costas, lentamente.

Sorrindo bobamente.

Logan White se suicidou em 20 de dezembro. No mesmo dia que começamos nossa amizade.

Eu lembro. Eu lembro de tudo. Como fiquei abalada, como não sai de sua casa, como não conseguia viver aquela época. Até que lembrei daquela carta. Lendo, meu coração se sufocou, e eu não prendi as lágrimas. Naquele vazio, eu li sua despedida.

“Para Lucy Sparks, e somente ela.

Eu odorei o tempo que ficamos juntos, mesmo não sendo tão longo, nossa amizade foi a melhor coisa que já me aconteceu. Você cuidou de mim como ninguém nunca fizera, ficou ao meu lado, me acolheu, me deu tudo o que eu sempre quis… Mas de forma tão injusta. Perdeu amigos, trancou a matricula na faculdade, não saiu do meu lado… Você ficou tão sozinha.

Tudo é culpa minha, sinto muito. Você só queria me proteger e, mesmo assim, eu continuava na mesma. Não fiz nada por você!

Eu não podia fazê-la feliz, eu não tinha o direito. Alguém como você merece uma boa vida, uma sem mim, onde possa ser quem quiser, tendo tudo o que quiser… Você poderia ter me abandonado, mas ficou, por quê?

Eu não merecia seu amor, nunca. Por isso, Lucy, faça alguém melhor do que eu merecer seu amor. Saia um pouco, viva, se cuide, tenha amigos, me esqueça! Você verá como sua vida pode ser melhor.

Por isso, fui embora. Passei por uma grande depressão, mas me decidi. Lucy, sou eu, eu sou seu mal. Te amei, te prendi, não te deixei viver… Sinto muito.

Irei observar cada passo seu, sempre ao seu lado, então, por favor, esqueça tudo isso. Nossos beijos, nossos olhares, as noites que dormimos juntos, tudo. Eu acabei me envolvendo demais.

Eu te amo.

Esqueça tudo, menos essas três palavras, porque são elas que podem explicar o carinho e a gratidão que sinto por você.”

Por Logan White.

PS.: Tem algo para você debaixo da minha cama.”

Cheia de lágrimas e com o nariz escorrendo, olhei debaixo de sua cama. Era uma pequena caixinha e, ao abrir, me surpreendi com um anel, com um papel neste amarrado dizendo “Um presente por cuidar tão bem de mim, mas que eu nunca tive coragem de lhe dar. Um anel que iria oficializar nosso namoro”.

Deixei a caixa cair e o anel rolou pelo chão. Eu me encolhi na madeira fria, cobrindo os olhos com as mãos, gritando para o vazio coisas que ninguém entenderia.

― Eu te amava, eu te aceitaria! ― esbravejei, soluçando. ― Eu disse que sempre estaria contigo!


Mesmo hoje, casada com Evan Green e criando duas filhas, ainda fico atordoada com a falta que Logan me faz.

Notas finais
Obrigada por ler :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!