Meu despertador toca com a música shape of you de Ed Sheeran, e sou tomada por um sentimento de irritação. Em pensar que ela costumava ser minha música favorita. Nota mental: NUNCA COLOCAR UMA MÚSICA QUE GOSTO COMO DESPERTADOR.

Ao abrir os olhos me lembro de tudo o que aconteceu na noite passada e automaticamente sinto vontade de me bater, o que eu estava pensando quando decidi aquilo? Vai dar tudo errado. Porque tudo, absolutamente tudo, sempre dá errado. Mas mesmo assim, decido seguir em diante e dar o primeiro passo.

Como coloquei meu despertador para 1 hora mais cedo que o habitual, Emma ainda dorme como um anjo, o que significa que não terei que dividir o banheiro com ela.

Tomo um banho demorado e relaxante. Quando chega o momento de escolher que roupa usar, decido que não quero mais a calça larga e blusa sem graça de sempre. A nova Jade merece um look um pouco mais decente hoje. Opto por usar a saia justa preta que ganhei de presente da minha mãe, mas nunca cheguei a usá-la; uma blusa bege por dentro da saia; um casaquinho branco por cima e um salto preto. Ao coloca-los nos pés me lembro como eu costumava amar salto alto. Meus cabelos hoje estão soltos, ao invés do coque bem preso que geralmente uso. Por fim, passo uma maquiagem básica e que me deixa com uma beleza natural.

Quando chego a cozinha sou logo surpreendida por um:

— Uau! Entraram aqui ontem à noite e sequestraram a verdadeira Jade? – diz minha mãe, claramente surpresa por minha mudança de visual.

— Talvez essa seja a verdadeira Jade – digo e minha mãe me olha de uma maneira profunda, como se soubesse de tudo – Você acha que está demais?

— Dá uma voltinha – ela diz, analisando.

Faço o que ela diz e dou um giro lento.

— Você está linda minha filha – diz, dando o veredito com seus olhos brilhando – mas você irá me contar o que está aprontando? – pergunta, incisiva.

— Ainda tem aqueles biscoitos assados de ontem? – desconverso, pois não estou preparada para contar o que irei fazer.

— Está no armário – diz – nossa, você sabe quem vai adorar te ver assim? Emma! Mal posso esperar para ver a reação dela – ri.

— Na verdade, terei que sair antes dela acordar, precisarei passar em um lugar antes de ir para o trabalho – pego um biscoito e como enquanto pego minha bolsa.

Antes que ela tenha tempo para perguntar que lugar é esse, vou logo dizendo:

— Tchau mãe, até mais tarde.

Mas antes que eu possa escapar pela porta ela me chama:

— Jade? – me viro, dando atenção a ela – seja lá o que for aprontar, boa sorte.

Assinto com a cabeça e me dirijo para a garagem, sabendo que irei precisar de toda sorte e confiança possíveis.

— Que porcaria é essa? – grita alguém do outro lado do escritório – quem trocou meu açúcar por sal? – diz, cuspindo o restante do café no chão.

Sheila. Parece que alguém quis lhe pregar uma peça. Quem será?

— Amiga, você está be.. – Camila, A puxa saco.

— Cala a boca seu estrupício, e vai chamar alguma funcionariazinha da limpeza para limpar essa bagunça – ordena Sheila.

Camila sai parecendo uma cachorrinha com o rabinho entre as pernas. Sheila dá uma boa olhada em todos os funcionários deste setor. Os olhos contendo chamas de ódio, as bochechas vermelhas de raiva, pensando em quem ousaria se meter em seu caminho. Não duvido que se ela tivesse raio laser teria exterminado todos ali.

Volto a atenção para meu trabalho, enquanto Carol, a ‘’funcionariazinha da limpeza’’ que é sempre tão doce e meiga com todos, limpa o estrago de Sheila no chão.

— Jade, preciso que você marque... – olho para cima, assustada por não perceber a chegada silenciosa de Olavo – Nossa, você está diferente!

— Ah, fiz minha sobrancelha, você reparou? – digo, percebendo que essa é a primeira vez que faço uma piada com meu chefe.

— Ué, tem certeza? Achei que você tivesse colocado enchimento nos lábios ou algo assim – ironiza.

— Sério? Você acha que precisa? – faço um bico de pato, maior que o necessário, apenas para fazer graça.

— Hum, deixa eu analisar – diz, enquanto faz cara de sério – acho que você deveria aumentar um pouquinho sim.

— Para ficar assim ó? – aumento o bico de um jeito que nem eu mesma acreditava que seria possível.

Olavo arregala os olhos e ri. Isso mesmo, ele ri. Em todos os 2 anos que trabalho aqui nunca o vi sorrir. Na verdade, nem acreditava que ele soubesse como era dar uma risada. Mas logo ele retorna à sua compostura de profissional sério e diz:

— Preciso que você marque uma reunião com todos os sócios da Aqualife para ainda hoje, é muito importante.

— Com licença, Sr. Vasconcelos – diz Sheila, usando a voz mais sensual e nojenta que suas cordas vocais permitem.

— Pode falar – Olavo usa seu tom profissional de sempre.

De repente, se ouve um burburinho dos outros funcionários. E todos olham para Sheila. Ver a cara de bunda que ela faz por não saber do que todos estão rindo, não tem preço.

— Como o Sr. Deve saber, eu serei a modelo que fará as fotos para a campanha do consumo consciente da água – penso: ‘’céus, quanto photoshop terão que usar’’ – então, o figurinista responsável pelas roupas que serão usadas na campanha me pediu para mostrar o figurino escolhido para o Sr.

Dito isto, Sheila dá uma volta para que seu look possa ser visto de todos os ângulos, tomando o cuidado de empinar a bunda para que Olavo possa admirar seus atributos traseiros. Isso Sheilinha, caía na minha armadilha.

— Essa sujeira horrenda na parte de trás da calça faz parte da campanha também? – Olavo diz, um tanto irritado.

— O que? – Sheila olha para a parte traseira de sua calça – Não, eu não sei como me sujei assim!

— Bom, talvez devesse correr um pouco mais rápido para o banheiro – Olavo diz e volta para sua sala.

Sheila vai até sua cadeira e passa o dedo pelo assento. Bingo: uma mistura de coisas, adicionada a um pouco de barro, o que faz parecer que houve um acidente inesperado com seu intestino.

— Olhem aqui, eu não sei quem fez isso comigo, mas essa pessoa infeliz irá pagar muito caro. Estão me ouvindo? E parem de rir suas mocreias.

Dou uma olhada no ambiente e imagino o que está se passando na cabeça dos funcionários. A Marina, que claramente é uma rival de Sheila em se achar superior, aparenta estar muito feliz e deve estar pensando: ‘’Quero ver quem vai gostar de você agora, sua cagona! ’’ Rute, uma mulher séria que nunca se mete em confusão provavelmente está pensando: ‘’Por que tanta gritaria? Da para todo mundo cuidar da sua vida e ir trabalhar? ’’. Camila, deve estar pensando: ‘’tomara que ela não me mande limpar a bunda dela! ‘’. E tem o Alberto, que tenho certeza que está pensando em batata frita e não dando a mínima para a confusão que ocorre a sua volta.

Ligo para todos os sócios da Aqualife e digo que a reunião é primordial para a continuidade da empresa, mesmo sem nem imaginar qual seja o assunto que irão tratar, faço isso para que todos possam comparecer e não inventar desculpas esfarrapadas.

Olho para a sala de Olavo e sei que chegou a hora, não dá mais para adiar. Tenho que comunicar minha decisão, mas estou suando, minhas mãos tremem e meu coração parece estar querendo sair pela boca. Ir até a mercearia e comprar as coisas que precisava para aprontar com Sheila, ter coragem para enfrentá-la pode ter sido uma coisa, mas isso que estou prestes a fazer vai mudar toda a minha vida. E quando penso em desistir, em deixar tudo para lá e seguir em meu fundo de fantasia, sou tomada pela imagem de Fernando. Fecho os olhos e vejo seu sorriso, seus olhos e ouço sua voz me dizendo que preciso continuar, que nessa vida se queremos conquistar algo é necessário que se abra mão de algumas coisas, que é fundamental encontramos um sentido para nossa existência, que é crucial possuir sonhos mas também realizá-los e que ele sempre estará comigo.

Abro os olhos. Pronto, esse é o pontapé que preciso para me levantar e bater na porta do escritório do Olavo.

— Pode entrar – uma voz grave ressoa de dentro da sala.

— Com licença – entro.

— Não me diga que não conseguiu falar com os sócios.

— Não, não é isso, todos os sócios confirmaram presença – sorrio – é outra coisa.

— Pode falar.

— É.. Bom.. – minha garganta parece estar fechada – eu... – respiro fundo e digo o que vim dizer – eu quero me demitir da Aqualife.

— O que? – ele diz, chocado.

— Eu quero me demitir da Aqualife – agora que eu disse a primeira vez, na segunda sai muito mais fácil.

Pensei que quando chegasse a hora de dizer que estava abandonando um emprego que, aos olhos de todos, é maravilhoso, fosse ficar triste ou com medo, mas na verdade sinto uma leveza tão grande em minha alma que quero gritar para os quatro cantos do mundo minha decisão ousada e que contraria todas as regras do universo.

— Alguém fez alguma coisa? Se for isso, me fala quem foi que demito agora mesmo – balanço a cabeça e quando vou dizer o real motivo da minha demissão ele me interrompe – É o salário? Eu posso aumentá-lo, sem problemas. Quer uma mesa maior? Talvez uma sala só para você? Eu posso...

— Não, não é nada disso – eu finalmente o interrompo – eu quero mais do que trabalhar aqui. É um emprego muito bom, com um salário altíssimo, mas eu tenho sonhos, e ser secretária nunca foi um deles. Quero uma profissão que eu possa sentir que foi o que nasci para fazer, você entende?

Olavo assente com a cabeça.

— Mas é uma decisão muito importante. Aqui você possui estabilidade que em um país que vive uma crise tão grande é raro – ele alerta.

— Eu sei. Mas não há progresso sem mudanças, não é? E as vezes, nós precisamos nos arriscar – falo com confiança e determinação.

— Tudo bem então. Você fez um ótimo trabalho, nunca tive uma secretária que fosse tão competente assim, vai ser muito difícil encontrar uma funcionária tão boa quanto você. Quando te delego uma função, volto para a minha sala e fico tranquilo, pois sei que você conseguirá realizá-la. Você é forte Jade, tem que saber disso.

Uau. Gente, me belisca que estou sonhando. Esse é o primeiro elogio que recebo do duro Sr. Diretor. Que pena que ele só tenha dito isto no meu último dia de trabalho.

— Bom, passe lá no RH para comunicar sua decisão. Boa sorte Jade – e estende a mão para que eu possa apertá-la.

E assim, Olavo já volta a ser o chefe sem sentimentos de sempre. Pode-se perceber que dentro dele atuam duas forças: a do funcionário que não admite erros e quer ser respeitado a todo custo, e a do cara legal, que sabe fazer piadas, possui uma risada incrível e é adorável, pois sabe reconhecer as qualidades de uma pessoa.

Me viro, pronta a sair pela porta quando me vem mais um súbito ato de coragem e digo:

— Olavo, sei que quer ser respeitado e por estar em um cargo tão importante não admite erros, mas talvez você devesse relaxar um pouco. Sabe? Aliviar a pressão. Rir um pouco mais. Você tem funcionários muito competentes, e as vezes eles precisam ouvir isso de você.

Ao dizer isso, saio pela porta. Não acreditando que disse mesmo tudo isso. Nós possuímos tanta coragem dentro de nós, mas em meio a tantas amarras nos esquecemos que ela está lá, quietinha e pronta para superar todos os medos que temos.

Após passar no setor de RH, comunicar minha decisão e escutar um ‘’você é louca’’ e ‘’boa sorte, você vai precisar’’, volto para minha mesa e começo a arrumar minhas coisas. O pessoal do escritório me observa, sem entende muito bem o que está acontecendo começam a fofoca, todos comentando e especulando o motivo de eu estar arrumando minha mesa. Quando chegar a hora do almoço, saberão, graças aos funcionários do RH, o real motivo de minha partida, e aí mesmo é que terão motivos para falar da minha vida. Julgamentos e mais julgamentos. Será que é só isso que as pessoas sabem fazer? Elas criticam sem saber as razões por trás das ações de alguém.

Já está quase tudo dentro da caixa quando ouço um:

— Se ela se demitiu por livre e espontânea vontade, é porque é muito burra.

Não suporto mais tanto falatório e saio para tomar um ar. Preciso respirar. Vou até o bebedouro e molho minha garganta, dizendo a mim mesma que está tudo bem, eu fiz a coisa certa, certo?

— Eu sei mãe, mas o que os médicos disseram? – ouço alguém dizer.

Me aproximo do corredor e vejo alguém loira, linda e esbelta falando ao telefone. Sheila.

— Então a quimioterapia está ajudando? Ah, graças a Deus – diz ela, soltando um suspiro de alívio, como se estivesse prendendo a respiração por muito tempo – Deixa eu falar com ele... Oi campeão! – Sheila faz uma voz infantil – Tenho uma notícia pra você, quando eu estava indo para o trabalho comprei uma coisa super-mega-hiper legal para você, mas tem uma condição para ganhar seu presente... Terá que comer a comida que os médicos estão te dando tá bom? Não, eu não vou falar qual é a surpresa... Não... Ah, tudo bem, você venceu, é um helicóptero de controle remoto... Sabia que você ia gostar, mas temos um acordo ou não? Eu sei que você sente enjoo por causa do seu tratamento, mas você precisa se alimentar direito e aí vai poder voltar mais cedo para casa ok? Combinado então, depois do trabalho eu passo ai, beijo... Pode falar Caíque... – Sheila fica em silêncio alguns segundos após ouvir o que disseram do outro lado da linha – Sabe aquele filme que a gente assistiu, velozes e furiosos? O Dominic Toretto também perdeu os cabelos, e ele é muito gato não é? – ela tenta rir, mas percebo a dor em sua voz – Eu preciso voltar para o trabalho maninho, não esquece que amo você.

Após desligar o telefone, Sheila começa a chorar. Fico paralisada em meu lugar. Ela tem um irmão e ele está com câncer. A megera que eu pensava que ela era está ali, bem na minha frente, se derramando em lágrimas por preocupação, carinho e... amor. Ela é capaz de amar alguém. Fico tão chocada com essa revelação que não percebo que Sheila me viu, rapidamente volta a sua compostura de mulher má, limpa as lágrimas e diz:

— Tá olhando o que? Vai cuidar da sua vida, sua songa-monga — e volta para o escritório.

Continuo no corredor me sentindo uma idiota. Sheila possui sentimentos e a única razão dela agir como uma mulher sem alma é por sofrer. Sofre tanto que não quer deixar que ninguém veja isso mas lá no fundo, ela é uma pessoa legal, carinhosa e amorosa. E eu a julguei. Julguei suas ações sem saber de seus reais motivos, fiz com ela o que todos fazem comigo. Eu aprontei, a fiz de idiota na frente de todos e por que? Por uma vingança boba? A única coisa de que ela precisa é de amor, não de ódio. Droga, a única coisa que todos nós precisamos é de amor.

Saio correndo em direção ao escritório. Vejo que ela está de pé e a abraço, sem me importar com o que vão pensar. A princípio, Sheila fica sem reação e não me abraça de volta, mas insisto e não a solto, até que ela se rende e aceita meu abraço.

— Me perdoa por ter aprontado com você hoje – digo em seu ouvido – me perdoa por todo esse tempo ter te chamado de megera, loira aguada e outros apelidos não tão carinhosos. Me perdoa por ter te julgado. Você não precisa fazer isso. Não precisa omitir sua dor, e sabe por que? Todos nós temos problemas. Todos nós temos uma grande parcela de dor dentro de nós. E está tudo bem. Isso é ser humano. – digo, sem parar – Deixem que vejam como você é boa Sheila.

Finalmente a solto e vejo que ela está chorando, assim como eu. Tenta dizer algo, mas não sabe o quê ou como dizer, então ela apenas assente com a cabeça e sei que estou perdoada e meu conselho foi recebido com carinho. Além disso, posso ver em seus olhos uma bondade que antes não havia ali, prova de que Sheila irá mudar.

Ao nosso redor, todos nos observam com a respiração presa. Olho para cada um ali, imaginando quais seriam seus problemas e prometendo a mim mesma que jamais julgarei e serei ruim com alguém novamente. Vou para a minha mesa, pego a caixa com minhas coisas e saio da Aqualife, sabendo que aprendi mais uma lição em minha vida.

Entro na lanchonete e vejo Emma servindo os clientes com seu adorável sorriso e carisma. Passo por cima de tudo que há em meu caminho, quase esbarrando em uma garçonete e trombando em todas as mesas que está em minha frente, não me importo se quase derramo sucos e comidas porque: EU ESTOU EM PÂNICO!

Quando finalmente consigo chegar até Emma, meus olhos estão tão arregalados que parecem sair da órbita.

— Ah-meu-Deus, você viu um fantasma? – quando não respondo ela me faz sentar na cadeira mais próxima – Ok, me conta o que aconteceu.

Mas não consigo dizer nada, as palavras simplesmente estão entaladas em minha garganta.

— Jade, você tá me assustando!

Emma pega um copo com água que uma garçonete estava levando para outra mesa e joga na minha cara. Quando o líquido frio atinge meu rosto acordo do transe e disparo:

— Troquei o açúcar de Sheila por sal, fiz ela parecer que tinha feito coisas nojentas na calça e eu ia escrever no carro dela ‘’VACA’’ com seu batom vermelho, mas aí descobri que o irmãozinho dela está morrendo e a abracei na frente de todo mundo. Além disso, eu disse pro Olavo parar de ser tão chato e durão. E eu disse Olavo e não Dr. Vasconcelos, porque me demiti. Isso mesmo, bye bye emprego dos sonhos. Sem contar que decidi ir atrás do Fernando, conhecê-lo e fazê-lo se apaixonar por mim – digo, sem fôlego.

Emma me encara, pensativa.

— Você pegou meu batom vermelho? – pergunta.

Juro, as vezes tendo vontade de matar essa garota.

— De tudo que falei você só prestou atenção nisso?

— É que é meu batom predileto – eu a encaro – tá, foi mal. – Emma pega minha mão – Eu estou orgulhosa, você mostrou a coragem que eu sabia que sempre estava dentro de você.

— Mas eu estou com medo.

— Medo do que? De viver? – ela indaga – Agora você vai atrás dos seus sonhos. Vai procurar um emprego que te faça realmente feliz. E também, vai atrás do seu grande amor – diz ela, sorrindo.

— Esse é o problema: como vou encontrar o Fernando? Porque não é como se ele morasse na esquina da nossa casa e eu fosse encontrá-lo comprando pão na padaria do seu Zé – coloco as mãos na cabeça, me sentindo estúpida.

Emma pensa um pouco, até que seu olho brilha, o que mostra que ela teve uma ideia, e isso me dá um gelo na espinha.

— Eu tenha uma ideia! Eu fiquei sabendo que ele estará em um programa de TV ao vivo, no dia 24, então é só nós irmos e participar da plateia! Aí você pode conhecê-lo e falar com ele! Ah, como sou brilhante! – diz ela, radiante.

— Só tem um pequeno furo nessa sua ideia – digo – dia 24 é amanhã Emma! Eles escolhem a plateia muito antes. Como vamos entrar lá?

— Ah querida, nós damos um jeito.

Sinto que vou me meter em uma enrascada.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.