Meu Sacrifio
1 I - Uma Infancia Roubada
Denny sempre foi um garoto com muitos problemas, perdeu seus pais muito novo, e ficou na guarda de seus tios.
Sua tia Issa, uma moça muito alegre, e hippie, o ensinou o significo do amor, suas ideologias, sempre com muita alegria e paciência. Já o marido da sua tia, Rubens, um cara totalmente ao contrário, que bebia muito e era bem agressivo, e sádico, agredia sua tia, que sempre protegia Denny.
Assim que sua tia morreu, Denny com 12 anos, passou a viver com seu tio, e a convivência ficava cada dia mais difícil.
—Hey moleque – Dizia seu tio jogado no sofá assistindo futebol em sua televisão bem velha – Traga logo a minha cerveja.
Denny apenas olhava e ainda pensava quando aquilo tudo acabaria.
—Tome – Entregava a cerveja olhando para seu tio com um olhar assustado – Mais alguma coisa?
—Saia da minha frente moleque – O jogava com força para o chão – Não volte a me incomodar, sai daqui seu inútil.
Ele foi acostumado assim, a ser um menino reprimido de toda injustiça cometida pelo seu tio.
Denny se levantava correndo para porta, e saí.
Se escondia em um beco que tinha a dois quarteirões de sua casa, sentava e chorava.
Denny sofria de distúrbios mentais, que envolvia transtornos de personalidade.
Que só iria piorando com o tempo.
Sempre controlados com remédios que muitas vezes o deixava dopado e frágil.
Naquela noite Denny estava sóbrio, sem o uso de medicação nenhuma, não esperava voltar tão cedo para casa, mas tinha medo, medo do que poderia o acontecer sem os remédios, que o deixava mais calmo e protegido de si mesmo. Resolveu andar pelo bairro.
—Ei, babaca – Dizia uma voz longe – Você mesmo estranho.
Denny olhou para trás andando mais rápido, viu uma contagem alta de meninos.
—Ei garoto, estou falando com você, vamos brincar um pouco.
Nesse momento Denny já estava correndo, olhando para trás, ainda via muitos garotos com sorrisos maliciosos correndo em sua direção.
—Eiii, aqui – Grita uma voz feminina na frente de um portão.
Um senhor muito alto, segura no braço de Denny, colocando ele para trás, do lado da menina, confrontando os outros meninos que vinham atrás, e assim, os meninos somem de vista.
A garota logo dá um copo de água para Denny, na tentativa de o acalmar.
—Você está bem? O que faz andando a essas horas aqui? Você não sabe que aqui é um lugar perigoso? — Perguntava o senhor.
Denny mal podia responder. Estava suando frio.
—Relaxa garoto, agora entre, tome mais um copo de água.
Denny entrava por impulso, ainda sem saber quem era aqueles que o tinham ajudado
—Sente se, fique à vontade, me chamo Rafael, sou o mordomo e segurança dessa mocinha, na qual posso dizer que salvou sua vida, ela que te viu, e me puxou para fora para te ajudar.
—Oi, me chamo Julyanne, pode me chamar de July, como você se chama garoto?
—Me chamo, Denny – Dizia olhando para os lados, se acalmando. Tenho 12 anos, e moro no bairro vizinho. Obrigado pela ajuda, agora tenho que ir.
Denny se levantou, e foi rapidamente a porta.
—Calma, Denny, tenho 13 anos, você parece legal, sou nova no bairro, não conheço ninguém, você poderia vir brincar comigo, sabe, seria legal.
—É.. Volto sim, assim que der…
—Amanha, você aqui, as 16:00, na hora que volto da escola, vou te esperar no portão, ou quer me o Rafael vá te buscar, podemos ir come…
—Não precisa me buscar – Dizia, parecia estar assustado – estarei aqui.
Ela o abraçava
—Até amanha Denny.
Denny abraçava ela, e sorria.
—Até.
Denny saia rapidamente da casa dela, não gostaria que ninguém o acompanhasse, ele sentia vergonha do lugar no qual ele morava, afinal, a menina era tão rica, com uma casa tão grande, e ele morava em um lugar nobre, com uma casa pequena.
Sentiu uma mão em seu ombro.
—Não deixarei voltar desacompanhado mocinho.
—Rafael? Já disse que não precisa, eu sei me virar.
—Correr não é saber se virar, vamos, vou te levar, nem adianta dizer que não.
Dando de ombros
—Tudo bem, mas promete, que não dirá nada do lugar para July?
—Prometo.
Rafael seguia no caminho com Denny, e não parecia estar nada assustado com o bairro nobre, e um tanto sombrio no qual caminhava.
—Você parece está assustado, por você morar aqui, parece estar apreensivo.
—Você não liga em está aqui?
—Já morei em lugares piores meu caro, em bairros barra pesada mesmo. Não tenha vergonha da sua vida, do lugar de onde veio, ou de onde vive, faz parte de você, não podemos ter vergonha de quem somos, ou de onde viemos.
—E se ela não quiser mas ser minha amiga, se saber da minha origem? De quem eu sou?
—Talvez o pai dela não goste muito, mas você acha que com essas vestes, ela já não sabe de onde viera? E quer saber? Ela ainda te achou legal, não tenha medo.
—Obrigado Rafael, moro aqui.
—Até amanha moço – Dizia estendendo a mão.
—Até – Dizia apertando a mão de Rafael.
Denny entrava rapidamente em casa, sem contato visual com seu tio, mas que o logo o via e já o chamava.
Seu tio estava bêbado e visualmente drogado.
—Onde estava moleque?
—Com uma amiga.
—Você não tem amigos, você não tem ninguém, você é sujo, agora vá para o seu quarto, não quero ouvir nada.
Já era comum, o seu tio tinha uso frequente de drogas lícitas e ilícitas, Denny, só se trancada, tomava seus remédios e dormia.
Denny passou a ir se encontrar com July todo dia, voltando em casa, e seguindo sua vida “normal”, tomando seus remédios controlados, e isso seguiu a anos, com amizade, e muitos segredos.
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