Notas iniciais
Boa leitura ♥ O capítulo começará narrado pela Stacy.

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Stacy

Depois do dia que Cassie me conduziu bêbada até a casa do Bruce, eu apaguei. Não fazia ideia do que estava acontecendo. Só recuperei minha consciência quando amanheceu e vi que estava no quarto do Bruce, deitada em sua cama.

O quarto estava vazio, mas eu podia senti-lo. O cheiro dele estava no travesseiro. Respirei fundo e com um impulso me levantei e fiquei sentada em sua cama, coberta por seus cobertores, tentando me lembrar da noite anterior. Me lembrei da Cassie conversando comigo na esquina, e depois já não consigo me lembrar de muita coisa.

Quando me levantei, caminhei descalça até a porta e abri. Logo em seguida desci as escadas e procurei pelo Bruce na cozinha, como ainda era de manhã.

Eu o encontrei conversando com o Colin. Estavam rindo, apoiados na mesa. Quando me viram, me cumprimentaram e Bruce me olhou.

— Como está? — Perguntou.

— Be... — Tentei dizer mas minha voz falhou, rouca. Então disse outra vez, sem jeito — Bem.

Eu não me encontro nos meus melhores momentos. Estou péssima, e posso concluir isso através da forma como o Colin me olha. Sei que estou descabelada, e minhas olheiras devem estar horríveis. Também emagreci um pouco mais.

Inspiro profundamente e sinto o cheiro de cigarro que vem da minha blusa. Tem uma mancha esquisita nela, também. Provavelmente alguma bebida que o idiota do Jhef me vendeu.

— Deixei o seu café pronto. — Bruce se desencostou da mesa e veio até mim. Meu coração disparou. Odeio essa sensação.

— Não... Eu estou saindo. — Apontei para a porta. — Vim agradecer e me desculpar por qualquer idiotice que eu fiz ontem. Não consigo me lembrar de quase nada. — Ri, sem graça.

— Cassie trouxe você. — Bruce ficou em minha frente. Engoli a seco. A forma como ele me desconcerta é terrível. Costumo ser corajosa e enfrentar tudo, mas quando estou perto dele... Sinto que ele pode ter o que quiser de mim. A altura, a beleza, o olhar impactante e todo o resto não contribuem. — Você apagou logo em seguida. — Bruce tocou meu cabelo, e o ajeitou, colocando atrás de minha orelha.

Olhei para baixo.

— Ah, certo. — Falei. — Preciso ir agora. — Depois que falei isso, me lembrei que não tenho para onde ir. Se eu tentar entrar em meu apartamento, vão me expulsar. Já faz um tempo que não pago nada!

— Tome um banho, antes. Depois volte para cá e coma. — Falou, ainda tocando em meu cabelo. Olhei para o Colin e ele estava com um sorrisinho idiota no rosto, nos olhando de lado, tentando disfarçar.

— Não, não quero causar mais problemas.

— Mas não está.

Respirei fundo, e mesmo hesitando, aceitei.

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Bruce me emprestou uma de suas blusas confortáveis. Quando voltei para a cozinha, aproveitei que nenhum deles estava ali, e comi pra caramba. Detonei todos os pãezinhos e torradas. Em seguida ataquei uma torta e uma porção de mufins. Fazia um tempo que eu não comia tão bem.

Na hora de ir, encontrei Bruce sozinho na sala principal. Era como se ele estivesse me esperando. Quando me aproximei da saída, ele veio até mim para se despedir.

— Estou indo. Obrigada, mais uma vez.

Ele cerrou os olhos para mim e abriu um sorriso, como se fosse uma besteira eu agradecer por isso.

— Não faça isso outra vez, Stacy. — Falou sério.

— O quê?

Ele respirou fundo, frustrado.

— Ficar nas ruas, sozinha, ou com marginais... Você não está comendo. E tem ficado bêbada a maior parte do tempo.

— Não quero falar sobre isso. Acho que eu sei o que faço.

— Eu sei. Mas te ver assim me deixa mal. Quero vê-la bem.

Revirei os olhos, tentando mostrar indiferença, mas senti vontade de chorar.

— Deveria ter pensando nisso antes de entrar em minha vida. — Respondi. — Se eu era um problema, por que decidiu se aproximar?

Sem me responder, ele olhou no fundo dos meus olhos, mais uma vez, e aquilo me doeu tanto. Bruce segurou meu rosto com as duas mãos.

— Você nunca será um problema para mim. Na verdade, quando estou com você, todos os meus problemas parecem não existir.

Franzi minhas sobrancelhas e continuei olhando para os seus olhos. Aquela sensação inquietante estava me matando, mas continuei ali, vidrada em suas pupilas.

— Então fique comigo. — Falei. — Por que age como se não se importasse? Isso acaba comigo.

Bruce ficou inquieto. Parecia querer me dizer algo, mas não o fez. De qualquer forma, ele tinha seus motivos para me querer longe.

— Vá para casa, Stacy. E ignore tudo aquilo que te faz ir para baixo. Estou com você, apesar de não estar por perto. Eu prometo.

Fiz que não com a cabeça, já querendo chorar.

— Por favor. — Ele pediu. — Vá para casa e tente ficar longe de mim. Tente não vir para cá, está bem?

Empurrei o Bruce, abri a porta e saí dali, segurando minha blusa de frio em uma mão. Com passos apressados corri pela rua ensolarada, limpando as lágrimas discretamente.

Quando cheguei ao meu apartamento, cobri meu rosto com minha blusa e torci para o pessoal não me barrar. Tentei passar discretamente, e ficou evidente que eu estava me escondendo. Mas me surpreendendo, a recepcionista disse:

— Não se preocupe, Stacy. Pagaram a sua dívida.

Franzi minha testa e caminhei até ela, discretamente.

— Como? — Sussurrei, me apoiando no balcão.

— Um cara gatinho de cabelo um pouco comprido veio até aqui e pagou seu aluguel. Três meses adiantado! — Leila se abanou com as mãos.

Continuei com uma expressão nada boa, em seguida subi até meu andar.

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Não consigo deixar de pensar em outra coisa senão no Bruce. Prometi para mim mesma que vou tentar melhorar. Vou tentar conseguir um novo emprego e não quero ficar bêbada durante a noite. Quero fazer novos amigos e talvez, algum dia, recuperar o Bruce.

Prometi que não voltaria para a casa dele, mas depois que descobri que ele pagou a minha conta, se passou um tempo e senti necessidade de visitá-lo e dizer para ele que vou devolver o dinheiro, quando eu tiver.

Além disso, tenho pensado na Cassie. Devo uma a ela, por ter se preocupado comigo. Quero saber como ela está e onde está morando. E só o Bruce pode me dar essa informação.

Durante a noite, às nove, caminhei até a casa dele.

Quando cheguei a porta estava trancada, pensei em chamar por ele, mas não fiz isso. A casa estava um pouco escura, mas eu podia ouvir algumas vozes. Me aproximei da janela da frente, e ela estava aberta.

Então puxei o vidro e rapidamente entrei ali.

Silêncio e escuridão. Olhei em direção à escada e no andar de cima havia luz. Então subi cada degrau, devagar e silenciosa.

Quando cheguei ao corredor dos quartos, as vozes se intensificaram. Na verdade, eram quase gritos, e vinham do quarto do David. A porta estava aberta, então me encostei cuidadosamente na parede, para que não me vissem.

Estavam os quatro ali. Bruce, Colin, David e Louis. Faltava o Franklin, mas havia um cara estranho ali. Era alto e medonho. Cheio com músculos.

— Sei que ela está viva. Nós já sabemos. — O homem dizia.

— Como pode provar isso? — David perguntou, enfrentando.

O homem riu.

— Quer mesmo continuar fingindo? Abra o jogo, rapaz. Quem sabe eu posso abrir uma exceção para você se me disser onde ela está nesse momento?

Agora foi David quem riu.

— Por que não procura você mesmo se tem certeza de que ela está viva? Ela está morta, Brad.

— Superior Brad. — O homem o corrigiu.

— Você é engraçado, "superior" Brad. — Bruce interveio. — Mas está na hora de esquecer isso, não é? Já faz um tempo que demos um fim naquela garota. Por que não deixa a gente em paz?

— Quem é a nova escolhida do David? — O tal Brad perguntou.

Eles ficaram calados. Aquilo era tão estranho... De quem eles estavam falando? Será que todos são... Sequestradores? Meu sangue subiu com o pensamento. Talvez eu deva correr e ir embora.

— Ainda estamos resolvendo isso. — Colin respondeu.

— Então quer dizer que Jason permitiu que você não sofra nenhum castigo por ter deixado a sua escolhida saber sobre nós? Que generoso... Mas acontece que já sabemos a verdade. — Brad se aproximou do David. — Diga! Onde está a garota? — Puxou a blusa do David.

— Está morta. — David cuspiu as palavras, rude.

Ele soltou o David e riu.

— Nós vamos encontrá-la. E quando isso acontecer... Não só você sofrerá as consequências, mas todos os seus irmãozinhos. Nós demos uma chance, mas preferem a vida de uma mera mortal... Traidores.

O homem em seguida ficou em silêncio. Mas me surpreendendo, de suas costas surgiram asas! Asas! E eram enormes! Da cor preta. Eram escuras e arrepiantes.

Com um susto, acabei soltando um pequeno grito, em seguida coloquei minha mão em minha boca.

Todos olharam em direção da porta, inclusive o homem medonho.

— Stacy? — Bruce disse meu nome, e eu pude notar o desespero em sua voz. Como se tudo estivesse perdido.

Ao invés de correr, apareci na porta, meus olhos cheios com lágrimas.

— O que... — Eu sussurrei.

— Quem é e... — O homem com asas me olhou, e naquele exato instante, das costas do Bruce, do meu Bruce, surgiram asas. Mas ao contrário das asas negras do outro homem, as asas do Bruce eram brancas. E ele avançou naquele homem com um só impulso, e os outros rapazes fizeram o mesmo.

— Fuja! — Eles gritaram e aquilo me desesperou.

Uma luta se iniciou, e aquele homem parecia ser mais forte. Conseguiu empurrar todos com uma espécie de poder. Rapidamente corri, descendo a escada. No meio da escuridão, acabei pisando falso um degrau e rolei o restante, até o andar de baixo.

Quando me encontrei caída no chão, tentei levantar, mas me contorcia de dor. Ainda assim, procurei por força, e corri até a janela, que estava aberta. Rapidamente me joguei para fora, desesperada e ofegante.

Quando me encontrei na rua, corri desesperadamente, sem saber o que fazer, enquanto isso, uma luta sobrenatural acontecia na casa do Bruce. Tudo por minha culpa.

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Estou em casa. A porta está trancada e eu estou em minha sala, no sofá, com muito medo. Já é o dia seguinte e as últimas imagens que vi nunca vou conseguir me esquecer. Talvez seja um sonho, mas me lembro da voz do Bruce e daquelas asas, e então tenho certeza de que foi real.

Acho que andei fumando demais.

Ou não.

Mas ainda estou assustada. Apesar de ser dia e o sol estar raiando lá fora, tenho a impressão de que aquele homem vai entrar aqui. Ou o Bruce. Eu não quero vê-lo! Aquilo foi surreal! Mas ao mesmo tempo, quero saber se ele está bem. Se acabou se ferindo ontem.

Quero sair por aí e pedir ajuda, mas ao mesmo tempo estou sem coragem para sair do sofá.

Ouço o som de passos, logo em seguida alguém bate em minha porta. Eu pedi para o pessoal do apartamento não deixar ninguém entrar! Como isso é possível?

— Stacy? — Me chamam, e reconheço a voz. Bruce. As suas batidas na porta são leves.

— Vá embora! — Grito, já querendo chorar outra vez.

— Stacy, abra, preciso falar com você. — Disse outra vez. Sua voz abafada, vinda do outro lado. Não vou abrir. Não vou! — Eu vou ter que abrir se você não me deixar entrar.

Corro para a cozinha, desesperada. Quando chego, abro minha gaveta de facas, tremendo, e agarro a primeira que vejo.

A porta se abriu. Posso sentir que ele está entrando. Um passo, depois outro. Bruce está aqui.

Ele apareceu na cozinha, preocupado. Consigo ver um pequeno corte em seu rosto, e também uma marca roxa próxima ao olho esquerdo. Tem um corte em sua sobrancelha.

— Stacy, não fique com medo! — Ele pediu, estendendo as mãos assim que me viu segurando uma faca.

— Não chegue perto! — Apontei a faca, tremendo e com os olhos inundados.

— Stacy... — Falou meu nome com carinho e deu mais um passo até mim. — Me deixe explicar para você.

— Eu já disse para não chegar perto! — Gritei e fechei meus olhos. Em seguida caí no choro, de verdade, e larguei a faca. Ela caiu no chão e fez um barulho agudo. Me arrastei até o chão e ali terminei de chorar. Por tudo.

Bruce veio correndo até mim, se abaixou e me abraçou. Bem forte.

— Está tudo bem. — Sussurrou, diversas vezes. Seu hálito quente e sua pele. Eu o abracei de volta.

Não consegui dizer nada.

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— Então você é meu cupido? — Tentei digerir aquilo pela décima vez.

Ele afirmou.

Passei minhas mãos pela minha cabeça, envolvendo meu cabelo. Em seguida fechei os olhos e meditei.

— Isso não pode ser verdade.

— Você não pode saber. Na verdade, ninguém pode. Stacy, você não deveria... — Ele parou de falar. — Olha, precisamos dar um jeito nisso. Se eles descobrirem que você sabe de tudo, vão te perseguir, assim como a Cassie.

— Espera! A Cassandra sabe disso?

— Sim. É por isso que ela morava conosco. Ela estava fugindo. Os nossos superiores são rápidos. Eles sabem quando alguém sabe sobre nós. A pena é a morte. Eu...

Naquele momento muita coisa começou a se encaixar. Apesar de a ideia ser difícil de assimilar.

— O que vocês fizeram com... Aquele homem?

— Demos um jeito nele. Não é a primeira vez que fazemos isso, mas por sorte, eu e os caras conseguimos segurá-lo.

Assenti.

— Stacy, eu não deveria ter me aproximado de você. Desde o começo, eu sabia que estava te colocando em perigo, mas fui teimoso e me apaixonei. Agora você sabe de tudo e eu vou ter que fazer alguma coisa.

Olhei para ele. Então, desde o começo... Ele quebrou essa regra.

— O que vai acontecer comigo? E com a Cassie?

— Estamos tentando encontrar uma forma de resolver isso há muito tempo. Já estava sendo difícil manter a Cassandra em segredo, mas agora teremos você.

Franzi minhas sobrancelhas.

— Mas não se preocupe. Não vou deixar que toquem em você. Vou arriscar minha vida, se possível. Assim como David tem feito com ela.

Eu o abracei.

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Cassie (Continuação do capítulo anterior)

— O que está fazendo aqui? — David perguntou.

— É uma longa história. — Franklin respondeu por mim, em seguida larguei o David. Ele não parecia contente em me ver.

— Não! A Cassandra precisa voltar. Ela não pode ficar aqui! — David ficou desesperado.

— Cara, eu vou explicar o que aconteceu...

— O que você está fazendo com ela? — David perguntou. — Os superiores já sabem de tudo! E você fica o tempo todo fora, e quase nunca nos ajuda! — David me colocou cuidadosamente ao seu lado e apontou um dedo para o Franklin.

— Eu estava fazendo coisas importantes, está bem? Se não fosse por mim, a Cassandra estaria morta nesse momento! — Agora foi Franklin quem gritou. Me encolhi.

David suavizou as expressões.

— Aquele Dean não é o que você pensa. Ele é um... — Franklin olhou para os lados. — Um superior. Ele iria matar a Cassandra, mas eu apareci! Senti que precisava estar por perto. Graças a mim, ela está aqui agora.

David me olhou. E naquele momento entrei em estado de choque. Dean um superior? Como foi que Franklin chegou a essa conclusão?

— Isso é verdade? — Agora seus olhos carregavam compaixão, David me analisou e tocou meu ombro.

Assenti.

— Estou bem.

— Ok. — David se preparou. — Vou levar a Cassandra para bem longe daqui.

— Para onde? — Franklin ficou preocupado.

— Na mansão. É para lá que Bruce levou Stacy. — David respondeu.

— Stacy? — Olhei para ele e perguntei.

— É uma longa história. E você — Ele apontou para o Franklin. — Tem muito o que me contar quando chegarmos lá.

Franklin pareceu perdido.

— Se prepare, Cassie. Vamos voar. — David tocou minha cintura.