Meu Querido Blog...

3 Sua casa não é um freezer!


Notas iniciais
Muito obrigada pelos comentários nos capítulos anteriores! Eu simplesmente adorei e queria dedicar esse capítulo a todas as pessoas que estão lendo a fic *--* Obrigadin gente! Bem, adivinhem... Esse capítulo tem narrador novo! o/ Espero que gostem! Ah, e me desculpem se ficou muito meloso o capítulo, eu estava ouvindo "Wherever You Are" de One Ok Rock enquanto escrevia, hihi >< o/ Aproveitem!

Jason

Era um sábado chuvoso. Eu havia saído de casa umas 14:00, e já estava em frente ao prédio onde Sophia morava.

Era um prédio normal. Não era um condomínio de luxo ou algo do tipo. Era apenas um prédio onde qualquer pessoa normal moraria.

Eu subi pelas escadas até o terceiro andar, que era onde ficava o apartamento da Sophia.

– Apartamento 23... Aqui. — Eu disse, tocando a campainha.

Eu ouvi um barulho de chaves e em seguida a porta se abriu.

– Hum... Oi. — Ela disse enquanto eu entrava.

– Oi — Eu sorri.

– Eu tinha me esquecido que você vinha... Então me desculpe por receber você, hum.... desse jeito. — Sophia disse.

Eu não tinha percebido, mas Sophia estava vestindo uma camiseta branca que parecia de pijama, e uma calça toda esfarrapada. Não sabia se era por isso que ela estava se desculpando, ou se era pela bagunça que estava sua casa.

– Então... Cadê sua família? — Perguntei, olhando ao meu redor.

– Não tenho família. — Ela disse, num tom frio. — Eu moro sozinha.

Eu me senti um bobo naquela hora. Fiquei com vontade de perguntar " Como assim não tem família?" mas eu me contive. Não queria trazer más lembranças para ela, e nem receber uma patada tremenda.

– Qual foi o propósito de você ter vindo aqui, mesmo? — Ela perguntou.

– Trabalho de inglês. Temos que conversar pra fazer essa droga... Eu acho.

Ela deu ombros.

– Hum.. Como vamos começar a conversa? — Eu perguntei.

Silêncio total, parecia que ela não queria mesmo fazer aquele trabalho.

O silêncio foi cortado por um barulho estranho: O barulho do meu estômago. Eu não tinha comido nada antes de sair de casa e eu estava com muita fome.

– Está com fome? — Sophia perguntou.

– Não... — Menti — Quer dizer... Talvez um pouco...

– Tem sorvete. Você quer?

– Não precisa... — Meu estômago roncou mais uma vez.

Ela parecia ter entendido que eu estava morrendo de fome, pois pegou dois potes de sorvete e me entregou um.

– Obrigado... — Eu disse meio sem jeito.

– De nada. — Ela disse.

Tá, eu sei que foi meio irônico ver a 'Ice Girl' tomando sorvete, mas eu tive que guardar essa piadinha porque eu não queria ofendê-la ou algo do tipo.

– Delícia... — Sophia disse, enquanto colocava uma colherada de sorvete na boca.

– Hum... Tomar sorvete no frio é uma das coisas que eu mais gosto...

– Ei. — Ela me chamou — Como vamos fazer esse trabalho? Eu não sei nada sobre você. E nem você sabe sobre mim.

– É por isso que eu estou aqui. Eu quero te conhecer melhor. E vou fazer você me conhecer também.

– Mas eu não sou do tipo que conversa.

Era meio difícil conversar com ela, claro. Mas algo me dizia pra tentar ser amigo dela, então eu não podia desistir.

De repente, Sophia ficou olhando para mim como se eu fosse um completo idiota.

– O que foi? — Perguntei.

– Você... Está todo sujo... — Ela começou a rir.

Dos dois anos que nós estudamos juntos, eu nunca tinha visto Sophia rindo. Ela ficava muito bonita sorrindo, era melhor do que quando ficava séria e mal-humorada.

– Droga... — Eu olhei para baixo e vi minha camiseta toda suja de chocolate — Como eu fiz isso?

– Você estava aí abobado olhando pro nada, quando derrubou seu pote de sorvete na sua roupa. — Ela continuou rindo.

– Ah cara... — Eu a encarei — Espera... Você está rindo? Você ri?

– Sim. Sou um ser humano, não sabia? — Ela perguntou, desfazendo o sorriso.

– Pra falar a verdade... Não.

Tá, tenho que admitir que Sophia era muito bonita até quando estava séria. Ela me lembrava aquelas guerreiras superlindas de RPGs.

– Hum... Quer conhecer minha casa? — Ela perguntou enquanto tirava a franja dos olhos.

– Ok, um tour pela sua casa não faz mal algum.

Nós dois levantamos do sofá e andamos até um corredor onde tinham três portas.

– Esse é meu quarto. — Ela abriu uma das portas.

O quarto dela tinha as paredes azuis cheias de pôsteres de bandas. Também tinha um guarda-roupas grande e marrom que parecia ser muito velho, e uma cama cheia de livros e papéis amassados.

– Quarto legal... — Eu disse.

– Não sei onde...

– Pelo menos você não tem que dividir o quarto com três irmãos.

– Pera... Você disse... Três irmãos? — Ela arqueou uma das sobrancelhas.

– Sim. Três irmãos. Dois mais velhos e um mais novo. — Respondi — E eu tenho mais uma irmã, só que ela mora no Canadá.

– Caramba, como você sobrevive?

– Família, né... Somos obrigados a nos aguentar. — Eu dei um pequeno sorriso.

– Ah, eu não entendo esse tipo de coisa... — Sophia pareceu triste — Meus pais morreram... Eu sou filha única... Meus parentes não gostam de mim... Seria impossível eu entender o que você pensa.

– Sinto muito... — Eu olhei para ela, que estava de cabeça baixa.

– Não, tudo bem. — Ela disse. — Eu não me importo mais com isso. Agora... Quer continuar a conhecer a casa?

Eu assenti, e ela abriu a porta do fundo do corredor.

– Aqui é o banheiro. E... — Sophia abriu a outra porta — Aqui é o escritório.

O escritório era realmente bonito. Tinha várias prateleiras com livros, uma mesa com alguns papéis e um notebook, duas cadeiras daquelas com rodinhas e uma sacada com vista para o jardim do prédio.

– Uau... — Eu disse — Aqui é um ótimo lugar para passar o dia inteiro trancado.
– Anh? — Sophia me olhou como se eu tivesse acabado de falar que comi um peixe-boi.

– Que foi? Eu ficaria trancado aqui de boa.

– Ah claro... — Ela deu um sorriso minúsculo — Aqui é meu cômodo preferido da casa. Por que não fazemos o trabalho aqui?

– Ótima ideia.

– Ok. Só espera eu pegar meu caderno. — Ela saiu, me deixando sozinho no escritório.

Eu fiquei olhando para os lados, até que fui dar uma olhada nos livros. A maioria eram livros de romance ou mistério, o tipo de leitura que eu odiava.

Enquanto eu colocava um dos livros de volta na prateleira, um papel caiu. Não era um papel qualquer, era uma fotografia. Na foto estavam uma mulher muito bonita e um homem junto de uma menininha que parecia ter uns 4 anos. Eu não tive dúvidas que era a família de Sophia.

Eu guardei a foto e voltei a observar os livros.

...

Um tempo depois, Sophia entrou no quarto com seu caderno e um estojo.

– Pronto. — Ela disse.

– Vamos começar? — Eu perguntei.

– E como vamos "começar"? — Ela perguntou, suspirando.

– Não sei... hum... — Eu suspirei e nós ficamos em silêncio por um tempo — Mudando de assunto, eu vi no seu quarto vários pôsteres de bandas, principalmente de J-Rock. Não sabia que curtia esse tipo de música...

– Acho que gosto de J-Rock desde sempre...

– Entendo... — Eu olhei fixamente pra Sophia, que estava séria como sempre.

– O que foi? — Ela perguntou.

– Por que você é tão fria com as pessoas?

Eu acho que a peguei de surpresa com essa pergunta, pois ela olhou para mim surpresa. Mas por fim suspirou e disse:

– Quando se conhece alguém, você procura os lado positivos na pessoa primeiro, e depois você vai descobrindo os defeitos dela. — Ela olhou para baixo — Eu não. Eu procuro os defeitos primeiro, e evito procurar as qualidades.

Seu olhar se encontrou com o meu. Ela parecia triste.

– Me desculpe fazer você falar isso pra mim... — Eu disse.

– Tudo bem. Eu nunca falei algo assim pra alguém, então...

– Você é diferente do que eu imaginei. — Eu a interrompi — Eu sinceramente, achei que você seria alguém que só se faz de fria e durona. Mas na verdade, você tem pensamentos diferentes, tem seu jeito próprio e... Com certeza daria para uma ótima melhor amiga.

Ela ficou vermelha.

– Trabalho. Você veio aqui para o trabalho.

– Estou fazendo o trabalho. Agora eu já sei exatamente o que escrever.

– Vai escrever o quê? Que eu sou um picolé ambulante?

– Não, vou dizer que descobri que sua casa não é um freezer! — Brinquei.
– Sério? — Pelo o seu tom de de voz, eu não sabia se ela estava sendo irônica, ou se ela não tinha entendido que era uma brincadeira.

– Não, só tô brincando. — Eu ri — Você vai ter que ler o texto para descobrir.
– Eu também tenho que fazer o meu texto, e a única coisa que eu sei sobre você, é que você é uma viciado em joguinhos.

– Não são simples "joguinhos"! — Protestei — Os meus games necessitam de muita capacidade mental!

– Ah, claro... — Ela revirou os olhos — Necessitam também de muito tempo pra jogar fora e muitos viciados sem vida social para jogá-los.

– Você também não tem vida social! — Eu disse.

– Não. Eu não quero ter vida social. É bem diferente de você que não tem mesmo querendo ter.

– Ah, obrigado pela parte que me toca.

– De nada. — Ela deu um sorrisinho irônico.

Ficamos em silêncio por um bom tempo, eu olhava pra ela e ela olhava para mim e assim foi...

– Você é engraçado. — Ela disse.

– Eu?
– Sim, acho que se você não tivesse vindo... hum, bem... Meu sábado seria um tédio.

Eu senti meu rosto ficar quente. Não tive dúvidas de que eu estava corado.

– Eu?

– Não vou repetir.

– Eu?

– Eu já disse que não vou repetir.

– Mas sério mesmo? Eu sou a pessoa mais chata do mundo!

– Você quer competir comigo? Se tivessem um concurso da garota mais chata da escola eu seria expulsa e eles ainda iriam falar: "Profissional não vale!"

– Cara, você não é chata... — Eu ri — Você muito engraçada, e também legal.

Ela olhou para a sacada, tentando disfarçar seu rosto todo vermelho.

– Ainda está chovendo? Que droga. — Sophia disse.

– Odeio chuva. Ela sempre acaba com a minha internet quando eu estou jogando online...

– Você é besta. Se preocupa com essas coisas sem sentido. — Ela disse, ainda fitando a chuva.

Sinceramente, eu tive a leve impressão de que Sophia era bipolar. Uma hora era: "Você é engraçado" e na outra era: "Você é besta". Eu poderia ser um engraçado besta!

– Bem, não sou eu que fico lendo romance policial... — Eu dei um sorriso irônico.

– Isso era da minha mãe. Eu nunca li nenhum daqueles livros.
Nem deu tempo de eu me sentir envergonhado, pois um segundo depois o telefone tocou.

– Fique aí, eu vou lá atender. — Ela disse, saindo pela porta.

Eu fiquei lá esperando, até que que de repente a tela do notebook ligou.

– Hem? — Eu fui até a mesa onde ele estava.

Eu me surpreendi ao ver o que estava na tela. Era o blog 'Action Outraged', mas estava como se alguém estivesse postando algo. Um texto enorme sobre grêmio estudantil. Lá no final estava escrito: 'Heaven'.

Demorei para perceber o que estava acontecendo, mas quando finalmente me dei conta, tudo veio como uma enxurrada na minha cabeça: Sophia era a Heaven.

Notas finais
Espero que tenham gostado! o/ Sugestões? Opiniões? Dúvidas? Críticas? Comentem!