Meu Príncipe Nada Encantado
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Viajar com dois meninos que não se falavam era a pior coisa do mundo. Durante resto do dia eles não dirigiam uma única palavra ao outro. Chegaram ao meu “acampamento” improvisado e simplesmente se sentaram cada um no seu canto. Pensei em ir falar com eles, mas eu sabia que precisava deixar eles um pouco sozinhos.
Decidi sozinha que deveríamos passar a noite ali, e como eu era a única que não tinha feito nada naquele dia, resolvi ficar de vigia na primeira ronda. Leo pediu para que eu chamasse ele assim que começasse a ficar com sono.
Eles foram dormir cedo, cerca de 8h da noite, cada um numa barraca. Por voltar das 2h da manha, o sono já estava batendo em mim. Resolvi ir chamar Leo.
– Acorda Valdez, sua vez de ficar de vigia. – ele nem respondeu ou resmungou. Levantou, tomou uma xicara de café e se sentou do meu lado.
– Já podes ir, to bem acordado.
– Já vou – eu disse, fitando o horizonte – O que aconteceu lá no ferro-velho?
– Nada de mais.
– Como nada de mais? Vocês destruíram o ferro-velho, não se falam, sequer se olham e você ainda vem me dizer “nada de mais”. Qual é Valdez!
– Escuta, Carly, Nico e eu temos uma história complicada... complicada de mais. E naquele ferro-velho... – ele suspirou, estava triste, nenhuma brincadeira, nada – Tudo voltou como uma bomba e...
– Tudo bem Valdez, não precisa falar...
– Por favor, me chame de Leo.
– Okay, Leo.
– Sabe Carly, você me lembra uma pessoa.
– Que pessoa?
– Calypso – disse Nico, saindo da barraca. Leo, que a minutos tinha um leve sorriso no rosto, voltou a expressão séria. Por mais que eu queria saber o que aconteceu naquele ferro-velho, sabia que tinha que dar tempo para eles me contarem.
– Tipo aquela que vive em Ogígia?
– Exatamente – disse Nico
– Essa mesma – falou Leo ao mesmo tempo.
– Vocês conheceram ela? – os dois assentiram. Leo não tirava o olho do horizonte e Nico olhava as estrelas. Nico se sentou ao meu lado. Senti que Calypso tinha alguma coisa a ver com a história desses dois, então resolvi não me meter.
– Carly, você está escondendo algum detalhe dessa missão de nós? – foi Nico quem perguntou. Os dois olharam pra mim. Decidi não mentir, afinal eles precisavam saber
– Quando Afrodite apareceu pra mim lá no acampamento ainda. – comecei – Ela disse uma coisa e eu não sei porque que eu temo tanto essa parte.
– O que ela falou?
– Ela falou que só podemos encontrar o amor, quando o sentirmos. – eles me encaram confusos – Ou seja, só vamos achar ela quando um de nós, ou todos, não sei, se apaixonaram. E ontem, quando Ártemis teve aqui...
– Ártemis teve aqui? – Nico me questionou. Eu só assenti.
– Ela me propôs entrar na caçada, para me livrar dessa missão.
– E o que você disse? – era preocupação que eu sentia na voz do Leo?
– Eu disse que eu iria encontrar Afrodite, com vocês. – vi um micro sorriso no rosto do Leo. Ficamos os três ali quietos por um bom tempo, Leo e eu fitando o horizonte, Nico deitado olhando para as estrelas – Bom, eu vou ir me deitar. Até amanha meninos.
Tive um sonho estranho, o que é normal pra semideuses.
No meu sonho, havia uma mulher presa no coração, essa imagem eu já tinha visto. Afrodite. Ela gritava, mas aquilo mais parecia uma risada. Havia um homem, aparentemente de guarda, para que ela não fugisse.
– A semente foi plantada, a semente foi plantada – a deusa falava isso no meio das gargalhadas. Ela parecia estar enlouquecendo.
– Cala a boca – berrou o homem.
– A SEMENTE FOI PLANTADA, A SEMENTE FOI PLANTADA – ela gritava, cada vez mais alto, conforme o homem a mandava ficar quieta. Ele então saiu da sala onde estávamos. Me deixando sozinha com Afrodite. Ela se virou pra mim e disse: – Agora é só escolher.
Acordei encharcada de suor. Devia ter gritado, o porque eu não sei, pois Leo e Nico estavam na minha frente, com a maior cara de preocupação, eles estavam incrivelmente fofos.
Porém a voz de Afrodite não saia da minha cabeça “A semente foi plantada”. Eu até estava com medo de saber o que é essa semente.
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