Meu Príncipe Nada Encantado
5 Capítulo 5
Notas iniciais
O ônibus parou numa lanchonete nem sei aonde. Ainda bem, pois eu já estava morta de fome.
Enquanto descíamos do ônibus, uma senhora de uns 80 anos sussurrou pra mim: "Lindo namorado moça". Eu ia retrucar, dizer que não era meu namorado, mas a única coisa que saiu foi uma risada, mais irônica que eu desejava. A senhora virou a cara e eu continuei meu caminho, me perguntando se Valdez tinha escutado.
Era uma lanchonete McDonald e eu já tinha ouvido histórias horríveis sobre o que é possível fazer com um lanche de lá, mas no momento, nada disso me importava.
– O que vão querer? — perguntou a atendente.
– Um Big Mc... Não, três Big Mc com batata e Coke Diet. E você? — me surpreendi que Valdez tinha tanta fome.
– Vou querer um Big Mc com batata e suco de laranja — pagamos pelos pedidos e a atendente mandou a gente esperar atrás de um garoto moreno com a pele bem clara. Me lembrava a história da Branca de Neve. Ele aparentemente tinha nossa idade, usava uma jaqueta preta, calças pretas, tudo que é possível preto.
Ele era estranhamente bonito.
Foi quando vi o que ele tinha preso na cintura. Uma espada, mas não de bronze celestial como os gregos, ou ouro imperial como os romanos.
– Valdez — chamei ele e apontei com a cabeça pra frente.
– Olha só se não é o semideus mais procurado! — Isso foi Valdez fazendo seu pequeno escândalo.
– Ah, Leo Valdez — suspirou o outro — Não consigo me livrar de você né?
– Nunquinha.
– Quem é esse? — perguntei.
– Minha querida Clary, esse é o namoradinho do Per... — vendo que ia se meter numa encrenca enorme, Valdez se conteve. — Esse, Clary, é Nico DiAngelo.
O menino pegou seu pedido, que era um Mc Lanche Feliz e ameaçava se retirar para bem longe da gente. Tudo por causa da piadinha que Valdez quase tinha feito.
– Nico, espere! — chamei, deixando Valdez sozinho para pegar nossos pedidos. — Olha, me desculpe por qualquer coisa que Valdez estava prestes a fazer.
Ele me encarou de uma forma estranha.
– Filha de Atena né? Seu rosto não me é estranho.
– Sou irmã da Rachel. Olha Nico, precisamos de sua ajuda.
– Tudo que eu preciso, é me afastar daquele idiota.
– É tudo que eu quero também, mas pra isso tenho que acabar essa missão idiota.
– Você não é #TeamLeo? — ele me encarou surpreso, e ao ver minha cara de espanto pela expressão, acredito que ele concluiu meus pensamentos — Okay, pelo menos você tem um mínimo de juízo. O que posso lhe ajudar?
– Cheguei pra animar isso aqui, já contou ao nosso amigo sobre o sequestro? — Valdez novamente veio atrapalhar.
– Sequestro? — perguntou Nico. Contei a ele sobre a visão e sobre tudo o que sabíamos até aquele momento. Por um estranho motivo, confiava minha vida a aquele menino que eu acabava de conhecer. Valdez e eu já tinhamos devorados nossos lanches, revezando a história, e Nico nem tinha tocado no dele.
– Bem, eu não sei exatamente o que eu posso fazer por vocês. Mas no Mundo Inferior corre o boato que tem um monstro que eles julgam terrível rondando um dos ferro velhos do seu pai, Leo. Esse ferro velho em particular, tem uma história trágica. — Ele ficou em silêncio por um momento. — Eu desejo acompanhar vocês até lá.
– Espera aí, como sabe que é pra lá que temos que ir?
– Sua "profecia" disse que procuravam coisas ligadas ao seu pai, Leo. — ele ficou novamente com a expressão séria e triste — E esse ferro velho em especial foi onde a minha irmã morreu.
Lembrei então do trecho que eu havia contado a Nico minutos atrás "o lugar onde a DiAngelo morreu". Ganhamos um novo companheiro de viagem.
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