Meu Pequeno Amor 2 - Segunda Geração
5 Aula de Poções
SCORPIUS
Alvo, o menino que era primo da Rose, me levou para dentro de uma sala escura, cheia de fumaça e com cheiros esquisitos. Tinha um montão de gente lá, sentada, parecendo esperar alguém.
Ele botou três banquinhos na frente de uma mesa. Depois, olhou pra mim, parecendo segurar pra não rir.
— Tudo bem, Scorpius. Vem cá – ele levantou os braços na minha direção. Cheguei perto dele, e Alvo me levantou pra cima, me botando em um dos bancos e, logo depois, sentando em outro.
— O que vamos fazer aqui, Alvo?
Ele fungou, fazendo uma coisa engraçada com os olhos.
— Na teoria? Nada útil – tossiu baixinho, rindo – mas esta é nossa aula de Poções.
— Poções – repeti, pensativo. Já tomara algumas em casa, mas nunca tinha visto como fazer uma. Devia ser legal.
Ouvi passos atrás de mim, e virei para trás, vendo Rose chegar, engasgada, até a mesa em que a gente estava.
— Demorou – Alvo bufou, afastando-se para Rose sentar ao meu lado – por que Hugo te barrou lá atrás?
Rose me olhou assustada, apesar de fazer carinho em meus cabelos. A mão dela era macia, como um travesseiro de penas.
— Ele quis... se desculpar – ela suspirou, fazendo a mesma coisa que Alvo tinha feito com os olhos – quer ajudar... também.
Alvo batucou os dedos na mesa.
— Não fez mais que a obrigação. Cara, ás vezes é assustador como Hugo me lembra o tio Rony. Os dois são tão impulsivos...
— Falando em impulsividade – Rose falou, virando a cabeça para Alvo – obrigada.
— O que? Por lembrar Belmore da verme que ela é? – ele riu – não foi nada, priminha. É bom, de vez em quando, botar aquela criaturinha nojenta no lugar que lhe cabe. Pena que não consigo lembrar que feitiço usei, ou eu poderia pensar em aprimorá-lo... em vez de cabelo, fazer cair aquele peito inflado dela.
— Alvo! – Rose tapou meus ouvidos, a boca travada para não gargalhar – prefiro assim... ou você gostou da detenção que recebeu?
— Ah, pare, Rosie. Tirar tripas de sapo das mesas da sala de Poções por duas semanas? Já vi castigos piores.
Ele indicou um livro em sua mochila enquanto falava. Rose pareceu entender, mas eu não.
Tudo aquilo era muito estranho. Castigos? Aulas de Poções? E um monte de gente que não era parente, junta no mesmo lugar?
Ainda não tinha a menor idéia do por que estava ali. Era muita coisa estranha acontecendo.
Rose me olhou, e pareceu perceber minha cara confusa.
Ela segurou meu rostinho, piscando, como se estivesse com medo.
— Eu sei que tudo parece estranho, Scorpius. Deve estar com muitas dúvidas – Rose segurou minha mão – eu prometo que vou explicar tudo quando puder, está bem? Lembra do que eu disse? Que ia cuidar de você? – fiz que sim com a cabeça – então, é o que vou fazer. Nada de ruim vai acontecer com você aqui.
Vi que ela não estava convencida do que estava falando.
Olhando pra Rose, tive certeza que, qualquer que fosse o motivo, ela sabia o que era melhor pra mim. Sabia, agora, que podia confiar nela.
— Ta bom, Rose – sorri, segurando sua mão com as minhas – e eu vou me comportar.
Alvo sorriu também, bagunçando meus cabelos.
Rose até tentou abrir um sorriso, mas pulou, assustada, quando alguém falou, interrompendo a gente, lá na frente da sala.
Uma mulher bonita, de cabelos loiros, apareceu na maior mesa que tinha ali, olhando para os outros estudantes.
— Bom dia, classe.
— Bom dia, Profª Longbottom.
Duas risadas nervosas vieram da mesa ao lado da nossa. Tive que esfregar meus olhos, por que achei que estava vendo dobrado. Mas depois percebi que eram duas meninas iguaiszinhas, com os mesmos cabelos, olhos e rosto, bem parecidas com a tal professora. Deviam ser da mesma família.
— Ah – Alvo riu – são Chloe e Clary Longbottom. È – ele pareceu se divertir com meu espanto – gêmeas. Filhas da professora Luna. Ela é a nova professora de Poções.
A sala toda ficou quieta, enquanto a mulher continuava a aula – exceto as meninas gêmeas, que ainda olhavam exasperadas para a mãe, aos cochichos.
— Bem, para a aula de hoje, vamos continuar nosso capítulo sobre antídotos. A que vocês farão hoje – ela fez um movimento com a varinha, fazendo um monte de coisas escritas aparecerem numa lousa – seguindo estas instruções, é um antídoto que anula os efeitos da Amortentia. Que pode vir a ser muito útil – ela olhou séria para uma aluna adiante, a mesma moça malvada que falara mal de Rose – se houver a ingestão acidental de uma Poção do Amor.
— Hum – Rose resmungou, olhando feio – no caso da Belmore, seria tudo, menos acidental.
— Bem, vocês têm uma hora. O antídoto é complicado, então não espero resultados perfeitos. E tampouco... resultados medíocres – a professora virou-se para o aluno ao lado da menina má – compreendido, Sr. Howes?
Algumas risadinhas se seguiram ao comentário dela. O garoto se encolheu, olhando irritado pra moça ao seu lado.
— Sim, senhora.
— Muito bem. Aliás, alguém pode me dizer se há, e qual é, algum risco que esta poção pode ocasionar?
Rose levantou a mão. A professora balançou a cabeça.
— Srta. Weasley?
— Não pode ser tomada em quantidade maior do que a estipulada pelo Ministério da Magia, por que pode causar a demência ou a morte.
A mulher sorriu.
— Correto, Srta. Weasley. Dez pontos para a Grifinória – ela bateu de leve com a varinha na lousa – bem, com isso em mente, sintam-se á vontade para separar seus ingredientes. Podem começar.
Rose começou a ler algo no livro da mesa. Curioso, ouvi o que ela dizia.
— Nossa... que poção complicada – comentou — adicione a pele de ararambóia picada no caldeirão e ferva por vinte minutos. Depois a tire do fogo, coloque um acônito e mexa no sentido horário... ela vai ficar com uma cor lilás – continuou, enquanto Alvo colocava um monte de coisas estranhas sobre a mesa, junto de um pequeno caldeirão — após isso, devolva ao fogo e coloque o bezoar. Deixe-a ferver por trinta minutos... assim que ferver, ela vai ter um aparência vermelha. Retire do fogo novamente e coloque o segundo acônito. Mexa no sentido anti-horário. Quando terminar, ela vai ter de ficar de cor azul bem escura, ou um verde brilhante – fungou – bem, melhor começarmos.
Alvo acendeu um fogo embaixo do caldeirão com a varinha. Ele e Rose começaram a cortar uns pequenos objetos em partes pequenas.
— Quer fazer? – Rose perguntou, notando meu interesse.
— Quero! – guinchei, animado. Rose sorriu, segurando minha mão, enquanto colocava uma faquinha nela, e me ensinou a picar uma coisa esverdeada em quadradinhos.
Aquilo foi muito divertido. Rose e Alvo me deixaram ajudar na tarefa. Cortei mais algumas coisas, joguei os pedaços no caldeirão, e até mesmo me deixaram mexer a poção com a colher. Até que era fácil, depois que a gente se acostumava.
O tempo passou tão rápido que nem percebi.
— Caramba... ele faz direitinho! – Alvo exclamou, surpreso – mexe até melhor que nós dois, Rose!
— Tempo... esgotado! – a professora falou, fazendo todo mundo parar de mexer nas poções – deixem suas poções no caldeirão. Vou olhá-las antes que as engarrafem.
Nós três estávamos cansados, mas não parávamos de sorrir. Tinha sido muito legal.
A professora começou a andar entre as mesas, olhando a poção de cada um. Sorriu pra alguns, fez careta pra outros, e torceu o nariz, quando viu a poção do casal de alunos, com quem tinha brigado mais cedo.
Mas, quando chegou à nossa, arregalou os olhos, dando um sorriso enorme.
— Minha nossa, garotos – ela pegou um pouco do líquido azul escuro com uma colher e levou á boca, parecendo ainda mais surpresa – chegaram ao ponto ideal em cinqüenta minutos! Eu arriscaria dizer que uma colher seria o bastante para anular o efeito de umas dez pessoas!
Rose ficou vermelha, apesar de parecer muito feliz. Alvo também baixou a cabeça, encabulado, mas sorridente.
— Obrigada, professora – ela murmurou, sem graça.
— Podem engarrafar, meninos. Realmente esplêndido. Mais vinte pontos para a Grifinória. Os demais serão avaliados ainda hoje. Deixem os frascos em minha mesa. Depois disso, já estão dispensados.
Rose e Alvo encheram um frasquinho com a poção, colocando uma etiqueta nela. Eu não sabia ler, mas tinha quase certeza que tinha mais que dois nomes ali.
— O que tá escrito? – perguntei.
— Escrevemos “Rose Weasley, Alvo Potter e Py” – Alvo disse, rindo baixinho.
— Py? – murmurei, achando graça.
— Acho um apelido fofo – brincou Rose, me dando um beijinho na testa.
Ela levantou-se, apanhando o frasco e levando-o até a mesa da professora.
Quando voltou, porém, alguém deu um esbarrão nela, fazendo-a escorregar no chão e cair. A professora, que estava de costas, não viu.
Reconheci a menina malvada que chateara Rose há pouco tempo atrás.
— Ah, desculpe – ela falou, enquanto Rose se levantava – é difícil desviar dos insetos que voam por aqui.
O outro rapaz deu risada, puxando a menina para frente e deixando Rose para trás.
Quando passou por nós, ela me encarou. Não gostei nadinha do jeito que me olhou.
— Ainda vou tirar isso a limpo, Potter – a moça disse, irritada, antes de sair da sala com o rapaz.
Poxa, que menina maldosa...
Alvo rosnou, só desfazendo a cara brava quando Rose voltou.
— Você tá bem, Rose? – corri até ela, abraçando suas pernas – ela machucou você?
Rose me pegou no colo.
— Estou sim – suspirou – nada que um chute na bunda da Belmore á qualquer hora não resolva.
Alvo riu.
— Bem, acho que temos um prodígio em Poções aqui – ele beliscou minha bochecha, me fazendo rir – vamos logo, priminha. Acho que meus irmãos vão querer saber dessa novidade.
Saímos da sala com os outros, atravessando os corredores que nos levariam de volta pra Torre, que, imaginava, era onde Rose e os outros passavam o tempo fora das aulas.
Toda a fumaça e a agitação da sala tinham me dado muito sono. Esfreguei os olhos, deitando a cabeça no ombro de Rose.
— Rose... posso dormir...?
Não vi o rosto dela. Mas, por alguma razão, senti que ela sorria.
— Claro, querido. Pode dormir.
Senti suas mãos afagarem meu rostinho. Era como receber o carinho de uma asa de anjo.
Meus olhinhos ficaram pesados e, em pouco tempo, depois de um último bocejo, tudo ficou escurinho.
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