Meu Pecado
1 Somos Todos Pecadores - Capítulo Único -
Notas iniciais
Havia chegado o dia fatídico. Não teria mais jeito, eu teria que casar com o Edi Honson, mas eu não queria. Não desejava, de jeito nenhum, casar com aquele homem. Ele era velho e feio. E além do mais, eu não o amava. Nós dois só iríamos casar por imposição do meu pai. Papai era ambicioso e estava de olho no dinheiro da família do Edi. E o nosso casamento era o jeito mais fácil de conseguir arrancar algum dinheiro dos Honson’s.
Sinceramente, eu não me importava com riqueza e luxos. Trocaria todo o ouro do mundo para poder ficar com o amor da minha vida. Todavia, aquilo não seria possível. O homem que eu tanto amava, era padre. E ironicamente, o padre que realizaria o meu casamento.
Desde a primeira vez em que vi o padre Flávio, senti algo de diferente. Foi amor à primeira vista. Mas como poderia não ser? Ele era o homem mais bonito que eu já havia visto, até então.
Eu tinha consciência que era errado ter me apaixonado por um padre. Tal sentimento fazia com que me sentisse suja. Suja era pouco. Eu me considerava o ser mais asqueroso do universo, por não conseguir exterminar todo aquele sentimento recheado de pecado. Todavia, era impossível conseguir frear a minha paixão. A cada missa que assistia me encantava mais por ele... Mas sabia que aquilo não sairia da minha imaginação. Eu tinha plena consciência, de que nós dois não ficaríamos juntos, mas isso não me impedia de criar fantasias. Vivia sonhando acordada...
O que mais desejava era que um dia, o papa permitisse que os padres casassem. Entretanto, era claro que se o Flavio pudesse casar, ele não iria me querer como mulher. Para quê ele iria querer uma caipira como eu? Flávio não parecia ser o tipo de homem que se interessaria por uma mulher de cidade pequena. Na cidade, haviam boatos de que ele havia estudado na Europa e que falava três línguas. Provavelmente ele iria buscar uma mulher na capital... Uma dessas bem gostosonas, que fazem qualquer homem ficar babando.
— Você está tão linda, Pâmela! — exclamou mamãe.
— Tão linda para casar com um velho — lamentei enquanto olhava-me no espelho.
— Ele é o melhor partido da cidade. Não reclame — repreendeu-me com um visível tom de censura em sua voz.
[...]
Enquanto entrava na igreja de braço dado com o meu pai. Eu observava os dois homens que estavam no altar. Ah, como desejava que eles pudessem trocar de lugar... O meu maior sonho era poder me casar com o Flávio e não com o Edi.
— Vamos então começar o casamento — disse o padre Flávio assim que eu e Edi já estávamos em sua frente.
Eu não prestava atenção em uma só palavra que o Flávio dizia. Estava completamente hipnotizada pela doce voz daquele homem.
— Pâmela, você está me ouvindo? Estou perguntando se você aceita o Edi Honson como seu legítimo esposo...
Não, eu não poderia aceitar aquilo. Não poderia, de forma alguma, me prender pelo resto dos meus dias a alguém que não sentia nem um pingo de amor. O mais correto a fazer, era acabar com todo aquele sofrimento antes mesmo que ele começasse.
— Não padre, eu não aceito — respondi em tom de determinação.
A igreja toda ficou confusa. Foi possível ouvir várias manifestações de espanto dos ali presentes.
— Pâmela, isso não é hora para brincadeiras — disse Edi.
— Eu não estou brincando — respondi secamente.
— Padre, ela deve estar delirando, pode continuar o casamento — pediu papai, em tom de desespero.
— Mas eu não posso continuar o casamento se ela não quiser — argumentou Flávio.
— Posso saber por que você não quer casar comigo? — perguntou Edi em tom de revolta.
— Por motivos óbvios. Eu não te amo. O senhor é velho e feio. Como eu posso me casar com um homem que tem idade para ser meu pai? E além do mais... — Fiz uma pequena pausa antes de continuar. Para mim estava sendo muito difícil dizer tudo aquilo. Estava impressionada comigo mesma. Não sabia de onde tinha tirado tanta coragem para falar tudo aquilo — Além do mais eu sou apaixonada por outro... Por outro que nunca vai querer saber de mim — completei.
— Por quem você é apaixonada? Quem é o desgraçado? — bradou Edi.
Fiquei em silêncio. Não poderia confessar o meu segredo na frente de todos, ficaria mal vista para toda a cidade.
— Vamos, responda — Edi insistiu.
— Não. Eu não vou dizer. Isso só diz respeito a mim.
— Chega de palhaçada, você vai esquecer tudo isso e aceitar o Edi como marido — disse papai indo em minha direção e puxando o meu braço.
— Por favor, senhor Miguel a moça não pode casar forçada — interferiu Flávio.
— Padre, eu sei o que estou fazendo. Pâmela, você vai casar. E não se fala mais nisso, pouco me importo para saber quem é o tal homem que você gosta. A única coisa que me importa é que esse casamento aconteça.
— O senhor pode não se importar, mas eu me importo.
Aquela insistência do Edi para saber o nome do meu amor já estava me irritando. Eu não queria dizer, mas a verdade era que eu, era o tipo que não aguentava pressão. Então acabei deixando escapar:
— Flávio, o nome dele é Flávio.
— Mas... Mas o único Flávio que tem aqui nessa cidade sou eu. Você só pode estar brincando.
— Não estou brincando, Flávio... Eu... Eu... Eu te amo desde a primeira vez que lhe vi.
Todos ficaram completamente chocados com a minha revelação. Ouvi muitos comentários negativos sobre a minha pessoa. Chamavam-me de vagabunda e de tudo quanto era coisa.
Flávio parecia ser o mais surpreso. Ele me olhava como se o que eu havia dito não fizesse sentido algum.
— Você realmente me ama? — questionou aproximando-se de mim.
Eu apenas assenti com a cabeça. E foi então que foi a minha vez de ficar surpresa.
— Então venha comigo.
Flávio me deu a mão e nós dois saímos correndo da igreja como dois loucos. Ninguém seria capaz de nos alcançar.
Fale com o autor