Notas iniciais
Certo, certo, não me matem, é sério. T.T
Eu sinto muito por isso, mas eu meio que fiquei completamente enrolada com assuntos escolares e depois que ganhei férias corri para resolver uns assuntos pendentes e a criatividade decidiu fazer "pluft". Mas está ai, mesmo eu achando que não está bom, e que falta muita coisa. D:
Queria agradecer a Minha dongsaeng Ayume por betar. Ela é muito boa para a sua umma. E bem, feliz dia do amigo! o

O suor escorria pelo queixo e os olhos apertados quase sumiam na face de tanto que os apertava. Lee Jinki levou a mão até o painel de controle da esteira e aumentou um pouco mais a velocidade e logo depois aumentou o volume, deixando que a música invadisse seu mundo conturbado. Lá fora a neve tornava tudo esbranquiçado e o clima gélido como nunca. Dias como estes constipavam as estradas e por isso os meninos praticamente madrugaram para chegar na hora certa em seus compromissos. Apenas Onew ficara, pois tinha que fazer algo ainda mais importante.

Quando o cansaço tomou conta de si o menino parou quase que bruscamente e por muito pouco não caiu. Largou o corpo mole sobre a cadeira mais próxima e enxugou o rosto com uma toalha qualquer, estava em outro mundo, tão avoado que se assaltassem o dormitório naquele momento era capaz de ser levado junto e nem notar. Em um modo automático capturou a garrafa d’água de dentro do pequeno frigobar que mantinham na academia pessoal na parte debaixo da casa, coisa de Jonghyun, e deu um belo gole esperando que a garganta ressecada ficasse melhor.

Gradativamente subiu as escadas, mas parou antes mesmo de chegar à sala. Dentro do bolso de seu short seu celular vibrava e ele não tardou a atendê-lo.

— Eu não esqueci Key. — Informou antes mesmo do outro se pronunciar. Deu outro gole na bebida.

Acho bom mesmo. — O loiro disse um tanto irritadiço. — A última coisa que eu quero agora é largar tudo aqui para te levar lá pelas orelhas, e você sabe que se precisar eu faço!

O mais velho quase engasgou com a água em sua boca, mas não conseguiu conter a risada mediante ao tom ao estilo “ameaça de mãe” que Key usara consigo, o que resultou em um chão molhado.

— Estou indo tomar um banho agora e logo depois vou direto para a casa da família Kwang pegar Shin Hye-Ah. Satisfeito? — Adentrou o quarto já tirando a camiseta e tentando manter o celular no ouvido, o que tornava o ato mais complicado e engraçado.

Hm... — Key gemeu do outro lado da linha de forma cética. — Só ficarei satisfeito se você me disser que está levando um presente para a sua afilhada. Ou melhor, que vai trazer ela também! Ai eu poderia-­

— Key! — Berrou ao telefone assustando até mesmo a si. Suspirou. — Vamos com calma, está bem? Primeiro Hyennie, depois nós veremos sobre Sooyun. E sim, estou levando algo para ela, na verdade, para as duas.

Isso sim me impressiona. — Kibum resmungou. — De qualquer maneira não demore. Boa sorte, Hyung, eu vou tentar chegar o mais cedo que eu puder.

— Aish... Estou desligando primeiro. — Disse já jogando o aparelho sobre a cama.

O short foi ao chão, ao lado da camisa que antes revestia o peitoral malhado. Gemeu com o prazer da água morna batendo contra os músculos rígidos e sentiu cada nó se desfazer rapidamente. Apesar disso seu corpo não relaxou por completo, até porque nem tinha como quando parte de sua tensão era ocasionada por algo com nome e sobrenome. Enfiou a cabeça debaixo d’água deixando que as gotas levassem suas preocupações por uns minutos, e logo depois tateou a pequena armação dentro do Box que continha os produtos para sua higiene pessoal. Convenceu-se de que tirar um pequeno tempo antes de ir para lavar a cabeleira loira não faria mal algum, e bizarramente até pôs na cabeça de que a criança se afeiçoaria mais a ele, ou pelo menos deixaria se aproximar, se estivesse com um cheiro menos... Menos másculo.

Quando saiu do banho, enrolado em uma grande toalha felpuda azulada, seu celular tocou outra vez. “lúcifer!” A voz de Taemin ecoava pelo quarto junto com a risada curta e divertida do rapaz. Na tela, o nome Hana piscava.

— Quem diria que um toque pudesse ser tão informativo. — Murmurou para si. — yeoboseyo.

Kibum oppa? — A voz melodiosa transitou pela linha telefônica invadindo os ouvidos do mais velho. Onew deu uma risada curta diante a incerteza da menina.

Ani. Romeu. — Ouviu a menina resmungar baixo e estranhamente aquilo lhe provocava forte vontade de rir. — Esse é o meu número, como esperava que outro alguém atendesse?

Sorte, maybe. — Ela respondeu afiadamente. — Estou desligando primeiro.

Onew revirou os olhos e enfiou os braços dentro da manga de sua blusa mais quente antes de impedi-la.

Wae? — Hana indagou com um sotaque engraçado. — O que você quer?

— Vamos... Vamos parar em uma língua só, para começar. — Exigiu, abotoando desajeitadamente as calças. Ela bufou. — E pare de bufar, eu ainda sou mais velho.

— Grande coisa. — Ela depreciou, em coreano, e a conversa se estabilizou na língua.

— Yah, sua abusada! — Onew repreendeu. — Aish... Porque é tão complicado manter uma conversa com você sem brigas?

— Somos opostos, cabeçudo. — Ela retrucou um pouco menos mal humorada, o que surpreendeu Jinki. O menino caçou avidamente por um bom casaco dentro de seu guarda-roupa desorganizado antes de descer as escadas.

— Ouvi dizer que opostos se atraem. E sabe de uma coisa, se juntássemos o meu mais com o seu menos talvez pudéssemos subtrair seu mau humor, quem sabe. — Provocou.

Do outro lado pode-se ouvir o barulho do aparelho sendo jogado contra algo.

Estou desligando primeiro! — Ela berrou, porém a voz parecia longe. Um baque alto pode ser ouvido antes de o menino desligar, rindo.

- Meu Nome Não É Julieta! –

Estava nervoso. O suor escorria pela testa sem sua permissão, e seus dedos estavam quase roxos de tanto que os apertava. Ao seu lado a menina brincava calma, totalmente alheia ao seu ataque de pânico repentino. Hyennie chacoalhava uma pequena boneca de pano com os cabelos cor de rosa de um lado para o outro e apertava a mesma contra o peito revestido por um vestido azul bebê algumas vezes, balbuciando palavras desconexas, mas felizes.

— Oppa, você está bem? — Virou o rosto e encontrou Sooyun agachada a sua frente, com um semblante preocupado no rosto delicado. Forçou-se a sorrir para a menina, querendo acalma-la, mas acabou por dar um pulo no lugar quando Shin Hye-ah decidiu que seus pequenos punhos deveriam tocar seu braço. — Oppa, respire!

— Eu... — Pôs as mãos sobre o peito. — Eu estou bem, Sooyun. Só um pouco nervoso.

— Um pouco, é? — a menor ironizou, pegando a irmã no colo. — Vovó, eu acho melhor o Onew oppa não levar Hye-ah. Ele está mais assustado que o pobre Sage!

Sage? — reiterou vendo a afilhada assentir com a cabeça e pôr a irmã no chão.

— Sage é o gato que eu ganhei de aniversário da vovó. O aniversário que você não pode vir. — Ela explicou, alfinetando-o no final. Onew sentiu-se mal com isso, na verdade ele sentia-se assim todas as vezes que pegava na foto de Sooyun e lembrava-se de como ela pareceu chateada ao telefone quando ele disse que tinha de ir viajar naquele dia tão especial. Tentou pedir desculpa outra vez, mas ela o interrompeu. — Deixe quieto, oppa. Enfim. Sage é uma palavra francesa, significa “aquele que é sábio”.

O menino abraçou Sooyun de forma paterna, totalmente admirado com tamanho conhecimento que sua afilhada sempre demonstrava. Ouviu-a reclamar algumas vezes sobre seu forte aperto antes de afrouxar e sorrir.

— Sabe de uma coisa, esse deveria ser o seu nome, não acha?

— Ah! Viu vovó! Oppa também concorda! — Ela gritou para a avó que adentrava a sala no exato instante, segurando uma pequena bandeja com biscoitos e chá. Onew riu.

— Ei, ei. Calma. — Ele pediu sentando-a em uma de suas pernas. Sooyun não tinha mais de dez anos, era pequena e magra, tinha os cabelos longos e negros, com algumas mechas pintadas de roxo. A pele branca sem mancha alguma causaria inveja nas mais famosas modelos, assim como causava certa vontade de morder em Onew. — Sabe de uma coisa?

— Eu deveria ir morar com vocês? — Ela o interrompeu. Onew mordeu de leve sua bochecha como punição e pode ouvir Sooyun reclamar de dor. — Oppa, isso dói!

— Não me interrompa. — Disse seriamente, mas seu sorriso idiota o entregou. — Machucou?

A menina esfregou o local rapidamente e se afastou, negando veemente com a cabeça.

— Não, não. Está tudo bem. — Afirmou, pegando novamente a irmã, contando que assim o maior não se aproximasse outra vez. — Continue falando, oppa. Sabe de uma coisa... — Incentivou-o.

— Eu ia dizer que seria bom se você ficasse por lá alguns dias depois que nos organizássemos, sabe, para vocês não ficarem tão afastadas uma da outra.

— Mesmo?!

— Yah, mesmo. — Mordeu um pedaço do biscoito. Seus olhos lentamente caíram sobre a pequena menina que agora se entretinha com o cabelo da irmã, puxando-o de leve e sorrindo quando este passava por sua pele fazendo-lhe cócegas.

E de repente todo o medo que sentiu antes de tomar sua decisão pareceu-lhe idiota. Desnecessário. Shin Hye-ah era uma garotinha linda e dócil de apenas dois anos e meio, que pouco falava e quando o fazia não era muito complicado compreendê-la, e, tirando o fato de que olhá-la, assim como olhar Sooyun, recordava absurdamente Lee Won, ele poderia fazer isso.

— Bom, acho melhor eu ir. — anunciou após beber todo o chá e agradecer educadamente a halmeoni das meninas.

— Vou pegar as coisas de Hyennie. — A avó das meninas disse já se levantando e não tardou a sumir entre os corredores. Sooyun levantou-se também, assim como Onew, e caminhou até o padrinho ainda com a irmã nos braços.

— Seja boazinha para os oppas, não faça bagunça. Não chore desnecessariamente, e não mexa em nada. — Disse para a Dongsaeng como se a mesma lhe compreendesse perfeitamente. —Oppa vai cuidar bem de você, Hye-ah. Não vai? — Levou os olhos chorosos para o menino.

— Mas é claro que eu vou. Quer dizer, nós vamos. Sua irmã está segura conosco, você não acredita em mim?

— Eu... Eu acredito oppa, acredito sim. — Piscou querendo dissipar a vontade de chorar, mas era quase impossível. Com dois passos a mais para frente Sooyun parou frente a frente com Jinki e lhe estendeu a irmã para que pegasse. — Vamos oppa, ela não morde. A segure. Ande. Viu, assim.

E então Shin Hye-ah deitou a cabeça sobre os ombros de Onew no mesmo instante em que ele a pegou no colo, trazendo uma onda de segurança em si mesmo para o garoto. Não demorou muito para a avó delas apontar na porta com as coisas da menina, e com a ajuda de Sooyun tudo fora guardado no carro.

— E é assim que se prende ela. — Sooyun disse após mostrar como é que se usava a cadeirinha, deixando Onew um pouco espantado. — Eu sei disso porque mamãe sempre me pedia para prendê-la. — Respondeu a pergunta muda, tornando-se taciturna ao falar da mãe. — Oppa, qualquer coisa me ligue, não importa a hora que for. Nem que seja uma dúvida boba.

— O que é isso? — Ele perguntou de repente, abraçando-a e depositando um beijo sobre sua testa descoberta. — Uma menininha querendo correr para ser adulta? Não, não. — Agachou para ficar a sua altura. — Olha eu vou te ligar sim, mas sempre para te dar boas noticias tais como “estou indo te buscar”.

— Promete? — Murmurou com a voz embargada.

— Prometo.

- Meu Nome Não É Julieta! –

Acordou com todo o peso de Taemin sobre si. Algo um tanto desagradável, pois apesar de pequeno, o maknae era bastante pesado. Mal conseguia abrir os olhos já muito pequenos, só o suficiente para fitar feio o menino antes de olhar para sua esquerda, preocupado.

— Pare de escândalo, vai acordá-la. — Murmurou.

— Acordar quem, hyung?

— A menina. — Respondeu o obvio. Olhou feio para Taemin quando esse desatou a rir — Ela está dormindo aqui do meu lado, poderia ter esmagado-a.

— Onew hyung, ela já está de pé tem tempo. — Anunciou, levantando-se. — Pelo menos foi o que deu a entender quando a encontramos toda suja de roxo. Parece que ela gosta dos esmaltes do Key hyung.

— O quê! — Pulou da cama, afobado. — Mas ela estava bem aqui, eu a vi dormir! Nós chegamos e...

— Ela já está bem, limpa e alimentada senhor dorminhoco. — Kibum apontou na escada com Hyennie no colo, e a mesma mordia um dos bichinhos de Taemin. — Que espécime de pai é você?

Dorme-sapiens-sapien. — MinHo disse, atrás de JongHyun, fechando a porta da frente. — Chegamos. E como previ, ele dormiu. Você me deve cinco won, Jjong... Eu devia ter apostado mais.

O moreno soltou um muxoxo carregado de decepção e sem muitas delongas retirou o valor apostado do bolso, pondo com certa agressividade sobre a mão estendida do Frog Prince. Kim JongHyun caminhou até mais velho e o encarou desgostoso antes de continuar seu trajeto escadas a cima, deixando um “valeu Onew Hyung” irônico pairar pelo ar.

Key riu.

— Aish, Hye-ah, vê como seus oppas te recebem? Diga a eles “mal educados!”, vamos, diga.

— Key hyung não ensine essas coisas a menina, não queremos a mesma dificuldade em educá-la que tivemos com Yoogeunnie. — Taemin o repreendeu inconscientemente o que fez MinHo rir. — Wae? Só estou dizendo que é perigoso, quer dizer, ela não vai embora depois de quase um ano. Ela agora é nossa. — As mãos repousaram sobre os cabelos negros da menina e esta riu animada e estendeu os braços para Taemin pegá-la. — Oh!

— Olha só... Depois de uns anos ele achou alguém que entendesse a mente paralisada no tempo dele. — Provoco o Choi, mas o menor não lhe deu atenção. — Ela gosta mesmo de você.

Retirou os sapatos e caminhou até o Maknae, e juntos os dois passaram quase vinte minutos paparicando a pequena. Não demorou muito para Key começar a preparar o jantar e fazer com que Onew levantasse para ajudá-lo, e tardou menos ainda para Jjong descer, com um humor mais suave. Ele até arriscou brincar com Shin Hye-ah, que sorria largamente para o mesmo, fazendo com que o Dino se vangloriasse, dizendo coisas como “O mel das garotas” e fazendo Taemin gargalhar.

E após o jantar JongHyun pegou-a no colo e subiu as escadas feito um foguete, deixando claro que ia mostrar o resto da casa para a menina e ignorando Key, que dizia algo sobre ela não gravar muitas coisas ainda. Abriu a porta do quarto que MinHo dividia com Taeminnie e deixou que a menina andasse livremente pelo cômodo, e atrás de si, os donos do lugar observavam as gargalhadas da menina conforme avistava cada vez mais bichos de pelúcia.

— Já estou vendo que logo ficarei sem nenhum. — Minnie resmungou contra o peito de MinHo, que ria. — Yah! Não é engraçado.

E o próximo cômodo foi o que dividia com Key, e um sorriso pervertido emergiu nos lábios cheios quando olhou para a cama de casal desforrada e relembrou a razão para isso. Key empurrou- levemente para o lado antes de pegar Hyennie no colo e sair dali com os olhos tão perigosos quanto aos de uma ave de rapina.

— Vamos deixar que ela ande pelo cômodo em que vai dormir.

Lee Jinki se jogou sobre sua cama sem dar muita importância para algazarra que se formara em seu quarto, enquanto Hye-ah corria envolta da cama dando altas gargalhadas e segurando o pequeno elefante da sorte de Taemin, que choramingava. Os meninos estavam surpresos por ela não estranhar, e Key levantou a hipótese de que era pelo fato de estar acostumada com o rosto do líder, ou, por achar que logo iria para a casa. E com isso em mente acabaram por montar um plano para as possíveis crises noturnas da menina, sabendo que o mais velho nunca saberia lidar o que fazer.

E de repente a menina parou de frente para Onew. Tirou o dedo da boca e o levou até as bochechas inchadas do menino, tocando de leve. Nenhum resultado, ele não abrira os olhos. Apertou o bicho de pelúcia nos braços dando um gritinho estridente, mas nada, nem mesmo uma breve interrupção nos outros que formavam os grupos de apoio. Frustrada ela levou a mão até os olhos do menino e tentou abri-los a força, mas não conseguiu nada além de uma risada de Onew, e quando determinada tentou subir na cama para bater no rapaz, Lee Jinki a segurou puxando-o para cima da cama, e consequentemente, para baixo de si.

— Você queria me acordar é? É isso? — Indagou a ela em uma voz um tanto patética, fazendo leves cócegas na menina que ria escandalosamente. Os outros se entreolharam abismados com a cena, e antes que algo estragasse a mágica entre o mais novo casal de pai e filha, MinHo fez com que eles se retirassem do cômodo.

— Mas...

— Sem “mas” Kibum. Isso é um milagre que vai nos poupar muita dor de cabeça, deixa para lá.

— Mas... — Reiterou.

JongHyun enlaçou cintura fina do loiro e riu.

— Ele queria a menina só pra si, aposto que está pensando no porque de ter acontecido tão rápido, sabe, a ligação entre eles. — Começou a rumar para o quarto puxando Key pela cintura. — Isso é muito egoísta de sua parte, Kibum. Acho que vou ter que te punir por isso.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.